Podcast -Como ter informações de qualidade – Parte1 – Revistas Científicas

Depois de um longo e tenebroso inverno , estou de volta ao podcast!
E neste episódio vou responder aos colegas que me questionaram no Instagram sobre como me mantinha atualizada em artigos científicos. Pois é, eu fiz alguns vídeos por lá, mostrando a minha rotina, e muitos se interessaram pelos métodos que uso. Assim, resolvi fazer um episódio com algumas dicas para vocês.
Olha, eu não faço milagres! meu dia também tem 24 horas e divido meu tempo entre vida profissional, pessoal, social e dormir (eu preciso de 7 horas de sono gente). Quem acompanha minha rotina sabe que trabalho em 2 consultórios, um em Franca e outro em Ribeirão Preto, ministro aulas em Bauru, reviso artigos para revistas científicas, às vezes escrevo no blog e alguns outros artigos científicos viajo muito para pregar a palavra, ou melhor, para ministrar aulas sobre dor orofacial e bruxismo.
Ufa! E sobra tempo? Sempre sobra. Mas eu precisei buscar algumas ferramentas para me ajudar a ficar sempre atualizada e, principalmente, fazer meu cérebro funcionar para aprimorar o atendimento dos meus pacientes.
Mas antes de começar é preciso falar sobre algumas coisas. Eu acho que precisamos sempre trabalhar dentro da melhor evidência possível e fazer uma ponte entre o que o conhecimento científico revela e como aplicar isso no consultório. Adoro andar nesta ponte. Para isso é preciso entender como ler um artigo científico. É claro que o mestrado e depois o doutorado me ajudaram muito nisso. Entender um pouquinho de metodologia científica ajuda muito. Mas se você não teve esta possibilidade, não quer dizer que não possa ir atrás! Eu mesma comprei um livro tempos atrás para entender melhor. O nome do livro era inclusive: Como ler um artigo científico.
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E por que precisamos disso gente? Olha, o papel aceita tudo. Já li muito artigos ruins publicados por ai… É preciso separar o joio do trigo. E o que faz com que muitas vezes eu critique o trabalho é seu delineamento, os métodos que muitas vezes estão ali cheios de vieses. Se o delineamento do estudo é inaceitável, o trabalho é inaceitável. Se o delineamento está correto, então você deve verificar se os dados foram coletados com metodologia adequada e se a análise está certa. Se isso acontecer, verifique se a interpretação dos dados e e a discussão fizeram jus ao trabalho. E só então se as conclusões são aceitáveis. Parece simples mas eu sei que não é. Mas depois de muito treino, você acaba pescando algumas coisas até no resumo.
Mas tudo bem, você não teve uma preparação sobre isso e nem quer correr atrás disso agora. Então, eu acho que um método interessante seria buscar ler trabalhos publicados em revistas com fator de impacto alto. Talvez até lendo revisões sobre determinado assunto.
E o que é Fator de Impacto?
É  um método bibliométrico que avalia a importância de periódicos científicos em suas respectivas áreas. E esta medida utilizada hoje pelas bases de dados é geralmente pelo número de citações que os artigos que foram publicados na revista tem. Por exemplo: eu publico um artigo numa revista X, depois vários pesquisadores em revistas e artigos diferentes usam o meu trabalho como referência, ou seja, meu trabalho teve um impacto no meio acadêmico. Este fator de impacto é calculado anualmente, e o mais famoso mundialmente é aquele das revistas indexadas ao “Instituto de Informação Científica” e, depois, publicado no “Relatório de Citações de Periódico” cuja sigla em inglês é JCR que é da empresa Thomson Reuters.
Revistas que cumprem estes requisitos são alvo dos pesquisadores: todo mundo que publicar seu trabalho lá e quem sabe ser notícia no Jornal Nacional, não é? Veja que William Bonner sempre ao citar algum trabalho que tem impacto na humanidade cita alguma destas revistas: Science, Nature, Lancet… Estas são as revistas com maior impacto! E dentre os assuntos na área da saúde cujo artigos apresentam mais impacto, está a oncologia. As revistas dedicadas ao câncer são as que apresentam o maior impacto.
No Brasil, a CAPES desenvolveu um critério próprio para classificar os periódicos, o QUALIS, que surgiu entre 1996 e 1997. Este oferece uma classificação das revistas que retratam o produto intelectual dos programas de pós graduação no Brasil. O método utilizado para a classificação do QUALIS não é o mesmo do fator de impacto, apesar que revistas de excelência são geralmente aquelas com mais alto fator de impacto. Mas às vezes, na ânsia de auxiliar uma revista brasileira, uma revista com fator de impacto baixo internacionalmente pode apresentar um Qualis alto porque está segmentado por área.
Eu particularmente prefiro procurar as novidades nas revistas que possuem bom fator de impacto internacional, mesmo sabendo que o método não é tão preciso assim para indicar qualidade, uma vez que nem sempre leva em conta fatores importantes como pontualidade, revisão por pares, etc. O que significa isso: não é só o número de citações deveria ser considerado para uma  revista ter impacto, mas ela deve ser pontual, deve ter rapidez ao analisar e revisar um trabalho e ainda, esta revisão deve ser realizada em pares ou até num número maior de revisores que buscam analisar o rigor científico de cada trabalho, ou seja, já fazem o trabalho por você.
Bem, e na Odontologia. A odontologia é uma área específica da saúde e assim, as revistas específicas a ela não apresentam fatores de impacto tão expressivos quanto às da saúde ou medicina de forma geral.
Por exemplo, a revista New England Journal of Medicine tem fator de impacto 70.670 e a Lancet, também bem conhecida, 59.102. Eu dei uma olhada nas revistas de Odontologia e é o Periodontology 2000 com o maior fator de impacto que é 7.861, depois Journal of Dental Research que aparece com  5,125. Dentre as top 5, duas de periodontia e 1 de implantodontia. A revista de prótese mais bem colocada é a JPD, Journal of Prosthestic Dentistry, em 13 lugar (onde eu publiquei meu artigo do doutorado por sinal) com 2.787.  Veja só, a minha queridinha, uma das que mais visito está 22 posição, a Journal of Oral Rehabilitation com 2,341. A diferença entre as revistas depois do 10 lugar é pequena. Para vocês terem uma ideia, a revista de ortodontia mais bem posicionada está em 32o. lugar, ou seja, talvez quanto mais específica a área, a tendência é reduzir o fator. Então não dá para comparar a Lancet com as de odontologia. e nem uma que publica somente sobre ortodontia com uma que publica pesquisa sobre toda a área de odontologia.
Todas as revistas com fator de impacto alto estão publicadas na lingua inglesa. Ou seja, se você não sabe ingles, a chance de ficar desatualizado ou de depender de outras pessoas para adquirir o conhecimento é alta.
Das brasileiras, entram no ranking a Brazilian Oral Research que é da SBPqO e está na 39 posição e tem fator de impacto 1,773 e a JAOS, Journal Applied of Oral Sciences na 50, aqui da Faculdade de Odontologia de Bauru-USP, que tem fator de impacto 1.506.
Muitas revistas não tem sequer fator de impacto internacional. Para ver então o impacto delas você pode verificar no QUALIS, elas estarão nas categorias B, C e D.
E então o que eu faço?
Eu entro nas revistas com maior impacto na minha área, de dor orofacial, e cadastro meu email na newsletter deles. Com isso, assim que os artigos que foram aceitos nestas revistas são publicados no site, eu recebo um email com o título deles, e abro aqueles que me interessam. Baixo aqueles em que no resumo achei algo que quero ler mais! Hoje mesmo pela manhã recebi um email do Journal of Oral Rehabilitation, que é uma revista importante, tanto para DTM quanto para bruxismo, com os artigos aceitos da semana e lá estava um do nosso grupo aqui, o Bauru Orofacial Pain Group. Inclusive é um artigo do mesmo tema que o professor Yuri Costa ganhou o prêmio no IADR este ano.
Isso me ajuda também a ter ideias de pesquisa, ler revisões sobre os mais variados assuntos, e sempre contar para vocês uma novidade!
Para quem está curioso em saber quais são as revistas com maior impacto na dor orofacial, ou seja, as que eu consulto, vou agora colocar aqui abaixo a minha listinha, mas você pode criar a sua, baseado no que está afim de estudar.
Segue a lista (organizada por fator de impacto e abrangendo dor orofacial, DTM, cefaleia, sono e bruxismo):
  1. Journal of Pain – https://www.jpain.org
  2. Journal of Dental Research – https://journals.sagepub.com/home/jdr
  3. Current Pain and Headache Reports: https://link.springer.com/journal/11916
  4. Journal of Oral Rehabilitation – https://onlinelibrary.wiley.com/journal/13652842
  5. Brazilian Oral Research – http://www.scielo.br/bor
  6. Oral Surgery Oral Medicine Oral Pathology Oral Radiology – https://www.oooojournal.net
Pessoal, fazendo a lista vi que deixei um monte de revistas que chegam no meu email de fora (especialmente as de odontologia em geral,  neurociências e sono), mas acho que a lista já está bem extensa.  E das revistas de maior impacto nem sempre tem artigos que me interessam, mas aí é só passar os olhos e deletar o email. O fato é que quando tiver (como o de neurofisiologia da migrânea publicado na Lancet Neurology), serão ótimos, com certeza.
Para assinar com seu email o boletim de notícias destas revistas tem que procurar no site delas. Vou fazer um vídeo pois algumas editoras deixam isso no site da editora mesmo (você marca numa caixa de seleção os que você quer). Procurem!
Abraços a todos.
Para ouvir o podcast você pode procurar no seu tocador preferido ou nos links abaixo:

Exercícios físicos

Olá pessoal! Feliz 2019!
Voltei às atividades nesta semana e eu resolvi este ano, como meta, voltar a correr!
Por coincidência saiu ontem na revista Nature Medicine uma matéria de uma pesquisa realizada no Brasil sobre os benefícios do exercício físico aeróbico! Vocês virão?
Fazer exercícios físicos regularmente melhora o desempenho da memória e parece retardar a ocorrência de esquecimentos nos estágios iniciais da doença de Alzheimer, enfermidade que atinge cerca de 35 milhões de pessoas no mundo e é marcada por perda de memória e redução da capacidade de planejamento. Uma longa sequência de experimentos realizados com células, animais e também seres humanos pelos grupos da neurocientista Fernanda De Felice e do bioquímico Sergio Teixeira Ferreira ajuda agora a explicar por quê. Em um artigo publicado on-line hoje (7/1) na revista Nature Medicine, os pesquisadores brasileiros, ambos professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), apresentam um conjunto robusto de evidências de que o hormônio irisina, liberado pelos músculos durante a atividade física, é importante para a formação da memória e a proteção dos neurônios dos efeitos tóxicos de compostos associados à origem do Alzheimer.
“Não esperávamos que o efeito da irisina sobre a memória pudesse se sobressair tanto entre os dos demais compostos que são liberados pelo exercício físico”, conta De Felice, que também é professora adjunta na Queen’s University, no Canadá. Em dezenas de testes que consumiram sete anos de trabalho, os pesquisadores observaram que, por um lado, a neutralização da irisina prejudicava a formação da memória. Por outro, o aumento da concentração desse hormônio pela prática de exercício físico ou por injeção na corrente sanguínea restaurava o funcionamento dos neurônios e recuperava a capacidade de aprendizado de camundongos geneticamente alterados para apresentarem os sinais da doença de Alzheimer.
O interesse de De Felice pela irisina surgiu há sete anos, pouco depois de esse hormônio ser identificado pela equipe do biólogo Bruce Spiegelman, da Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Em janeiro de 2012, em um congresso de diabetes, Spiegelman apresentou dados sugerindo que a irisina funcionaria como um mensageiro químico da atividade física – por isso seu nome homenageia Íris, a deusa grega mensageira. Liberada durante o esforço físico, a irisina induziria as alterações benéficas do exercício em outros órgãos e tecidos. O grupo de Spiegelman a descrevera em janeiro daquele ano na revista Nature.
Experimentos feitos com roedores pela equipe de Harvard indicavam que o hormônio atuava sobre o tecido adiposo branco – abundante nos mamíferos adultos e formado por células que armazenam energia na forma de gordura –, transformando-o em tecido adiposo marrom – escasso nos mamíferos a partir da idade adulta, que transforma a energia armazenada em calor. “Tive a sorte de estar na audiência e suspeitar que a irisina pudesse ter também alguma ação no cérebro”, lembra a neurocientista brasileira.
Há quase duas décadas De Felice e Ferreira, que são casados e parceiros de pesquisa, dedicam-se a investigar as transformações bioquímicas e celulares que ocorrem no cérebro nos estágios iniciais do Alzheimer. Por volta de 2009, eles já haviam observado que outro hormônio produzido fora do sistema nervoso central – a insulina, secretada pelo pâncreas – desempenhava um papel importante no cérebro. Nas pessoas sadias, ela ajuda na formação da memória e previne danos nos neurônios, as células cerebrais que processam a informação, originando o pensamento e as memórias. Nas pessoas com Alzheimer, a insulina deixa de funcionar adequadamente, facilitando os danos às células cerebrais e o esquecimento (ver Pesquisa FAPESP nº 157).
Para descobrir se a irisina poderia produzir algum efeito clinicamente relevante no sistema nervoso central, o primeiro passo de De Felice foi comparar o nível desse hormônio em pessoas sem problemas neurológicos e com diferentes estágios de doenças neurodegenerativas, entre elas o Alzheimer. Em colaboração com a neurocientista Fernanda Tovar-Moll, pesquisadora da UFRJ e do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor), Fernanda De Felice analisou o nível de irisina no sangue e no líquido cefalorraquidiano de 26 pessoas sadias, 14 com perda moderada de memória, 14 com Alzheimer, 13 com demência de outro tipo, com corpos de Lewy.
O nível de irisina no sangue era semelhante nos quatro grupos, mas a concentração do hormônio caía pela metade no líquido cefalorraquidiano das pessoas com Alzheimer e demência com corpos de Lewy. Era um sinal de que nas doenças neurodegenerativas a concentração de irisina estaria baixa apenas no sistema nervoso central, mas normal no restante do organismo. Tovar-Moll e De Felice notaram ainda que, dos 60 aos 80 anos, o nível do hormônio aumentava no sistema nervoso das pessoas sem problemas neurológicos enquanto permanecia constante naquelas com Alzheimer.
Na Universidade de Kentucky, Estados Unidos, a fisiologista Donna Wilcock e sua equipe verificaram que a concentração de irisina estava reduzida à metade no hipocampo, estrutura cerebral associada à formação da memória, de pessoas com Alzheimer avançado, quando comparada ao nível nos indivíduos saudáveis, do grupo de controle. “Como o nível do hormônio estava baixo em quem tinha a doença, nos perguntamos se ele teria um papel importante no funcionamento dos neurônios”, explica De Felice.
Na etapa seguinte, os neurocientistas Mychael Lourenço, da UFRJ, e Rudimar Frozza, da Fundação Oswaldo Cruz, iniciaram uma série de experimentos com roedores para tentar descobrir sobre quais células cerebrais a irisina agia e como. Em um primeiro teste, eles injetaram no hipocampo de ratos saudáveis um vírus capaz de reduzir a produção de irisina e verificaram que os neurônios perderam a capacidade de fazer conexões (sinapses) uns com os outros, fenômeno essencial para a formação e fortalecimento da memória. Os animais que receberam injeção do vírus se saíam pior do que os do grupo de controle nos testes de memória: esqueciam que não deveriam pisar no chão de uma gaiola especial para evitar receber um leve choque na pata e tinham mais dificuldade em diferenciar objetos antigos de novos colocados na caixa em que estavam.
Se a redução da irisina piorava a memória, será que seu aumento melhoraria a capacidade de recordação nos casos em que o nível cerebral do hormônio é baixo? Lourenço e Frozza, então, usaram três estratégias para elevar o nível de irisina em dois modelos de Alzheimer em camundongos – em um deles, os animais foram alterados geneticamente para apresentar lesões (agregados da proteína beta-amiloide) típicas da doença; no outro, receberam injeção no hipocampo de compostos tóxicos (oligômeros beta-amiloide), precursores dos agregados. Tanto a estratégia direta de aumentar a irisina cerebral, pela injeção de um vírus que aumenta a síntese do hormônio, quanto as indiretas, injeção no sangue periférico ou realização de exercícios intensos, produziram resultados semelhantes: melhoraram a capacidade de recordação dos animais. O efeito benéfico desapareceu quando, mais tarde, os pesquisadores injetaram no cérebro o vírus que diminui a concentração de irisina ou aniquilavam sua ação com anticorpos que a neutralizavam.
“Os resultados sugerem que, além de auxiliar a formação da memória, o hormônio do exercício protege os neurônios de danos das doenças neurodegenerativas”, conta Ferreira, da UFRJ. Suspeita-se que o efeito neuroprotetor da irisina ocorra por duas vias. O hormônio impede a ligação dos oligômeros beta-amiloide aos neurônios, impedindo-os de destruir as sinapses, e estimularia os neurônios a produzir compostos essenciais para a formação da memória, como o fator neurotrófico derivado do cérebro, o BDNF. “Agora é preciso investigar detalhadamente as vias de ação da irisina sobre os neurônios”, afirma De Felice, que obteve um financiamento de US$ 150 mil da Sociedade de Alzheimer do Canadá para a etapa concluída do estudo. Ela planeja observar se os mesmos efeitos benéficos ocorrem em um modelo de Alzheimer em macacos.
“O estimulante eixo músculo-cérebro descoberto por esse estudo expande ainda mais o papel que os tecidos periféricos podem desempenhar sobre a saúde e as doenças do cérebro”, escreveu a neurocientista Li Gan, da Universidade da Califórnia em São Francisco, e diretora do Instituto Helen e Robert Appel de Pesquisa em Doença de Alzheimer da Weill Cornell Medicine, em Nova York, em um comentário que acompanhou o artigo na Nature Medicine.
Caso novos estudos com animais e seres humanos confirmem a ação neuroprotetora da irisina, o hormônio pode, no futuro, tornar-se um candidato a auxiliar no tratamento dos estágios iniciais do Alzheimer, enfermidade contra a qual não há medicação eficaz. “Atualmente há vários esforços para identificar moléculas responsáveis pelos efeitos benéficos do exercício”, informa Ferreira. “A irisina é mais uma, além de outras quatro já conhecidas.” Por ora, no entanto, De Felice e Ferreira apostam no potencial preventivo do hormônio. “É importante manter-se fisicamente ativo para obter os benefícios da irisina para o organismo, em especial para o cérebro, reduzindo o risco de desenvolver Alzheimer ou retardando seu início”, afirma a neurocientista.
Artigos científicos
BOSTRÖM, P. et al. A PGC1-α-dependent myokine that drives brown-fat-like development of white fat and thermogenesis. Nature. v. 481, n. 7382, p. 463-8. 11 jan. 2012.
CHEN, X. e GAN, L. An exercise-induced messenger boosts memory in Alzheimer’s disease. Nature Medicine. 7 jan. 2019.
Importante ressaltar que a irisina é um hormônio produzido no músculo esquelético durante exercício e recentemente foram identificados seus receptores em osteoblastos,  responsavel pela fixação de cálcio no ossos… Ou seja, ela também medeia o efeito anti-osteoporose do exercício.
Além disso, há benefícios claros do exercício físico na dor crônica!
E olhem só, no final do ano passado  eu convidei uma amiga para uma entrevista neste segundo episódio do podcast do Por Dentro da Dor Orofacial, a Dyna Mara Ferreira, que trabalha conosco no Bauru Orofacial Pain Group e é aluna do professor Paulo Conti no doutorado do programa de Ciências Odontológicas da Faculdade de Odontologia de Bauru – USP.
Nós estivemos no Congresso Mundial de Dor da IASP em Boston no ano passado e foi uma excelente oportunidade para atualizar os conhecimentos em todas as áreas sobre dor. (Fique de olho que o próximo congresso acontece em 2020 em Amesterdan na Holanda!) A palestra de encerramento do congresso  teve como tema Exercícios físicos e dor e foi ministrada pela Professora e fisioterapeuta Kathleen Sluka. Depois que voltamos a Dyna ministrou uma aula no curso e DTM e Dor Orofacial exatamente sobre este tema, e eu adorei e nem pensei duas vezes: precisava trazer aqui para vocês!
Então, dá um play neste episódio recheado de informações!
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Links:
⁃Site IASP: www.iasp-pain.org
⁃Entrevista com a prof. Sluka: http://bit.ly/entrevistaSluka
⁃Página com informações sobre cursos em 2019: https://julianadentista.com/cursos-dtm-e-dor-orofacial/
⁃Dica do episódio – Site Pain Research Forum da IASP: https://www.painresearchforum.org
Fale comigo:
⁃Lista de transmissão no Whatsapp: http://bit.ly/julianadentista
Falando nisso….
Eu e a Dyna participamos do curso de DTM e Dor Orofacial coordenado pelo Professor Paulo Conti!

O curso é válido para quem quer atender pacientes em DTM e Dor Orofacial em seu consultório bem como para especialistas que gostariam de atualização e conhecer outros assuntos.

Para saber mais sobre o curso, você pode enviar uma mensagem para +55 14 996544386 ou clicar em bit.ly/cursoDTM no seu celular. Ainda no site www.ieobauru.com.br você pode ler mais sobre o curso.

E aguardem que teremos muitas novidades em cursos este ano!

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Novidade: podcast

Enfim chegou o dia de eu anunciar que finalmente consegui gravar um podcast para o blog!!

Faz muitos anos que sou ouvinte assídua de podcasts e até já escrevi sobre isso aqui.

Agora, com a facilidade dos novos aplicativos, consegui entrar para este mundo! Espero manter a frequência (quero que seja quinzenal).

Neste primeiro episódio falo sobre Bruxismo e o consenso de 2018.
Dá o play aí!!
Links:
Para saber mais sobre Bruxismo, venha estudar conosco no Dia do Bruxismo!
Próxima data: 08/12 em Campinas. Para se inscrever, clique aqui.

Neuralgia do Trigêmeo: podcast e vídeos!

Esta semana no curso de Especialização em DTM e Dor Orofacial do IEO-Bauru vou conversar com os alunos sobre Neuralgia do Trigêmeo (NT). Já escrevi aqui no blog algumas vezes sobre NT. Confira aqui e aqui a reportagem que apareceu no programa Fantástico da Rede Globo.

Procurando conteúdo novo para a aula, eis que me deparei com um podcast produzido pelo British Medicine Journal (BMJ) com uma das maiores autoridades no assunto, professora Joanna M Zakrzewska! Ela aborda aspectos chaves sobre o problema. Eu gostei muito! Infelizmente o programa foi em inglês, sem possibilidade de tradução.  Clique aqui e acesse (também está no SoundCloud).

Abaixo reproduzo o conteúdo do podcast:

The bottom line

  • Trigeminal neuralgia is characterised by sharp stabbing pains that are usually unilateral, last for less than a minute, and occur within the distribution of the fifth cranial nerve

  • Few high quality, large randomised control trials are available to guide practice

  • Initial treatment is usually medical with a single first line agent (such as carbamazepine or oxcarbazepine)

  • Consider surgical treatment if an adequate trial of a single first line agent at maximum tolerable dose has failed

(Não sabe o que é Podcast? Leia aqui)

Eu também  adoro dar uma olhada nos vídeos que estão no YouTube e selecionar alguns para complementar o conteúdo! Para quem é leitor novo do blog, no passado fiz algumas postagens com vídeos para o estudo da neurofisiologia da dor, neuroanatomia e tantas outros.

Seguem para vocês uma seleção de vídeos sobre esta condição! Se entender o inglês for difícil, acionem a legenda em Português do YouTube. Pode ajudar. Clique aqui e saiba como.

Convivendo com Neuralgia do Trigêmeo

Este depoimento é muito interessante, vejam que a paciente diz: eu sabia que não era um problema dentário.

Aula do programa UCLA Health

Explica o que é NT, seus sintomas, as possíveis causas e tratamentos. Aula muito bem feita, ministrada pelo neurocirurgião Neil Matin.

Webcast Viva sem Dor

Dr. Claudio Correa explica aspectos gerais sobre Neuralgia do Trigêmeo e seu tratamento.

Bloqueio gânglio trigeminal

Vídeo demonstrando como pode ser realizado a opção bloqueio do gânglio de Gasser, quando necessário.

Sobre a opção da neurocirurgia

Vídeo curto com aspectos gerais da NT e quando é realizado o encaminhamento a neurocirugia, normalmente quando o tratamento de primeira escolha, medicamentoso, falha.

Descompressão Microvascular

Uma das técnicas utilizadas pelos neurocirurgiões. Neste vídeo é uma aula completa (1 hora de duração) com Peter Janetta, médico neurocirurgião que introduziu  técnicas neste procedimento (a primeira cirurgia feita por ele foi em 1966). Leia mais sobre isso aqui.

Outro vídeo, mais curto só com a demonstração do procedimento (eu “assisto” sempre de olhos fechados! Tem sangue? Ploft!)

Forame oval

O forame oval permite acesso a procedimentos como radiofrequência e micro compressão por balão no gânglio trigeminal.

Sobre compressão por balão

Vídeo demonstrando o processo.

Um antes e depois coreano.

E uma aula completa com uma hora de duração sobre os procedimentos de radiofrequência e mico compressão por balão.

Gamma Knife

A radiocirurgia com Gamma Knife® é uma forma de radioterapia que entrega altas doses de radiação ao local no cérebro a ser tratado  com feixes de radiação muito estreitos que convergem para este local com extrema precisão (0,4 mm). Vem sendo realizada também para NT. Abaixo um vídeo explica o procedimento.

Falando nisso….

Sei que estamos no meio do ano, mas a procura pelo curso de Atualização em DTM e Dor Orofacial coordenado pelo Professor Paulo Conti e com participação do Bauru Orofacial Pain Group já começou! Assim, aos interessados, o curso começará em Fevereiro/2016 e todas as datas já foram agendadas. Saiba mais em http://www.ieobauru.com.br ou ligue (14) 3234 1919 com Vivian! As vagas são limitadas!

É preciso falar sobre Mamilos!

Hoje o tema não tem relação com Dor Orofacial (quem sabe no futuro terá não?). O negócio é colocar o Mamilos para fora!
Mamilos é o nome simpático de um podcast capitaneado por Cris Bartis e Juliana Wallauer,   que integra o site B9.
Podcasts são programas de rádio feitos para a internet (juro que tentei alguma definição melhor e não consegui, alguém quer opinar?). Ouvir podcast é uma das coisas que mais gosto de fazer atualmente. Isso porque consigo organizar algumas ideias, conhecer coisas novas, ter assunto para a mesa do bar!
Adoro o Mamilos primeiro porque o formato me faz pensar, treinar meu pensamento crítico. Toda a semana as apresentadoras buscam temas polêmicos e relevantes para discutir. É o que elas chamam de “Teta da Semana”. Esta teta já foi a maioridade penal, violência, pena de morte, aborto, cotas raciais, educação… Para conversar sobre este assunto, além de uma pesquisa, elas convidam pessoas que sejam pro ou contra um argumento ou que sejam especialistas no assunto. Nem sempre, por exigir a disponibilidade para estar em um estúdio de gravação, os dois lados são contemplados mas, mesmo assim, você pode até ouvir algo que não concorde mas é aí que está a beleza da coisa! Como elas mesmas disseram em um dos programas recentes, conhecer um argumento contrário ao seu pensamento faz com que você argumente a favor com mais embasamento! Precisamos falar, mas precisamos ouvir!
E não é só de “Teta da Semana”que vive o Mamilos. Antes de entrar no assunto principal há o Trending Topics, onde as meninas falam sobre os assuntos mais discutidos nas redes sociais durante a semana e ainda, um quadro que adoro, bem no finalzinho do programa o “Farol Acesso”, onde as apresentadoras e seus convidados deixam dicas de livros, séries, música etc…
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Mas eu também preciso contar como entrei neste mundo de Podcasts!
Quem me conhece de perto sabe que me tornei fã de Podcasts há alguns anos, desde que comecei a dirigir entre Franca, Ribeirão Preto e Bauru. Passo até 3 horas dirigindo e chegou uma hora em que conseguia ouvir 30 segundos de uma música e logo enjoava e pulava para frente. Foi quando estes “programinhas” de rádio me conquistaram. Baixei um aplicativo para smartphone para ouvir o podcast da Bia Kunze, a Garota sem Fio. Dele já na navegação encontrei outros de tecnologia (assunto que também adoro). O hábito já estava instalado. Um dia, lendo o meu blog favorito de viagem (Viaje na Viagem) vi que o Ricardo Freire havia gravado uma participação no podcast Braincast do B9. E pronto! Paixão a primeira ouvida! Já perdi as contas para quantas pessoas indiquei o Braincast, rs….
Depois vieram tantos outros! Hoje dirijo dando risada sozinha (para isso ouvir o Nerdcast é certeiro, fã do Azaghal), me imaginando dentro de um filme com o Escriba Café (melhor produção de podcast, na minha opinião), ou só contando os minutos para ouvir o Qual é a Boa? (se o Cris Dias estiver na mesa a ansiedade aumenta!).
Enfim, escolhi o Mamilos para divulgar mas acho que tenho que agradecer a todos que fazem estes programinhas pela quantidade de informação, diversão e cultura que nos passam!
 Claro que não dá para ouvir todos que saem, então escolho pelo tema abordado! Baixem um aplicativo para seu smartphone ou ouça pelo soundcloud. E para quem quer começar a ouvir, segue uma pequena lista com links (clique no nome para acesso)! Explorem!! 🙂
  • Mamilos: os memes, trending topics e polêmicas.
  • Braincast: discussão sobre comunicação, cultura, entretenimento. Muito bom! Ouça! Ah! e veja depois no Youtube os vídeos do quadro “Qual é a boa?”. Ótimas dicas!
  • Escriba Café: podcast impressionante pela qualidade! Quando escuto parece que estou dentro de um filme! Sobre história. Ouvi recentemente três episódios sobre o Império Romano e foram de cair o queixo.
  • Nerdcast: o mundo pop vira piada no Jovem Nerd. Adoro os episódios Nerdtour! De rolar de rir. E os de história como da Guerra dos Rosas ou sobre a Revolução Francesa.
  • Diário de um elefante: dicas bem rápidas sobre o uso do Evernote (meu caderno para tudo, inclusive para escrever este post)
  • Dama do vinho: podcast da Alessandra Esteves que tem como propósito ensinar sobre vinhos, aromas e sabores em programas com  cerca de 10 minutos de duração.
  • Anticast: sobre design, comunicação, filosofia e cultura. Por Ivan Mizanzuk, Rafael Ancara e Marcos Beccari.
  • Zing!: com os jornalistas Alexandre Maron e Luciana Obniski discutindo cultura pop. Foi uma série de 10 programas que com certeza terá continuação!
  • Osmozzy: novo podcast capitaneado por Saulo Mileti que busca discutir vários temas sobre comunicação e cultura.
  • Mupoca: podcast de filosofia de boteco (como eles definem), rs… Bem, o grande segredo é descobrir o que é na verdade Mupoca.
  • MacMagazine no Ar: ouço quando quero saber das novidades do mundo Apple. Rafael Fishmann, Eduardo Marques e Breno Mais são fanboys sempre antenados!
  • HappyHourTech: mais um de tecnologia, mas como toque de descontração.
  • Serial: podcast americano que mexeu com a cabeça dos ouvintes. Foi uma série de programas investigativos sobre uma história real de uma pessoa aprisionada.  Será que ele mesmo que cometeu este crime?
Ei! Escuta um podcast e gosta muito? Me conta qual é! Deixe seu comentário!
(Às vezes é bom sair do mundo da Dor Orofacial, não?! Volto em breve!).