Dia Internacional das Mulheres

Hoje é dia 08 de março de 2019.
Como é Dia da Mulher, a newsletter de jornalismo que assino gratuitamente, canal Meio News, enviou logo cedo alguns dados. Em 2018, foram registrados 4.254 homicídios dolosos de mulheres. O número representa uma queda ligeira de 6,7% em relação ao ano anterior. Mas, destes, 1.135 foram considerados feminicídios — crimes nos quais a vítima morre por ódio motivado pelo gênero. É um aumento relativo aos 1.047 de 2017.
Dados ainda ruins, não.
Na América Latina pelo menos há o que se comemorar um pouco, parece que foi a região que mais avançou em termos de igualdade de gênero no mundo. Mas esta melhora não foi, infelizmente, puxada pelo Brasil. Mesmo assim, a igualdade só seria alcançada na região em 74 anos, mantendo este ritmo de avanços. E dentro de muitos países, a diferença entre os sexos diminui a passos muito lentos. Segundo o site da BBC, na América do Sul, BolíviaArgentina e Colômbia são os mais bem colocados. O Brasil aparece entre os quatro últimos países da região (e em 95º lugar no mundo), acima de Paraguai, Guatemala e Belize. Uma vergonha.
E além da violência, dos abusos morais e sexuais, os problemas são   igualdade de salários, a participação política e econômica das mulheres.
E por falar sobre educação/ciência/universidade que é uma área em que vivi durante os últimos anos, houve um avanço em 10 anos, com maior número de mulheres matriculadas no ensino superior, mas… igualdade não é medida apenas em números. Dados da UNESCO indicam que ainda mulheres chegam menos ao topo da carreira!
Vejam só, para vocês terem uma ideia, dados no CNPQ mostram que nas bolsas com maior financiamento, há apenas 24,6% de mulheres.
A reportagem da BBC aponta mais dados sobre o assunto: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-47490977
Pensando na minha especialidade, lembrei que mês passado a Prof. Karina Helga Turcio apresentou seu TCC no curso de Especialização em DTM e Dor Orofacial lá no Bauru Orofacial Pain Group exatamente sobre gênero e dor. Foi uma apresentação brilhante em que ela abordou diferentes aspectos sobre o porquê da dor por DTM e outras condições ser mais prevalente em mulheres, abordando desde aspectos genéticos, hormonais até a respeito de percepção de dor pelo sistema nervoso central. Em breve vou colocar aqui o texto do TCC.
Mas quero destacar um aspecto que falamos pouco, o estresse pós traumático e a relação com DTM. Outro TCC, este já publicado, da turma anterior (da Camila Vaz e publicado pela Profa. Dyna Mara Ferreira e nós como co autores) traz uma revisão importante sobre este assunto e mostrou a complexidade do assunto (para ler a versão em português, segue o link http://www.scielo.br/pdf/brjp/v1n1/pt_1806-0013-brjp-01-01-0055.pdf) mas ainda a maioria dos estudos não trazia informações sobre violência sofrida por mulheres.
Neste mês de março de 2019 foi publicado um artigo que começa a estudar algo que observo na rotina clínica. A maioria dos meus pacientes com dor musculoesquelética, especialmente os casos crônicos de DTM muscular, é mulher. E não é comum o relato de assédio (relacionamentos abusivos, assédio moral no trabalho – inclusive por outras mulheres – violência doméstica, assédio sexual), tristeza por desigualdade, ansiedade por falta de oportunidades. O artigo que li, publicado no Journal of Dentistry por Chandan et al.,  trouxe um pequeno insight sobre o assunto, ainda não se tratando de mercado de trabalho/estudo mas sobre violência doméstica: Intimate partner violence and temporomandibular joint disorder”. 
Este tipo de violência inclui abusos emocionais, físicos e/ou sexuais e negligências e globalmente parece afetar 1 em cada 3 mulheres, o que é uma prevalência muito alta. Assim, os pesquisadores na Grã Bretanha procuraram estudar a relação entre estes abusos e a DTM. O estudo foi simples, com limitações, retrospectivo mas foi o primeiro a indicar que uma associação significativa entre a incidência de DTM e violência contra mulher. O triste é que a principal limitação do trabalho relatada é exatamente a acurácia dos registros de violência, já que em todo mundo parece que relatar ainda é um tabu a ser vencido pelas mulheres. É preciso que o especialista em Dor Orofacial esteja atento a estes fatores mas também é preciso que procuremos por treinamento adequado para abordar estes assuntos, ainda mais no país em que moramos. O link para o artigo está aqui: https://doi.org/10.1016/j.jdent.2019.01.008
Reflita, como podemos mudar toda esta estatística para números ainda mais positivos? Vamos fazer pelo menos a nossa parte, dentro da nossa comunidade!
Devemos encarar o 8 de março como momento de mobilização para a conquista de direitos e para discutir as discriminações e violências morais, físicas e sexuais que ainda em 2019 são sofridas pelas mulheres. Devemos impedir que retrocessos ameacem o que já foi alcançado em diversos países.
“Você precisa fazer aquilo que pensa que não é capaz de fazer.” – Eleanor Rooselvelt
E para inspirar a todos, que tal contar às suas crianças (meninos e meninas) histórias de verdadeiras heroínas? Eu adorei o livro Histórias de Ninar para Garotas Rebeldes que o pessoal do B9 conseguiu transformar em podcasts estes contos de fada de mulheres extraordinárias! Vale muito a pena ler ou ouvir! 
Você pode ouvir em qualquer aplicativo/site para podcast e no link há vários.
Ou clique abaixo para ter acesso via Spotify:
E vamos lá! Há muito trabalho pela frente!
#8M #mulheres #dororofacial #disfuncaotemporomandibular #diadasmulheres

Este blog fez 9 anos!

Foi na quinta feira passada mas só consegui postar agora! 9 anos!! Puxa vida!

Eu comecei o blog em 28/02/2010 por uma necessidade de colocar para fora tudo o que estava aprendendo (e aprendo até hoje) com meus estudos em dor orofacial. O blog é dedicado a todos os profissionais que estudam a área! Eu só tenho a agradecer: ao blog pelas oportunidades que me abriu, aos leitores, muitos deles fiéis, que acompanham o que escrevo mesmo em tempos que a audiência desta mídia vem caindo e a todos que me inspiraram e me inspiram a fazer o melhor pela especialidade!

Para comemorar, gravei um podcast com a participação luxuosa do professor Paulo Conti, titular da Faculdade de Odontologia de Bauru-USP e coordenador do Bauru Orofacial Pain Group (devidamente convidado para um programa mais longo no futuro!).

Selecionei e comentei uma história que contei em 2010 para falar sobre diagnóstico em dor orofacial!
Faz o seguinte: conte para mim qual o texto que você mais gostou! Vá ali na busca, dê uma olhada no histórico, navegue…
Escute também o podcast! 🙂
Dica do programa: se é para comemorar, nada melhor do que indicar meu podcast favorito do momento: Boa Noite Internet, capitaneado pelo Cris Dias. Entrem no site www.boanoiteinternet.com.br ou procure no agregador de podcasts mais próximo de você! 🙂 Você não vai se arrepender! É sensacional!!
Falando nisso….
 As inscrições para o curso de especialização em DTM e Dor Orofacial coordenado pelo Prof. Paulo Conti já estão abertas! Começa em Abril!
Serão 24 módulos de muitoooo conteúdo tanto teórico como clínico! Para mais informações: 14 99654-4386 ou http://www.ieobauru.com.br

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Toxina botulínica e bruxismo

A Professora Adriana Lira Ortega do blog Odontopediatria em Evidência fez uma lúcida postagem no Instagram esta semana.

Em tempos de falta de diagnóstico e logo uma terapia, acho que este texto cai bem.

Bruxismo não é DTM. Bruxismo apresenta manifestações diferentes, em momentos diferentes e pode até ser um sinal de outra condição mais deletéria e importante. Você só irá saber se estudar e realizar diagnóstico diferencial.

Segue a postagem!

 

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Já recebi no meu consultório casos de bruxismo, até em crianças (😱), cujo “tratamento" proposto havia sido aplicação de toxina botulínica. Sempre surto mais qdo é com criança…😤 Vamos refletir sobre o assunto?🤔 ✔1. Será que o profissional que propôs a conduta, pensou nos efeitos da toxina nos músculos em desenvolvimento? ✔2. Mesmo com aplicação da toxina, o paciente precisa continuar usando a placa. Senão vai continuar desgastar os dentes. Assim, vamos ponderar… Pra que mesmo a toxina? ✔3. Bruxismo é de origem central. Toxina botulínica tem ação periférica: então não trata. ✔4. Não conseguimos dar prognóstico para bruxismo e ele pode permanecer por muito muito tempo… E aí? O paciente vai ficar recebendo toxina indefinidamente? ✔5. Toxina causa atrofia muscular e osteopenia. A relevância clínica disso deve ser considerada. Vou deixar uma referência aqui sobre isso p vcs lerem… Para terminar o post… ⚠️#mantra1 – BRUXISMO NÃO É DTM! Então, "dor e desconforto" não foram abordados aqui. Os assuntos são diferentes. —— 📚Vou deixar aqui duas referências para quem quiser ler mais um pouco sobre o assunto… ✏Balanta-Melo J, Toro-Ibacache V, Kupczik K, Buvinic S. Mandibular Bone Loss after Masticatory Muscles Intervention with Botulinum Toxin: An Approach from Basic Research to Clinical Findings. Toxins (Basel). 2019 Feb 1;11(2). ✏Shim YJ, Lee MK, Kato T, Park HU, Heo K, Kim ST. Effects of botulinum toxin on jaw motor events during sleep in sleep bruxism patients: a polysomnographic evaluation. J Clin Sleep Med. 2014 Mar 15;10(3):291-8. ——- #bruxismonaoedtm #bruxismo #trabalhodeformiguinha #odontologiabaseadaemevidencias #odonto #odontologia #bruxismoinfantil #odontopediatria #odontopediatriaemevidencia

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DTM em crianças

Criança também pode apresentar Disfunção Temporomandibular? Já ouviu alguma criança se queixar de dor no rosto, ao mastigar ou mesmo há presença de estalos na ATM?
Hoje vamos conversar com a querida amiga Profa. Dra. Adriana Lira Ortega sobre DTM em crianças e adolescentes. A professora Adriana é especialista em Odontopediatria e tem mestrado na área de DTM e Dor Orofacial e doutorado em Pacientes Especiais. É docente na graduação e pós graduação da UNICSUL e em cursos na FUNDECTO e na São Leopoldo Mandic. Não é incomum encontrá-la no aeroporto, já que é muito requisitada a ministrar aulas em cursos e congressos no Brasil e no exterior.
Em breve também estará no IV Congresso Brasileiro de Dor Orofacial da SBDOF, que acontecerá nos dias 10 a 12 de abril em São Paulo.
Além de tudo isso (ufa!), ainda ministra junto comigo o curso Dia do Bruxismo!
Não tinha pessoa melhor para nos contar algumas particularidades sobre DTM na população infantil, não é mesmo?
Então, dá um play neste episódio!!
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Dia do Programa: o colega Marcelo Ugadin chamou minha atenção que a Academia Americana de Dor Orofacial (AAOP) lançou o seu podcast e a primeira entrevista é com o Prof. Okeson! Então, segue o link para o podcast da AAOP, com a entrevista sobre o papel do cirurgião-dentista na DTM (em inglês): https://soundcloud.com/user-1576371/dr-jeffrey-okeson-the-role-of-dentists-in-temporomandibular-disorders
Fale comigo:
⁃Lista de transmissão no Whatsapp: http://bit.ly/julianadentista

 

Episódio 3 do Podcast: o que é DTM?

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Hoje o assunto é DTM! 

DTM é a sigla para disfunção temporomandibular e é a condição carro chefe nos atendimentos na clinica de dor orofacial, sendo a segunda causa de dor mais frequente (a primeira é a dor odontogênica). 

Bem, sobre este assunto eu pensei em fazer uma introdução básica e quando já estava começando a gravar, me lembrei de um vídeo que fiz há uns 2 anos para o professor Roberto Pedras que na época ministrava uma aula a turma de graduação. 

Foi uma experiência interessante que está disponível para quem quiser assistir no youtube (vou deixar o link abaixo na descrição do podcast). 

Se eu já tinha o vídeo, então, resolvi extrair o audio para colocar aqui no podcast! é só uma introdução, vamos falar bastante de DTM por aqui! 

Então, vamos ao áudio? 

Links para ouvir o podcast:

Links deste programa:

Fale comigo:

⁃ Email: juliana.dentista@gmail.com 

⁃ Instagram: www.instagram.com/dtmdororofacial 

⁃ Twitter: www.twitter.com/dororofacial 

⁃ Lista de transmissão no Whatsapp: http://bit.ly/julianadentista 

Congresso Brasileiro de Dor Orofacial

A coordenadora geral do IV Congresso Brasileiro de Dor Orofacial, Profa. Liete Zwir pediu para avisar a todos os colegas que em 2019 o evento será realizado nos dias 10 a 12 de abril no auditório CDI-USP em São Paulo. O Congresso é realizado de 2 em 2 anos e é organizado pela Sociedade Brasileira de Disfunção Temporomomandibular (DTM) e Dor Orofacial (SBDOF). Desde a sua primeira realização em 2013, o Congresso é referência de qualificação profissional, mobilizando um número significativo de participantes!
EU VOU! E VC?
OLHA A DICA – ATENÇÃO: eu fiz as contas e compensa muito realizar a inscrição até dia 15/01/2019 (AMANHÃ!!)! Além do desconto vantajoso (impossível de conseguir em qualquer aplicação conservadora), você ainda pode parcelar em 4 vezes no cartão, basta escolher a opção Itaubankline (qualquer cartão, não precisa ser do Itaú!).
Então, não perca tempo!! Acesse o site www.sbdof2019.com.br
Os valores permanecem somente até dia 15/01!!
Aproveite e dê uma olhada nos palestrantes que já confirmaram a sua presença! #ficaadica
Abraços

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Exercícios físicos

Olá pessoal! Feliz 2019!
Voltei às atividades nesta semana e eu resolvi este ano, como meta, voltar a correr!
Por coincidência saiu ontem na revista Nature Medicine uma matéria de uma pesquisa realizada no Brasil sobre os benefícios do exercício físico aeróbico! Vocês virão?
Fazer exercícios físicos regularmente melhora o desempenho da memória e parece retardar a ocorrência de esquecimentos nos estágios iniciais da doença de Alzheimer, enfermidade que atinge cerca de 35 milhões de pessoas no mundo e é marcada por perda de memória e redução da capacidade de planejamento. Uma longa sequência de experimentos realizados com células, animais e também seres humanos pelos grupos da neurocientista Fernanda De Felice e do bioquímico Sergio Teixeira Ferreira ajuda agora a explicar por quê. Em um artigo publicado on-line hoje (7/1) na revista Nature Medicine, os pesquisadores brasileiros, ambos professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), apresentam um conjunto robusto de evidências de que o hormônio irisina, liberado pelos músculos durante a atividade física, é importante para a formação da memória e a proteção dos neurônios dos efeitos tóxicos de compostos associados à origem do Alzheimer.
“Não esperávamos que o efeito da irisina sobre a memória pudesse se sobressair tanto entre os dos demais compostos que são liberados pelo exercício físico”, conta De Felice, que também é professora adjunta na Queen’s University, no Canadá. Em dezenas de testes que consumiram sete anos de trabalho, os pesquisadores observaram que, por um lado, a neutralização da irisina prejudicava a formação da memória. Por outro, o aumento da concentração desse hormônio pela prática de exercício físico ou por injeção na corrente sanguínea restaurava o funcionamento dos neurônios e recuperava a capacidade de aprendizado de camundongos geneticamente alterados para apresentarem os sinais da doença de Alzheimer.
O interesse de De Felice pela irisina surgiu há sete anos, pouco depois de esse hormônio ser identificado pela equipe do biólogo Bruce Spiegelman, da Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Em janeiro de 2012, em um congresso de diabetes, Spiegelman apresentou dados sugerindo que a irisina funcionaria como um mensageiro químico da atividade física – por isso seu nome homenageia Íris, a deusa grega mensageira. Liberada durante o esforço físico, a irisina induziria as alterações benéficas do exercício em outros órgãos e tecidos. O grupo de Spiegelman a descrevera em janeiro daquele ano na revista Nature.
Experimentos feitos com roedores pela equipe de Harvard indicavam que o hormônio atuava sobre o tecido adiposo branco – abundante nos mamíferos adultos e formado por células que armazenam energia na forma de gordura –, transformando-o em tecido adiposo marrom – escasso nos mamíferos a partir da idade adulta, que transforma a energia armazenada em calor. “Tive a sorte de estar na audiência e suspeitar que a irisina pudesse ter também alguma ação no cérebro”, lembra a neurocientista brasileira.
Há quase duas décadas De Felice e Ferreira, que são casados e parceiros de pesquisa, dedicam-se a investigar as transformações bioquímicas e celulares que ocorrem no cérebro nos estágios iniciais do Alzheimer. Por volta de 2009, eles já haviam observado que outro hormônio produzido fora do sistema nervoso central – a insulina, secretada pelo pâncreas – desempenhava um papel importante no cérebro. Nas pessoas sadias, ela ajuda na formação da memória e previne danos nos neurônios, as células cerebrais que processam a informação, originando o pensamento e as memórias. Nas pessoas com Alzheimer, a insulina deixa de funcionar adequadamente, facilitando os danos às células cerebrais e o esquecimento (ver Pesquisa FAPESP nº 157).
Para descobrir se a irisina poderia produzir algum efeito clinicamente relevante no sistema nervoso central, o primeiro passo de De Felice foi comparar o nível desse hormônio em pessoas sem problemas neurológicos e com diferentes estágios de doenças neurodegenerativas, entre elas o Alzheimer. Em colaboração com a neurocientista Fernanda Tovar-Moll, pesquisadora da UFRJ e do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor), Fernanda De Felice analisou o nível de irisina no sangue e no líquido cefalorraquidiano de 26 pessoas sadias, 14 com perda moderada de memória, 14 com Alzheimer, 13 com demência de outro tipo, com corpos de Lewy.
O nível de irisina no sangue era semelhante nos quatro grupos, mas a concentração do hormônio caía pela metade no líquido cefalorraquidiano das pessoas com Alzheimer e demência com corpos de Lewy. Era um sinal de que nas doenças neurodegenerativas a concentração de irisina estaria baixa apenas no sistema nervoso central, mas normal no restante do organismo. Tovar-Moll e De Felice notaram ainda que, dos 60 aos 80 anos, o nível do hormônio aumentava no sistema nervoso das pessoas sem problemas neurológicos enquanto permanecia constante naquelas com Alzheimer.
Na Universidade de Kentucky, Estados Unidos, a fisiologista Donna Wilcock e sua equipe verificaram que a concentração de irisina estava reduzida à metade no hipocampo, estrutura cerebral associada à formação da memória, de pessoas com Alzheimer avançado, quando comparada ao nível nos indivíduos saudáveis, do grupo de controle. “Como o nível do hormônio estava baixo em quem tinha a doença, nos perguntamos se ele teria um papel importante no funcionamento dos neurônios”, explica De Felice.
Na etapa seguinte, os neurocientistas Mychael Lourenço, da UFRJ, e Rudimar Frozza, da Fundação Oswaldo Cruz, iniciaram uma série de experimentos com roedores para tentar descobrir sobre quais células cerebrais a irisina agia e como. Em um primeiro teste, eles injetaram no hipocampo de ratos saudáveis um vírus capaz de reduzir a produção de irisina e verificaram que os neurônios perderam a capacidade de fazer conexões (sinapses) uns com os outros, fenômeno essencial para a formação e fortalecimento da memória. Os animais que receberam injeção do vírus se saíam pior do que os do grupo de controle nos testes de memória: esqueciam que não deveriam pisar no chão de uma gaiola especial para evitar receber um leve choque na pata e tinham mais dificuldade em diferenciar objetos antigos de novos colocados na caixa em que estavam.
Se a redução da irisina piorava a memória, será que seu aumento melhoraria a capacidade de recordação nos casos em que o nível cerebral do hormônio é baixo? Lourenço e Frozza, então, usaram três estratégias para elevar o nível de irisina em dois modelos de Alzheimer em camundongos – em um deles, os animais foram alterados geneticamente para apresentar lesões (agregados da proteína beta-amiloide) típicas da doença; no outro, receberam injeção no hipocampo de compostos tóxicos (oligômeros beta-amiloide), precursores dos agregados. Tanto a estratégia direta de aumentar a irisina cerebral, pela injeção de um vírus que aumenta a síntese do hormônio, quanto as indiretas, injeção no sangue periférico ou realização de exercícios intensos, produziram resultados semelhantes: melhoraram a capacidade de recordação dos animais. O efeito benéfico desapareceu quando, mais tarde, os pesquisadores injetaram no cérebro o vírus que diminui a concentração de irisina ou aniquilavam sua ação com anticorpos que a neutralizavam.
“Os resultados sugerem que, além de auxiliar a formação da memória, o hormônio do exercício protege os neurônios de danos das doenças neurodegenerativas”, conta Ferreira, da UFRJ. Suspeita-se que o efeito neuroprotetor da irisina ocorra por duas vias. O hormônio impede a ligação dos oligômeros beta-amiloide aos neurônios, impedindo-os de destruir as sinapses, e estimularia os neurônios a produzir compostos essenciais para a formação da memória, como o fator neurotrófico derivado do cérebro, o BDNF. “Agora é preciso investigar detalhadamente as vias de ação da irisina sobre os neurônios”, afirma De Felice, que obteve um financiamento de US$ 150 mil da Sociedade de Alzheimer do Canadá para a etapa concluída do estudo. Ela planeja observar se os mesmos efeitos benéficos ocorrem em um modelo de Alzheimer em macacos.
“O estimulante eixo músculo-cérebro descoberto por esse estudo expande ainda mais o papel que os tecidos periféricos podem desempenhar sobre a saúde e as doenças do cérebro”, escreveu a neurocientista Li Gan, da Universidade da Califórnia em São Francisco, e diretora do Instituto Helen e Robert Appel de Pesquisa em Doença de Alzheimer da Weill Cornell Medicine, em Nova York, em um comentário que acompanhou o artigo na Nature Medicine.
Caso novos estudos com animais e seres humanos confirmem a ação neuroprotetora da irisina, o hormônio pode, no futuro, tornar-se um candidato a auxiliar no tratamento dos estágios iniciais do Alzheimer, enfermidade contra a qual não há medicação eficaz. “Atualmente há vários esforços para identificar moléculas responsáveis pelos efeitos benéficos do exercício”, informa Ferreira. “A irisina é mais uma, além de outras quatro já conhecidas.” Por ora, no entanto, De Felice e Ferreira apostam no potencial preventivo do hormônio. “É importante manter-se fisicamente ativo para obter os benefícios da irisina para o organismo, em especial para o cérebro, reduzindo o risco de desenvolver Alzheimer ou retardando seu início”, afirma a neurocientista.
Artigos científicos
BOSTRÖM, P. et al. A PGC1-α-dependent myokine that drives brown-fat-like development of white fat and thermogenesis. Nature. v. 481, n. 7382, p. 463-8. 11 jan. 2012.
CHEN, X. e GAN, L. An exercise-induced messenger boosts memory in Alzheimer’s disease. Nature Medicine. 7 jan. 2019.
Importante ressaltar que a irisina é um hormônio produzido no músculo esquelético durante exercício e recentemente foram identificados seus receptores em osteoblastos,  responsavel pela fixação de cálcio no ossos… Ou seja, ela também medeia o efeito anti-osteoporose do exercício.
Além disso, há benefícios claros do exercício físico na dor crônica!
E olhem só, no final do ano passado  eu convidei uma amiga para uma entrevista neste segundo episódio do podcast do Por Dentro da Dor Orofacial, a Dyna Mara Ferreira, que trabalha conosco no Bauru Orofacial Pain Group e é aluna do professor Paulo Conti no doutorado do programa de Ciências Odontológicas da Faculdade de Odontologia de Bauru – USP.
Nós estivemos no Congresso Mundial de Dor da IASP em Boston no ano passado e foi uma excelente oportunidade para atualizar os conhecimentos em todas as áreas sobre dor. (Fique de olho que o próximo congresso acontece em 2020 em Amesterdan na Holanda!) A palestra de encerramento do congresso  teve como tema Exercícios físicos e dor e foi ministrada pela Professora e fisioterapeuta Kathleen Sluka. Depois que voltamos a Dyna ministrou uma aula no curso e DTM e Dor Orofacial exatamente sobre este tema, e eu adorei e nem pensei duas vezes: precisava trazer aqui para vocês!
Então, dá um play neste episódio recheado de informações!
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Links:
⁃Site IASP: www.iasp-pain.org
⁃Entrevista com a prof. Sluka: http://bit.ly/entrevistaSluka
⁃Página com informações sobre cursos em 2019: https://julianadentista.com/cursos-dtm-e-dor-orofacial/
⁃Dica do episódio – Site Pain Research Forum da IASP: https://www.painresearchforum.org
Fale comigo:
⁃Lista de transmissão no Whatsapp: http://bit.ly/julianadentista
Falando nisso….
Eu e a Dyna participamos do curso de DTM e Dor Orofacial coordenado pelo Professor Paulo Conti!

O curso é válido para quem quer atender pacientes em DTM e Dor Orofacial em seu consultório bem como para especialistas que gostariam de atualização e conhecer outros assuntos.

Para saber mais sobre o curso, você pode enviar uma mensagem para +55 14 996544386 ou clicar em bit.ly/cursoDTM no seu celular. Ainda no site www.ieobauru.com.br você pode ler mais sobre o curso.

E aguardem que teremos muitas novidades em cursos este ano!

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Bibliometria em 2018

Olá pessoal!

Espero que as festas de final do ano tenham sido ótimas! Por aqui ainda estou no recesso. Volto para valer ao trabalho somente daqui uns dias. Mas para ir esquentando os motores e para fazer algo diferente este ano do que a retrospectiva dos posts mais visualizados (já que não produzi muitos em 2018), vou usar bibliometria.

Já ouviu falar sobre isso? Bibliometria é a estatística da informação científica. Basicamente dos artigos publicados.

Do wikipedia:

Dentre as diversas possibilidades de aplicação do uso da bibliometria, podem-se destacar as seguintes:

  • Identificar tendências e crescimento do conhecimento em uma determinada disciplina.
  • Estudar dispersão e obsolescências dos campos científicos.
  • Medir o impacto das publicações e dos serviços de disseminação da informação.
  • Estimar a cobertura das revistas científicas.
  • Identificar autores e instituições mais produtivos.
  • Identificar as revistas do núcleo de cada disciplina.
  • Estudar relações entre a ciência e a tecnologia[2].
  • Investigar relações entre disciplinas e áreas do conhecimento.
  • Monitorar o desenvolvimento de tecnologias.
  • Adaptar políticas de aquisição e descarte de publicações etc

Usei bastante  ferramentas de bibliometria no final de 2018, sobretudo a do site Web of Science e adorei a possibilidade de descobrir mais sobre as publicações realizadas no mundo todo. O Web of Science é uma base de dados que disponibiliza acesso a mais de 9.200 títulos de periódicos.

Daí, para fazer uma retrospectiva do ano de 2018, vou colocar abaixo algumas métricas!

Começando com Bruxismo. Em 2018, 166 artigos foram publicados com este tópico. Destes, 119 foram artigos completos e 20 revisões da literatura. 24 artigos foram produzidos no Brasil. E se você não sabe inglês, é difícil se manter atualizado… 162 artigos foram publicados neste idioma!

 

A ferramenta talvez mais conhecida deste site é a possibilidade de verificar quantas vezes o artigo foi citado por outras publicações. E o paper mais citado neste assunto foi, claro, a atualização do consenso internacional, que já citei aqui no blog. Mas ainda, como foram publicados em 2018, os artigos tem baixo índice de citação. Assim, resolvi separar os artigos com o número maior de uso nos últimos 180 dias, é o que chama de contagem de uso.

Do site Web of Science:

O Contagem de uso é uma medida do nível de interesse em um item específico da plataforma Web of Science. O total reflete o número de vezes que um artigo atendeu as necessidades de informação do usuário, conforme demonstrado pelos links clicados em toda a extensão do artigo no website do editor (através de link direto ou Open-Url) ou por ter salvo o artigo para uso em uma ferramenta de gerenciamento bibliográfico (através de exportação direta ou em um formato a ser importado posteriormente). O Contagem de uso é um registro de todas as atividades realizadas por todos os usuários do Web of Science, não apenas as atividades realizadas pelos usuários da sua instituição. O Contagem de uso para diferentes versões do mesmo item na plataforma Web of Science é unificado. Os Totais de uso são atualizados diariamente.

Agora que já expliquei direitinho, veja então os 5 artigos que foram mais utilizados que citam bruxismo no título (com link para resumo ou artigo completo):

  1. INTERNATIONAL DENTAL JOURNAL   Volume: 68   Edição: 2   Páginas: 97-104  Publicado: APR 2018 Link para artigo: clique aqui.
  2. JOURNAL OF ORAL REHABILITATION   Volume: 45   Edição: 6   Páginas: 423-429  Publicado: JUN 2018 Link para artigo: clique aqui.
  3. JOURNAL OF ORAL REHABILITATION   Volume: 45   Edição: 2   Páginas: 104-109  Publicado: FEB 2018 Link para artigo: clique aqui.
  4. ORAL AND MAXILLOFACIAL SURGERY CLINICS OF NORTH AMERICA   Volume: 30   Edição: 3   Páginas: 369-+   Publicado: AUG 2018 Link para o artigo: clique aqui.
  5. GASTROENTEROLOGY RESEARCH AND PRACTICE     Número do artigo: 7274318  Publicado: 2018 Link para o artigo: clique aqui (gratuito)

Só achei que o total de uso é bem baixo quando comparado a outros temas. Ainda, se destacou a revista Journal of Oral Rehabilitation. De fato, para quem quer ler mais sobre bruxismo, é a revista!

E agora sobre Disfunção Temporomandibular!

Foram 547 textos publicados! Destes, 441 foram artigos completos e 83 revisões. 122 dos Estados Unidos e 87 do Brasil! Realmente a produção brasileira aumentou na área da dor orofacial (o que é muito bacana) porém, ainda com pouca relevância em termos de citações. Muitos artigos são publicados em revistas de baixo impacto, infelizmente.

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O artigo mais citado que traz DTM no título foi sobre o sistema de classificação DC-TMD: “Reliability and Validity of the Diagnostic Criteria for Temporomandibular Disorders Axis I in Clinical and Research Settings: A Critical Appraisal“.

O total de uso já é maior do que em bruxismo. E os top 5 artigos inéditos (exclui os editoriais) com DTM no título foram:

  1. JOURNAL OF ORAL & FACIAL PAIN AND HEADACHE   Volume: 32   Edição: 1  Páginas: 53-66   Publicado: WIN 2018 Link para artigo: clique aqui.
  2. JOURNAL OF ORAL & FACIAL PAIN AND HEADACHE   Volume: 32   Edição: 1  Páginas: 7-18   Publicado: WIN 2018 Link para artigo: clique aqui
  3. Acesso antecipado: MAR 2018 Link para artigo: clique aqui.
  4. INTERNATIONAL JOURNAL OF DENTAL HYGIENE   Volume: 16   Edição: 1   Páginas: 165-170   Publicado: FEB 2018 Link para artigo gratuito: clique aqui.
  5. JOURNAL OF ORAL REHABILITATION   Volume: 45   Edição: 5   Páginas: 414-422  Publicado: MAY 2018 Link para o artigo: clique aqui.

E olhem só, dentre os artigos que selecionei, somente um é do Brasil e exatamente um que participei a convite do pessoal do COBE-UFSC! 🙂 Para quem se interessar em fazer um curso de Revisão Sistemática, eles estão com as inscrições abertas!

Se considerarmos os editoriais, a revista que nada de braçada nas publicações em DTM é The Journal of Oral & Facial Pain Headache (a antiga Journal Orofacial Pain).

É isso… Para quem quiser acompanhar minhas leituras, seleções de artigos, sites, podcasts, etc etc etc, basta seguir o Instagram @dtmdororofacial ou participar da lista de transmissão do WhatsApp. Mande uma mensagem para +55 16 99132 3541 (grave o número em seus contatos para receber as mensagens!) ou do seu celular, clique no link: bit.ly/julianadentista

Falando nisso….

Restam poucas vagas para o curso de Atualização em DTM e Dor Orofacial do Bauru Orofacial Pain Group, coordenado pelo Professor Paulo Conti no IEO-Bauru!

O curso é válido para quem quer atender pacientes em DTM e Dor Orofacial em seu consultório bem como para especialistas que gostariam de atualização e conhecer outros assuntos.

Para saber mais sobre o curso, você pode enviar uma mensagem para +55 14 996544386 ou clicar em bit.ly/cursoDTM no seu celular. Ainda no site www.ieobauru.com.br você pode ler mais sobre o curso.

E aguardem que teremos muitas novidades em cursos este ano!

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Novidade: podcast

Enfim chegou o dia de eu anunciar que finalmente consegui gravar um podcast para o blog!!

Faz muitos anos que sou ouvinte assídua de podcasts e até já escrevi sobre isso aqui.

Agora, com a facilidade dos novos aplicativos, consegui entrar para este mundo! Espero manter a frequência (quero que seja quinzenal).

Neste primeiro episódio falo sobre Bruxismo e o consenso de 2018.
Dá o play aí!!
Links:
Para saber mais sobre Bruxismo, venha estudar conosco no Dia do Bruxismo!
Próxima data: 08/12 em Campinas. Para se inscrever, clique aqui.

DTM e Bruxismo: mais um olhar na relação

🔴 Mais um artigo sobre a relação entre Bruxismo e DTM saiu! 

👉🏻Muzalev, van-Selms e Lobbezoo em artigo recentemente publicado.

🧐 Investigaram se existe uma relação dose-dependente entre a intensidade de dor relacionada a DTMs 🏧e a frequência do auto relato de bruxismo 😬 (do sono e da vigília) em um grupo de pacientes com DTM dolorosa. 

✔️Para isso selecionaram 768 pacientes onde, 293 que foram diagnosticados com pelo menos um tipo de DTM dolorosa. 

🤔Os resultados apontaram que  testes de correlação de Spearman não forneceram correlação significativa entre a frequência de bruxismo do sono e a intensidade de dor. 😱Por outro lado, o auto relato de bruxismo da vigília correlacionou-se positivamente 👍🏻com a intensidade da dor na DTM; no entanto, ❌ esta última correlação foi perdida quando o modelo foi controlado para os efeitos da depressão.🤯

👉🏻Assim, os autores concluíram que a suposição de que existe uma associação dose-dependente entre o bruxismo e a dor da DTM, onde quanto mais bruxismo, mais sobrecarga e, portanto,  mais dor, não poderia ser justificada. 👊🏻

🔺Parece que o caminho para entender a presença de uma DTM dolorosa vai mesmo além da hiperatividade muscular! 

💡Observem outros fatores sempre!

#ficaadica

🔺Quer saber mais sobre Bruxismo😬? 

👉🏻Estaremos em Campinas no dia 08/12 com o curso Dia do Bruxismo! 🍾🍾🍾

Inscrições e informações: www.diadobruxismo.com

🔺Quer estudar mais DTM, 🏧,Bruxismo e como estão relacionados? 

👉🏻Venha participar do curso de Atualização ou Especialização do Bauru Orofacial Pain Group, coordenado pelo professor Paulo Conti! Ministro a aula completa por lá! 😊 Link bit.ly/cursoDTM para mais informações! 

Referência: 

Muzalev K, van Selms MK, Lobbezoo F.J 

No Dose-Response Association Between Self-Reported Bruxism and Pain-Related Temporomandibular Disorders: A Retrospective Study. Oral Facial Pain Headache. 2018 Fall;32(4):375-380. 

Ah! Lembrando que a relação entre bruxismo e DTM é tema da palestra que irei ministrar no IV Congresso Brasileiro de Dor Orofacial em abril no ano que vem!!

Sim! Vou falar! \o/

Se você for participar, aproveite o desconto até 15/12/2018! Informações no site: www.sbdof2019.com.br

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