Neuralgia do Trigêmeo – conceitos atuais

Olá!

Sexta feira ministrei novamente o curso Odontalgias não Odontogênicas na Imajon Cursos em Campinas e mais uma vez falei sobre a Neuralgia do Trigêmeo e como os clínicos confundem esta condição com dores odontogênicas, o que faz com que os pacientes sejam submetidos a tratamentos desnecessários.

nt.001

O ideal é conhecer bem as características desta condição, como realizar o diagnóstico, não iniciar um tratamento odontológico sem ter certeza que é o indicado e quando reconhecer a Neuralgia do Trigêmeo em um paciente, encaminhar ao neurologista clínico. Não devemos esquecer que cerca de 14 a 20% dos casos são sintomáticos, ou seja, podem estar associados a outras condições como tumores.

Recentemente fui convidada pela querida professora Liete Zwir para escrever um texto sobre este assunto para a seção Cadernos da Sociedade Brasileira de DTM e Dor Orofacial (SBDOF). Para ler, clique aqui! Para quem quiser tem o PDF.

Aproveite e leia também o  artigo com atualidades em conceitos sobre Neuralgia do Trigêmeo publicado na revista Neurology por Cruccu et al., 2016.

 

Novo consenso sobre Bruxismo

Saiu hoje o novo consenso de especialistas sobre Bruxismo.

Convido a todos a lerem e refletirem sobre os conceitos ali apresentados.

Muitos aspectos interessantes: o papel da ferramenta de diagnóstico, o bruxismo como sinal de alguma condição ou fator de risco para outras, os métodos para diagnóstico de bruxismo da vigília.

Eu particularmente fiquei feliz que a definição agora separou de acordo com a atividade dos músculos realizadas e período circadiano, o bruxismo do sono do bruxismo da vigília.

consenso.001

O consenso foi publicado no Journal Oral Rehabilitation e está aberto e gratuito para quem quiser ler.

Os autores são pesquisadores e clínicos que atuam na área.

#ficaadica

Falando nisso….

Claro que todas as novidades estarão no Dia do Bruxismo, curso teórico com 8 horas, comigo e com a professora Adriana Lira Ortega.

Estamos com inscrições abertas em Blumenau (11/11), São Paulo (18/08) e Salvador (01/09)!

Saiba mais em www.diadobruxismo.com

Os vídeos da vez para estudar Neurofisiologia da Dor

 

Lá no IEO-Bauru, onde há o curso de especialização em DTM e Dor Orofacial coordenado pelo Professor Paulo Conti, estamos  todo o módulo realizando uma reunião científica, o Journal Club, onde sempre escolhemos temas interessantes para estudar. Num deles estudamos como  facilitar o estudo dos processos relacionados a dor. Escolhi mostrar alguns dos vídeos que gosto no youtube!

Como já faz um tempo que fiz uma postagem com estes vídeos do Youtube que gostei para estudar neurofisiologia da dor, acho que está mais do que na hora de atualizar a lista né? Quanto tiver um tempinho sobrando, veja um deles. Ver vídeos ajuda bastante no conhecimento!

Aproveite e conheça o meu canal por lá. Tem poucos vídeos meus mas tem as listas que crio com vídeos que gosto! 🙂

Segue a sequência de vídeos que enviei aos alunos:
1. Aula TED-Ed sobre dor

2. As fases da nocicepção

3. Caminhos da dor

4. Condução:

5. Transmissão (sinapse):

6. Modulação de dor:

  • Teoria do portão:
  • Modulação endógena:
  •  Papel do opióide:

7. Percepção de dor:

E mais uns extras que sugeri que assistissem:

* O mistério da dor crônica:


* Neurônio:


* Como os nervos funcionam?


* Potencial de ação:


* Potencial da membrana:


* Inibidores seletivos de recaptacao de serotonina:

 

#ficaadica

Quer se inscrever na próxima turma do curso de DTM e Dor Orofacial e também participar do Journal Club? Clique aqui!

Falando nisso…

No dia 03 de agosto de 2018 irei ministrar novamente a minha aula favorita: Odontalgias não Odontogênicas em Campinas. Esta aula tem duração de 8 horas e apresentou alguns casos clínicos de interesse aos colegas dentistas para que o conhecimento evite as iatrogenias!

Assim, se quiser participar, entre em contato com a Imajon Cursos. Link para conteúdo programático aqui.

Abraços!!

ad66f6b7-940e-4f52-8b70-bec9d4402288

Utilizar ou não a Internet e as Redes sociais, para preencher as lacunas de informação?

Eu sempre acreditei na comunicação via redes sociais, mas, acreditem, ainda há aqueles que são resistentes a utilizarem esta ferramenta.

Pedi para a querida Bruna Motta Minusculi, cirurgiã-dentista, aluna do curso de Especialização em DTM e Dor Orofacial do Bauru Orofacial Pain Group/ IEO-Bauru, que escrevesse um texto sobre este assunto e compartilho com vocês! 🙂

 

Nos últimos dias tenho pensado e me questionado muito sobre como a Internet e as redes sociais influenciam as pessoas no dia-a-dia. Resolvi pesquisar mais sobre o assunto. Vamos lá…

Hoje vivemos em um mundo em que as pessoas estão o tempo todo conectadas, certo? Seja em seus computadores, seja em seus smartphones e tablets. Segundo dados de 2017 publicados pela We are Social, os brasileiros são a segunda nação a gastar mais tempo nas redes sociais, perdendo apenas para as Filipinas, permanecendo em média 3 horas e 43 minutos conectados por dia.

A rede social Facebook, englobando as outras plataformas da empresa, como Instagram, Messenger e Whattsapp, hoje contam com 4.37 bilhões de usuários, claro que nessa conta temos usuários duplicados, mas os números são impressionantes. Só no Brasil, o Facebook possui 120 milhões de contas ativas, isso significa que mais da metade da população brasileira está nessa mídia.  Já, segundo outro levantamento realizado pela Pew Research Center, oito em cada dez usuários da internet procuram informações sobre saúde na rede.

E qual a qualidade da informação que encontramos na internet hoje? Será que são informações baseadas em evidências científicas ou baseadas na opinião do dono da página/canal?

– Para os pacientes: Você tem o hábito de verificar as informações que recebe ou que busca na Internet? Ou aceita ela como verdadeira logo de cara?

– Para os profissionais de saúde: Você orienta seus pacientes sobre os cuidados nessas mídias? Publica informações nas redes, buscando levar informações atualizadas e com embasamento científico à população?

Keller et al. (2014) realizou uma pesquisa para verificar o engajamento dos profissionais da saúde com as tecnologias, segundo ele a maioria dos pesquisadores e professores da Johns Hopkins School of Public Health não tem interesse ou é contrário a utilização das redes sociais para o engajamento profissional.

No trabalho de Butler et al (2012) ele avaliou a qualidade das informações nos vídeos do YouTube em relação aos primeiros cuidados de queimaduras, e concluiu que a qualidade das informações foram insatisfatórias.

Outra pesquisa realizada por Merolli et al. (2015) que analisou o uso das redes sociais em pacientes com dor crônica, obteve um resultado (me impressionou) quanto a frequência do uso das redes sociais para a autogestão da dor crônica 35,5% dos entrevistados acessam diariamente e 41,4% pelo menos uma vez na semana. Também 35,1% dos pacientes valorizam as redes sociais para a autogestão da dor crônica.

Não podemos esquecer que esse ano a IASP, declarou o tema da campanha mundial de 2018: Excelência da Educação em Dor. Que como já publicado tudo sobre isso em outro post. Devemos fazer com que conceitos corretos sobre dor cheguem aos pacientes e a Internet é uma ótima forma de realizar isso.

Com isso, não temos como fugir dos avanços tecnológicos, nossos pacientes acessam com frequência, a informação está disponível e na maioria das vezes possui qualidade questionável.

Mas hoje, como profissionais da saúde possuímos o dever de orientar a população leiga, pois, para eles é muito mais difícil distinguira ciência da opinião. Assim para a promoção de saúde devemos buscar bases científicas atualizadas e sim, divulgarmos nas redes sociais! Faça a divulgação da informações de qualidade chegar a mais pessoas e como você achar melhor, através de posts, vídeos, mídias. Enfim a rede está disponível, basta usá-la!

E pra finalizar, a conclusão enfática de Thompson et al. (2012), para a área médica em geral “nossos pacientes estão fazendo isso, então é aí que precisamos estar.”

1755_05829.jpg

Bruna Motta Minusculi

Referências:

 

A decisão clínica baseada em evidências

Há algumas semanas atrás o colega cirurgião-dentista Ricardo Aranha me enviou um texto de sua autoria sobre o tema saúde baseada em evidências. Achei bem interessante e compartilho aqui com vocês!

Boa leitura!!

O método científico tem como uma de suas bases o livro “Discurso do Método” de René Descartes, do séc. XVII. A noção da confirmação do que era até então reconhecido pelos 5 sentidos através de testes, refutação, repetições sistematizadas e confrontação de ideias teve por lá seu berço e vem evoluindo à revelia do senso comum. A ciência nasce como uma conquista humanitária, contrapondo-se a crenças, preconceitos de todo tipo e autoritarismo dogmático formal ou informal ao longo da história. Infelizmente enfrentou e enfrenta imenso desconhecimento ou mesmo simples desconsideração de suas bases teóricas, mesmo com toda parafernália tecnológica atual à disposição e todo acesso à informação (um luxo, até certo tempo atrás). Como nasceu de constructos humanos, não poderia ser perfeita. Muitas vezes é distorcida, falseada e mal utilizada, mas nada disso tira sua grandeza e sua utilidade prática inestimável. Nem mesmo a força de discursos obscuros em redes sociais da internet ressaltando “tradição, moralidade, histórias pontuais, mitos, etc.”

De um tempo para cá muito se fala em evidências científicas e suas aplicações no mundo real. No caso da área de saúde, surgiu a “Medicina Baseada em Evidências” (MBE) – que apesar de propiciar críticas e debates produtivos, é também inevitavelmente alvo de incompreensão generalizada e de ataques infundados. A MBE, com origem filosófica que remonta ao século XIX ou ainda antes, é definida como “uso consciencioso, explícito e criterioso da melhor evidência atual na tomada de decisões sobre o tratamento do indivíduo, o que significa integrar a experiência clínica individual com a melhor evidência clínica externa disponível proveniente da busca sistemática de informações.” (Sackett D, 1996). O termo mais amplo “Prática Baseada em Evidências” (PBE), cunhado por Gordon Guyatt em 1992 e que utiliza os mesmos princípios, integra outras áreas de saúde para além da medicina no mesmo escopo. Seu método de busca por respostas à questões clínicas parte do princípio da hierarquia construída a partir de trabalhos de atestada qualidade (pirâmide de evidências), a identificação e busca por estes mesmos trabalhos e ao final sua leitura crítica. Daí então o processo expande-se para além da nua e crua leitura de resultados acadêmicos, formando um  “tripé mental” construído por: realidade e experiência do profissional, vontades e valores do paciente e a melhor evidência científica disponível no momento.

Reformulando e complementando, é preciso também acrescentar que, tal como indica a nomenclatura de origem “medicina baseada em evidências”, sua base é sempre constituída de (boas) evidências e daí a decisão clínica deve sempre partir. Só então, como camadas que são acrescentadas sucessivamente, considera-se a informação do contexto do paciente, sua realidade e as vivências e habilidades do clínico (e até mesmo, porque não: um pouco de criatividade). Mas é importante salientar que esta ordem NUNCA deve ser invertida. Os maiores problemas aparecem quando a evidência científica vem como um “anexo” a posteriori, ou ainda pior, nunca vem…

Assim, um médico que se permita substituir a correta e necessária vacinação contra a febre amarela, por exemplo, por procedimentos ditos “alternativos” está desconsiderando a base de evidências e superestimando o contexto social, hábitos e tradições (muitas das quais inadequadas). Está inadvertidamente deformando por deslocamento sua base de decisão – e este não é o processo mais virtuoso: a  partir daí nada pode ser considerado seguro e prevalecem os hábitos, crenças e vícios mentais obscuros; as consequências podem ser graves, algumas vezes até mesmo fatais.

Um outro exemplo clássico, mas na direção oposta, seria o do medicamento Canabidiol, oriundo da folha da maconha e que é utilizado em casos graves de epilepsia. À época seu uso foi devidamente legalizado no Brasil, mesmo na ausência da melhor evidência e considerando apenas relatos de casos e estudos de menor peso científico, também sua segurança clínica e o fato de não existirem definitivamente outras opções com a mesma performance terapêutica para aquela patologia específica. Considerou-se, neste caso, a melhor evidência disponível, a gravidade e sofrimento causado pela doença (realidade do paciente) e a viabilidade clínica do tratamento. Pode-se considerar que foram satisfeitos os princípios da PBE.

A evidência científica não deve ser encarada como uma prisão mental ou um dogma. Ciência não poderia mesmo ser assim. A própria orientação da PBE sinaliza, em seu “tripé decisório,” a importância de informações sobre contexto humano e social do paciente e sobre a realidade e expertise do clínico. Não há exclusão, nunca houve. Há sim, com certeza, e ainda haverá, muita desinformação.

 

“ De modo que o maior proveito que eu retirava era aprender, vendo várias coisas que, embora nos pareçam extravagantes e ridículas, não deixam de ser comumente aceitas e aprovadas por outros grandes povos, a não crer muito firmemente naquilo que me fora persuadido apenas pelo exemplo e o costume, e assim a livrar-me aos poucos de muitos erros que podem ofuscar nossa luz natural e nos tornar menos capazes de ouvir a razão.”

 

Descartes, séc XVII

 

 

REFERÊNCIAS

 

Descartes, René. Discurso do método. Tradução, prefácio e notas de João Cruz Costa. São Paulo: Ed de Ouro, 1970. Disponível para download em: Domínio Público; http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.jsp

 

Sackett David L, Rosenberg William M C, Gray J A Muir, Haynes R Brian, Richardson W Scott. Evidence based medicine: what it is and what it isn’t BMJ 1996; 312 :71

 

Guyatt, G.H., Haynes, R.B., Jaeschke, R.Z., & Cook, D.J. (2000). Users’ guides to the medical literature: XXV. evidence-based medicine: principles for applying the users’ guides to patient care. JAMA 2000; 284: 1290-1296. doi: http://dx.doi.org/10.1001/jama.284.10.1290

 

CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. Aprova o uso compassivo do canabidiol para o tratamento de epilepsias da criança e do adolescente refratárias aos tratamentos convencionais. Resolução n. 2.113, de 16 de dezembro de 2014.

 

Galvão MA, Santos MAC. Medicina baseada em evidências: o conhecimento sempre em construção. Resid Pediatr. 2015;5(1):5 DOI: https://doi.org/10.25060/residpediatr-2015.v5n1-01

Dr Ricardo Aranha

Ricardo Luiz de Barreto Aranha Possui graduação em Odontologia pela Universidade Federal de Minas Gerais(1996), especialização em Ortodontia pela Faculdade Ingá(2014) e especialização em Morfologia – Desordens da ATM e Músculos da Mastigação pela Universidade Federal de São Paulo(2002). Atualmente é Cirurgião dentista especialista dor e DTM da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte e Dentista especialista em DTM dor orofacial da Prefeitura Municipal de Betim. Tem experiência na área de Odontologia, com ênfase em Dor orofacial / DTM.

2018 – Ano Mundial para Excelência da Educação em Dor

Na última semana a IASP (International Association for Study of Pain) lançou o tema da campanha mundial deste ano: Excelência da Educação em Dor.

Confesso que fiquei radiante! 2018 é um ano no qual quero me dedicar ao máxima a educar e ser educada neste tema que é centro da minha profissão há tantos anos. Quero trocar mais e mais experiências! E não podia ter incentivo maior do que acompanhar as iniciativas da IASP!

Global Year_2018_RGB

O tema tem como ponto chave “Bridging the gap between knowledge and practice.” – diminuir o abismo entre o conhecimento e a prática. E não é somente foca os profissionais da saúde mas também os pacientes, os órgãos governamentais e dos membros de pesquisa em educação em dor. É uma força tarefa para que conceitos corretos atinjam todas as camadas da população. A educação em dor se mostra uma das ferramentas mais eficazes para o combate da mesma.

Eu sonho com o dia em que a Odontologia (minha área de atuação) reconheça e trabalhe melhor com dor, inclusive na melhor orientação do paciente. Infelizmente ainda é só sonho…. A IASP apresenta neste ano sugestões curriculares para isso.

Para saber mais, acompanhe a hashtag #GYPainEducation nas redes sociais como LinkedIn, Facebook, Instagram e Twitter!

Na página oficial da IASP você pode também ter acesso ao material produzido por eles (em breve a SBED – Sociedade Brasileira para Estudo da Dor – deve realizar a tradução destes textos).

Sobre a educação para a população, em tradução livre minha coloco o que a IASP citou:

A educação da população pode ajudar a reduzir o peso da dor na sociedade. Aqui estão cinco razões pelas quais a educação  sobre a dor pode ser altamente benéfica:

1. As pessoas que recebem essa educação podem tomar medidas para evitar a dor, como praticar técnicas adequadas de alongamento e atividade física, e podem se dedicar a uma autogestão oportuna e útil quando a dor atinge.

2. As pessoas educadas sobre a dor podem dar conselhos e assistência adequados aos familiares, amigos e colegas com dor.

3. Nas interações com os prestadores de cuidados de saúde, as pessoas com conhecimento em dor podem advogar e aceitar o tratamento adequado para dor aguda e crônica que eles ou membros da família experimentam.

4. Um público educado pode atuar a nível comunitário para minimizar os riscos que contribuem para lesões causadoras de dor; por exemplo, jovens que praticam esportes de contato ou em comunidades que podem ser propensas a apresentar calçadas em estado de destruição (que podem gerar lesões dolorosas).

5. Os cidadãos educados podem defender políticas públicas melhoradas de prevenção e controle da dor, tais como requerimentos razoáveis de capacete esportivo, acesso legal a medicamente necessários e reembolso de seguro médico de cuidados de dor interdisciplinares.

E como pode ser realizada esta educação? De várias formas! Uma delas (e a primeira citada pela IASP) é através da Internet! Olhe a oportunidade bem ao nosso alcance! Invista em redes sociais, vídeos instrutivos, postagem com conteúdo. Use ao favor da educação em dor!

Todos nós só temos a ganhar! 🙂

E ainda dentro deste tema, a SBDOF – Sociedade Brasileira de Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial – criou uma publicação chamada Cadernos da SBDOF que tem como editora a professora Liete Zwir, revisão científica dos professores Antônio Sérgio Guimarães e Paulo Conti. No primeiro volume, o atual presidente da SBDOF,  Reynaldo Leite Martins Júnior, escreveu sobre DTM para pacientes. Excelente material para enviarmos aos nossos pacientes. Aqui no site e em PDF: Caderno SBDOF número 1 (versão que pode ser impressa em gráfica).

Mais uma dica: já escrevi aqui sobre o site  Pesquisa em Dor . Mas a dica é boa e vale a pena repetir. O site tem uma área para os pacientes e uma área para profissionais. Na área de pacientes há explicações sobre dor que aparecem de forma lúdica e didática, o que atiça a curiosidade e facilita o entendimento. Veja por exemplo Caminho da Recuperação. A área para profissionais reúne ferramentas que podemos utilizar na nossa rotina clínica (inclusive a escala de cinesiofobia que já falamos aqui), manual para utilizar o caminho da recuperação com seu paciente e algo que acho essencial: estratégias para educar seu paciente com relação a dor.

E por fim, sobre cursos e eventos, vou atualizar a página em breve com toda a agenda de 2018! Os cursos em Bauru, coordenados pelo professor Paulo Conti, estão com lista de espera e novas turmas estão planejadas para segundo semestre. Entre em contato com IEO-Bauru para mais informações! Em Florianópolis começa em março um curso de aperfeiçoamento em Disfunção Temporomandibular na Zenith comigo, Prof. Conti e Prof. Rafael Santos Silva! Serão 6 módulos de 3 dias cada com clínica e 144 horas de muita informação! Últimas vagas no link. Ainda, há previsão de curso em João Pessoa,de atualização, na COESP, ainda com datas a serem definidas no segundo semestre! Ufa! E tem grupo de estudos, Dia do Bruxismo (Com agenda lotada!! Clique aqui e veja todas as datas) e mais os congressos na área de Dor! Vale um destaque ao meu congresso favorito, o Congresso Mundial de Dor da IASP, que acontecerá em setembro, em Boston e eu já comprei minha passagem!!! \o/ Depois farei uma postagem com todos os eventos do ano (CINDOR, ICOT, IADR, SBCe, SBDOF, etc).


Falando nisso…

Pela segunda vez um cirurgião-dentista está na presidência da Sociedade Brasileira de Estudo (SBED), Prof. Dr. Eduardo Grossmann assumiu e estará a frente da SBED pelos anos 2018 e 2019. Prof. José Tadeu Tesseroli de Siqueira foi o outro cirurgião-dentista a comandar a SBED. É orgulho a nossa classe! Votos de excelente gestão ao Prof. Grossmann. Link para seu discurso de posse.

Dia do Dentista! :)

Hoje é Dia do Dentista 😷!

A todos os profissionais que dedicam tempo e conhecimento para promover o bem estar de tantas pessoas, parabéns!!!

Em especial, parabéns aos colegas que confiam em meu trabalho ao encaminhar seus pacientes, ao assistirem minhas aulas, ao lerem o meu blog e ao estarem por perto como alunos e também como meus professores. Vocês tornam a minha vida dentro da Odontologia sempre melhor e são estímulo para que eu busque a excelência todos os dias!
Obrigada pela confiança em meu trabalho! 😊

www.julianadentista.com
Atendimento em Franca: 16 3720-2090
Whatsapp: 16 98197 5170
Atendimento em Ribeirão Preto: 16 3303 4777
Whatsapp: 16 99171 5338

#diadodentista #dtm #disfuncaotemporomandibular #atm #dororofacial#bruxismo #saude #bemestar #odontologia #diadodentista #pordentrodadororofacial

dia do dentista2.001

Ei doutor, silicone ou acrílico?

Por que tantos dentistas ainda prescrevem plaquinhas de silicone aos seus pacientes que apresentam bruxismo do sono?
Esta é a pergunta que martela a minha mente.
Eu não sei ainda a resposta certa.
Esta situação não é exclusividade nacional. Um estudo publicado em 2012 na Suécia perguntou aos dentistas qual tipo de placa os mesmos utilizavam para tratamento de DTM. Menos da metade utilizada placas de acrílico. Qual seria o motivo disso?

 

silicone.001.jpeg

Existem alguns fatos e mitos sobre placas que podem nos ajudar a entender

  1. A placa de silicone é mais fácil de confeccionar. FATO. Basta uma plastificadora, uma placa, um modelo e uma tesoura. Pronto! Já o dispositivo interoclusal liso de acrílico rígido (entendedores entenderão) exige enceramento e acrilização, até do registro bem feito, passos que demandam mais tempo e cuidado.
  2. A placa de acrílico é desconfortável.  MITO. Eu tenho a teoria que o protético te ensinou isso quando você ligou ao laboratório e ele te perguntou: de acrílico ou silicone (quando não, dura ou mole… rs). E ele te diz que a de silicone é mais confortável. Ou a vizinha disse isso ao paciente. Mas de fato, é mesmo? Não há um estudo sequer que relate isso. Então, vou usar da minha experiência para dizer a você leitor, NÃO. A placa de acrílico bem confeccionada e ajustada é sim confortável. Alguns pacientes relatam dificuldade inicial de uso, mas isso acontece com qualquer dispositivo e é preciso insistência. Também é possível trocar o arco. Além disso, há estudos que mostram melhora na qualidade do sono com o uso da placa de acrílico como este aqui.
  3. Placa de silicone é miorrelaxante. MITO. Nenhum dispositivo interoclusal é miorrelaxante. Não há estudos com a placa de silicone a longo prazo que indique que ela seria uma exceção. Há um estudo bem antigo do Prof. Okeson, em 1987 que indicou que entre 10 pacientes que iniciaram terapia com placa de silicone, 5 apresentaram aumento em atividade muscular e apenas 1 reduziu, quando a placa de acrílico mostrou redução de atividade em 8 dos 10 pacientes. Mas eu sinceramente acredito que este estudo não mostra o que realmente acontece. Sabemos que qualquer dispositivo (seja com cobertura oclusal, parcial ou nenhuma cobertura) a curto prazo pode reduzir mais frequentemente a atividade muscular (observada por eletromiografia de músculos mastigatórios durante o sono). Mas este efeito acontece a curto prazo (cerca de 1 a 2 semanas) e depois os valores voltam às médias basais. Além disso, não acontece em todos os pacientes. Há aqueles pacientes em que a introdução de um dispositivo, ao contrário do que se pensa, aumenta o número de eventos (veja este estudo aqui).
  4. A placa de silicone protege os dentes. MITO.   Não há nenhum estudo que comprove ou negue isso. Mas darei um depoimento meu como profissional que acompanha estes casos há anos, ou seja, nível de evidência científica ZERO. A placa de silicone não é resiliente. Com o uso ela deforma e se mostra friável. Com a pressão, chega a entrar em atrito com os dentes. Imagine isso em um ambiente de menor salivação. O que acontece com os dentes? Como eu já alertei, sem nenhuma evidência concreta, mas por observações, já vi placa de silicone marcar dentes de pacientes, ser desconfortável ao tocar a gengiva (ok, você pode cortar com uma tesoura…) e até chegarem totalmente rasgadas e furadas.
  5. A placa de silicone é estabilizadora. MITO. Não é possível ajustar a placa de silicone. Muitas vezes os toques são realizados apenas em alguns dentes. Ao contrário, na placa de acrílico, podemos realizar ajustes necessários ao longo do tempo para que possa ser um dispositivo utilizável a longo prazo. Ainda, pode-se acompanhar a atividade dos músculos mastigatórios pelas marcas eventuais que os dentes deixam no acrílico.
Por tudo acima e mais o fato de que não há um estudo sequer que indique esta terapia como superior ou, pelo menos, igual a terapia com placa de acrílico, acho estranha a indicação de uma plaquinha (“inha” mesmo) de silicone para bruxismo do sono a longo prazo.
E você? O que acha? Por que mesmo indica a placa de silicone?
Falando nisso…
Quer ver todas as referências que cito acima  e mais algumas? Venha participar do Dia do Bruxismo!
As inscrições estão abertas para:
– Belo Horizonte – 07/10/2017
– Florianópolis – 11/11/2017
– Aracaju – 02/12/2017
IMG_0786
#ficaadica

Entrevista sobre bruxismo

Há cerca de um mês atrás fui entrevistada pela Carina Dragone do Programa Adapt TV da TV local aqui de Franca sobre bruxismo.

Agradeço a Carina e sua equipe pela possibilidade de divulgar meu trabalho!

Segue o vídeo no Youtube! Nele mostro também um pouquinho do Neuroup (dispositivo que estou testando também para bruxismo na vigília) e sua aplicação na clínica.

O que vc achou? 🙂

Falando nisso…

Atenção!! Garanta sua vaga para o Dia do Bruxismo em Belo Horizonte (07/10) e Florianópolis (11/11). Vamos falar sobre as novidades na área!

Acessem www.diadobruxismo.com para todas as informações!

Siga-me no Instagram (veja os stories!): @dtmdororofacial

Também tenho canal no Youtube! 😉

 

Uso excessivo de medicação analgésica e cefaleia

O assunto é importante: cada dia mais verificamos na clínica de dor que os pacientes abusam de medicamentos analgésicos, muitas vezes sem indicação profissional, na tentativa desesperada de controlar sua dor, ingerindo em doses desproporcionais e em alta frequência.
Além dos problemas relacionados aos efeitos colaterais das drogas como os efeitos deletérios ao sistema gastrointestinal, sangramentos, etc, o uso excessivo destas medicações podem auxiliar na perpetuação da dor crônica, provocando um efeito que não é esperado por muitos dos pacientes.
Uma das condições conhecidamente agravada pelo uso abusivo dos medicamentos é a cefaleia primária.
Ainda se discute se a cefaleia por uso excessivo de medicamentos seria uma cefaleia secundária ou um fator relacionado a cronificação da cefaleia primária.
O fato é que um problema de saúde mundial, que afeta cerca de 0,5 a 7,6% da população. Em estudos realizados na Escandinávia, a prevalência deste tipo de cefaleia chega a 1 a 2%, contabilizando em torno de 50% dos pacientes com cefaleia crônica diária (mais de 15 dias por mês de dor de cabeça), com prevalência maior entre as mulheres.

 

abuso.001

Alguns fatos:

  • Mais comum em mulheres (3-4:1)
  • Diagnóstico de migrânea entre 60 a 80% dos pacientes
  • Histórico de cefaleia frequente é um dos fatores de risco
  • Nos EUA, os analgésicos mais consumidos nestes casos são os que contém cafeína, triptanos e opióides.
  • Pacientes que usam a medicação de forma preemptiva (antes da dor realmente acontecer) merecem atenção uma vez que aumenta o risco do abuso.
Esta cefaleia pode ser prevenida e tratada. Sugiro a leitura do texto: “Preventing and treating medication overuse headache” publicado recentemente na revista Pain Reports sobre este assunto. Clique aqui para ir direto ao link.
Falando nisso…
A revista Pain Reports é uma publicação da IASP – Associação internacional de Estudo da Dor – e está gratuita online para todos.
Coloque aí na sua lista de leitura! Vale a pena acompanhar.
#ficaadica