Ei doutor, silicone ou acrílico?

Por que tantos dentistas ainda prescrevem plaquinhas de silicone aos seus pacientes que apresentam bruxismo do sono?
Esta é a pergunta que martela a minha mente.
Eu não sei ainda a resposta certa.
Esta situação não é exclusividade nacional. Um estudo publicado em 2012 na Suécia perguntou aos dentistas qual tipo de placa os mesmos utilizavam para tratamento de DTM. Menos da metade utilizada placas de acrílico. Qual seria o motivo disso?

 

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Existem alguns fatos e mitos sobre placas que podem nos ajudar a entender

  1. A placa de silicone é mais fácil de confeccionar. FATO. Basta uma plastificadora, uma placa, um modelo e uma tesoura. Pronto! Já o dispositivo interoclusal liso de acrílico rígido (entendedores entenderão) exige enceramento e acrilização, até do registro bem feito, passos que demandam mais tempo e cuidado.
  2. A placa de acrílico é desconfortável.  MITO. Eu tenho a teoria que o protético te ensinou isso quando você ligou ao laboratório e ele te perguntou: de acrílico ou silicone (quando não, dura ou mole… rs). E ele te diz que a de silicone é mais confortável. Ou a vizinha disse isso ao paciente. Mas de fato, é mesmo? Não há um estudo sequer que relate isso. Então, vou usar da minha experiência para dizer a você leitor, NÃO. A placa de acrílico bem confeccionada e ajustada é sim confortável. Alguns pacientes relatam dificuldade inicial de uso, mas isso acontece com qualquer dispositivo e é preciso insistência. Também é possível trocar o arco. Além disso, há estudos que mostram melhora na qualidade do sono com o uso da placa de acrílico como este aqui.
  3. Placa de silicone é miorrelaxante. MITO. Nenhum dispositivo interoclusal é miorrelaxante. Não há estudos com a placa de silicone a longo prazo que indique que ela seria uma exceção. Há um estudo bem antigo do Prof. Okeson, em 1987 que indicou que entre 10 pacientes que iniciaram terapia com placa de silicone, 5 apresentaram aumento em atividade muscular e apenas 1 reduziu, quando a placa de acrílico mostrou redução de atividade em 8 dos 10 pacientes. Mas eu sinceramente acredito que este estudo não mostra o que realmente acontece. Sabemos que qualquer dispositivo (seja com cobertura oclusal, parcial ou nenhuma cobertura) a curto prazo pode reduzir mais frequentemente a atividade muscular (observada por eletromiografia de músculos mastigatórios durante o sono). Mas este efeito acontece a curto prazo (cerca de 1 a 2 semanas) e depois os valores voltam às médias basais. Além disso, não acontece em todos os pacientes. Há aqueles pacientes em que a introdução de um dispositivo, ao contrário do que se pensa, aumenta o número de eventos (veja este estudo aqui).
  4. A placa de silicone protege os dentes. MITO.   Não há nenhum estudo que comprove ou negue isso. Mas darei um depoimento meu como profissional que acompanha estes casos há anos, ou seja, nível de evidência científica ZERO. A placa de silicone não é resiliente. Com o uso ela deforma e se mostra friável. Com a pressão, chega a entrar em atrito com os dentes. Imagine isso em um ambiente de menor salivação. O que acontece com os dentes? Como eu já alertei, sem nenhuma evidência concreta, mas por observações, já vi placa de silicone marcar dentes de pacientes, ser desconfortável ao tocar a gengiva (ok, você pode cortar com uma tesoura…) e até chegarem totalmente rasgadas e furadas.
  5. A placa de silicone é estabilizadora. MITO. Não é possível ajustar a placa de silicone. Muitas vezes os toques são realizados apenas em alguns dentes. Ao contrário, na placa de acrílico, podemos realizar ajustes necessários ao longo do tempo para que possa ser um dispositivo utilizável a longo prazo. Ainda, pode-se acompanhar a atividade dos músculos mastigatórios pelas marcas eventuais que os dentes deixam no acrílico.
Por tudo acima e mais o fato de que não há um estudo sequer que indique esta terapia como superior ou, pelo menos, igual a terapia com placa de acrílico, acho estranha a indicação de uma plaquinha (“inha” mesmo) de silicone para bruxismo do sono a longo prazo.
E você? O que acha? Por que mesmo indica a placa de silicone?
Falando nisso…
Quer ver todas as referências que cito acima  e mais algumas? Venha participar do Dia do Bruxismo!
As inscrições estão abertas para:
– Belo Horizonte – 07/10/2017
– Florianópolis – 11/11/2017
– Aracaju – 02/12/2017
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#ficaadica

Entrevista sobre bruxismo

Há cerca de um mês atrás fui entrevistada pela Carina Dragone do Programa Adapt TV da TV local aqui de Franca sobre bruxismo.

Agradeço a Carina e sua equipe pela possibilidade de divulgar meu trabalho!

Segue o vídeo no Youtube! Nele mostro também um pouquinho do Neuroup (dispositivo que estou testando também para bruxismo na vigília) e sua aplicação na clínica.

O que vc achou? 🙂

Falando nisso…

Atenção!! Garanta sua vaga para o Dia do Bruxismo em Belo Horizonte (07/10) e Florianópolis (11/11). Vamos falar sobre as novidades na área!

Acessem www.diadobruxismo.com para todas as informações!

Siga-me no Instagram (veja os stories!): @dtmdororofacial

Também tenho canal no Youtube! 😉

 

Novidades sobre Bruxismo no IADR

Esta semana aconteceu em São Francisco na Califórnia a edição anual do Congresso Mundial de Pesquisa Odontológica promovido pela IADR (Associação Internacional de Pesquisa Odontológica). Infelizmente não pude comparecer.

Neste evento aconteceu uma reunião fechada entre os experts na pesquisa do Bruxismo. Prof. Daniele Manfredini foi um dos participantes e gentilmente fez um resumo do que aconteceu nesta reunião. Coloco abaixo seu texto:

Dear friends, 
as promised, here I am with a brief summary of the expert consensus meeting on bruxism at the IADR congress. Nice and lovely experience, without any real clashes between any of us…my special thanks to Frank Lobbezoo for the excellent coordination and to Karen Raphael and Peter Wetselaar, who co-chaired with me the working group on the definition of diagnostic cut-offs. The other groups provided summaries on the non-instrumental (ie, questionnaires, interviews, EMA [ecological momentary assessment], clinical assessment) and instrumental (ie, PSG and EMG) approaches to bruxism evaluation. 
At the end of the a very productive day, we all agreed that the new consensus paper should be based on some very clear concepts: 
1. a separate definition for sleep and awake bruxism – different etiology, clinical consequences, and management outcomes; 
2.bruxism is a behavior, which can be a risk factor for some clinical signs/symptoms (e.g., tooth wear, muscle fatigue, pain) or be associated with other conditions (e.g., OSA, other sleep disorders). Bruxism is not a “disorder” per se; 
3. being a risk factor, bruxism cannot be “diagnosed” in terms of yes/no, and the search for an ideal cut-point that discriminates between the presence or absence of clinical consequences might reveal unfruitful; 
4. as such, as far as sleep time is concerned, it is recommendable that masticatory muscle activity is measured in its continuum; 
5. as for awake bruxism, self-report via EMA is a promising strategy to approximate a correlation with patients’ experienced symptoms.  
All these summary points have to be refined after the manuscript will be drafted in full version and submitted for suggestions to the expert who were absent during the meeting.

Daniele Manfredini

Como eu já esperava, mais do que nunca é importante separar o Bruxismo do Sono do Bruxismo em Vigília, inclusive em definição, já que são condições distintas.

Bruxismo é um comportamento. Este fato traz um desafio ao clínico, pois há individualização do diagnóstico. Como comportamento sua ocorrência depende de vários fatores e ainda, pode ser que tragam ou não consequências ao organismo. O bruxismo nem sempre é vilão (leia sobre isso aqui).

Sobre o EMA citado no item 5, trata-se do uso de aplicativos para smartphone para potencializar o diagnóstico e controle do bruxismo em vigília. E isso já fazemos há anos, não é mesmo? O primeiro aplicativo foi o Desencoste seus Dentes e depois surgiu o Bruxapp. No Dia do Bruxismo demonstro sempre como uso este recurso na clínica!

Enfim, pensando em todos os aspectos, concordo com um comentário realizado pelo colega Ricardo Aranha e confirmado pela Profa. Karen Raphael em uma discussão no Facebook: existe muito sobre tratamento em relação ao Bruxismo.

Eu já estou ansiosa para ler as publicações que viram por aí no Journal Oral Rehabilitation. Vamos ficar de olho!!

 

Falando nisso…

A professora Adriana Lira Ortega também estava lá no IADR (#inveja) e mostrou tudo no Instagram do Dia do Bruxismo! Siga lá! @diadobruxismo Antes de ela embarcar ainda estivemos em Maringá na Dental Press, e foi muito bacana!

Agora o próximo DB acontecerá em Passo Fundo (vamos explicar direitinho as novidades sobre Bruxismo)! Clique aqui e saiba todos os detalhes!

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Bruxismo infantil e o problema respiratório

Quem já assistiu o Dia do Bruxismo já sabe: professora Adriana Lira Ortega é a responsável pela parte do Bruxismo Infantil e também por falar sobre o bruxismo secundário (apesar dos meus spoilers, ela é que fala brilhantemente sobre o assunto).

E um dos assuntos que ela aborda e cada dia mais ouço e leio é a relação entre o bruxismo do sono e os problemas respiratórios em crianças. E é bem interessante!

Hoje fiz uma transmissão ao vivo pelo Instagram (me siga lá @dtmdororofacial) e falei sobre um dos últimos artigos publicados sobre o assunto. Trata-se de um estudo observacional que verificou a associação do bruxismo do sono aos problemas respiratórios em crianças de 8 a 11 anos. O trabalho foi desenvolvido no Brasil e mostrou que especialmente rinite e sinusite estavam associados a presença de BS infantil (além de mostrar que a prevalência de BS em crianças era maior quando as mães apresentam maior escolaridade – seria percepção maior da mãe? – e alto nível de estresse).

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Mas vamos falar sobre esta relação entre a passagem do ar e bruxismo durante o sono. Faz sentido. Como já relatei aqui, o bruxismo neste caso é secundário ao evento de obstrução e aparece como um sinal de que algo não está Ok neste sono. Leia o post Bruxismo: vilão ou mocinho?

Interessante também observar um outro fato. Extrapolando os resultados deste trabalho, é possível pensar que a criança que apresente estes distúrbios do sono possa ser uma criança agitada. Não é incomum mães relatarem que suas crianças são hiperativas. Mas elas são mesmo ou apenas dormem mal? Quando seu filho ou filha dormem mal, eles ficam sonolentos no dia seguinte ou extremamente irritados?

Achei um relato de caso publicado este mês exatamente questionando isso! Bem bacana!

Saiba mais sobre hiperatividade e déficit de atenção: clique aqui.

É preciso diagnosticar bem qual tipo de bruxismo a criança apresenta. Quando o bruxismo é secundário, o tratamento deve visar a causa e não o bruxismo em si.

#ficaadica

Falando nisso…

Estaremos em Maringá, Passo Fundo, Bauru, Balneário Camboriú, São Paulo e mais alguns lugares este ano! Acompanhem tudo no site do Dia do Bruxismo, www.diadobruxismo.com, Facebook e Instagram (@diadobruxismo).

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Rapidinhas: consequências orais do uso abusivo de metanfetamina

Artigo gratuito e recente publicado na BMC Oral Health lista as consequências orais do uso abusivo de metanfetamina. Nós sempre falamos no Dia do Bruxismo sobre isso. As consequências mais intensas são xerostomia (ver figura abaixo) e bruxismo intenso. Com isso não é incomum encontrar nestes pacientes cáries, fraturas dentárias, desgaste dentário, etc. Se atribui a isso o efeito simpaticomimético desta droga!

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Deem uma olhada no link: http://bmcoralhealth.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12903-016-0218-8

Dia 13/08 é a vez de Ribeirão Preto e dia 09/09 Joinville de receberem o Dia do Bruxismo! Participem! www.diadobruxismo.com

😉

Bruxapp – novo aplicativo

Dias desses através de um grupo italiano de discussão sobre DTM e bruxismo no LinkedIn, conheci o Bruxapp, novo aplicativo para diagnóstico e controle do bruxismo.

Desde 2012 eu uso (e recomendo) o aplicativo Desencoste seus Dentes, que auxilia no diagnóstico e controle do Bruxismo em Vigília (lembre-se que há vários tipos de Bruxismo, aqui no texto usarei bruxismo do sono (BS) e bruxismo em vigília (BV)). Então fiquei curiosa quando vi este novo aplicativo.

O Bruxapp está disponível para smartphones Android e iOS, nas versões em Inglês, Italiano e Espanhol, e custou 3,99 dólares. Bem, logo de cara a primeira restrição na utilização no consultório: não há ainda versão em Português do Brasil (fui informada que logo chegará).

Ele é um aplicativo é bem completo e achei até um pouco complexo o que pode dificultar o uso por alguns dos pacientes, sobretudo os não familiarizados com tecnologia ou ansiosos.

Desenvolvido sob coordenação do Prof. Daniele Manfredini, o Bruxapp participa de um estudo epidemiológico multicêntrico. Os dados, quando autorizados, são enviados ao seu grupo de pesquisa na Itália.

Mas vamos à descrição: inicialmente o aplicativo apresenta um guia para que você programe todos os alertas que desejar.

Captura de Tela 2016-05-16 às 18.27.02O aplicativo visa ajudar os pacientes a perceberem o bruxismo e evitarem danos aos dentes, músculos e ATM com o lema: mantenha seus dentes desencostados e seus músculos relaxados. Assim como o Desencoste, ele emite uma notificação para isso em seu celular. E promete uma versão para Apple Watch com estímulo tátil (vibração) nos próximos meses.

A cada vez que o alerta soa, o paciente deve responder às 3 perguntas: a primeira sobre como estão posicionados seus dentes (afastados, levemente em contato, apertados ou rangendo). A segunda é sobre a musculatura, se está tensa ou contraída (em uma posição fixa e rígida) e a terceira se o paciente sente dor na face.

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Há dois tipos de uso: básico e avançado. No básico os alertas servem apenas para que o paciente mentalmente guarde como estava no momento (as três respostas) e assim, ao final do dia, ele é solicitado a preencher um relatório sobre as atividades durante o dia (quantas vezes percebeu). No avançado ele permite que o paciente anote no momento, de acordo com o alerta, seu estado.

Os alarmes durante o dia podem ser  ativados por horário de início e fim e ainda intervalos sem ativação podem ser programados. É possível escolher a freqüência de notificações (de 5 a 25 por dia).

Um outro alarme interessante é para BS. Você pode programar uma alarme matinal (5 minutos antes do horário habitual do paciente acordar) e assim ao despertar o paciente pode responder às 3 perguntas! Também tem um alarme para lembrar àquele paciente que usa dispositivo interoclusal para dormir de vesti-lo.

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Mas só um alarme que achei estranho. Há a possibilidade de programar alarmes para o sono, ou seja, o aplicativo acordaria o paciente (1 a 3 vezes durante o sono) para realizar as 3 perguntas. Achei isso interessante mas me preocupa interromper o sono do paciente, especialmente se o mesmo apresentar DTM e insônia por exemplo. Estudos com outros métodos que acordavam o paciente mostram que a sonolência diurna ocorre após algumas noites utilizando.

Mais informações na página do aplicativo no Facebook!

Falando nisso…

Demonstrei o Bruxapp no aplicativo Periscope outro dia e foi bem bacana! Siga-me por lá! www.periscope.tv/dororofacial

Também falo sempre no Dia do Bruxismo! Já estamos com inscrições abertas para Ribeirão Preto (13/08) e Joinville (09/09). Não vá perder!! http://www.diadobruxismo.com

E por falar em redes sociais…

Estamos presentes nas mais diferentes plataformas!

Além do Periscope:

Facebook: www.facebook.com/dororofacial

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Instagram: @dtmdororofacial

🙂

 

 

Rapidinhas: desgaste dentário e SAOS

Tenho dois mantras que recito em toda aula de bruxismo:

1. Bruxismo não é DTM

2. A presença de desgaste dentário não indica que o paciente apresenta bruxismo do sono.

O primeiro mantra é fácil de explicar: simplesmente não são a mesma condição. Ainda, hoje a relação entre bruxismo e DTM é questionada, sobretudo quanto ao tipo de bruxismo e ao tipo de DTM.

O segundo mantra parece irraizado na mente dos cirurgiões dentistas e fazê-los observar além do óbvio é minha missão na aula. Os estudos falham em associar o desgaste dentário ao bruxismo do sono. Para dar um nó na cabeça,  bruxismo do sono primário tem ocorrência flutuante e o desgaste é uma cicatriz, não se sabe, naquele momento, quando aconteceu.

E olhem só que interessante: nas aulas do Dia do Bruxismo, a professora Adriana Lira Ortega comenta sobre a possível associação entre bruxismo do sono com síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS). Como já escrevi aqui no blog, esta associação pode ter várias direções, mas a mais provável seria colocando o bruxismo como mocinho da história, afinal o ato de movimentar a mandíbula pode estar associado a abertura da passagem do ar posterior e ainda salivação. Mas uma teoria pode indicar que isso aumente a ocorrência de desgaste dentário.


Revisando os artigos recentemente publicados sobre bruxismo, encontrei um estudo piloto que teve uma ideia interessante: verificou a associação entre desgaste dentário e SAOS em pacientes diagnosticados com possível bruxismo do sono.

O nome do artigo é  Frequency of Obstructive Sleep Apnea Syndrome in Dental Patients with Tooth Wear e foi publicado em 2015 no Journal of Clinical Sleep Medicine.

Os resultados mostraram que a frequência de SAOS em pacientes com desgaste dentário foi 3 vezes maior do que na população. Ainda, encontraram correlação positiva significativa entre a gravidade do desgaste dentário e a gravidade da SAOS, ou seja, quanto maior o número de eventos de apneia, maior o desgaste dentário encontrado.

Apesar de podermos discutir vários pontos negativos do trabalho como a escolha da amostra, estes resultados mostram algo que sempre pedimos aos colegas clínicos: pensem além do bruxismo! Outros distúrbios do sono podem estar interferindo na qualidade de vida de seu paciente.

Se não estudou ainda sobre SAOS e insônia, etc; corra atrás do prejuízo!

Para ler o artigo na íntegra, clique aqui.

Falando nisso….

O Dia do Bruxismo irá acontecer em Porto Alegre e Cuiabá! Fique de olho para não perder sua vaga!

Vagas limitadas!

Saiba mais em www.diadobruxismo.com


Site do Mês: Odontopediatria em Evidência

Olá! Feliz 2016!

Espero que este ano eu consiga cumprir a promessa de escrever bastante aqui no blog! 🙂

E para esta primeira postagem do ano eu quero apresentar a vocês um novo blog! A minha amiga e parceira no Dia do Bruxismo, Prof.a. Adriana Lira Ortega aderiu ao vício de blogar e começou o seu próprio espaço na internet!

  
Já estava na hora. Para quem não a conhece, a Adriana é odontopediatra e ortodontista e trabalha na área clínica e de pesquisa em DTM, Dor Orofacial e Bruxismo em crianças e adolescentes e pacientes especiais, e é palestrante em vários cursos no Brasil e também no exterior!

É uma área muito bacana e muitas vezes desconhecida dos profissionais.

Em seu blog, ela pretende discutir e expor assuntos sobre o prisma da Odontologia baseada em Eviências. Assim o nome não podia ser melhor: Odontopediatria em Evidência.

Acho que é um bom tempero, não?

Corre lá para ler! Link: www.adrianaliraortega.com

Falando nisso…

Eu e a dona Adriana estaremos juntas mais uma vez para falar sobre Bruxismo, agora em Curitiba na ABOPR no dia 05/03/2016 e as inscrições estão com valores promocionais mas logo vai mudar! Mais informações no site www.diadobruxismo.com

  
Ao pessoal que assistiu a um dos eventos de 2015, corra para fazer download do material online! O prazo vence dia 15/02! 🙂

Teorias sobre Bruxismo secundário a problemas respiratórios

Esta semana li um artigo sobre a teoria da relação causa-efeito entre Bruxismo do Sono e Distúrbios do Sono  relacionados a problemas respiratórios. Trata-se do artigo: “Theories on possible temporal relationships between sleep bruxism and obstructive sleep apnea events. An expert opinion” publicado na revista Sleep Breath e que traz como autores Daniele Manfredini, Luca Guarda-Nardini, Rosario Marchese-Ragona e Frank Lobbezoo. 

Pelo título já percebemos que se trata de uma revisão livre e com opinião de alguns dos maiores pesquisadores na área de Bruxismo (se estivesse na sala de aula já estava fazendo meu tradicional gesto de que é um artigo da base da pirâmide de evidência, rs…).

A discussão sobre este assunto é necessária e interessante do ponto de vista clínico. Os dados clínicos apontam para este tipo de Bruxismo, classificado como secundário, apesar de sabermos que Bruxismo primário pode apresentar aumento no número de eventos por um fator secundário. Entretanto, como os autores citaram, recentemente uma revisão sistemática sugeriu que ainda não é possível afirmar ou negar a relação entre as duas condições.

Para não ficar confuso, vamos usar a tática encontrada pelos autores e dividir a associação em alguns possíveis cenários, de acordo com o caráter temporal. Observem que será um texto mais de caráter reflexivo do que prático!

A chave para entender o pensamentos dos autores parece estar ligada a fisiopatologia do Bruxismo do Sono (BS), sobretudo a cascata de eventos que ocorrem em sequência (microdespertar – taquicardia – contração muscular em músculos mastigatórios).

Para quem não está familiarizado com isso, sugiro a leitura do texto neste link: http://goo.gl/ClBdnR Observem a tabela 3!

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Cenário 1 – os dois eventos não são relacionados.

Neste cenário os autores apontaram que os dados obtidos através do exame de polissonografia (PSG) não mostra uma relação temporal entre os dois eventos, ou seja, os eventos se relacionem com microdespertares diferentes. Entretanto, é um cenário discutível já que não se sabe qual seria o período de tempo exato para se dizer que as duas ocorrências (evento de BS e evento de hipopneia ou apneia) não estão relacionadas. Complicado imaginar e verificar nos exames este cenário.

Cenário 2 – Um evento de hipopneia/apneia precede um evento de BS

Me parece ser o cenário mais comum (pelo menos o que mais observo nas PSG que recebo). Também é o cenário em que conseguimos explicar com mais facilidade. Neste cenário o evento de hipopneia/apneia precede o evento de BS. O que acontece é que a obstrução da passagem do ar parece ser interrompida pela contração da musculatura mastigatória, o que na PSG aparece como um evento de BS após o evento de hipopneia/apneia.

Os autores descrevem estes eventos e sua relação com a contração dos músculos suprahioides (mais uma vez, vejam a tabela 3 do atrigue está neste link:  http://goo.gl/ClBdnR). Esta contração acontece um segundo antes do chamado movimento ritmico da musculatura mastigatória (RMMA) e parece estar envolvida com a restauração da passagem do ar. O BS teria um papel protetor ao organismo neste caso.

Também pensando nisso, deve-se observar que a obstrução a passagem do ar apresenta tipos e locais diferentes. Possivelmente a obstrução deve ser solucionada com o avanço mandibular.

A contração dos músculos mastigatórios pode também ser uma reação não específica à Síndrome da Resistência das Vias Aéreas Superiores (SRVAS) caracterizada  por uma obstrução das vias aéreas superiores (VAS) insuficiente para criar apnéias francas, hipopnéias e dessaturações (queda na oxigenação do sangue), mas suficiente para perturbar a microestrutura do sono e aumentar o esforço respiratório. Neste caso há uma aumento de microdespertares, o que poderia ser a ligação com os eventos de BS.

Cenário 3 – Um evento de BS precede um evento de apneia/hipopneia

Este cenário é raramente descrito na literatura e pode ser explicado uma vez que há a sugestão de que durante o sono REM as mucosas das vias aéreas superiores poderiam secretar muco suficiente para causar uma congestão nasal que por sua vez seria o gatilho para o aparecimento do microdespertar. O natural seria imaginar um quadro como no cenário 2, mas os autores também descrevem algumas teorias que suportam este cenário 3. Primeiro que o BS poderia ocorrer como reflexo trigeminal frente a uma bradicardia. Neste caso, este reflexo cardíaco trigeminal poderia induzir à congestão nasal. Os autores ainda destacam no texto que possivelmente este cenário incomum acontecesse também na fase REM, onde eventos de BS são igualmente menos comuns de ocorrerem.

Cenário 4 – Um evento de apneia/hipopneia ocorre ao mesmo tempo que o evento de BS

Na teoria este cenário pode ser plausível, na prática ainda não foi descrito.

Você pode ter chegado até esta parte do texto questionando-se porque é que eu resolvi escrever sobre este texto tão teórico ainda. Bem, eu acho que devemos abrir nossa mente aos diferentes pacientes com diferentes tipos de bruxismo que recebemos diariamente em nossa clínica. O cenário 2 é mais frequente, mais fácil de ser explicado mas devemos saber que outros cenários podem existir.

Lembro que o artigo refere-se a opinião de autores. Ainda, não reproduzi na íntegra todo o texto e cabe a observação que estudos comprovando cada um dos cenários são citados. Sugiro a leitura integral do texto que está neste link: http://goo.gl/8X0iE9

Conheçam Bruxismo, mas também conheçam outros distúrbios do sono que possam estar relacionados a ele! 🙂

Falando nisso…

Já estão abertas as inscrições para o Dia do Bruxismo em Belo Horizonte e São Paulo! Em breve: Florianópolis, João Pessoa, Curitiba e Uberaba! Conheça o projeto, o programa, as palestrantes e faça sua inscrição pelo site www.diadobruxismo.com Falaremos mais sobre as associações ao Bruxismo por lá! 🙂

Sobre Bruxismo no site do Ministério da Saúde

Hoje saiu um folder sobre bruxismo no blog do Ministério da Saúde! Fiquei bem feliz pois é um tema que precisa ser divulgado.

Usem para divulgar para seus pacientes!

Também abaixo segue o folder sobre Disfunção Temporomandibular.

Para ler mais sobre um dos assuntos no blog do MS, clique no folder!

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