Novo episódio podcast: Dor nociplástica – já ouviu falar?

Neste episódio eu converso com a querida amiga professora Daniela Godói Gonçalves, professora da UNESP de Araraquara sobre Dor Nociplástica e seu envolvimento nas Disfunções Temporomandibulares. E olha, foi uma verdadeira aula sobre o assunto! Obrigada pela generosidade Daniela em disponibilizar tanto conhecimento. Adorei nosso bate papo!!

Este é um termo introduzido pela Associação Internacional de Estudo da Dor (IASP) em 2017 que traz ainda confusão para o clínico pela sua variabilidade e critérios. O uso e estudos relacionados a este termo ainda são poucos. Tentamos trazer a melhor informação disponível até o momento neste episódio.

A dor nociplásica é definida pela IASP como “dor que surge da nocicepção alterada, apesar de nenhuma evidência clara de dano tecidual real ou ameaçado, causando a ativação de nociceptores periféricos ou evidência de doença ou lesão do sistema somatossensorial que causa a dor”.

Para quem quiser ler mais sobre o assunto, sugiro estes artigos:

Nijs J, Lahousse A, Kapreli E, Bilika P, Saraçoğlu İ, Malfliet A, Coppieters I, De Baets L, Leysen L, Roose E, Clark J, Voogt L, Huysmans E. Nociplastic Pain Criteria or Recognition of Central Sensitization? Pain Phenotyping in the Past, Present and Future. J Clin Med. 2021 Jul 21;10(15):3203. doi: 10.3390/jcm10153203.

Fitzcharles MA, Cohen SP, Clauw DJ, Littlejohn G, Usui C, Häuser W. Nociplastic pain: towards an understanding of prevalent pain conditions. Lancet. 2021 May 29;397(10289):2098-2110. doi: 10.1016/S0140-6736(21)00392-5.

Ainda, dica da Profa. Daniela – documentário Unrested – Netflix.

Dá um play ai e me conta o que você achou!

Você conhece a SBDOF?

A SBDOF comemora 10 anos de existência.

Visite o site www.sbdof.com.br e conheça a sociedade, seus propósitos, as seções e comissões e ainda, encontre um sócio especialista em DTM e Dor Orofacial.

Ainda, no site jornal.sbdof.com.br você tem acesso a informações científicas, entrevistas e artigos recentemente publicados.

E não se esqueça: Congresso Brasileiro de Dor Orofacial será em Abril de 2023!

#disfuncaotemporomandibular #dororofacial #articulacaotemporomandibular #temporomandibular #bruxismo #ATM #dtm

Podcast: o envolvimento da ATM na AIJ.

A artrite idiopática juvenil (AIJ) é uma doença reumatológica crônica da infância caracterizada por sinovite inflamatória que afeta cerca de0,1 a 1 em cada 1.000 crianças em todo o mundo!

Enquanto várias séries de casos de crianças com artrite não relataram artrite da ATM, estudos que avaliaram prospectivamente o envolvimento da ATM com várias modalidades de imagem colocaram a prevalência de artrite da ATM em crianças com AIJ em torno de 50%! Muita coisa, não? Nem sempre há sintomas associados, o que torna o diagnóstico ainda mais desafiador. O maior problema é que esta artrite afeta crianças e adolescentes em fase de crescimento e quando não tratada pode gerar sérias complicações.

Neste episódio eu bato um papo com a Profa. Dra. Liete Zwir, a dentista que mais pesquisa e entende sobre o envolvimento da articulação temporomandibular (ATM) pela AIJ.

Profa. Liete é especialista em Odontopediatria, Ortodontia e Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial e doutora em Ciências da Saúde Aplicadas à Pediatria pela Universidade Federal de São Paulo (2011). Atualmente é pesquisadora do ambulatório de Reumatologia Infantil da Universidade Federal de São Paulo e vice presidente da Sociedade Brasileira de DTM e Dor Orofacial (SBDOF).

Foi uma conversa deliciosa, recheada de boas informações! Estou torcendo para que este programa chegue aos ouvidos de grande parte da odontologia, em especial, os odontopediatras, ortodontistas e radiologistas. Compartilhe também com aquele seu amigo reumatologista ou pediatra!

Ah! e se você quer entrar em contato com a professora Liete, segue o email: lfzwir@gmail.com

Bom programa!

Bio, psico… mas e o social? Novo episódio do podcast

Neste novo episódio do podcast bato um papo bacana com Flávia Kapós e Márcio Bittencourt sobre talvez o aspecto menos estudo no contexto da dor: o social.

E que papo… Ouçam as palavras da Flávia e os questionamentos do Márcio: uma verdadeira aula.

Flávia Kapos está no Pós-doutorado, Pediatric Pain and Sleep Innovations Lab, Seattle Children’s Research Institute. Doutora em Epidemiologia pela Universidade de Washington, cientista-dentista, diplomata pela American Board of Orofacial Pain. Sua pesquisa atual se concentra na compreensão do papel dos fatores sociais e contextuais na etiologia da dor crônica. Está particularmente interessada nos fatores que moldam a vulnerabilidade biológica e psicológica individual à dor crônica ao longo da vida, para orientar futuras políticas ou intervenções de saúde da população. Apaixonada pela importância de métodos de pesquisa sólidos, gosta muito de ensinar e colaborar com pesquisadores da saúde de todas as origens (Fonte: Linkedin).

Márcio Bittencourt é uma das pessoas que mais admiro dentro da Odontologia Brasileira. Um dos primeiros professores que vi falar sobre DTM e Dor Orofacial (e o primeiro sobre Odontologia baseada em Evidências), Márcio tem mestrado pela Universidade de Kentucky (terminou em 1996) onde estudou com o Prof. Jeffrey Okeson (que dispensa apresentações). Por um tempo, deixou de lado a Dor Orofacial e passo a se dedicar a Reabilitação Oral (no qual atua super bem também) mas para nossa sorte, voltou para nossa especialidade e para nossa convivência e trouxe com ele os questionamentos, a curiosidade, as reflexões, e é isso que nos move, não? Que bom!

Link para a palestra da Flávia na AAOP: https://aaop.org/portfolio-items/multi-level-determinants-of-pain-kapos/

Bora ouvir nossa conversa?

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Podcast – Temporada 4 – novo episódio: placas oclusas – amor e ódio!

Nova temporada do podcast Por Dentro da Dor Orofacial!

Depois de um ano de hiato, episódios novos estão a caminho e para começar, nada melhor do que um papo informal com amigos. No episódio de hoje eu converso com os professores Roberto Ramos Garanhani e Gustavo Seabra Barbosa sobre os dispositivos oclusas mais utilizados para controle dos efeitos deletérios do Bruxismo do Sono e de algumas Disfunções Temporomandibulares: as placas oclusais.

👉Dr. Gustavo Seabra é especialista em Prótese Dentária (CFO), em DTM/Dor Orofacial (IEO – Bauru), Mestre em Odontologia (Reabilitação Oral – UFU), Doutor em Odontologia (Reabilitação Oral – USP/Ribeirão Preto), Professor Associado IV do Departamento de Odontologia da UFRN e Coordenador do CIADE/UFRN (Centro Integrado de Atendimento a Portadores de DOF e DTM). Instagram: @gustavoaseabra

👉Dr. Roberto Garanhani é especialista em Prótese Dental, em DTM/Dor Orofacial, Mestre em Implantodontia e professor da Zenith. Instagram: @oclupro

Alguns links citados no episódio:

– Como se filiar a SBDOF (Sociedade Brasileira de DTM e Dor Orofacial): https://sbdof.com.br/filie-se.html

– Livro recém-lançado do Prof. Gustavo Seabra – Dispositivos Oclusais pelo fluxo digital: passo a passo clínico e laboratorial – https://amzn.to/3FzazU7

– E-book: a história da oclusão: https://www.gustavoseabra.net/ebook

– Artigos citados: 

Greene CS, Menchel HF. The Use of Oral Appliances in the Management of Temporomandibular Disorders. Oral Maxillofac Surg Clin North Am. 2018 Aug;30(3):265-277. doi: 10.1016/j.coms.2018.04.003

Zonnenberg AJJ, Türp JC, Greene CS. Centric relation critically revisited-What are the clinical implications? J Oral Rehabil. 2021 Sep;48(9):1050-1055. doi: 10.1111/joor.13215

Fornai C, Tester I, Parlett K, Basili C, Costa HN. Centric relation: A matter of form and substance. J Oral Rehabil. 2022 Apr 4. doi: 10.1111/joor.13329.

Bora ouvir?

Dia Internacional das Mulheres

Hoje é 8 de março, Dia Internacional das Mulheres, uma data para enaltecer as mulheres extraordinárias que nos inspiram todos os dias.

Mas para mim também hoje é uma data de pesar, por ainda esta data existir, porque isso nos mostra que ainda as mulheres não atingiram seu objetivo de igualdade.

Eu só otimista e tento ver pelo lado do copo cheio mas tem anos e situações que me deixam triste e o momento atual com pandemia, guerra e intolerância só faz com que eu sinta que o objetivo está mais distante ainda.

Eu trabalho com dor crônica em meu dia dia. Faz parte da minha rotina ouvir pessoas e suas histórias e há coisas que me assustam muito: violência e assédio, sobretudo quando presente dentro do próprio lar.

Hoje por coincidência estava procurando artigos sobre uso abusivo de medicamentos e encontrei este paper:

Chandan JS, Keerthy D, Gokhale KM, Bradbury-Jones C, Raza K, Bandyopadhyay S, Taylor J, Nirantharakumar K. The association between exposure to domestic abuse in women and the development of syndromes indicating central nervous system sensitization: A retrospective cohort study using UK primary care records. Eur J Pain. 2021 Jul;25(6):1283-1291. doi: 10.1002/ejp.1750. Epub 2021 Mar 15. PMID: 33559289.

Nele os autores escreveram sobre o abuso doméstico que é um problema de saúde pública global, com uma relação pouco compreendida com o desenvolvimento de síndromes dolorosas complexas.

Eles usaram um grande banco de dados de cuidados primários do Reino Unido, e fizeram o primeiro estudo de coorte global para explorar isso ainda mais. Compararam 22604 mulheres adultas que foram expostas a violência doméstica (não necessariamente física) e compararam com 44671 mulheres que não passaram por isso. Acompanharam então essas pessoas de forma prospectiva para verificar aquelas que acabavam apresentando problemas que cursam com dor nociplástica, com sensibilização central, com dor crônica. Durante o período do estudo, as mulheres expostas ao abuso doméstico experimentaram um risco aumentado de 2.28 vezes de desenvolver dor lombar crônica, 3 vezes dores de cabeça crônicas, 1.5 vez síndrome do intestino irritável e 1.9 vez síndrome das pernas inquietas.

Encontraram então uma forte carga de morbidade da dor associada ao abuso doméstico, sugerindo a necessidade de intervenção urgente de saúde pública para evitar não apenas o abuso doméstico, mas também as consequências negativas associadas à dor.

Muitas vezes não sabemos disso. Muitas vezes fechamos os olhos para isso. Aí a paciente, ora, é refratária ao tratamento… Será?

Ainda, outros estudos e reportagens mostram que a pandemia por COVID-19 só agravou ainda mais este quadro. Retrocedemos.

Este estudo demonstrou a necessidade de considerar uma história pregressa de violência doméstica em pacientes com dor crônica; e também considerar abordagens preventivas para mitigar o risco de desenvolver dor crônica após a exposição ao abuso doméstico e mais ainda, trabalhar para que a violência doméstica reduza. Isso precisa de educação e diálogo, sem demagogia, com mais ação.

Feliz dia das mulheres. E vamos em frente.

Ano global da IASP: Traduzindo o Conhecimento da Dor para a Prática

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Todos os anos a IASP (Associação Internacional de Estudo da Dor) lança a sua campanha anual dentro da área de dor.

Este ano a campanha se concentra em um aspecto especial da dor para aumentar a conscientização dentro de toda população, leiga ou não. O objetivo do Ano Global de 2022 é aumentar a conscientização sobre o conhecimento da dor e como isso pode beneficiar aqueles que vivem com dor.

Trazer informações válidas e fazer a ponte entre a ciência e a prática clínica, tudo que sempre prezei na vida!

O Ano Global para Traduzir o Conhecimento da Dor para a Prática irá:

  • Aumentar a conscientização mundial de médicos, cientistas e o público sobre o conhecimento acumulado sobre a dor.
  • Fazer a ponte entre os estudos pré-clínicos e a prática clínica para aumentar a conscientização sobre os desafios na concepção de novos estudos pré-clínicos e ensaios clínicos mais eficazes.
  • Comunicar conhecimento sobre dor de estudos recentes.
  • Distribuir histórias bem-sucedidas e lições aprendidas.
  • Destacar os desafios na concepção de estudos pré-clínicos novos e mais preditivos e novas abordagens para superar barreiras e conduzir ensaios clínicos mais eficazes.

A IASP fornecerá folhetos informativos, webinars, notícias e perspectivas para médicos, pesquisadores e o público para melhorar os resultados dos pacientes e trabalhar para o alívio da dor em todo o mundo. O Ano Global também contará com sessões no Congresso Mundial de Dor de 2022 que será realizado em Setembro em Toronto no Canadá.

Para saber mais: https://www.iasp-pain.org/advocacy/global-year/translating-pain-knowledge-to-practice/

Professor Paulo Conti dá entrevista sobre Bruxismo na Pandemia

Entrevista concedida a TV USP Bauru!

O bruxismo é um problema que acomete muitas pessoas pelo mundo todo. E a tensão trazida pela pandemia faz aumentar os casos dessa condição. Nesta entrevista, o professor Paulo César Rodrigues Conti, titular do Departamento de Prótese e Periodontia da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB/USP), fala sobre esse problema, explica mais sobre o bruxismo e também revela quais os sinais de alerta para as pessoas.

Palestra sobre Fibromialgia e DTM

Na semana passada ministrei uma palestra na Liga Interdisciplinar de Dor Orofacial da FOUSP.

Falei por cerca de uma hora sobre fibromialgia e a relação com as DTM. Para assistir, você pode acessar ao link no Youtube.

Aproveite e veja também as palestras sobre estresse e DTM com a Profa. Dyna Mara Ferreira Costa e Artrite Reumatóide e DTM com a Profa. Liete Zwir! Clique aqui

Podcast: bate papo sobre o consultório do especialista em DTM e Dor Orofacial

Convidei dois grandes amigos, dentistas, especialistas em DTM e Dor Orofacial para conversarem sobre o consultório e as necessidades que precisamos aprimorar nas áreas de comunicação, gestão e marketing: Rodrigo Wendel e Rodrigo Teixeira. 

Rodrigo Wendel é especialista e mestre em DTM e Dor Orofacial, coordena cursos de especialização, atualização e imersão na área e atua em consultório em Brasília. Seu site é https://rodrigowendel.com.br 

Rodrigo Teixeira é também especialista, mestre e doutor em DTM e Dor Orofacial, professor e palestrante na área e também atua em consultório dedicado e montado exclusivamente para o atendimento de pacientes nesta área em Belo Horizonte. Seu site é https://drrodrigoteixeira.com.br 

Ambos são sócios fundadores da Sociedade Brasileira de DTM e Dor Orofacial, a SBDOF, e foram diretores financeiros da instituição. 

Como material de base de discussão, nós três fizemos uma pesquisa em Maio de 2020 com especialistas em DTM e Dor Orofacial e conseguimos 213 respostas ao nosso formulário online, o que para quem é entendido de amostra de pesquisa correspondeu a cerca de 5% de margem de erro e 95% de confiança. Nesta pesquisa em média os especialistas apresentaram 8,5 anos de formação dentro da especialidade, 81% tinham outra especialidade além desta e 79% trabalhavam exclusivamente no setor privado. 

Um dado que chama a atenção é que do tempo dedicado ao consultório, a maioria das pessoas trabalhavam menos de 50% do tempo com a especialidade, sendo os proventos vindos da DTM correspondentes a cerca de 43% dos honorários do especialista e 63% dos respondentes não estavam satisfeitos com sua remuneração. As razões levantadas por eles foram as mais diversas, como o paciente não saber o que é DTM (o que prá mim, particularmente nem é uma dificuldade), dificuldade econômica ou mesmo a capacidade de negociar.  

Perguntamos também se o dentista era também o responsável pela gestão de seu consultório é a resposta foi sim para 176 pessoas, ou seja, a grande maioria. Mas também 143 pessoas disseram que nunca fizeram um curso sobre isso, sendo que 43% controlam a gestão financeira por uma planilha e 11% nem controlava! O uso de software foi relatado por 21% das pessoas. 

Com estes dados em mente, nós discutimos o diagnóstico da situação e para onde devemos olhar para nos aprimorar! 

Procure o podcast Por Dentro da Dor Orofacial nos melhores tocadores e dê um play e ouça esta conversa que está muito bacana!

Se preferir, ouça via Spotify!