Novidades sobre Bruxismo no IADR

Esta semana aconteceu em São Francisco na Califórnia a edição anual do Congresso Mundial de Pesquisa Odontológica promovido pela IADR (Associação Internacional de Pesquisa Odontológica). Infelizmente não pude comparecer.

Neste evento aconteceu uma reunião fechada entre os experts na pesquisa do Bruxismo. Prof. Daniele Manfredini foi um dos participantes e gentilmente fez um resumo do que aconteceu nesta reunião. Coloco abaixo seu texto:

Dear friends, 
as promised, here I am with a brief summary of the expert consensus meeting on bruxism at the IADR congress. Nice and lovely experience, without any real clashes between any of us…my special thanks to Frank Lobbezoo for the excellent coordination and to Karen Raphael and Peter Wetselaar, who co-chaired with me the working group on the definition of diagnostic cut-offs. The other groups provided summaries on the non-instrumental (ie, questionnaires, interviews, EMA [ecological momentary assessment], clinical assessment) and instrumental (ie, PSG and EMG) approaches to bruxism evaluation. 
At the end of the a very productive day, we all agreed that the new consensus paper should be based on some very clear concepts: 
1. a separate definition for sleep and awake bruxism – different etiology, clinical consequences, and management outcomes; 
2.bruxism is a behavior, which can be a risk factor for some clinical signs/symptoms (e.g., tooth wear, muscle fatigue, pain) or be associated with other conditions (e.g., OSA, other sleep disorders). Bruxism is not a “disorder” per se; 
3. being a risk factor, bruxism cannot be “diagnosed” in terms of yes/no, and the search for an ideal cut-point that discriminates between the presence or absence of clinical consequences might reveal unfruitful; 
4. as such, as far as sleep time is concerned, it is recommendable that masticatory muscle activity is measured in its continuum; 
5. as for awake bruxism, self-report via EMA is a promising strategy to approximate a correlation with patients’ experienced symptoms.  
All these summary points have to be refined after the manuscript will be drafted in full version and submitted for suggestions to the expert who were absent during the meeting.

Daniele Manfredini

Como eu já esperava, mais do que nunca é importante separar o Bruxismo do Sono do Bruxismo em Vigília, inclusive em definição, já que são condições distintas.

Bruxismo é um comportamento. Este fato traz um desafio ao clínico, pois há individualização do diagnóstico. Como comportamento sua ocorrência depende de vários fatores e ainda, pode ser que tragam ou não consequências ao organismo. O bruxismo nem sempre é vilão (leia sobre isso aqui).

Sobre o EMA citado no item 5, trata-se do uso de aplicativos para smartphone para potencializar o diagnóstico e controle do bruxismo em vigília. E isso já fazemos há anos, não é mesmo? O primeiro aplicativo foi o Desencoste seus Dentes e depois surgiu o Bruxapp. No Dia do Bruxismo demonstro sempre como uso este recurso na clínica!

Enfim, pensando em todos os aspectos, concordo com um comentário realizado pelo colega Ricardo Aranha e confirmado pela Profa. Karen Raphael em uma discussão no Facebook: existe muito sobre tratamento em relação ao Bruxismo.

Eu já estou ansiosa para ler as publicações que viram por aí no Journal Oral Rehabilitation. Vamos ficar de olho!!

 

Falando nisso…

A professora Adriana Lira Ortega também estava lá no IADR (#inveja) e mostrou tudo no Instagram do Dia do Bruxismo! Siga lá! @diadobruxismo Antes de ela embarcar ainda estivemos em Maringá na Dental Press, e foi muito bacana!

Agora o próximo DB acontecerá em Passo Fundo (vamos explicar direitinho as novidades sobre Bruxismo)! Clique aqui e saiba todos os detalhes!

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Bruxismo infantil e o problema respiratório

Quem já assistiu o Dia do Bruxismo já sabe: professora Adriana Lira Ortega é a responsável pela parte do Bruxismo Infantil e também por falar sobre o bruxismo secundário (apesar dos meus spoilers, ela é que fala brilhantemente sobre o assunto).

E um dos assuntos que ela aborda e cada dia mais ouço e leio é a relação entre o bruxismo do sono e os problemas respiratórios em crianças. E é bem interessante!

Hoje fiz uma transmissão ao vivo pelo Instagram (me siga lá @dtmdororofacial) e falei sobre um dos últimos artigos publicados sobre o assunto. Trata-se de um estudo observacional que verificou a associação do bruxismo do sono aos problemas respiratórios em crianças de 8 a 11 anos. O trabalho foi desenvolvido no Brasil e mostrou que especialmente rinite e sinusite estavam associados a presença de BS infantil (além de mostrar que a prevalência de BS em crianças era maior quando as mães apresentam maior escolaridade – seria percepção maior da mãe? – e alto nível de estresse).

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Mas vamos falar sobre esta relação entre a passagem do ar e bruxismo durante o sono. Faz sentido. Como já relatei aqui, o bruxismo neste caso é secundário ao evento de obstrução e aparece como um sinal de que algo não está Ok neste sono. Leia o post Bruxismo: vilão ou mocinho?

Interessante também observar um outro fato. Extrapolando os resultados deste trabalho, é possível pensar que a criança que apresente estes distúrbios do sono possa ser uma criança agitada. Não é incomum mães relatarem que suas crianças são hiperativas. Mas elas são mesmo ou apenas dormem mal? Quando seu filho ou filha dormem mal, eles ficam sonolentos no dia seguinte ou extremamente irritados?

Achei um relato de caso publicado este mês exatamente questionando isso! Bem bacana!

Saiba mais sobre hiperatividade e déficit de atenção: clique aqui.

É preciso diagnosticar bem qual tipo de bruxismo a criança apresenta. Quando o bruxismo é secundário, o tratamento deve visar a causa e não o bruxismo em si.

#ficaadica

Falando nisso…

Estaremos em Maringá, Passo Fundo, Bauru, Balneário Camboriú, São Paulo e mais alguns lugares este ano! Acompanhem tudo no site do Dia do Bruxismo, www.diadobruxismo.com, Facebook e Instagram (@diadobruxismo).

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Rapidinhas: consequências orais do uso abusivo de metanfetamina

Artigo gratuito e recente publicado na BMC Oral Health lista as consequências orais do uso abusivo de metanfetamina. Nós sempre falamos no Dia do Bruxismo sobre isso. As consequências mais intensas são xerostomia (ver figura abaixo) e bruxismo intenso. Com isso não é incomum encontrar nestes pacientes cáries, fraturas dentárias, desgaste dentário, etc. Se atribui a isso o efeito simpaticomimético desta droga!

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Deem uma olhada no link: http://bmcoralhealth.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12903-016-0218-8

Dia 13/08 é a vez de Ribeirão Preto e dia 09/09 Joinville de receberem o Dia do Bruxismo! Participem! www.diadobruxismo.com

😉

Bruxapp – novo aplicativo

Dias desses através de um grupo italiano de discussão sobre DTM e bruxismo no LinkedIn, conheci o Bruxapp, novo aplicativo para diagnóstico e controle do bruxismo.

Desde 2012 eu uso (e recomendo) o aplicativo Desencoste seus Dentes, que auxilia no diagnóstico e controle do Bruxismo em Vigília (lembre-se que há vários tipos de Bruxismo, aqui no texto usarei bruxismo do sono (BS) e bruxismo em vigília (BV)). Então fiquei curiosa quando vi este novo aplicativo.

O Bruxapp está disponível para smartphones Android e iOS, nas versões em Inglês, Italiano e Espanhol, e custou 3,99 dólares. Bem, logo de cara a primeira restrição na utilização no consultório: não há ainda versão em Português do Brasil (fui informada que logo chegará).

Ele é um aplicativo é bem completo e achei até um pouco complexo o que pode dificultar o uso por alguns dos pacientes, sobretudo os não familiarizados com tecnologia ou ansiosos.

Desenvolvido sob coordenação do Prof. Daniele Manfredini, o Bruxapp participa de um estudo epidemiológico multicêntrico. Os dados, quando autorizados, são enviados ao seu grupo de pesquisa na Itália.

Mas vamos à descrição: inicialmente o aplicativo apresenta um guia para que você programe todos os alertas que desejar.

Captura de Tela 2016-05-16 às 18.27.02O aplicativo visa ajudar os pacientes a perceberem o bruxismo e evitarem danos aos dentes, músculos e ATM com o lema: mantenha seus dentes desencostados e seus músculos relaxados. Assim como o Desencoste, ele emite uma notificação para isso em seu celular. E promete uma versão para Apple Watch com estímulo tátil (vibração) nos próximos meses.

A cada vez que o alerta soa, o paciente deve responder às 3 perguntas: a primeira sobre como estão posicionados seus dentes (afastados, levemente em contato, apertados ou rangendo). A segunda é sobre a musculatura, se está tensa ou contraída (em uma posição fixa e rígida) e a terceira se o paciente sente dor na face.

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Há dois tipos de uso: básico e avançado. No básico os alertas servem apenas para que o paciente mentalmente guarde como estava no momento (as três respostas) e assim, ao final do dia, ele é solicitado a preencher um relatório sobre as atividades durante o dia (quantas vezes percebeu). No avançado ele permite que o paciente anote no momento, de acordo com o alerta, seu estado.

Os alarmes durante o dia podem ser  ativados por horário de início e fim e ainda intervalos sem ativação podem ser programados. É possível escolher a freqüência de notificações (de 5 a 25 por dia).

Um outro alarme interessante é para BS. Você pode programar uma alarme matinal (5 minutos antes do horário habitual do paciente acordar) e assim ao despertar o paciente pode responder às 3 perguntas! Também tem um alarme para lembrar àquele paciente que usa dispositivo interoclusal para dormir de vesti-lo.

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Mas só um alarme que achei estranho. Há a possibilidade de programar alarmes para o sono, ou seja, o aplicativo acordaria o paciente (1 a 3 vezes durante o sono) para realizar as 3 perguntas. Achei isso interessante mas me preocupa interromper o sono do paciente, especialmente se o mesmo apresentar DTM e insônia por exemplo. Estudos com outros métodos que acordavam o paciente mostram que a sonolência diurna ocorre após algumas noites utilizando.

Mais informações na página do aplicativo no Facebook!

Falando nisso…

Demonstrei o Bruxapp no aplicativo Periscope outro dia e foi bem bacana! Siga-me por lá! www.periscope.tv/dororofacial

Também falo sempre no Dia do Bruxismo! Já estamos com inscrições abertas para Ribeirão Preto (13/08) e Joinville (09/09). Não vá perder!! http://www.diadobruxismo.com

E por falar em redes sociais…

Estamos presentes nas mais diferentes plataformas!

Além do Periscope:

Facebook: www.facebook.com/dororofacial

Twitter: www.twitter.com/dororofacial

Instagram: @dtmdororofacial

🙂

 

 

Rapidinhas: desgaste dentário e SAOS

Tenho dois mantras que recito em toda aula de bruxismo:

1. Bruxismo não é DTM

2. A presença de desgaste dentário não indica que o paciente apresenta bruxismo do sono.

O primeiro mantra é fácil de explicar: simplesmente não são a mesma condição. Ainda, hoje a relação entre bruxismo e DTM é questionada, sobretudo quanto ao tipo de bruxismo e ao tipo de DTM.

O segundo mantra parece irraizado na mente dos cirurgiões dentistas e fazê-los observar além do óbvio é minha missão na aula. Os estudos falham em associar o desgaste dentário ao bruxismo do sono. Para dar um nó na cabeça,  bruxismo do sono primário tem ocorrência flutuante e o desgaste é uma cicatriz, não se sabe, naquele momento, quando aconteceu.

E olhem só que interessante: nas aulas do Dia do Bruxismo, a professora Adriana Lira Ortega comenta sobre a possível associação entre bruxismo do sono com síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS). Como já escrevi aqui no blog, esta associação pode ter várias direções, mas a mais provável seria colocando o bruxismo como mocinho da história, afinal o ato de movimentar a mandíbula pode estar associado a abertura da passagem do ar posterior e ainda salivação. Mas uma teoria pode indicar que isso aumente a ocorrência de desgaste dentário.


Revisando os artigos recentemente publicados sobre bruxismo, encontrei um estudo piloto que teve uma ideia interessante: verificou a associação entre desgaste dentário e SAOS em pacientes diagnosticados com possível bruxismo do sono.

O nome do artigo é  Frequency of Obstructive Sleep Apnea Syndrome in Dental Patients with Tooth Wear e foi publicado em 2015 no Journal of Clinical Sleep Medicine.

Os resultados mostraram que a frequência de SAOS em pacientes com desgaste dentário foi 3 vezes maior do que na população. Ainda, encontraram correlação positiva significativa entre a gravidade do desgaste dentário e a gravidade da SAOS, ou seja, quanto maior o número de eventos de apneia, maior o desgaste dentário encontrado.

Apesar de podermos discutir vários pontos negativos do trabalho como a escolha da amostra, estes resultados mostram algo que sempre pedimos aos colegas clínicos: pensem além do bruxismo! Outros distúrbios do sono podem estar interferindo na qualidade de vida de seu paciente.

Se não estudou ainda sobre SAOS e insônia, etc; corra atrás do prejuízo!

Para ler o artigo na íntegra, clique aqui.

Falando nisso….

O Dia do Bruxismo irá acontecer em Porto Alegre e Cuiabá! Fique de olho para não perder sua vaga!

Vagas limitadas!

Saiba mais em www.diadobruxismo.com


Site do Mês: Odontopediatria em Evidência

Olá! Feliz 2016!

Espero que este ano eu consiga cumprir a promessa de escrever bastante aqui no blog! 🙂

E para esta primeira postagem do ano eu quero apresentar a vocês um novo blog! A minha amiga e parceira no Dia do Bruxismo, Prof.a. Adriana Lira Ortega aderiu ao vício de blogar e começou o seu próprio espaço na internet!

  
Já estava na hora. Para quem não a conhece, a Adriana é odontopediatra e ortodontista e trabalha na área clínica e de pesquisa em DTM, Dor Orofacial e Bruxismo em crianças e adolescentes e pacientes especiais, e é palestrante em vários cursos no Brasil e também no exterior!

É uma área muito bacana e muitas vezes desconhecida dos profissionais.

Em seu blog, ela pretende discutir e expor assuntos sobre o prisma da Odontologia baseada em Eviências. Assim o nome não podia ser melhor: Odontopediatria em Evidência.

Acho que é um bom tempero, não?

Corre lá para ler! Link: www.adrianaliraortega.com

Falando nisso…

Eu e a dona Adriana estaremos juntas mais uma vez para falar sobre Bruxismo, agora em Curitiba na ABOPR no dia 05/03/2016 e as inscrições estão com valores promocionais mas logo vai mudar! Mais informações no site www.diadobruxismo.com

  
Ao pessoal que assistiu a um dos eventos de 2015, corra para fazer download do material online! O prazo vence dia 15/02! 🙂

Teorias sobre Bruxismo secundário a problemas respiratórios

Esta semana li um artigo sobre a teoria da relação causa-efeito entre Bruxismo do Sono e Distúrbios do Sono  relacionados a problemas respiratórios. Trata-se do artigo: “Theories on possible temporal relationships between sleep bruxism and obstructive sleep apnea events. An expert opinion” publicado na revista Sleep Breath e que traz como autores Daniele Manfredini, Luca Guarda-Nardini, Rosario Marchese-Ragona e Frank Lobbezoo. 

Pelo título já percebemos que se trata de uma revisão livre e com opinião de alguns dos maiores pesquisadores na área de Bruxismo (se estivesse na sala de aula já estava fazendo meu tradicional gesto de que é um artigo da base da pirâmide de evidência, rs…).

A discussão sobre este assunto é necessária e interessante do ponto de vista clínico. Os dados clínicos apontam para este tipo de Bruxismo, classificado como secundário, apesar de sabermos que Bruxismo primário pode apresentar aumento no número de eventos por um fator secundário. Entretanto, como os autores citaram, recentemente uma revisão sistemática sugeriu que ainda não é possível afirmar ou negar a relação entre as duas condições.

Para não ficar confuso, vamos usar a tática encontrada pelos autores e dividir a associação em alguns possíveis cenários, de acordo com o caráter temporal. Observem que será um texto mais de caráter reflexivo do que prático!

A chave para entender o pensamentos dos autores parece estar ligada a fisiopatologia do Bruxismo do Sono (BS), sobretudo a cascata de eventos que ocorrem em sequência (microdespertar – taquicardia – contração muscular em músculos mastigatórios).

Para quem não está familiarizado com isso, sugiro a leitura do texto neste link: http://goo.gl/ClBdnR Observem a tabela 3!

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Cenário 1 – os dois eventos não são relacionados.

Neste cenário os autores apontaram que os dados obtidos através do exame de polissonografia (PSG) não mostra uma relação temporal entre os dois eventos, ou seja, os eventos se relacionem com microdespertares diferentes. Entretanto, é um cenário discutível já que não se sabe qual seria o período de tempo exato para se dizer que as duas ocorrências (evento de BS e evento de hipopneia ou apneia) não estão relacionadas. Complicado imaginar e verificar nos exames este cenário.

Cenário 2 – Um evento de hipopneia/apneia precede um evento de BS

Me parece ser o cenário mais comum (pelo menos o que mais observo nas PSG que recebo). Também é o cenário em que conseguimos explicar com mais facilidade. Neste cenário o evento de hipopneia/apneia precede o evento de BS. O que acontece é que a obstrução da passagem do ar parece ser interrompida pela contração da musculatura mastigatória, o que na PSG aparece como um evento de BS após o evento de hipopneia/apneia.

Os autores descrevem estes eventos e sua relação com a contração dos músculos suprahioides (mais uma vez, vejam a tabela 3 do atrigue está neste link:  http://goo.gl/ClBdnR). Esta contração acontece um segundo antes do chamado movimento ritmico da musculatura mastigatória (RMMA) e parece estar envolvida com a restauração da passagem do ar. O BS teria um papel protetor ao organismo neste caso.

Também pensando nisso, deve-se observar que a obstrução a passagem do ar apresenta tipos e locais diferentes. Possivelmente a obstrução deve ser solucionada com o avanço mandibular.

A contração dos músculos mastigatórios pode também ser uma reação não específica à Síndrome da Resistência das Vias Aéreas Superiores (SRVAS) caracterizada  por uma obstrução das vias aéreas superiores (VAS) insuficiente para criar apnéias francas, hipopnéias e dessaturações (queda na oxigenação do sangue), mas suficiente para perturbar a microestrutura do sono e aumentar o esforço respiratório. Neste caso há uma aumento de microdespertares, o que poderia ser a ligação com os eventos de BS.

Cenário 3 – Um evento de BS precede um evento de apneia/hipopneia

Este cenário é raramente descrito na literatura e pode ser explicado uma vez que há a sugestão de que durante o sono REM as mucosas das vias aéreas superiores poderiam secretar muco suficiente para causar uma congestão nasal que por sua vez seria o gatilho para o aparecimento do microdespertar. O natural seria imaginar um quadro como no cenário 2, mas os autores também descrevem algumas teorias que suportam este cenário 3. Primeiro que o BS poderia ocorrer como reflexo trigeminal frente a uma bradicardia. Neste caso, este reflexo cardíaco trigeminal poderia induzir à congestão nasal. Os autores ainda destacam no texto que possivelmente este cenário incomum acontecesse também na fase REM, onde eventos de BS são igualmente menos comuns de ocorrerem.

Cenário 4 – Um evento de apneia/hipopneia ocorre ao mesmo tempo que o evento de BS

Na teoria este cenário pode ser plausível, na prática ainda não foi descrito.

Você pode ter chegado até esta parte do texto questionando-se porque é que eu resolvi escrever sobre este texto tão teórico ainda. Bem, eu acho que devemos abrir nossa mente aos diferentes pacientes com diferentes tipos de bruxismo que recebemos diariamente em nossa clínica. O cenário 2 é mais frequente, mais fácil de ser explicado mas devemos saber que outros cenários podem existir.

Lembro que o artigo refere-se a opinião de autores. Ainda, não reproduzi na íntegra todo o texto e cabe a observação que estudos comprovando cada um dos cenários são citados. Sugiro a leitura integral do texto que está neste link: http://goo.gl/8X0iE9

Conheçam Bruxismo, mas também conheçam outros distúrbios do sono que possam estar relacionados a ele! 🙂

Falando nisso…

Já estão abertas as inscrições para o Dia do Bruxismo em Belo Horizonte e São Paulo! Em breve: Florianópolis, João Pessoa, Curitiba e Uberaba! Conheça o projeto, o programa, as palestrantes e faça sua inscrição pelo site www.diadobruxismo.com Falaremos mais sobre as associações ao Bruxismo por lá! 🙂

Sobre Bruxismo no site do Ministério da Saúde

Hoje saiu um folder sobre bruxismo no blog do Ministério da Saúde! Fiquei bem feliz pois é um tema que precisa ser divulgado.

Usem para divulgar para seus pacientes!

Também abaixo segue o folder sobre Disfunção Temporomandibular.

Para ler mais sobre um dos assuntos no blog do MS, clique no folder!

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Hipervigilância: quando a ansiedade interfere na parafunção

Falta exatamente uma semana para o Dia do Bruxismo comigo e com a super Adriana Lira Ortega! Sábado que vem, neste horário, estaremos reunidos em São Paulo para conversar durante o dia todo sobre isso! E eu estou super ansiosa, já preparando o material que ficará disponível ao pessoal que fizer o curso. E como ansiedade é o que está dominando aqui, resolvi escrever sobre isso!

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Sabemos que os processos afetivos podem interagir com nocicepção e dor, por exemplo, nos mais variados níveis como: geração, modulação e resposta à dor. A ansiedade é um destes aspectos que influenciam o comportamento e a reposta do indivíduo frente a um estímulo. Para entender melhor a relação com dor, eu sugiro a vocês a leitura do capítulo 9 do livro Functional Pain Syndromes: presentation and pathophysiology, publicado pela IASP. Este livro é maravilhoso e tem em formato digital também!

Bem, neste capítulo citado, os autores Bruce Naliboff e Jamie Rhudy discorrem sobre os diversos aspectos pelos quais a ansiedade pode ser estudada: estado ou traço ansioso, neuroticismo, estresse, medo, catastrofização, etc. Um destes aspectos pelo qual a ansiedade pode influenciar o desenvolvimento e persistência dos sintomas somáticos é a hipervigilância.

Hipervigilância é um “hábito perceptual” que envolve uma amplificação subjetiva por uma variedade de sensações aversivas. McDermid et al., 1996 

A hipervigilância tem sido mais estudada com relação ao sintoma dor. Ela leva a alterações no sistema de percepção, sistema autonômico e mesmo em mecanismos cognitivos. Pode representar uma falha do modo padrão de regiões cerebrais para desengatar de um estímulo, o que é compatível com a noção de que o aumento de atenção focada por longos períodos de tempo pode amplificar alguns estados clínicos de dor, por exemplo. Provavelmente predisposição genética e experiência prévia possam ser fatores que aumentam a probabilidade do indivíduo ser hipervigilante.

Mas e a relação com a parafunção?

Bem, há alguns anos estudando a relação entre bruxismo e disfunção temporomandibular (DTM), me deparei com o termo hipervigilância oclusal em um artigo de revisão publicado na revista Journal Oral rehabilitation pela professora Ambra Michelotti e Iódice (leia este artigo aqui) 

Explicando: a reação à uma mudança oclusal é diferente em cada pessoa. Indivíduos que são hipervigilantes à sua oclusão apresentam um aumento na atividade da musculatura mastigatória com qualquer estímulo, seja uma nova restauração, coroas, implantes dentários e até ortodontia, mesmo que estes não estejam provocando interferências. Se esta atividade muscular ultrapassar a tolerância fisiológica, o indivíduo pode apresentar sintomas de DTM.

Há uma ligação estreita entre hipervigilância oclusal e o início ou perpetuação do bruxismo em vigília. Mas leia bem, fatores oclusais não estão relacionados com bruxismo (veja mais sobre isso aqui), o problema não é como é a oclusão e sim o que o indivíduo faz com sua boca, ou seja, o aumento da contração muscular. Sob este prisma, podemos inferir que tratamentos oclusais não controlar e até mesmo podem desencadear o bruxismo em vigília.

Em um dos poucos estudos desenvolvidos na área, a professora Ambra Michelotti e colaboradores realizou uma pesquisa clínica para verificar a hipótese de que as interferências oclusais experimentais teriam efeitos diferentes, dependendo da freqüência pelo qual os indivíduos manifestam a parafunção oral. Os resultados indicaram que as interferências oclusais levaram a redução dos contatos dentários não funcionais, mais proeminente no grupo com baixa freqüência, o que indicou que houve um comportamento de evitar a interferência. Mas no grupo com alta freqüência, os participantes relataram mais desconforto oclusal, cefaleia e dor muscular, o que pode ser consequência deste comportamento de evitar a interferência, levando a manutenção de uma posição mandibular, ou seja, aumentando contração muscular. Os níveis de ansiedade neste grupo foram maiores, o que pode ser associado a hipervigilância, onde os indivíduos são mais cautelosos, atentos e não se distraíram do estímulo provocado pela interferência. Leia todo o trabalho aqui.

No Brasil fico feliz em participar do Grupo de Dor Orofacial da FOB-USP, onde a Naila Machado e o Caio Valle desenvolvem estudos sobre este assunto e em breve trarão mais novidades!

Entender sobre este aspecto é importante, por exemplo, para o prognóstico do pacientes ao auto-controle do bruxismo em vigília. Dependendo do grau de hipervigilância e ansiedade, o paciente pode não responder adequadamente ao tratamento proposto, o que torna necessário a referência a profissionais habilitados no controle da ansiedade, como psicólogos e psiquiatras.

Aproveitem que esta postagem está recheada de links para os artigos completos. Precisamos estudar mais os efeitos da ansiedade na Dor Orofacial, não?

Falando nisso…

Já que citei o Grupo de Dor Orofacial da FOB-USP, devo lembrá-los que todos nós participamos dos cursos de atualização e especialização em DTM e Dor Orofacial capitaneado pelo Prof. Paulo Conti em Bauru. O curso de especialização começa em Outubro de 2014 e o de Atualização em Fevereiro de 2015. Caso se interesse, entre no site www.ieobauru.com.br ou pelo telefone 14 – 32341919 com Vivian. 🙂

A gente sempre conta as novidades lá primeiro! 😉

 

Dia do bruxismo – 13/09/2014

Sabe quando você conhece alguém que você se identifica de imediato? Assim foi quando eu conheci a Profa. Adriana Lira Ortega. Pudera, estudamos a mesma coisa! Fiquei, claro, admirada com seu conhecimento e principalmente, com a boa energia que ela coloca em seus estudos e em seu trabalho.

Depois de pouco tempo já estávamos nos intitulando “colegas de tema”. E o tema é bruxismo!

Como conversamos muito e falamos pouco sobre o tema (#sqn), decidir contar ao mundo o que fazemos não foi uma decisão difícil.

Custou mas conseguimos conciliar as agendas e montar o Dia do Bruxismo!

Este será um evento, das 8 às 18 hs, em São Paulo, na São Leopoldo Mandic.

A quem comparecer prometemos contar tudo, mas tudo mesmo que estamos estudando ao longo destes anos, o que engloba a nova definição e classificação, fisiopatologia, e estado da arte no tratamento do bruxismo em crianças e adultos! E para ficar mais bacana, estou preparando um conteúdo online e exclusivo para quem comparecer, recheado de trabalhos para download.

Para se inscrever, acesse o site: http://www.slmandic.edu.br/curso.php?c=1956

Eu e a Adriana esperamos vocês por lá!

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Atualizando…

Segue o conteúdo que será abordado:

 

 

REGRAS DO DIA – O QUE VAMOS E NÃO VAMOS FALAR
BRUXISMO E ODONTOLOGIA BASEADA EM EVIDÊNCIAS: POR QUE E PRÁ QUE?
O QUE É, COMO CLASSIFICO E COMO É QUE SEI QUE MEU PACIENTE TEM BRUXISMO?
 
FISIOPATOLOGIA PARA ENTENDER O PROCESSO
PARTICULARIDADES DO BRUXISMO INFANTIL
 
O QUE PODE SER UTILIZADO NO TRATAMENTO DO BRUXISMO HOJE
O USO DO DISPOSITIVO INTEROCLUSAL EM CRIANÇAS TRAVA O CRESCIMENTO?
TOXINA BOTULÍNICA: USO OU NÃO USO?
 
CASAMENTO OU DIVÓRCIO: ENTENDA O DILEMA ENTRE BRUXISMO E DTM
TUDO O QUE VOCÊ SEMPRE QUIS SABER SOBRE BRUXISMO E NÃO TINHA A QUEM PERGUNTAR, AGORA TEM, PERGUNTE!!
DESPEDIDA