Exercícios físicos

Olá pessoal! Feliz 2019!
Voltei às atividades nesta semana e eu resolvi este ano, como meta, voltar a correr!
Por coincidência saiu ontem na revista Nature Medicine uma matéria de uma pesquisa realizada no Brasil sobre os benefícios do exercício físico aeróbico! Vocês virão?
Fazer exercícios físicos regularmente melhora o desempenho da memória e parece retardar a ocorrência de esquecimentos nos estágios iniciais da doença de Alzheimer, enfermidade que atinge cerca de 35 milhões de pessoas no mundo e é marcada por perda de memória e redução da capacidade de planejamento. Uma longa sequência de experimentos realizados com células, animais e também seres humanos pelos grupos da neurocientista Fernanda De Felice e do bioquímico Sergio Teixeira Ferreira ajuda agora a explicar por quê. Em um artigo publicado on-line hoje (7/1) na revista Nature Medicine, os pesquisadores brasileiros, ambos professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), apresentam um conjunto robusto de evidências de que o hormônio irisina, liberado pelos músculos durante a atividade física, é importante para a formação da memória e a proteção dos neurônios dos efeitos tóxicos de compostos associados à origem do Alzheimer.
“Não esperávamos que o efeito da irisina sobre a memória pudesse se sobressair tanto entre os dos demais compostos que são liberados pelo exercício físico”, conta De Felice, que também é professora adjunta na Queen’s University, no Canadá. Em dezenas de testes que consumiram sete anos de trabalho, os pesquisadores observaram que, por um lado, a neutralização da irisina prejudicava a formação da memória. Por outro, o aumento da concentração desse hormônio pela prática de exercício físico ou por injeção na corrente sanguínea restaurava o funcionamento dos neurônios e recuperava a capacidade de aprendizado de camundongos geneticamente alterados para apresentarem os sinais da doença de Alzheimer.
O interesse de De Felice pela irisina surgiu há sete anos, pouco depois de esse hormônio ser identificado pela equipe do biólogo Bruce Spiegelman, da Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Em janeiro de 2012, em um congresso de diabetes, Spiegelman apresentou dados sugerindo que a irisina funcionaria como um mensageiro químico da atividade física – por isso seu nome homenageia Íris, a deusa grega mensageira. Liberada durante o esforço físico, a irisina induziria as alterações benéficas do exercício em outros órgãos e tecidos. O grupo de Spiegelman a descrevera em janeiro daquele ano na revista Nature.
Experimentos feitos com roedores pela equipe de Harvard indicavam que o hormônio atuava sobre o tecido adiposo branco – abundante nos mamíferos adultos e formado por células que armazenam energia na forma de gordura –, transformando-o em tecido adiposo marrom – escasso nos mamíferos a partir da idade adulta, que transforma a energia armazenada em calor. “Tive a sorte de estar na audiência e suspeitar que a irisina pudesse ter também alguma ação no cérebro”, lembra a neurocientista brasileira.
Há quase duas décadas De Felice e Ferreira, que são casados e parceiros de pesquisa, dedicam-se a investigar as transformações bioquímicas e celulares que ocorrem no cérebro nos estágios iniciais do Alzheimer. Por volta de 2009, eles já haviam observado que outro hormônio produzido fora do sistema nervoso central – a insulina, secretada pelo pâncreas – desempenhava um papel importante no cérebro. Nas pessoas sadias, ela ajuda na formação da memória e previne danos nos neurônios, as células cerebrais que processam a informação, originando o pensamento e as memórias. Nas pessoas com Alzheimer, a insulina deixa de funcionar adequadamente, facilitando os danos às células cerebrais e o esquecimento (ver Pesquisa FAPESP nº 157).
Para descobrir se a irisina poderia produzir algum efeito clinicamente relevante no sistema nervoso central, o primeiro passo de De Felice foi comparar o nível desse hormônio em pessoas sem problemas neurológicos e com diferentes estágios de doenças neurodegenerativas, entre elas o Alzheimer. Em colaboração com a neurocientista Fernanda Tovar-Moll, pesquisadora da UFRJ e do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor), Fernanda De Felice analisou o nível de irisina no sangue e no líquido cefalorraquidiano de 26 pessoas sadias, 14 com perda moderada de memória, 14 com Alzheimer, 13 com demência de outro tipo, com corpos de Lewy.
O nível de irisina no sangue era semelhante nos quatro grupos, mas a concentração do hormônio caía pela metade no líquido cefalorraquidiano das pessoas com Alzheimer e demência com corpos de Lewy. Era um sinal de que nas doenças neurodegenerativas a concentração de irisina estaria baixa apenas no sistema nervoso central, mas normal no restante do organismo. Tovar-Moll e De Felice notaram ainda que, dos 60 aos 80 anos, o nível do hormônio aumentava no sistema nervoso das pessoas sem problemas neurológicos enquanto permanecia constante naquelas com Alzheimer.
Na Universidade de Kentucky, Estados Unidos, a fisiologista Donna Wilcock e sua equipe verificaram que a concentração de irisina estava reduzida à metade no hipocampo, estrutura cerebral associada à formação da memória, de pessoas com Alzheimer avançado, quando comparada ao nível nos indivíduos saudáveis, do grupo de controle. “Como o nível do hormônio estava baixo em quem tinha a doença, nos perguntamos se ele teria um papel importante no funcionamento dos neurônios”, explica De Felice.
Na etapa seguinte, os neurocientistas Mychael Lourenço, da UFRJ, e Rudimar Frozza, da Fundação Oswaldo Cruz, iniciaram uma série de experimentos com roedores para tentar descobrir sobre quais células cerebrais a irisina agia e como. Em um primeiro teste, eles injetaram no hipocampo de ratos saudáveis um vírus capaz de reduzir a produção de irisina e verificaram que os neurônios perderam a capacidade de fazer conexões (sinapses) uns com os outros, fenômeno essencial para a formação e fortalecimento da memória. Os animais que receberam injeção do vírus se saíam pior do que os do grupo de controle nos testes de memória: esqueciam que não deveriam pisar no chão de uma gaiola especial para evitar receber um leve choque na pata e tinham mais dificuldade em diferenciar objetos antigos de novos colocados na caixa em que estavam.
Se a redução da irisina piorava a memória, será que seu aumento melhoraria a capacidade de recordação nos casos em que o nível cerebral do hormônio é baixo? Lourenço e Frozza, então, usaram três estratégias para elevar o nível de irisina em dois modelos de Alzheimer em camundongos – em um deles, os animais foram alterados geneticamente para apresentar lesões (agregados da proteína beta-amiloide) típicas da doença; no outro, receberam injeção no hipocampo de compostos tóxicos (oligômeros beta-amiloide), precursores dos agregados. Tanto a estratégia direta de aumentar a irisina cerebral, pela injeção de um vírus que aumenta a síntese do hormônio, quanto as indiretas, injeção no sangue periférico ou realização de exercícios intensos, produziram resultados semelhantes: melhoraram a capacidade de recordação dos animais. O efeito benéfico desapareceu quando, mais tarde, os pesquisadores injetaram no cérebro o vírus que diminui a concentração de irisina ou aniquilavam sua ação com anticorpos que a neutralizavam.
“Os resultados sugerem que, além de auxiliar a formação da memória, o hormônio do exercício protege os neurônios de danos das doenças neurodegenerativas”, conta Ferreira, da UFRJ. Suspeita-se que o efeito neuroprotetor da irisina ocorra por duas vias. O hormônio impede a ligação dos oligômeros beta-amiloide aos neurônios, impedindo-os de destruir as sinapses, e estimularia os neurônios a produzir compostos essenciais para a formação da memória, como o fator neurotrófico derivado do cérebro, o BDNF. “Agora é preciso investigar detalhadamente as vias de ação da irisina sobre os neurônios”, afirma De Felice, que obteve um financiamento de US$ 150 mil da Sociedade de Alzheimer do Canadá para a etapa concluída do estudo. Ela planeja observar se os mesmos efeitos benéficos ocorrem em um modelo de Alzheimer em macacos.
“O estimulante eixo músculo-cérebro descoberto por esse estudo expande ainda mais o papel que os tecidos periféricos podem desempenhar sobre a saúde e as doenças do cérebro”, escreveu a neurocientista Li Gan, da Universidade da Califórnia em São Francisco, e diretora do Instituto Helen e Robert Appel de Pesquisa em Doença de Alzheimer da Weill Cornell Medicine, em Nova York, em um comentário que acompanhou o artigo na Nature Medicine.
Caso novos estudos com animais e seres humanos confirmem a ação neuroprotetora da irisina, o hormônio pode, no futuro, tornar-se um candidato a auxiliar no tratamento dos estágios iniciais do Alzheimer, enfermidade contra a qual não há medicação eficaz. “Atualmente há vários esforços para identificar moléculas responsáveis pelos efeitos benéficos do exercício”, informa Ferreira. “A irisina é mais uma, além de outras quatro já conhecidas.” Por ora, no entanto, De Felice e Ferreira apostam no potencial preventivo do hormônio. “É importante manter-se fisicamente ativo para obter os benefícios da irisina para o organismo, em especial para o cérebro, reduzindo o risco de desenvolver Alzheimer ou retardando seu início”, afirma a neurocientista.
Artigos científicos
BOSTRÖM, P. et al. A PGC1-α-dependent myokine that drives brown-fat-like development of white fat and thermogenesis. Nature. v. 481, n. 7382, p. 463-8. 11 jan. 2012.
CHEN, X. e GAN, L. An exercise-induced messenger boosts memory in Alzheimer’s disease. Nature Medicine. 7 jan. 2019.
Importante ressaltar que a irisina é um hormônio produzido no músculo esquelético durante exercício e recentemente foram identificados seus receptores em osteoblastos,  responsavel pela fixação de cálcio no ossos… Ou seja, ela também medeia o efeito anti-osteoporose do exercício.
Além disso, há benefícios claros do exercício físico na dor crônica!
E olhem só, no final do ano passado  eu convidei uma amiga para uma entrevista neste segundo episódio do podcast do Por Dentro da Dor Orofacial, a Dyna Mara Ferreira, que trabalha conosco no Bauru Orofacial Pain Group e é aluna do professor Paulo Conti no doutorado do programa de Ciências Odontológicas da Faculdade de Odontologia de Bauru – USP.
Nós estivemos no Congresso Mundial de Dor da IASP em Boston no ano passado e foi uma excelente oportunidade para atualizar os conhecimentos em todas as áreas sobre dor. (Fique de olho que o próximo congresso acontece em 2020 em Amesterdan na Holanda!) A palestra de encerramento do congresso  teve como tema Exercícios físicos e dor e foi ministrada pela Professora e fisioterapeuta Kathleen Sluka. Depois que voltamos a Dyna ministrou uma aula no curso e DTM e Dor Orofacial exatamente sobre este tema, e eu adorei e nem pensei duas vezes: precisava trazer aqui para vocês!
Então, dá um play neste episódio recheado de informações!
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Links:
⁃Site IASP: www.iasp-pain.org
⁃Entrevista com a prof. Sluka: http://bit.ly/entrevistaSluka
⁃Página com informações sobre cursos em 2019: https://julianadentista.com/cursos-dtm-e-dor-orofacial/
⁃Dica do episódio – Site Pain Research Forum da IASP: https://www.painresearchforum.org
Fale comigo:
⁃Lista de transmissão no Whatsapp: http://bit.ly/julianadentista
Falando nisso….
Eu e a Dyna participamos do curso de DTM e Dor Orofacial coordenado pelo Professor Paulo Conti!

O curso é válido para quem quer atender pacientes em DTM e Dor Orofacial em seu consultório bem como para especialistas que gostariam de atualização e conhecer outros assuntos.

Para saber mais sobre o curso, você pode enviar uma mensagem para +55 14 996544386 ou clicar em bit.ly/cursoDTM no seu celular. Ainda no site www.ieobauru.com.br você pode ler mais sobre o curso.

E aguardem que teremos muitas novidades em cursos este ano!

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Os vídeos da vez para estudar Neurofisiologia da Dor

 

Lá no IEO-Bauru, onde há o curso de especialização em DTM e Dor Orofacial coordenado pelo Professor Paulo Conti, estamos  todo o módulo realizando uma reunião científica, o Journal Club, onde sempre escolhemos temas interessantes para estudar. Num deles estudamos como  facilitar o estudo dos processos relacionados a dor. Escolhi mostrar alguns dos vídeos que gosto no youtube!

Como já faz um tempo que fiz uma postagem com estes vídeos do Youtube que gostei para estudar neurofisiologia da dor, acho que está mais do que na hora de atualizar a lista né? Quanto tiver um tempinho sobrando, veja um deles. Ver vídeos ajuda bastante no conhecimento!

Aproveite e conheça o meu canal por lá. Tem poucos vídeos meus mas tem as listas que crio com vídeos que gosto! 🙂

Segue a sequência de vídeos que enviei aos alunos:
1. Aula TED-Ed sobre dor

2. As fases da nocicepção

3. Caminhos da dor

4. Condução:

5. Transmissão (sinapse):

6. Modulação de dor:

  • Teoria do portão:
  • Modulação endógena:
  •  Papel do opióide:

7. Percepção de dor:

E mais uns extras que sugeri que assistissem:

* O mistério da dor crônica:


* Neurônio:


* Como os nervos funcionam?


* Potencial de ação:


* Potencial da membrana:


* Inibidores seletivos de recaptacao de serotonina:

 

#ficaadica

Quer se inscrever na próxima turma do curso de DTM e Dor Orofacial e também participar do Journal Club? Clique aqui!

Falando nisso…

No dia 03 de agosto de 2018 irei ministrar novamente a minha aula favorita: Odontalgias não Odontogênicas em Campinas. Esta aula tem duração de 8 horas e apresentou alguns casos clínicos de interesse aos colegas dentistas para que o conhecimento evite as iatrogenias!

Assim, se quiser participar, entre em contato com a Imajon Cursos. Link para conteúdo programático aqui.

Abraços!!

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2018 – Ano Mundial para Excelência da Educação em Dor

Na última semana a IASP (International Association for Study of Pain) lançou o tema da campanha mundial deste ano: Excelência da Educação em Dor.

Confesso que fiquei radiante! 2018 é um ano no qual quero me dedicar ao máxima a educar e ser educada neste tema que é centro da minha profissão há tantos anos. Quero trocar mais e mais experiências! E não podia ter incentivo maior do que acompanhar as iniciativas da IASP!

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O tema tem como ponto chave “Bridging the gap between knowledge and practice.” – diminuir o abismo entre o conhecimento e a prática. E não é somente foca os profissionais da saúde mas também os pacientes, os órgãos governamentais e dos membros de pesquisa em educação em dor. É uma força tarefa para que conceitos corretos atinjam todas as camadas da população. A educação em dor se mostra uma das ferramentas mais eficazes para o combate da mesma.

Eu sonho com o dia em que a Odontologia (minha área de atuação) reconheça e trabalhe melhor com dor, inclusive na melhor orientação do paciente. Infelizmente ainda é só sonho…. A IASP apresenta neste ano sugestões curriculares para isso.

Para saber mais, acompanhe a hashtag #GYPainEducation nas redes sociais como LinkedIn, Facebook, Instagram e Twitter!

Na página oficial da IASP você pode também ter acesso ao material produzido por eles (em breve a SBED – Sociedade Brasileira para Estudo da Dor – deve realizar a tradução destes textos).

Sobre a educação para a população, em tradução livre minha coloco o que a IASP citou:

A educação da população pode ajudar a reduzir o peso da dor na sociedade. Aqui estão cinco razões pelas quais a educação  sobre a dor pode ser altamente benéfica:

1. As pessoas que recebem essa educação podem tomar medidas para evitar a dor, como praticar técnicas adequadas de alongamento e atividade física, e podem se dedicar a uma autogestão oportuna e útil quando a dor atinge.

2. As pessoas educadas sobre a dor podem dar conselhos e assistência adequados aos familiares, amigos e colegas com dor.

3. Nas interações com os prestadores de cuidados de saúde, as pessoas com conhecimento em dor podem advogar e aceitar o tratamento adequado para dor aguda e crônica que eles ou membros da família experimentam.

4. Um público educado pode atuar a nível comunitário para minimizar os riscos que contribuem para lesões causadoras de dor; por exemplo, jovens que praticam esportes de contato ou em comunidades que podem ser propensas a apresentar calçadas em estado de destruição (que podem gerar lesões dolorosas).

5. Os cidadãos educados podem defender políticas públicas melhoradas de prevenção e controle da dor, tais como requerimentos razoáveis de capacete esportivo, acesso legal a medicamente necessários e reembolso de seguro médico de cuidados de dor interdisciplinares.

E como pode ser realizada esta educação? De várias formas! Uma delas (e a primeira citada pela IASP) é através da Internet! Olhe a oportunidade bem ao nosso alcance! Invista em redes sociais, vídeos instrutivos, postagem com conteúdo. Use ao favor da educação em dor!

Todos nós só temos a ganhar! 🙂

E ainda dentro deste tema, a SBDOF – Sociedade Brasileira de Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial – criou uma publicação chamada Cadernos da SBDOF que tem como editora a professora Liete Zwir, revisão científica dos professores Antônio Sérgio Guimarães e Paulo Conti. No primeiro volume, o atual presidente da SBDOF,  Reynaldo Leite Martins Júnior, escreveu sobre DTM para pacientes. Excelente material para enviarmos aos nossos pacientes. Aqui no site e em PDF: Caderno SBDOF número 1 (versão que pode ser impressa em gráfica).

Mais uma dica: já escrevi aqui sobre o site  Pesquisa em Dor . Mas a dica é boa e vale a pena repetir. O site tem uma área para os pacientes e uma área para profissionais. Na área de pacientes há explicações sobre dor que aparecem de forma lúdica e didática, o que atiça a curiosidade e facilita o entendimento. Veja por exemplo Caminho da Recuperação. A área para profissionais reúne ferramentas que podemos utilizar na nossa rotina clínica (inclusive a escala de cinesiofobia que já falamos aqui), manual para utilizar o caminho da recuperação com seu paciente e algo que acho essencial: estratégias para educar seu paciente com relação a dor.

E por fim, sobre cursos e eventos, vou atualizar a página em breve com toda a agenda de 2018! Os cursos em Bauru, coordenados pelo professor Paulo Conti, estão com lista de espera e novas turmas estão planejadas para segundo semestre. Entre em contato com IEO-Bauru para mais informações! Em Florianópolis começa em março um curso de aperfeiçoamento em Disfunção Temporomandibular na Zenith comigo, Prof. Conti e Prof. Rafael Santos Silva! Serão 6 módulos de 3 dias cada com clínica e 144 horas de muita informação! Últimas vagas no link. Ainda, há previsão de curso em João Pessoa,de atualização, na COESP, ainda com datas a serem definidas no segundo semestre! Ufa! E tem grupo de estudos, Dia do Bruxismo (Com agenda lotada!! Clique aqui e veja todas as datas) e mais os congressos na área de Dor! Vale um destaque ao meu congresso favorito, o Congresso Mundial de Dor da IASP, que acontecerá em setembro, em Boston e eu já comprei minha passagem!!! \o/ Depois farei uma postagem com todos os eventos do ano (CINDOR, ICOT, IADR, SBCe, SBDOF, etc).


Falando nisso…

Pela segunda vez um cirurgião-dentista está na presidência da Sociedade Brasileira de Estudo (SBED), Prof. Dr. Eduardo Grossmann assumiu e estará a frente da SBED pelos anos 2018 e 2019. Prof. José Tadeu Tesseroli de Siqueira foi o outro cirurgião-dentista a comandar a SBED. É orgulho a nossa classe! Votos de excelente gestão ao Prof. Grossmann. Link para seu discurso de posse.

Uso excessivo de medicação analgésica e cefaleia

O assunto é importante: cada dia mais verificamos na clínica de dor que os pacientes abusam de medicamentos analgésicos, muitas vezes sem indicação profissional, na tentativa desesperada de controlar sua dor, ingerindo em doses desproporcionais e em alta frequência.
Além dos problemas relacionados aos efeitos colaterais das drogas como os efeitos deletérios ao sistema gastrointestinal, sangramentos, etc, o uso excessivo destas medicações podem auxiliar na perpetuação da dor crônica, provocando um efeito que não é esperado por muitos dos pacientes.
Uma das condições conhecidamente agravada pelo uso abusivo dos medicamentos é a cefaleia primária.
Ainda se discute se a cefaleia por uso excessivo de medicamentos seria uma cefaleia secundária ou um fator relacionado a cronificação da cefaleia primária.
O fato é que um problema de saúde mundial, que afeta cerca de 0,5 a 7,6% da população. Em estudos realizados na Escandinávia, a prevalência deste tipo de cefaleia chega a 1 a 2%, contabilizando em torno de 50% dos pacientes com cefaleia crônica diária (mais de 15 dias por mês de dor de cabeça), com prevalência maior entre as mulheres.

 

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Alguns fatos:

  • Mais comum em mulheres (3-4:1)
  • Diagnóstico de migrânea entre 60 a 80% dos pacientes
  • Histórico de cefaleia frequente é um dos fatores de risco
  • Nos EUA, os analgésicos mais consumidos nestes casos são os que contém cafeína, triptanos e opióides.
  • Pacientes que usam a medicação de forma preemptiva (antes da dor realmente acontecer) merecem atenção uma vez que aumenta o risco do abuso.
Esta cefaleia pode ser prevenida e tratada. Sugiro a leitura do texto: “Preventing and treating medication overuse headache” publicado recentemente na revista Pain Reports sobre este assunto. Clique aqui para ir direto ao link.
Falando nisso…
A revista Pain Reports é uma publicação da IASP – Associação internacional de Estudo da Dor – e está gratuita online para todos.
Coloque aí na sua lista de leitura! Vale a pena acompanhar.
#ficaadica

Sono e Disfunção Temporomandibular

Ter uma boa noite de sono é reconhecidamente necessário para a manutenção da saúde e bem estar físicos e mentais. A Associação Brasileira do Sono, Associação de Medicina do Sono e Associação de Odontologia do Sono promovem a Semana do Sono entre os dias 13 e 19 de março.

Esta iniciativa tem o intuito de levar até a população conhecimento sobre o sono, as últimas novidades na pesquisa e informações importantes. É primordial dormir bem para o bem estar geral!

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Toda a programação do evento e informações estão no site: http://www.semanadosono2017.com.br

Em média, um adulto dorme de 6 a 9 horas por noite. Dormir menos de 5 horas pode ser considerado uma privação de sono, levando a alterações de humor e disfunção social. Se constante e prolongada, a privação do sono pode levar a complicações mentais, cardiovasculares e aumentar a frequência e intensidade da dor. Entre 50 a 90% dos pacientes com dor aguda, a ocorrência da dor geralmente precede as queixas de uma noite de sono ruim. Entretanto, estudos com pacientes com dor crônica indicam uma influência bidirecional: uma noite de sono ruim ser seguida pelo aumento da dor no dia seguinte e, um dia com alta intensidade de dor é seguido por uma noite ruim de sono.

Distúrbios do sono, sobretudo insônia, podem contribuir para desregulação do sistema de modulação de dor e ocasionar aumento na intensidade de dor. Já mostrei aqui no blog um trabalho de Smith e colaboradores que demonstraram que a presença de insônia contribui para redução no limiar de dor em pacientes com dor na musculatura mastigatória.

Então, aproveitando a Semana do Sono fui verificar o que há de novo na literatura e encontrei um estudo recente (Rener-Sitar et al., 2016) que comparou pacientes com DTM com voluntários saudáveis com relação a qualidade do sono. Achei interessante porque eles não trabalharam apenas com um diagnóstico e sim com os 8 que englobam a classificação do RDC/TMD, além de usarem os questionários de eixo II (verificaram sintomas de ansiedade, depressão, somatização e grau de disfunção). Incluiram inclusive exames de imagem para comprovar os diagnósticos articulares.

Para verificar a qualidade do sono utilizaram o questionário de Pittsburg.

Os resultados do estudo demonstraram que os diagnósticos que curam com dor, ou seja, DTMs dolorosas são aquelas em que a qualidade do sono está significativamente prejudicada, bem como em pacientes que apresentavam sofrimento psicossocial e incapacidade à dor, particularmente dor disfuncional. Este fato só corrobora com o que sempre verificamos entre dor e sono, que embora pareça lógico, poucos estudos abordaram ainda esta questão.

Interessante relatar também que os pacientes com DTM não dolorosa (exemplo, deslocamento do disco com redução) apresentaram índices de qualidade do sono similares aos voluntários saudáveis.

Avaliar a qualidade do sono nessa população pode ajudar a caracterizar melhor esses pacientes e, o mais importante, abordar a sua deficiência de sono pode oferecer uma outra abordagem terapêutica para reduzir o sofrimento relacionado com a dor (Rener-Sitar et al., 2016).

Aproveite este momento e clique aqui para ler um post de 2010 que escrevi  sobre avaliação do sono em pacientes com dor orofacial. Nela há o link para alguns métodos de avaliação. É essencial que o clínico avalie os hábitos ao dormir do paciente e determine se ele apresenta sinais e sintomas de distúrbios do sono como insônia, Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono, que muito mais do que o Bruxismo do Sono, parecem estar envolvidos na manutenção da dor do paciente com DTM!

É importante que o clínico esteja preparado não só para identificar problemas relacionados ao sono como também iniciar orientações ao paciente. O tratamento do sono pode incluir terapias comportamentais com ou sem uso de medicamentos que melhoram o sono.

Quando sinais e sintomas de um distúrbio do sono primário são encontrados, o cirurgião-dentista deve considerar encaminhar o paciente para o médico, especialmente os habilitados para a Medicina do Sono. Medidas de higiene do sono podem ser implementadas para melhorar a qualidade do sono do paciente.

Além de observar aspectos relacionados diretamente ao sono, é importante que o clínico identifique pensamentos catastróficos relacionados a dor e aprimore sua abordagem ao tentar reduzi-los. Isto pode levar a uma melhora no sono e consequentemente controle da dor do paciente.

#ficaadica

 

 

 

 

 

Trismo: um sinal, vários motivos

Eu sempre faço alguns prints de coisas que quero usar em aula, que são interessantes e coloco em uma pasta (é a versão digital do recorte de jornal, rs…).
Hoje abri a pasta e me deparei com uma tabela denominada “Causas de Trismo”.
Acho super importante listar os motivos pelo qual o paciente não consegue abrir a boca. Quando começarmos a estudar um assunto pensamos que o sinal sempre é em decorrência de um diagnóstico mais comum.
Trismo por exemplo, em quem começa na área de DTM, imediatamente tem como primeiro pensamento: deslocamento de disco sem redução da ATM. Apesar de ser um dos problemas mais comuns, devemos ficar atentos e realizar diagnóstico de todos os possíveis motivos pelo qual a boca não abre quando não se consegue atribuir à causa mais típica. A ideia é partir do mais comum aos diagnósticos menos comuns e para isso recomendo que vocês estudem os sinais e sintomas de cada uma das patologias listadas abaixo.
Vamos a lista?
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Segue abaixo:
Infecção
Os trismo pode ter como fator causal processos infecciosos que podem ser odontogênicos (mais comuns) ou não. Entre os odontogênicos as principais causas são: pulpar, periodontal e pericoronal. Os três casos podem envolver, por exemplo, abcessos.
Entre as causas não odontogênicas estão: abcesso ao redor das tonsilas (conto sempre em aula do caso que atendi que era abcesso retrofaringeo), em parótida, submassetérico, infratemporal e outros processos como meningite,  encefalite e até tétano.
Trauma
Devemos sempre questionar históricos de trauma. Se o paciente relata  trauma, as principais causas de trismo são fratura de mandíbula, de arco zigomático, de base de crânio, e presença de corpo estranho. Histórico de trauma pode levar a miosite ossificante (tipo de DTM muscular bem rara, aguarde post sobre ela em breve) ou fibrose muscular pós trauma, queimadura ou cirurgia.
Relacionada a tratamento odontológico
Inflamação dos tecidos ou músculos pós exodontia de terceiros molares (dentes do ciso) é a causa mais comum desta categoria. Atém disso, trauma pela agulha (ou até infecção) em bloqueios anestésico do nervo alveolar inferior (mandibular) também ocorre com certa frequência. São citadas nesta categoria também: hematoma com fibrose também pós bloqueio do alveolar inferior e cicatriz tecidual pós dissecção muscular realizada em cirurgia (é raro mas tive uma paciente assim há uns 10 anos atrás).
Disfunção Temporomandibular
Agora sim, vamos lá a categoria mais comum no consultório do especialista em DTM e Dor Orofacial! Quando pensamos em trismo, podemos logo atribuir a um problema mecânico da ATM, o que realmente é o grande vilão do travamento fechado. Nesta categoria entra o deslocamento do disco sem redução. Mas outros problemas podem levar a trismo que podemos denominar de articulares: osteoartrites, artrites reumatóides, fibroses e anquiloses.
Mas tem um tipo de DTM que tem relação com trismo e algumas pessoas esquecem que é o trismo muscular por dor miofascial (que pode ainda se agravar se o paciente apresentar cinesiofobia). O diagnóstico diferencial entre problemas articulares e musculares deve ser realizado! O uso de spray gelado seguido de alongamento ou manobras para travamento fechado fazem parte do arsenal diagnóstico nestes casos na clínica, além de claro, os exames de imagem para quadros articulares.
Tumores (primários ou metástases)
Invasão tumoral em músculos mastigatórios, ATM ou ramo da mandíbula. (Aproveitem e leiam a postagem que fiz sobre Síndrome do Queixo Dormente – a paciente apresentava metástase do temos de câncer de mama nas vértebras cervicais – preciso atualizar lá!).
Radioterapia
Osteorradionecrose e fibrose pós radiação são as condições citadas nesta categoria.
Congênita
A hipótese mais comum é a hiperplasia do processo coronóide (há uma artigo do Bauru Orofacial Pain Group de 2012 com um relato de caso sobre isso, leia aqui).
Aqui também se encaixa a síndrome raríssima chamada Síndrome de Hecht ou Dutch-Kennedy.
Doenças Sistêmicas
Há relatos de trismo por lupus eritematoso, esclerosadaderma e arterite temporal (leia aqui postagem sobre este assunto).
Problemas relacionados ao Sistema Nervoso Central
Acidente cerebrais vasculares, esclerose múltipla, compressão vascular do nervo trigêmeo e doença de Parkison são condições que podem apresentar trismo em sua sintomatologia.
Causas diversas
Aqui nesta categoria encaixa-se todo o resto. Uma das causas mais comuns, que acompanha muitas vezes a DTM muscular, como citei, é a Cinesiofobia (paciente com medo do movimento de abrir a boca) e devemos saber identificar e educar o paciente com relação a isso.
Mais raros aparece nesta categoria a doença de Gaucher (genética e progressiva).
Pronto, lista colocada. Infelizmente salvei a tabela e não o artigo de onde a retirei. Terei que vasculhar o computador aqui!
Lembre-se, trismo é um sinal e não um problema em si. Procure as possíveis causas.
Abraços e boa semana a todos!

Onde eu atendo os pacientes com DTM?

Eu acho que nunca escrevi aqui no blog sobre meus locais de atendimento, apesar de sempre no menu estarem localizados estes endereços.

Mas sabe resolução de 2017? Então, resolvi que neste ano vou divulgar mais os locais onde recebo pacientes ansiosos para o controle de suas dores, disfunções e bruxismo.

Para isso ano passado fiz um site totalmente novo, voltado para o público leigo no endereço: www.dentistajuliana.com.br

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O site é informativo e aos poucos estou atualizando os textos.

Uma das coisas bacanas que resolvi colocar é um teste de sintomas de DTM. Assim, antes da visita, o paciente pode perceber dados relevantes sobre sua queixa.

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Ainda, acompanhando as novas tendências, intensificamos o contato via Whatsapp com números específicos para os dois consultórios. Hoje atendo em Ribeirão Preto e Franca.

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Além deste atendimento particular, faço parte do Bauru Orofacial Pain Group e auxilio atendimentos nas clínicas de DTM e Dor Orofacial no IEO-Bauru uma vez no mês. Lá o atendimento é de baixo custo (mais informações 14-3234 1919).

Assim, caso precisem ser atendidos ou mesmo encaminhar pacientes, estão aí meus contatos!

Falando nisso….

E por falar nos cursos de Bauru, o curso de Atualização em DTM e Dor Orofacial coordenado pelo Prof. Paulo Conti está com vagas quase esgotadas! Corra! Início dia 16/02/2017 e com novidades! 🙂

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Aula ministrada sobre Fibromialgia

Em 2013 resolvi montar uma aula sobre Fibromialgia e acrescentar alguns quadros que gosto muito ao contexto! Gostei tanto que 3 anos depois ainda ministro a mesma aula, só atualizando alguns slides.

Fiz uma postagem aqui sobre o assunto e inclusive sobre cada quadro que citei e porque Fibromialgia é tão importante na minha vida. Para ler clique aqui e aqui.

Hoje me lembrei do site Slideshare que permite deixar a aula em slides para visualização. Coloquei a aula para todos vocês!

(Tenho algumas aulas por lá também sobre outros assuntos. Confira no link: http://www.slideshare.net/julianadentista)

E para terminar o assunto, que tal ler alguns artigos recentes sobre fibromialgia e dor difusa? Seguem alguns gratuitos e que tem participação de um dos meus autores favoritos: Prof. Daniel Clauw.

Bom feriado a todos! 🙂

 

Rapidinhas: webinar sobre exercícios físicos e dor

Assisti esta aula no Congresso Mundial de Dor e achei muito bacana!

Agora acontecerá dia 18/11 um Webinar (se você não sabe é tipo um seminário via internet).

É gratuito mas você precisa registrar-se. Aproveite que tanto a palestrante como os debatedores são de primeira linha!  Link aqui!

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Rapidinhas: artigos sobre Dor Orofacial gratuitos na IASP

No final do mês passado participei do Congresso Mundial de Dor promovido pela Associação Internacional de Estudo a Dor (IASP). De lá fiz uma transmissão ao vivo, via Periscope e encontrei o Prof. Gary Heir da Rutgers School of Dental Medicine que mandou um recado bem bacana a todos: visitem a página do grupo de Dor Orofacial da IASP! E há um motivo bem bacana para que você faça isso: o grupo disponibilizou textos que recentemente foram atualizados sobre algumas condições de dor orofacial para download! Os textos estão disponíveis inclusive em Português.

Ou seja, não perca tempo, clique aqui e leia já!

#ficaadica

Não deixe de acompanhar as transmissões via Periscope! www.periscope.tv/dororofacial

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