Sono e Disfunção Temporomandibular

Ter uma boa noite de sono é reconhecidamente necessário para a manutenção da saúde e bem estar físicos e mentais. A Associação Brasileira do Sono, Associação de Medicina do Sono e Associação de Odontologia do Sono promovem a Semana do Sono entre os dias 13 e 19 de março.

Esta iniciativa tem o intuito de levar até a população conhecimento sobre o sono, as últimas novidades na pesquisa e informações importantes. É primordial dormir bem para o bem estar geral!

sono.001

Toda a programação do evento e informações estão no site: http://www.semanadosono2017.com.br

Em média, um adulto dorme de 6 a 9 horas por noite. Dormir menos de 5 horas pode ser considerado uma privação de sono, levando a alterações de humor e disfunção social. Se constante e prolongada, a privação do sono pode levar a complicações mentais, cardiovasculares e aumentar a frequência e intensidade da dor. Entre 50 a 90% dos pacientes com dor aguda, a ocorrência da dor geralmente precede as queixas de uma noite de sono ruim. Entretanto, estudos com pacientes com dor crônica indicam uma influência bidirecional: uma noite de sono ruim ser seguida pelo aumento da dor no dia seguinte e, um dia com alta intensidade de dor é seguido por uma noite ruim de sono.

Distúrbios do sono, sobretudo insônia, podem contribuir para desregulação do sistema de modulação de dor e ocasionar aumento na intensidade de dor. Já mostrei aqui no blog um trabalho de Smith e colaboradores que demonstraram que a presença de insônia contribui para redução no limiar de dor em pacientes com dor na musculatura mastigatória.

Então, aproveitando a Semana do Sono fui verificar o que há de novo na literatura e encontrei um estudo recente (Rener-Sitar et al., 2016) que comparou pacientes com DTM com voluntários saudáveis com relação a qualidade do sono. Achei interessante porque eles não trabalharam apenas com um diagnóstico e sim com os 8 que englobam a classificação do RDC/TMD, além de usarem os questionários de eixo II (verificaram sintomas de ansiedade, depressão, somatização e grau de disfunção). Incluiram inclusive exames de imagem para comprovar os diagnósticos articulares.

Para verificar a qualidade do sono utilizaram o questionário de Pittsburg.

Os resultados do estudo demonstraram que os diagnósticos que curam com dor, ou seja, DTMs dolorosas são aquelas em que a qualidade do sono está significativamente prejudicada, bem como em pacientes que apresentavam sofrimento psicossocial e incapacidade à dor, particularmente dor disfuncional. Este fato só corrobora com o que sempre verificamos entre dor e sono, que embora pareça lógico, poucos estudos abordaram ainda esta questão.

Interessante relatar também que os pacientes com DTM não dolorosa (exemplo, deslocamento do disco com redução) apresentaram índices de qualidade do sono similares aos voluntários saudáveis.

Avaliar a qualidade do sono nessa população pode ajudar a caracterizar melhor esses pacientes e, o mais importante, abordar a sua deficiência de sono pode oferecer uma outra abordagem terapêutica para reduzir o sofrimento relacionado com a dor (Rener-Sitar et al., 2016).

Aproveite este momento e clique aqui para ler um post de 2010 que escrevi  sobre avaliação do sono em pacientes com dor orofacial. Nela há o link para alguns métodos de avaliação. É essencial que o clínico avalie os hábitos ao dormir do paciente e determine se ele apresenta sinais e sintomas de distúrbios do sono como insônia, Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono, que muito mais do que o Bruxismo do Sono, parecem estar envolvidos na manutenção da dor do paciente com DTM!

É importante que o clínico esteja preparado não só para identificar problemas relacionados ao sono como também iniciar orientações ao paciente. O tratamento do sono pode incluir terapias comportamentais com ou sem uso de medicamentos que melhoram o sono.

Quando sinais e sintomas de um distúrbio do sono primário são encontrados, o cirurgião-dentista deve considerar encaminhar o paciente para o médico, especialmente os habilitados para a Medicina do Sono. Medidas de higiene do sono podem ser implementadas para melhorar a qualidade do sono do paciente.

Além de observar aspectos relacionados diretamente ao sono, é importante que o clínico identifique pensamentos catastróficos relacionados a dor e aprimore sua abordagem ao tentar reduzi-los. Isto pode levar a uma melhora no sono e consequentemente controle da dor do paciente.

#ficaadica

 

 

 

 

 

Aula ministrada sobre Fibromialgia

Em 2013 resolvi montar uma aula sobre Fibromialgia e acrescentar alguns quadros que gosto muito ao contexto! Gostei tanto que 3 anos depois ainda ministro a mesma aula, só atualizando alguns slides.

Fiz uma postagem aqui sobre o assunto e inclusive sobre cada quadro que citei e porque Fibromialgia é tão importante na minha vida. Para ler clique aqui e aqui.

Hoje me lembrei do site Slideshare que permite deixar a aula em slides para visualização. Coloquei a aula para todos vocês!

(Tenho algumas aulas por lá também sobre outros assuntos. Confira no link: http://www.slideshare.net/julianadentista)

E para terminar o assunto, que tal ler alguns artigos recentes sobre fibromialgia e dor difusa? Seguem alguns gratuitos e que tem participação de um dos meus autores favoritos: Prof. Daniel Clauw.

Bom feriado a todos! 🙂

 

Pain in Motion: site de pesquisa em dor e movimento

E no final da semana passada aconteceu em Campinas um curso sobre Neurociência Moderna na prática fisioterapêutica. Olha, pela reação na minha timeline do Facebook acho que o curso foi muito bom. Vi postagens de vários amigos.

Não pude ir porque estava ministrando aula no Curso de Imersão da Imajon (que por sinal foi ótimo!) e fiquei aqui com água na boca. Aí, achei alguns links na internet para que vocês também possam conhecer o ministrador do curso, Jo Nijs e seu trabalho. Ele é professor em Vrije Universiteit Brussels e fisioterapeuta no Hospital da Universidade de Bruxelas.

logo

Ele faz parte de um grupo internacional de pesquisa focado em dor e em movimento, o Pain in Motion que tem um site bem completo com publicações, blog e uma área dedicada a educação dos pacientes. Acho que vale a pena conhecê-lo e também curtir a página deles no Facebook!

Ainda, para quem como eu ficou com vontade de ouvir o que o professor tem a dizer, encontrei uma aula sobre controle da sensibilização central ministrada em 2014 durante a terceira conferência internacional de Dor e Fisioterapia no Youtube! Então, o que está esperando? Dê um play abaixo!

Ei queridos amigos, comentem o que acharam da aula!

Falando nisso…

Terça feira da semana que vem estarei firme e forte no Congresso Mundial de Dor promovido pela IASP em Yokohama!! \o/

Desta vez vou tentar transmitir de lá minhas impressões sobre o evento! Acompanhem pelo Periscope (@dororofacial) e página do Facebook!

 

Rapidinhas: classificação de dor crônica

Não sei o motivo pelo qual nunca postei aqui, mas revisando hoje para confeccionar o poster que vou levar ao congresso da IASP, entre no site para ler sobre a taxonomia e me lembrei da classificação de dor crônica.

A IASP (Associação Internacional de Estudo da Dor) lançou em 2011 a segunda edição de sua classificação. Acho bacana conhecer não só esta como a Classificação Internacional das Cefaleias para pontuar o que trabalhamos e as condições que podem coexistir em nosso paciente.

Clique na foto para verificar!

captura-de-tela-2016-09-12-as-11-03-13

Rapidinhas: ebook sobre dor crônica

Semana passada estive no CINDOR-USP, congresso dedicado a dor. Excelente evento, palestras de ótima qualidade!

Um dos simpósios que participei (e achei muito bacana) foi sobre a comunicação na clínica de dor. Com a presença do time de psicologia do grupo de dor do HC da Faculdade de Medicina da USP (Adriana Loducca, Alessandra Spedo Focasi, Barbara Maria Müller), o simpósio chamou a atenção de como precisamos tornar mais claro o diálogo entre nós e os pacientes para melhorar a adesão ao tratamento e, consequentemente, o cuidado da dor crônica.

 

capa-1

Elas são fundadoras de um programa chamado  TAPsi – Treinamento e Assistência Psicológica -criado em 2003 com o objetivo de desenvolver cursos, prestar assistência a pessoas com doenças crônicas e capacitar psicólogos e outros profissionais da saúde para trabalharem na área hospitalar.

Neste programa desenvolveram um ebook gratuito (GRATUITO gente!!) voltado ao profissional da saúde denominado “Dores crônicas – como  melhorar a adesão ao tratamento”.

Eu já baixei o meu! Parabéns Adriana, Alessandra e Barbara não só pela palestra mas pela disponibilidade de compartilhar conhecimentos! 🙂

 

Curso Aperfeiçoamento em DTM e Dor Orofacial – IEO Bauru

Semana intensa e quente por aqui! Não deu tempo nem de fazer um vídeo mais longo no Periscope (já me segue por lá? @dororofacial)!

Recebi a informação que a procura já começou pelo curso de Aperfeiçoamento em DTM e Dor Orofacial do IEO-Bauru!

Quem acompanha o blog há mais tempo já conhece este curso, não é? Com mais de 10 anos de tradição, professor Paulo Conti está na coordenação deste curso, teórico e clínico.

O curso tem como objetivo oferecer a todos os alunos atualidades com relação a meios de diagnóstico, critérios de classificação, comorbidades e as terapias mais conceituadas de tratamento dentro das disfunções temporomandibulares e dores orofaciais.

Na equipe, além de mim, estão presentes o professor Leonardo Bonjardim, da Fisiologia Oral da FOB-USP (junto com o prof. Paulo Conti, os dois maiores nomes na pesquisa em DTM/DOF do Brasil), Carolina Ortigosa CunhaAndré Porporatti, Yuri Costa, Naila Machado, Fernanda Araújo Sampaio, Dyna Mara FerreiraHenrique Quevedo e o fisioterapeuta César Waisberg, todos membros do Bauru Orofacial Pain Group, para suporte ao curso com aulas teóricas e acompanhamento na clínica.

Além disso sempre temos convidados especiais! Este módulo a professora querida Daniela Godói Gonçalves estará por lá! \o/

O curso tem 11 módulos, de fevereiro a dezembro e todas as datas já estão agendadas! Acontece uma vez por mês, às quintas (8:00 a mais ou menos 20:30 hs) e sextas feiras (8:00 às 18:00).

A quem se destina: cirurgiões-dentistas, fisioterapeutas e fonoaudiólogos. O bacana é que este curso também é voltado para a atualização do especialista em DTM e Dor Orofacial!

Quer saber mais?

Entre em contato com a Vivian no IEO-Bauru pelo telefone 14 32341919 ou site www.ieobauru.com.br

Espero encontrar vários leitores por lá!

Ah! E para quem quer saber sobre a Especialização: nova turma em Abril de 2016!

Conheça também nosso trabalho no Bauru Orofacial Pain Group através da página do Facebook: www.facebook.com/orofacialpain

322361

Site do mês

E não é que neste domingo frio recebi uma excelente notícia?

A querida Dra. Karen Ferreira, neurologista e especialista em Dor de Ribeirão Preto, acaba de lançar um site voltado à informação do paciente com dor crônica!

Uma ótima iniciativa! Faz tanta falta um canal de comunicação entre o profissional e o paciente, com linguagem fácil…

No site há informações sobre os principais tipos de dor crônica, tratamento e dicas para os pacientes.

Recebi a informação de que será constantemente atualizado!

Eu se fosse você guardava este link para indicar para seus pacientes! Fonte garantida de boas informações! 😉

www.viversemdor.com

Captura de Tela 2014-07-27 às 20.14.59

Dor persistente pós procedimentos

Já escrevi algumas vezes aqui no blog sobre as dores crônicas persistentes pós procedimentos odontológicos, dores neuropáticas pós traumáticas, como na postagem sobre Odontalgia Atípica (hoje chamada de dor dentoalvelar persistente) e Dor Neuropática Pós Implantodontia.

Recebi hoje pelo email dois links sobre o assunto. Não relatam diretamente procedimentos odontológicos mas são bem interessantes. Ambos os links são reportagens realizadas após uma conferência de anestesiologistas realizada em Cingapura.

O primeiro publicado no jornal The Sidney Morning Herald descreve que pelo menos 20% de todos os australianos submetidos a procedimentos cirúrgicos sofrem com dores persistentes.

O que chamou a minha atenção foi a descrição realizada pelo professor Audun Stubhaug, especialista em dor pela Universidade de Oslo. O mesmo relatou nesta conferência que alguns testes prévios podem indicar aqueles pacientes com maior risco de apresentarem dores crônicas.

São eles: limiar de dor baixo em testes sensoriais, alto ou baixo índice de massa corpórea, fumantes, dor crônica prévia, depressão e ansiedade.

Segundo o professor, estes fatores predizem 80% dos pacientes que por ventura apresentarão dor crônica pós procedimentos.

O professor no segundo link relata também a importância da genética. Talvez no futuro testes rápidos em consultório poderão nos auxiliar na detecção destes pacientes.

Lembrem-se sempre que estes também são fatores de risco para dor neuropática pós traumática, bem como dor intensa pré procedimento, longa duração de dor, presença de fibromialgia, insônia e outros distúrbios do sono.

Seguem os links:

http://www.smh.com.au/national/health/hundreds-of-thousands-suffer-longterm-pain-after-surgery-20140504-zr4f3.html

http://www.heraldsun.com.au/news/victoria/tests-to-identify-future-sufferers-of-chronic-pain-after-operations/story-fni0fit3-1226905944726

Células da glia

Para nós que viemos da escola da Odontologia, muitas vezes entender a neurofisiologia parece algo de outro mundo. Pudera. O estudo da Odontologia é extremamente mecanicista e somos habituados a entender sobre materiais e seus protocolos de utilização.

Aí vem o estudo da dor orofacial e, especialmente em se tratando de dor crônica, a escolha das terapias baseadas na patofisiologia. A farmacologia busca a cada dia alternativas mais eficazes no controle da dor. Para usufruir destas alternativas é preciso sempre estar atualizado. Amanhã uma nova droga estará no mercado e você para prescrevê-la deve compreender seus mecanismos de ação e se ela vai ajudar o caso específico de seu paciente.

Um assunto no qual a neurociência hoje busca mais conhecimento dentro da fisiologia dolorosa é o papel das células da glia, que também fazem parte do sistema nervoso, e sua contribuição na manutenção da dor e na presença da alodínia.

Pesquisas recentes estão finalmente elucidando por que os analgésicos tradicionais em geral são ineficazes no tratamento da dor neuropática: os alvos dos medicamentos são apenas os neurônios, enquanto a causa por trás da dor pode estar em células não neuronais disfuncionais chamadas células da glia, que se localizam no cérebro e na medula espinhal. Descobertas sobre como essas células, cuja tarefa é nutrir e regular as atividades dos neurônios, podem se desequilibrar e interromper o funcionamento neuronal inovam no tratamento da dor crônica. A pesquisa fornece ainda perspectiva surpreendente de uma conseqüência infeliz do tratamento atual contra a dor, que afeta algumas pessoas: o vício em narcóticos. – R. Douglas Fields – http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/os_novos_culpados_da_dor_cronica.html

Figura da reportagem “Os novos culpados da dor crônica” por R. Douglas Fields. http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/os_novos_culpados_da_dor_cronica.html

As células da glia foram descobertas há mais de 150 anos mas foi na ciência contemporânea que seu papel começou a ser desvendado.

Basicamente no SNC existem dois grandes grupos de células gliais: microglia e macroglia (que compreende oligodendrócitos, ependimócitos, astrócitos e os recentemente descobertos polidendrócitos ou sinantócitos). As evidências mostram que três tipos de células glia participariam do desenvolvimento e manutenção da dor crônica: migróglia e astrócitos no SNC e células glia satélite no gânglio trigeminal ou raiz dorsal da medula.

Os astrócitos são os mais abundantes no sistema nervoso, conhecidos historicamente como células de suporte. Entre todas suas funções, estas células desempenham um papel importante na manutenção dos níveis iônicos do meio extracelular, na descarga de potenciais de ação dos neurônios; captação e liberação de diversos neurotransmissores, tendo um papel crítico no metabolismo do neurtransmissores, glutamato e GABA. Estas células acabam participando das sinopses químicas.

Figura do artigo “Glia: dos velhos conceitos às novas funções de hoje e as que ainda virão”. http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-40142013000100006&script=sci_arttext

Se uma lesão – como um tornozelo torcido – ocorre longe do circuito espinhal da dor, os astrócitos da espinha precisam responder não diretamente ao ferimento, mas às mudanças da sinalização no ponto de retransmissão entre os GRD e os neurônios espinhais. Essa observação implicava que os astrócitos e a micróglia monitoravam as propriedades fisiológicas dos neurônios da dor.  R. Douglas Fields – http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/os_novos_culpados_da_dor_cronica.html

As células satélites tem várias similaridades com os astrócitos.

A ativação da micróglia promove liberação de substâncias como ATP, fatores neurotróficos, citocinas pró inflamatórias, aminoácidos expiatórios, óxido nítrico e prostaglandina. As células podem estar envolvidas na sensibilização central através da excitabilidade neuronal.

Os passos conhecidos da ativação destas células após uma injúria ou trauma foram descritos um  artigo de revisão muito interessante que foi publicado na revista Pain em dezembro de 2013. No título os autores questionam: seria a dor crônica uma gliopatia? 

glia.001

As interações entre os neurônios e as células glia e até as interações entre as células são importantes para se entender o papel destas na dor persistente. As células da glia parecem exercer papel de modulação tanto excitatória como inibitória e estas relações ainda são alvo de pesquisa e testes com fármacos.

Pathological and protective roles of glia in chronic pain Erin D. Milligan & Linda R. Watkins Nature Reviews Neuroscience 10, 23-36 (January 2009) Em (A) mostra as interações que ocorrem com estímulos nocivos de baixa frequência. Em (B) o que acontece através de estímulos repetitivos. Para ler mais clique em: http://www.nature.com/nrn/journal/v10/n1/fig_tab/nrn2533_F2.html

No passado, todos os tratamentos de dor crônica buscavam amortecer a atividade dos neurônios, mas a dor não pode ser interrompida se as células da glia continuarem a incitar as células nervosas. Descobertas de como as células da glia caem em seu círculo vicioso de sensibilização dos nervos criam estratégias para atingir as células da glia disfuncionais e interromper uma fonte fundamental da dor neuropática. Tentativas experimentais de tratar a dor neuropática pelo controle das células da glia focalizam-se, portanto, em aquietar essas células, bloqueando moléculas e sinais que desencadeiam o processo inflamatório, e enviando sinais anti-inflamatórios.  R. Douglas Fields – http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/os_novos_culpados_da_dor_cronica.html

Dedico este texto aos alunos do curso de especialização em DTM e Dor Orofacial do IEO-Bauru que prometeram estudar bastante sobre neurofisiologia da dor! 🙂

E esta tal felicidade…

Semana passada estive no Congresso Brasileiro de Cefaleia e Congresso do Comitê de Dor Orofacial da SBCe. Uma das palestras lá apresentadas foi realizada pelo Prof. Jorge von Zuben da ACDC de Campinas, sobre transtorno afetivo e dor crônica. O Jorge está hoje estudando psicanálise. Pedi a ele que então fizesse um texto para o blog.

Obrigada Jorge por pronto atender meu convite! Gosto muito desta colocação de Carlos Drummond de Andrade.

🙂

Prof. Jorge von Zuben
Prof. Jorge von Zuben em palestra durante o Congresso do Comitê de Dor Orofacial da SBCe

Felicidade – qual o remédio para a Felicidade?

Jorge von Zuben

Quando nos encontramos tristes, por vezes nos sentindo derrotados ou mesmo impacientes diante de situações desagradáveis sentimos uma Dor ou desconforto no peito – sim, isso é real e pode ser chamado de Angústia. Porem, numa situação diferente com alegria, sorridente, felizes e descontraídos sentimo-nos em Paz, tranquilos – este momento pode ser traduzido por Harmonia ou equilíbrio interior. Diante destes pensamentos temos duas situações bem diferentes, que ao serem questionadas normalmente nos remete a vivencias passadas, a momentos que preenchem nossas mentes para relembrar algo agradável ou desagradável. Será que somos felizes, ou vivemos disfarçando nossas mágoas, culpas, sentimentos de inferioridade, revoltas expondo uma mascara para aqueles com os quais convivemos. Relatam que certa vez Jung (Carl Jung) fora questionado por um Cientista se ele acredita em DEUS. E ele respondeu que SIM, mas foi imediatamente questionado pelo Cientista que o vez expor a seguinte situação: Jung – ¨ Você já maltratou alguém, hostilizou, e fez cara feia? – Cientista – sim, respondeu! Jung, pergunta: O que você sentiu? Cientista: senti-me mal, chateado, infeliz. Então Jung diz: isso é a ausência de DEUS em seu coração. Daí Jung pergunta: você já agradou alguém, sem interesse, ajudou e acolheu? Cientista: sim. Jung pergunta: E o que você sentiu? Cientista: Paz, Tranquilidade. Daí, Jung rebate: isso a manifestação de DEUS em seu coração. Analisando estas colocações o que se entende: quando estamos desarmonizados em DEUS nos permitimos estar Angustiados, expondo comportamentos agressivos, revoltas, mágoas e não nos damos conta disso. Porem ao contrario, nos mostrando alegres, ajudando ao próximo, sem pedir nada em troca – nos harmonizamos com DEUS!!! A FELICIDADE assim poderá ser manifestada, sentida em toda a sua plenitude quando estivermos ligados nas leis do AMOR, capazes de proporcionar felicidade aos outros, nos apaziguando interiormente. Não se busca a felicidade nos outros, nos sistemas (trabalho, casamento, emprego), nas pessoas (marido, esposa, filhos, parentais) ou nas coisas (carro, casa, dinheiro, títulos). Ao nos ligarmos a DEUS, seremos pessoas inteiras, não metades que esperam algo, ou tudo dos outros. Uma formula básica de Felicidade baseia-se em viver no que Real x Ilusório – onde quanto mais Real (valores empáticos, pensamentos no agora, vivendo a realidade dentro de seus limites), já no Ilusório colocamo-nos como vitimas do sistema, dependes de coisas e das coisas para sermos felizes. Daí, tornamo-nos metades, e incapazes de Amar. Em depoimento falado, o professor de Etica da GV – São Paulo, Prof. Clóvis de Barros Filho -relatou que Felicidade é aquilo que te faz sentir-se bem, com muita alegria, e que você gostaria de durasse uma eternidade. São momentos de pura energia positiva, e esta energia está dentro de você, e dependendo doas seus valores até então adquiridos, ela pode aumentar ou diminuir depende daquilo que você espera da vida. Procure ser feliz, e não buscar a Felicidade. Ela certamente esta dentro de você, basta que nos permitirmos aproximar das coisas boas, livrar-nos das mágoas do passado, angústia de futuro, medos, revoltas, ciúmes para possamos ter mais AMOR, pois esta é a única razão pela qual viemos a existir – para desenvolvermos a capacidade de AMAR.

“A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.”

Trecho do poema Viver não dói, de Carlos Drummond de Andrade