Rapidinhas: de volta!

Nossa, o Congresso Brasileiro de Dor Orofacial á terminou h10 dias mas ainda não consegui colocar todas as tarefas em dia!

Assim, vou voltar aos poucos por aqui! Peço a paciência de todos (não deixem de ler o blog!).

Também estou voltando aos estudos aos poucos. Quantos artigos super bacanas para ler! O dia precisava ter 36 horas.

Na semana passada vi que a revista Cephalalgia lançou uma edição especial somente sobre dor orofacial. Vale a pena dar uma conferida! Infelizmente nem todo conteúdo está aberto, mas dois artigos estão! Confira abaixo:

One nerve, three divisions, two professions and nearly no crosstalk? – Editorial de Arne May (médico neurologista que ministrou aula sensacional no congresso da IASP)  e Peter Svensson (dispensa apresentações, né?).

History of facial pain diagnosis – Joanna M Zakrzewska (sou fã número 1) e Troels S Jensen. – este artigo mostra que a Neuralgia do Trigêmeo é reconhecida há tempos… e como ainda há profissionais que não a consideram no diagnóstico (ou fazem um diagnóstico errôneo).

Mas se você está triste pois não conseguiu abrir todo o conteúdo, saiba que há uma revista de impacto bom que é totalmente aberta na área: Journal Headache and Pain.

Dentro da revista há vários artigos interessantes, mas se você não sabe por onde começar, faça uma busca dentro do site ou verifique a lista de artigos mais citados na literatura ou nas redes sociais. Clique aqui e tenha acesso.

Falando nisso…

E por falar em redes sociais, vira e mexe eu apareço com alguma dica, novidade ou até mesmo desabafos no Instagram Stories. Siga por lá! www.instagram.com/dtmdororofacial

e continuamos…

Facebook: www.facebook.com/dororofacial

Canal Youtube: Por Dentro da Dor Orofacial

Você já viu o vídeo sobre DTM?

 

 

 

 

 

Canal do blog no YouTube

Olá!

Estou bem sumida estes dias mas por um motivo especial! Estamos nos preparativos finais para o III Congresso Brasileiro de Dor Orofacial! Já são mais de 600 inscritos e restam poucas vagas, então, se você deseja participar corra e faça sua inscrição pelo site http://bit.ly/sbdof2017

Mas a novidade é que fiz um canal no YouTube para o blog! A intenção inicial, neste momento sem tempo, não é fazer vídeos meus mas achei que seria prático deixar as playlists de vídeos que gosto lá para quem quiser assistir!

Postei dois vídeos.

O primeiro abaixo é da programação do Congresso (sim, ando sem outro assunto…)!

O segundo foi uma aula que gravei para a turma de graduação coordenada pelo Prof. Roberto Pedras lá em Belo Horizonte. O assunto foi DTM e me perdoem pois está bem amador! 🙂

Por fim, fiz a primeira playlist com 5 vídeos bacanas sobre Mecanismos de Dor Orofacial!

Se você quer acompanhar todos as playlists e vídeos vindouros, basta assinar o canal (o ápice de ser blogueira é ter um canal do YouTube não é, então plagiando toda a nação de digital influencers do mundo, curta, compartilhe, comente e assine o canal!)

🙂

Volto assim que der!

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Trismo: um sinal, vários motivos

Eu sempre faço alguns prints de coisas que quero usar em aula, que são interessantes e coloco em uma pasta (é a versão digital do recorte de jornal, rs…).
Hoje abri a pasta e me deparei com uma tabela denominada “Causas de Trismo”.
Acho super importante listar os motivos pelo qual o paciente não consegue abrir a boca. Quando começarmos a estudar um assunto pensamos que o sinal sempre é em decorrência de um diagnóstico mais comum.
Trismo por exemplo, em quem começa na área de DTM, imediatamente tem como primeiro pensamento: deslocamento de disco sem redução da ATM. Apesar de ser um dos problemas mais comuns, devemos ficar atentos e realizar diagnóstico de todos os possíveis motivos pelo qual a boca não abre quando não se consegue atribuir à causa mais típica. A ideia é partir do mais comum aos diagnósticos menos comuns e para isso recomendo que vocês estudem os sinais e sintomas de cada uma das patologias listadas abaixo.
Vamos a lista?
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Segue abaixo:
Infecção
Os trismo pode ter como fator causal processos infecciosos que podem ser odontogênicos (mais comuns) ou não. Entre os odontogênicos as principais causas são: pulpar, periodontal e pericoronal. Os três casos podem envolver, por exemplo, abcessos.
Entre as causas não odontogênicas estão: abcesso ao redor das tonsilas (conto sempre em aula do caso que atendi que era abcesso retrofaringeo), em parótida, submassetérico, infratemporal e outros processos como meningite,  encefalite e até tétano.
Trauma
Devemos sempre questionar históricos de trauma. Se o paciente relata  trauma, as principais causas de trismo são fratura de mandíbula, de arco zigomático, de base de crânio, e presença de corpo estranho. Histórico de trauma pode levar a miosite ossificante (tipo de DTM muscular bem rara, aguarde post sobre ela em breve) ou fibrose muscular pós trauma, queimadura ou cirurgia.
Relacionada a tratamento odontológico
Inflamação dos tecidos ou músculos pós exodontia de terceiros molares (dentes do ciso) é a causa mais comum desta categoria. Atém disso, trauma pela agulha (ou até infecção) em bloqueios anestésico do nervo alveolar inferior (mandibular) também ocorre com certa frequência. São citadas nesta categoria também: hematoma com fibrose também pós bloqueio do alveolar inferior e cicatriz tecidual pós dissecção muscular realizada em cirurgia (é raro mas tive uma paciente assim há uns 10 anos atrás).
Disfunção Temporomandibular
Agora sim, vamos lá a categoria mais comum no consultório do especialista em DTM e Dor Orofacial! Quando pensamos em trismo, podemos logo atribuir a um problema mecânico da ATM, o que realmente é o grande vilão do travamento fechado. Nesta categoria entra o deslocamento do disco sem redução. Mas outros problemas podem levar a trismo que podemos denominar de articulares: osteoartrites, artrites reumatóides, fibroses e anquiloses.
Mas tem um tipo de DTM que tem relação com trismo e algumas pessoas esquecem que é o trismo muscular por dor miofascial (que pode ainda se agravar se o paciente apresentar cinesiofobia). O diagnóstico diferencial entre problemas articulares e musculares deve ser realizado! O uso de spray gelado seguido de alongamento ou manobras para travamento fechado fazem parte do arsenal diagnóstico nestes casos na clínica, além de claro, os exames de imagem para quadros articulares.
Tumores (primários ou metástases)
Invasão tumoral em músculos mastigatórios, ATM ou ramo da mandíbula. (Aproveitem e leiam a postagem que fiz sobre Síndrome do Queixo Dormente – a paciente apresentava metástase do temos de câncer de mama nas vértebras cervicais – preciso atualizar lá!).
Radioterapia
Osteorradionecrose e fibrose pós radiação são as condições citadas nesta categoria.
Congênita
A hipótese mais comum é a hiperplasia do processo coronóide (há uma artigo do Bauru Orofacial Pain Group de 2012 com um relato de caso sobre isso, leia aqui).
Aqui também se encaixa a síndrome raríssima chamada Síndrome de Hecht ou Dutch-Kennedy.
Doenças Sistêmicas
Há relatos de trismo por lupus eritematoso, esclerosadaderma e arterite temporal (leia aqui postagem sobre este assunto).
Problemas relacionados ao Sistema Nervoso Central
Acidente cerebrais vasculares, esclerose múltipla, compressão vascular do nervo trigêmeo e doença de Parkison são condições que podem apresentar trismo em sua sintomatologia.
Causas diversas
Aqui nesta categoria encaixa-se todo o resto. Uma das causas mais comuns, que acompanha muitas vezes a DTM muscular, como citei, é a Cinesiofobia (paciente com medo do movimento de abrir a boca) e devemos saber identificar e educar o paciente com relação a isso.
Mais raros aparece nesta categoria a doença de Gaucher (genética e progressiva).
Pronto, lista colocada. Infelizmente salvei a tabela e não o artigo de onde a retirei. Terei que vasculhar o computador aqui!
Lembre-se, trismo é um sinal e não um problema em si. Procure as possíveis causas.
Abraços e boa semana a todos!

Edição especial do Journal of Dental Research para Dor Orofacial

A revista científica Journal of Dental Research é uma das mais importantes na Odontologia, com fator de impacto 4.602.

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No mês de Setembro o fascículo é dedicado a Dor Orofacial, destacando algumas revisões e pesquisas na área. Indico para os clínicos a leitura das revisões! Estão excelentes, especialmente gostei da de Sono e Dor Orofacial, reunindo dois craques no assunto: Gilles Lavigne e Barry Sessle.

Se vc é sócio da IADR – International Association of Dental Research – ou vinculado a uma instituição com acesso, você pode ter acesso a todo o fascículo. Caso contrário, infelizmente, nem todo conteúdo estará disponível. Vale escrever para os autores ou procurar no Research Gate para conseguir! A outra opção só conto para os espectadores do Periscope (siga lá: @dororofacial).

Entre os artigos gratuitos está a revisão assinada pelos pesquisadores envolvidos no estudo OPPERA, que completa uma década de publicações sobre fatores de risco para  dor por Disfunção Temporomandibular. Esta revisão destaca os principais pontos e achados em todo este período.

Segue o resumo:

G.D. Slade, R. Ohrbach, J.D. Greenspan, R.B. Fillingim, E. Bair, A.E. Sanders, R. Dubner, L. Diatchenko, C.B. Meloto, S. Smith, and W. Maixner

‘In 2006, the OPPERA project (Orofacial Pain: Prospective Evaluation and Risk Assessment) set out to identify risk factors for development of painful temporomandibular disorder (TMD). A decade later, this review summarizes its key findings. At 4 US study sites, OPPERA recruited and examined 3,258 community-based TMD-free adults assessing genetic and phenotypic measures of biological, psychosocial, clinical, and health status characteristics. During follow-up, 4% of participants per annum developed clinically verified TMD, although that was a “symptom iceberg” when compared with the 19% annual rate of facial pain symptoms. The most influential predictors of clinical TMD were simple checklists of comorbid health conditions and nonpainful orofacial symptoms. Self-reports of jaw parafunction were markedly stronger predictors than corresponding examiner assessments. The strongest psychosocial predictor was frequency of somatic symptoms, although not somatic reactivity. Pressure pain thresholds measured at cranial sites only weakly predicted incident TMD yet were strongly associated with chronic TMD, cross-sectionally, in OPPERA’s separate case-control study. The puzzle was resolved in OPPERA’s nested case-control study where repeated measures of pressure pain thresholds revealed fluctuation that coincided with TMD’s onset, persistence, and recovery but did not predict its incidence. The nested case-control study likewise furnished novel evidence that deteriorating sleep quality predicted TMD incidence. Three hundred genes were investigated, implicating 6 single-nucleotide polymorphisms (SNPs) as risk factors for chronic TMD, while another 6 SNPs were associated with intermediate phenotypes for TMD. One study identified a serotonergic pathway in which multiple SNPs influenced risk of chronic TMD. Two other studies investigating gene-environment interactions found that effects of stress on pain were modified by variation in the gene encoding catechol O-methyltransferase. Lessons learned from OPPERA have verified some implicated risk factors for TMD and refuted others, redirecting our thinking. Now it is time to apply those lessons to studies investigating treatment and prevention of TMD.”

É um dos estudos mais completos em se tratando de fator de risco. Entre os resultados, destaque para a importância da qualidade do sono que quando ruim pode predizer a incidência de DTM. Daí a leitura da outra revisão ser tão importante!

O link para o artigo gratuito está aqui: http://jdr.sagepub.com/content/95/10/1084.full.pdf+html

Vou dar um destaque pessoal também a revisão que tem entre os autores o Prof. Daniel Clauw sobre neurofisiologia da dor. Sou fã declarada dos trabalhos deste professor e se você ainda não leu sobre a aula dele que assisti no congresso da AAOP, clique aqui (na postagem tem um link para uma aula inteira no Youtube!).

Vejam todos os artigos deste fascículo:

Clinical Review
G.D. Slade, R. Ohrbach, J.D. Greenspan, R.B. Fillingim, E. Bair, A.E. Sanders, R. Dubner, L. Diatchenko, C.B. Meloto, S. Smith, and W. Maixner

 

R. Ohrbach and S.F. Dworkin

 

D.E. Harper, A. Schrepf, and D.J. Clauw

 

G.J. Lavigne and B.J Sessle
Critical Reviews in Oral Biology & Medicine
K.M. Hargreaves and S. Ruparel

 

T. Berta, Y.J. Qadri, G. Chen, and R.R. Ji
Clinical
C.L. Randall, D.W. McNeil, J.R. Shaffer, R.J. Crout, R.J. Weyant, and M.L. Marazita

 

T. Shinozaki, Y. Imamura, R. Kohashi, K. Dezawa, Y. Nakaya, Y. Sato, K. Watanabe, Y. Morimoto, T. Shizukuishi, O. Abe, T. Haji, K. Tabei, and M. Taira

 

J. Durham, J. Shen, M. Breckons, J.G. Steele, V. Araujo-Soares, C. Exley, and L. Vale

 

B. Häggman-Henrikson, E. Lampa, S. Marklund, and A. Wänman

 

T. Weber, I.A. Boggero, C.R. Carlson, E. Bertoli, J.P. Okeson, and R. de Leeuw

 

H. Meng, Y. Gao, Y.F. Kang, Y.P. Zhao, G.J. Yang, Y. Wang, Y. Cao, Y.H. Gan, and Q.F. Xie
Biological
T. Tamagawa, M. Shinoda, K. Honda, A. Furukawa, K. Kaji, H. Nagashima, R. Akasaka, J. Chen, B.J. Sessle, Y. Yonehara, and K. Iwata

 

K.Y. Yang, M.J. Kim, J.S. Ju, S.K. Park, C.G. Lee, S.T. Kim, Y.C. Bae, and D.K. Ahn

 

M. Yasuda, M. Shinoda, K. Honda, M. Fujita, A. Kawata, H. Nagashima, M. Watanabe, N. Shoji, O. Takahashi, S. Kimoto, and K. Iwata

Falando nisso…

Quer estudar mais sobre Dor Orofacial? Confira os eventos vindouros (hehehe gostei desta palavra)!

  • 01/09: Florianópolis – Curso de Atualização em DTM e Dor Orofacial com 10 módulos coordenado pelo Prof. Paulo Conti e por mim e com participação dos professores Rafael Santos Silva e Roberto Garanhani. Só tem uma vaga!!! www.abosc.com.br
  • 09/09: Joinville – Dia do Bruxismo! Saiba mais em www.diadobruxismo.com
  • 16/09: Campinas – Curso de um dia sobre DTM. Irei abordar aspectos sobre diagnóstico e tratamento e mostrar um pouquinho do que fazemos em Bauru. O curso terá um material online dedicado e demonstração de atendimento. Mais detalhes em www.imajon.com.br
  • 13 e 14/10: Ribeirão Preto: Congresso Brasileiro de Cefaleia e Congresso do Comitê de Dor Orofacial . Estarei lá para palestrar sobre a relação DTM e Bruxismo. www.sbcefaleia.com
  • 27/10: Palmas:  Meeting Internacional Odontológico do Tocantins – vou falar de um tema que gosto muito – as dores persistentes pós tratamento odontológico e quando são atribuídas a problemas neuropáticos. Mais informações: http://meeting.abo-to.org.br
  • 05/11: Recife – Dia do Bruxismo! Saiba tudo sobre este dia em www.diadobruxismo.com

Bruxismo do sono: vilão ou mocinho?

Hoje um texto filosófico. Precisei tirar alguns pensamentos da cabeça e passar para cá!

A cada dia que passa novos trabalhos sobre Bruxismo do Sono (BS) apontam para uma crise de identidade da condição. Vilão ou mocinho?

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Na última segunda feira a colega Anelisa Goulart chamou minha atenção para um artigo de opinião de expert publicado no dia 10 de junho no Journal of Oral Rehabilitation. Neste os professores Karen Raphael, Frank Lobbezoo e V. Santiago questionam se o BS é uma condição que traz prejuízos realmente importantes para a saúde, se é uma desordem ou um comportamento, se é vilão ou mocinho e qual seria então a importância em se realizar o diagnóstico desta condição.

Como escrevi, é um artigo de opinião mas que traz reflexões interessantes.

A pergunta intrigante do artigo é: “seria o BS uma desordem ou um fator de risco para outra desordem? Por que ele tem importância?”

Os estudos com polissonografia falham em apontar que o BS leva a consequências graves para a saúde do paciente. Relacionado ao sono, aqui o bruxismo (como atividade da musculatura mastigatória durante o sono) pode ter um papel de “mocinho” ao ser necessário para estimular a produção de saliva e permitir a lubrificação dos tecidos que participam do sistema digestório. E também hoje ha relatos da associação com resistência a passagem do ar durante o sono, ou mesmo Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS), onde o bruxismo seria o movimento para facilitar a passagem do ar.

Se pensarmos no aspecto vilão do BS, este deveria ser associado a consequências deletérias. Por muito tempo o Bruxismo do Sono foi apontado como fator de risco importante no desenvolvimento das DTMs. Estudos de associação, com métodos de diagnósticos duvidosos suportaram esta afirmativa por mais de 40 anos, até que os estudos com polissonografia começaram a apontar o contrário.

Neste aspecto os autores relatam que o ponto de corte para que o BS seja realmente deletério (seja para dentes, periodonto ou ATM/músculos) pode variar de pessoa para pessoa, ou seja, o impacto é individualizado e  dependente de outros fatores como a vulnerabilidade genética. Aferir com precisão todos estes fatores não é possível.

Se pensarmos nas dificuldades no diagnóstico do BS, o problema se revela ainda maior. Os autores questionam a proposta de graduar o bruxismo em possível, provável e definitivo pela reduzida acurácia no diagnóstico. É muito complicado dizer que o paciente apresenta ou não a condição e se esta está associada a efeitos deletérios.

Por exemplo, e se o paciente não relata apresentar bruxismo, mas na polissonografia mostra um grande número de eventos? Ou mesmo aquele paciente com sinais e sintomas, auto relato mas que nas noites de polissono não apresenta eventos? Complicado…

Os grupos bem definidos ainda são os extremos, ou seja, aqueles pacientes que apresentam frequentemente BS ou que nunca apresentaram. Mas, pelo o que apontam os coeficientes de variabilidade de eventos de BS, aqueles pacientes ditos com poucos ou moderados eventos são a maioria. E as ferramentas disponíveis podem falhar na detecção.

Para finalizar os autores perguntam: quando e por que iniciar um tratamento para BS? Se em alguns casos ele é “mocinho”, por que controlá-lo? E quando ele realmente é “vilão”? Como identificar isso? Aí precisa de tratamento?

É um texto provocador mesmo, e isso para ciência é interessante. O que fazemos hoje é usar a melhor maneira possível para entender o BS, para compreender quando ele pode apresentar um ou outra característica, quando ele está ativo ou não.

Ainda, precisamos evoluir e muito no estudo do Bruxismo em Vigília. Será que isso nos revelará aspectos diferentes do BS?

Cenas do próximo capítulo…

Quer ficar por dentro sobre tudo de Bruxismo em adultos e crianças?ca Fa o Dia do Bruxismo!

Proxima edição em Ribeirão Preto, dia 13/08

Mais informações no site: www.diadobruxismo.com

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Dor de cabeça e DTM

Há duas semanas participei do CORE – Colloquium on Oral Rehabilitation, evento promovido pelo Journal of Oral Rehabilitation em parceria com a Sociedade Brasileira de DTM e Dor Orofacial (SBDOF) com o tema Dor Orofacial.
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Foi uma tremenda experiência! Primeiro pelo formato do evento: artigos em rascunho para leitura prévia, palestras sobre os assuntos e discussão abertas para opiniões e questionamentos de todos. Segundo pela possibilidade de conversar com todos os palestrantes e moderadores: Peter Svensson, Paulo Conti, Malin Ernberg, Thomas List, Ole Ferjerskov e Antônio Sérgio Guimarães. Ao final do evento eles se reuniram novamente e discutiram as mudanças nos artigos que em breve estarão publicados no Journal of Oral Rehabilitation (divulgarei aqui!).
Um dos temas discutidos por lá foi cefaleia e DTM muscular apresentado pelo Prof. Paulo Conti: a relação de comorbidades, quando a cefaleia é secundária a DTM e ainda, se o tratamento deve ser separado.
Entre tudo o que disseram (e foi muita coisa, viu?) a questão sobre o diagnóstico voltou a tona. O método de diagnóstico hoje disponível é baseado em anamnese e exame físico detalhados. Com os resultados em mãos o desafio é saber se estamos diante de cefaleia tipo tensional com dolorimento pericraniano ou cefaleia por DTM? Parece que estas condições estão sobrepostas, não?
Dois pontos chave baseados nas classificações do novo DC/TMD e da Classificação Internacional de Cefaleias (CIC, 2013) para o diagnóstico da cefaleia atribuída a DTM foram observados:
1. A relação temporal entre as condições: observar na história do paciente a ocorrência de ambas. No caso de uma cefaleia pré existente a classificação orienta que ambos diagnósticos sejam realizados. Claro que há problemas neste ponto, especialmente por ser baseado no relato do paciente.
2. Observar se a dor se modifica ou é familiar a função mandibular ou a palpação dos músculos mastigatórios, o que pode indicar a influência da DTM na cefaleia. Este são pontos em comuns dos critérios de diagnóstico do DC/TMD e do CIC. O DC/TMD considera cefaleia por DTM apenas se a dor for localizada na região temporal.
Segue abaixo os critérios, ainda não oficialmente traduzidos para o português (clique na figura para ampliar!):
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O importante disso tudo é lembrar que a DTM pode estar associada a uma cefaleia primária, como migrânea (enxaqueca) e cefaleia tipo tensional como já demonstraram vários estudos. Neste caso são comorbidades onde uma condição pode levar a piora ou perpetuação da dor da outra e não é a causa.
Por outro lado a cefaleia pode ser um sintoma de DTM. Neste caso ambas as classificações são falhas em descrever as características desta cefaleia. Há algum tempo já o meu amigo e membro do Bauru Orofacial Pain Group, Yuri Martins Costa, apresentou sua dissertação de mestrado. Ele realizou uma pesquisa clínica e controlada com o intuito de caracterizar o tipo de cefaleia atribuída a DTM.
A cefaleia secundária a  DTM apresentou as seguintes características: localização frontotemporal e bilateral, com longa duração (mais de 4 horas por dia) e com qualidade de peso ou pressão.
Este foi o primeiro estudo que descreveu as características deste tipo de cefaleia. Mais estudos são necessários.
Os estudos publicados pelo Bauru Orofacial Pain Group originados desta pesquisa:

 

 

Quis passar só um pouquinho do que estudei estes dias! Foi muito bom exercitar o cérebro!

Espero ter deixado um gostinho de quero mais para vocês! Assim que sairem os artigos eu divulgo! 🙂

 

Rapidinhas: artigo sobre QST na Odontalgia Atípica

Nestes últimos meses tenho palestrado bastante sobre dor neuropática na Odontologia e sempre cito os testes quantitativos sensoriais (QSTs) e seu uso na Odontalgia Atípica, Neuropatias pós Implantes Dentários, etc.

Coloco aqui o link para um artigo de revisão que foi publicado na Brazilian Oral Research, gratuito para leitura!

Clique aqui para ler! 🙂

Falando nisso…

Este trabalho é fruto de pesquisa do Bauru Orofacial Pain Group.

Em Fevereiro de 2016 começam as aulas da nova turma de Aperfeiçoamento no curso coordenado pelo Professor Paulo Conti e com participação de todo o grupo! Venham estudar conosco! Para saber mais: www.ieobauru.com.br ou (14) 3234-1919 com Vivian.

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Rapidinhas: Ortodontia e sua relação (ou não) com DTM

Este é um assunto recorrente na minha caixa postal: ou chegam emails solicitando artigos sobre este assunto ou são pacientes que foram submetidos ou receberam a proposta a submeterem a tratamento ortodôntico para controle de dor por Disfunção Temporomandibular (DTM) ou ruídos em Articulação Temporomandibular (ATM).

Fiz uma busca no blog e vi que a primeira vez que citei sobre isso foi em 2010. Na época eu já escrevi: ortodontia não trata nem previne DTM, baseada nos diversos estudos já publicados na literatura.

Mas sabe como é, parece que os profissionais ou não estudam, ou acreditam no guru, ou não tem acesso ou são mal formados mesmo. Ainda este tema, ainda os mesmos conceitos, ainda pacientes reclamando que seu problema não foi solucionado.

Hoje fazendo uma busca corriqueira no Pubmed, encontrei uma revisão de literatura atual (foi publicada em Abril) e com a mesma temática. Clique aqui e aproveite para ler, acesso gratuito! 

Figura: Doutor, tenho Dor - www.facebook.com/doutortenhodor

Figura: Doutor, tenho Dor – www.facebook.com/doutortenhodor

Como escrevi em 2010 (ainda bem atual):

Aos Ortodontias: se a demanda de seu consultório requer que você atenda pacientes com DTM e Dor Orofacial, estude mais sobre o assunto. Fazer um curso, seja inicialmente de atualização ou mesmo de especialização pode ser um caminho.

Boa semana! 🙂

XXIX Congresso Brasileiro de Cefaleia – X Congresso de Dor Orofacial

E Setembro está chegando e com ele uma série de eventos bacanas na área de Dor Orofacial! !

Eu pretendo falar sobre todos aqui no blog e vamos começar com o primeiro do mês: XXIX Congresso Brasileiro de Cefaleia – X Congresso de Dor Orofacial.

Este ano o evento acontecerá na linda cidade de Curitiba, nos dias 03 a 05 de Setembro.

E qual o diferencial deste evento?

Serão dois dias e meio de palestras voltadas a Dor Orofacial (eu contei e serão 28 palestras!!).

Os temas são amplos e abrangem deste o diagnóstico, o tratamento farmacológico, tratamento com infiltrações e agulhamentos, placas, fisioterapia, cirurgia, fatores emocionais, sono e claro, a comorbidade entre as DTM e as cefaleias. Veja toda a programação clicando aqui.

O time de professores é de peso: Ricardo Tanus, Eduardo Grossman, Bruno Cavelucci, Liete Zwir, José Stechan, Débora Bevilaqua Grossi, Eduardo Januzzi, Luciana Signorine, Wagner de Oliveira, Jorge von Zuben, Renata Campi, Elcio Piovensan, Rafael Santos Silva, Paulo Cunali, Daniel Bonoto, Mara Duffles, Renata Fernandes, Henrique Carneiro, José Geraldo Speciali, Priscila Brenner, José Luiz Peixoto Filho e André Porporatti!

Eu também estarei lá! \o/

Vou falar sobre métodos de diagnóstico para Bruxismo do Sono e também sobre neuropatias pós tratamento odontológico, temas que adoro! Obrigada a organização do evento pelo convite! 🙂

Para quem quer submeter um trabalho, o prazo é até dia 27/07! Então corram!!

Além de tudo isso, o congressista pode participar também da recheada programação do Congresso de Cefaleia, que conta com dois convidados internacionais.

E sócios da SBDOF tem desconto na inscrição!

Quer saber mais? www.congressocefaleia.com.br

Campanha para ajudar pacientes com câncer a sofrerem menos com dor

Recebi recentemente um email da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica solicitando ajuda para divulgação de uma campanha de mobilização para reduzir a dor em pacientes oncológicos.

Reproduzo abaixo para que vocês também possam participar!

O Instituto Espaço de Vida e a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) – e demais entidades de defesa ao paciente e sociedades médicas – estão fazendo uma campanha para convencer a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a alterar as diretrizes de utilização do tratamento domiciliar oral contra o efeito colateral dor do tratamento contra o câncer, ou seja, obrigar os planos de saúde a garantirem mais qualidade de vida para quem sofre de dor relacionada ao câncer.

Hoje, a ANS só obriga que os planos de saúde forneçam aos pacientes oncológicos medicação para tratar dores ligadas ao sistema nervoso (neuropatia – aquela sensação de formigamento que ocorre nas extremidades do corpo – pés a mãos). Os outros tipos de dor, como a nociceptiva (relacionada a uma lesão, por exemplo) ou mistas, não são cobertas pelos planos de saúde. Esse cenário discrimina os pacientes com dores oncológicas que não são neuropáticas e diminui a qualidade de vida de muitas pessoas que sofrem com o câncer!

A cada 2 anos, a ANS atualiza a Resolução Normativa que define o Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, ou seja, o que o usuário de planos de saúde tem direito em termos de diagnóstico, tratamento, acompanhamento, medicamentos, etc. Antes do Rol de Procedimentos ficar disponível, essa atualização pode receber contribuições para alteração do público em forma de Consulta Pública (CP) e todos nós podemos contribuir!

Para que mudanças aconteçam e o acesso aos medicamentos seja amplo e irrestrito, garantindo menos sofrimentos aos pacientes, é preciso que seja alcançado o maior número possível de contribuições! Compartilhem no Facebook e em outras redes sociais!

Vejam:http://www.espacodevida.org.br/noticias/consulta-publica-para-oferta-de-medicamentos-para-dor-em-pacientes-com-cancer-ans-cp-n-59-2145/#.VYlfBPlVhHx

Mobilização Urgente

 

Consulta Pública para oferta de medicamentos para dor em pacientes com câncer – ANS CP nº 59

 

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) é um órgão do governo brasileiroresponsável pela controle de procedimentos, fornecimento de medicamentos e outros assuntos relacionados aos planos de saúde. A cada 2 anos, acontece a atualização da Resolução Normativa que define o Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, ou seja, o que o usuário de planos de saúde tem direito em termos de diagnostico, tratamento, acompanhamento, medicamentos etc.  Antes do Rol de Procedimentos ficar disponível,  essa atualização pode receber contribuições para alteração do publico em forma de Consulta Pública (CP)  e todos nos podemos contribuir. 

Ao longo do período em que a CP de atualização do Rol de Procedimentos 2015/2016 estiver disponível, o Instituto Espaço de Vida fará uma serie de contribuições solicitando alterações dos textos apresentados e  pedimos sua ajuda!

Para começar:  5 minutos do seu tempo para que os pacientes oncológicos (qualquer tipo de câncer)  não sintam mais dor. 

 

Precisamos convencer a ANS a alterar as diretrizes de utilização do tratamento domiciliar oral contra o efeito colateral do tratamento contra o câncer. Hoje, só é oferecida medicação às dores ligadas ao sistema nervoso (neuropatia – aquela sensação de formigamento que ocorre nas extremidades do corpo – pés e mãos) . 

Com a sua colaboração, esperamos que a ANS altere esse capitulo e disponibilize medicamentos  para todas as dores causadas durante o tratamento do câncer.

 

Para participar, basta seguir o passo a passo, abaixo.

 

Contamos com a sua participação! Muito obrigado!

 

Instituto Espaço de Vida

www.espacodevida.org.br

Como participar em 10 passos:

Para participar é preciso entrar no site da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) neste link e seguir os passos abaixo:

 1. Use a barra de rolagem para chegar a “Faça sua a contribuição”.

2. Utilize o formulário para escrever seus dados pessoais.

3. Em “Tipo de usuário”, selecione “prestador de serviços”, se médico ou profissional de saúde. Se for paciente, escolha “consumidor”.

4.  No campo “Tipo de contribuição”, selecione “Alteração de Diretriz de Utilização”.

5. Abaixo, estará o campo de busca “Termo a pesquisar”. Digite “antineoplásicos” e clique em pesquisar (verifique se o seu computador está com antipop-ups ).

6. Uma janela aparecerá. Você deve escolher o item “MEDICAMENTOS PARA O CONTROLE DE EFEITOS ADVERSOS E ADJUVANTES”. Depois, aperte em “Continuar”.

7. Digite o código que aparecerá no formulário antes de enviar a contribuição.

8. Haverá dois  campos  para preencher. No primeiro, você deverá copiar a nova diretriz sugerida exatamente com o texto abaixo:

IV. TERAPIA PARA DOR RELACIONADA AO USO DE ANTINEOPLÁSICOS 1. Cobertura obrigatória de analgésicos, opiáceos e derivados, de acordo com prescrição médica, para pacientes com dor relacionada ao uso do antineoplásico que tenham este efeito colateral previsto em bula.

9. Por último, você terá que preencher o espaço de justificativa (de preferência com uma bibliografia).

10. Clique em “Enviar”. Sua contribuição está pronta. Obrigado!

Se você precisar de ajuda para preencher o formulário, entre em contato com nossa equipe. Ligações Gratuitas: 0800 773 3241 das 8h às 18h, ou envie sua dúvida para o e-mail Contato@espacodevida.org.br

 

Sobre a consulta pública

Promovida pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a Consulta Pública número 59 irá atualizar a Resolução Normativa que define o Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, lista que serve de referência mínima para cobertura obrigatória pelos planos de saúde. Pode receber contribuições de profissionais de saúde, ONGs, instituições, pacientes e cidadãos em geral. A consulta ficará aberta até  19 de julho de 2015.

 

Vamos lá pessoal, só custa uns click! 🙂