Mindfulness

Eu sempre acompanho os movimentos de terapias para melhorar a qualidade de vida dos pacientes com dor crônica.

No último Congresso Mundial de Dor, promovido pela IASP, vi vários pôsteres que falavam sobre meditação e o quão benéfico é para nossos pacientes.

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Desde então estava com vontade de convidar a fisioterapeuta Michele Peres Ferreira que desenvolve um trabalho muito bacana nesta área no Brasil para escrever aqui sobre o assunto (nada melhor do que uma pessoa com expertise não é?).

Finalmente consegui!! Obrigada Michele por sua disponibilidade!

Mindfulness, viva com atenção plena!

por Michele Peres Ferreira

FOTO Profissional

 

Você já ouviu falar em Mindfulness? 

 

Vamos falar sobre esse tema que está em alta?

 

Segundo Jon Kabat-Zinn, Mindfulness é um estado mental de estar atento à experiência no momento presente, sem julgamento. 

Quando traduzirmos a palavra Mindfulness para o português o resultado é Atenção Plena. Isso significa que um dos principais componentes desse estado mental é a atenção. 

Diferentemente do que muitos acreditam, meditar não significa contorcer o corpo ou esvaziar a mente. A meditação da atenção plena é como um esporte, se trata de um treinamento de concentração da mente. O Mindfulness é um exercício laico, derivado do Budismo, mas não exige qualquer fé religiosa nem é necessário se tornar budista. 

Meditar pode ser difícil, especialmente no início. É como ir à academia. Se você não estiver ofegante nem suando, é provável de que não esteja fazendo direito. Da mesma forma, se começar a meditar e logo se encontrar num êxtase livre de pensamentos, ou você se iluminou de repente ou está morto. A prática fica mais fácil com o tempo, mas mesmo após anos de meditação, você irá se distrair muitas vezes. 

A meditação nos faz entrar em contato com uma realidade pouco explorada, a nossa voz interna, isso significa que nossa mente está o tempo todo discutindo com ela mesma sobre os fatos do passado ou do futuro, fazendo listas, ensaiando discussões, remoendo coisas etc. É como Mark Twain diz: “Algumas das piores coisas da minha vida nunca chegaram acontecer”. Isso significa que pensamos muito o tempo todo, e sentimos a carga emocional dos nossos pensamentos, e na maioria das vezes sofremos mais por eles, do que pela própria realidade. Quando não temos consciência desse falatório interior incessante, ele pode nos controlar e nos enganar. 

O nosso estado mental nada mais é do que a forma como reagimos e nos comportamos nas diversas situações apresentadas em nossa vida. O interessante é que 70% do nosso estado mental pode ser treinado, sendo apenas 30% dele genético. Isso significa que podemos exercitar e treinar o nosso cérebro a estar mindful, ou seja, estar atento e consciente para o momento presente. O processo de treinamento do nosso cérebro ocorre através da meditação que explora o controle atencional, o autoconhecimento e a auto-regulação emocional.

Quantas vezes você realizou uma tarefa de forma tão automática que nem se deu conta de qual foi o processo para concluí-la? Um exemplo muito comum disso são pessoas que estão acostumadas a fazer sempre o mesmo caminho para voltarem para casa, e que ao chegarem percebem que nem se deram conta do caminho percorrido. Isso significa que você está inconsciente da tarefa que está realizando naquele momento, ou seja, sua mente não está no momento presente, a sua atenção está voltada para os pensamentos: “Preciso comprar leite… Ainda não paguei a conta de luz… Se eu não terminar o relatório até amanhã meu chefe me mata!”; e assim você chega na sua casa sem saber exatamente como.

Nossos pensamentos, em sua grande maioria, costumam ser negativos ou irreais, frutos da nossa imaginação, de coisas que já aconteceram, vão acontecer ou talvez nem aconteçam. Enquanto focamos a atenção para esses pensamentos gastamos energia e tempo com coisas improdutivas. É comum vivermos no passado ou no futuro, esquecendo do momento presente, ocasionando um aumento dos níveis de ansiedade e estresse.

Hoje estamos vivendo em uma era da multitarefa, temos dificuldade de ficar ociosos, qualquer folguinha, nem que seja um minuto, recorremos ao celular, para checar os e-mails, dar uma espiada nas redes sociais e com isso nossa mente entra em um processo de exaustão. Pessoas estão dormindo e acordando cansadas, o cérebro deixa de recuperar a energia pois está sempre em atividade.

O cérebro é um órgão plástico, flexível e treinável, o que torna possível exercitá-lo para modificar o estado mental e aumentar o nível de concentração. (Veja no link:A. Brefczynski-Lewis*, A. Lutz*, H. S. Schaefer, D. B. Levinson*, and R. J. Davidson* Neural correlates of attentional expertise in long-term meditation practitioners. Proc Natl Acad Sci U S A. 2007 Jul 3;104(27):11483-8. Epub 2007 Jun 27.)

O treinamento e aprendizado geralmente se dá através de técnicas de autorregulação da atenção com prática da meditação e de outros exercícios afins, permitindo uma maior tomada de consciência de seus processos mentais e de suas ações. As práticas e exercícios de meditação ajudam a alcançarmos essa alteração a nível central. 

Ao contrário do que muitos pensam não é porque você começou a meditar que irá virar uma pessoa super calma e sem problemas, mas então qual seria o benefício de se tornar uma pessoa consciente, atenta, mindful? Através do treinamento de mindfulness temos como objetivo perceber pensamentos, sensações corporais e emoções no momento que ocorrem, sem reagir de maneira automática e habitual. Com isso, aprendemos a fazer escolhas mais conscientes e funcionais, influenciando positivamente na maneira como lidamos com os desafios cotidianos e em relações interpessoais. Através de Mindfulness, aprendemos a regular as emoções desafiadoras e reduzir aquele discurso interno mental que aparece nas circunstâncias difíceis.

Profissionais da área da saúde estão estudando cada vez mais o Mindfulness e seus benefícios para redução do estresse, ansiedade, aumento da concentração e manejo da dor. 

 

Vamos falar sobre a utilidade dessa ferramenta na dor ?

 

Bom, a dor crônica é freqüentemente definida como uma dor que dura mais que 3 meses ou após o tempo normal de cicatrização tecidual e que pode levar a consequências médicas, sociais e econômicas significativas, problemas de relacionamento, perda de produtividade e altos custos com cuidados de saúde. 

A alta prevalência e natureza refratária da dor crônica, em conjunção com as consequências negativas da medicação, levou ao aumento do interesse em planos de tratamentos que incluem terapia adjuvante ou alternativas à medicação. 

Uma dessas modalidades que os pacientes com dor estão usando é essa meditação que comentamos Mindfulness. Esse treinamento trabalha reorientando a mente para o presente momento e aumentando a consciência do ambiente externo e das sensações internas, permitindo o indivíduo a reformular as experiências. 

Ao incluir o Mindfulness nos tratamentos os pacientes são encorajados a mudar a maneira como eles se relacionam com a dor, suspendendo o julgamento de  pensamentos que acompanham a percepção da dor. Isso desacopla teoricamente a dimensão sensorial da dor da reação de alarme afetivo resultando em uma atenuação da experiência de sofrimento através da reavaliação cognitiva. ( Yi‑Yuan Tang*, Britta K. Hölzel* and Michael I. Posner. The neuroscience of mindfulness meditation. NATURE REVIEWS | NEUROSCIENCE. 16 (2015)  213-225.)

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Os programas de Mindfulness foram empregados por quase 40 anos para o tratamento de várias condições de dor crônica, incluindo lombalgia, enxaqueca, dores de cabeça e dor musculoesquelética. Muitas vezes, não é possível eliminar a dor, mas o paciente aprende habilidades para viver uma vida produtiva na presença de desconforto ou incapacidade. 

Estudos recentes utilizaram neuroimagem para elucidar mecanismos neurofisiológicos e os efeitos subjacentes da atenção plena no cérebro. Uma recente revisão sistemática observou que a regulação da dor pelas técnicas de meditação podem alterar o funcionamento das regiões do cérebro em uma extensa rede, incluindo regiões não nociceptivas. Mas principalmente reduziu a experiência afetiva da dor, enquanto as reduções de intensidade da dor foram menos consistentes. Alterações cerebrais foram demonstradas como resultado da aplicação de medidas psicológicas e pode representar as implicações clínicas de alterações na atividade cerebral ou morfologia.

Em estudos de mindfulness em pacientes com dor tem se mostrado promissores, em relação a sintomas de desconforto relacionado a dor, perturbação do humor, ansiedade, e depressão, bem como a utilização de drogas relacionadas ao controle da dor. Apesar dos resultados positivos, recentes revisões sistemáticas sugerem a realização de estudos de alta qualidade para a recomendação do uso da meditação mindfulness para sintomas de dor crônica. 

Portanto, parece que estamos no caminho certo, mas ainda há necessidade de muitos estudos qualificados para se “bater o martelo”, e dessa forma vamos modificando nossas abordagens terapêuticas para uma abordagem mais humanizada, valorizando o ser em todos os seus aspectos e não somente os biológicos. 

Referências:

Kabat-Zinn J, Lipworth L, Burney R. The clinical use of mindfulness meditation for the self-regulation of chronic pain. J Behav Med. 1985 Jun;8(2):163-90.

Sun TF1, Kuo CC, Chiu NM. Mindfulness meditation in the control of severe headache. Chang Gung Med J. 2002 Aug;25(8):538-41.

Cherkin DC, Anderson ML, Sherman KJ, Balderson BH, Cook AJ, Hansen KE, Turner JA. Two-Year Follow-up of a Randomized Clinical Trial of Mindfulness-Based Stress Reduction vs Cognitive Behavioral Therapy or Usual Care for Chronic Low Back Pain. JAMA. 2017 Feb 14;317(6):642-644. doi: 10.1001/jama.2016.17814.

Ref: Hilton L, Hempel S, Ewing BA, Apaydin E, Xenakis L, Newberry S, Colaiaco B, Maher AR, Shanman RM, Sorbero ME, Maglione MA.Mindfulness Meditation for Chronic Pain: Systematic Review and Meta-analysis. Ann Behav Med. 2017 Apr;51(2):199-213. doi: 10.1007/s12160-016-9844-2.

Ref: Simone S. Nascimento, Larissa R. Oliveira, Josimari M. DeSantana, Correlations between brain changes and pain management after cognitive and meditative therapies: A systematic review of neuroimaging studies. Complementary Therapies in Medicine 39 (2018) 137–145.

A Michele também enviou para nós um vídeo super bacana sobre aceitação e dor. Vale a pena assistir!

Obrigada Michele!!!

Para quem quiser ler a dissertação de mestrado da Michele sobre avaliação funcional da coluna cervical em pacientes com DTM, clique aqui.

E se tiver dúvidas, comentários, etc, clique aqui para enviar um email a Michele! 🙂

 

 

Podcast -Como ter informações de qualidade – Parte1 – Revistas Científicas

Depois de um longo e tenebroso inverno , estou de volta ao podcast!
E neste episódio vou responder aos colegas que me questionaram no Instagram sobre como me mantinha atualizada em artigos científicos. Pois é, eu fiz alguns vídeos por lá, mostrando a minha rotina, e muitos se interessaram pelos métodos que uso. Assim, resolvi fazer um episódio com algumas dicas para vocês.
Olha, eu não faço milagres! meu dia também tem 24 horas e divido meu tempo entre vida profissional, pessoal, social e dormir (eu preciso de 7 horas de sono gente). Quem acompanha minha rotina sabe que trabalho em 2 consultórios, um em Franca e outro em Ribeirão Preto, ministro aulas em Bauru, reviso artigos para revistas científicas, às vezes escrevo no blog e alguns outros artigos científicos viajo muito para pregar a palavra, ou melhor, para ministrar aulas sobre dor orofacial e bruxismo.
Ufa! E sobra tempo? Sempre sobra. Mas eu precisei buscar algumas ferramentas para me ajudar a ficar sempre atualizada e, principalmente, fazer meu cérebro funcionar para aprimorar o atendimento dos meus pacientes.
Mas antes de começar é preciso falar sobre algumas coisas. Eu acho que precisamos sempre trabalhar dentro da melhor evidência possível e fazer uma ponte entre o que o conhecimento científico revela e como aplicar isso no consultório. Adoro andar nesta ponte. Para isso é preciso entender como ler um artigo científico. É claro que o mestrado e depois o doutorado me ajudaram muito nisso. Entender um pouquinho de metodologia científica ajuda muito. Mas se você não teve esta possibilidade, não quer dizer que não possa ir atrás! Eu mesma comprei um livro tempos atrás para entender melhor. O nome do livro era inclusive: Como ler um artigo científico.
Aqui vai o link para versão: https://amzn.to/2MK8UCO ou na versão para Kindle: https://amzn.to/2MHH4qI
E por que precisamos disso gente? Olha, o papel aceita tudo. Já li muito artigos ruins publicados por ai… É preciso separar o joio do trigo. E o que faz com que muitas vezes eu critique o trabalho é seu delineamento, os métodos que muitas vezes estão ali cheios de vieses. Se o delineamento do estudo é inaceitável, o trabalho é inaceitável. Se o delineamento está correto, então você deve verificar se os dados foram coletados com metodologia adequada e se a análise está certa. Se isso acontecer, verifique se a interpretação dos dados e e a discussão fizeram jus ao trabalho. E só então se as conclusões são aceitáveis. Parece simples mas eu sei que não é. Mas depois de muito treino, você acaba pescando algumas coisas até no resumo.
Mas tudo bem, você não teve uma preparação sobre isso e nem quer correr atrás disso agora. Então, eu acho que um método interessante seria buscar ler trabalhos publicados em revistas com fator de impacto alto. Talvez até lendo revisões sobre determinado assunto.
E o que é Fator de Impacto?
É  um método bibliométrico que avalia a importância de periódicos científicos em suas respectivas áreas. E esta medida utilizada hoje pelas bases de dados é geralmente pelo número de citações que os artigos que foram publicados na revista tem. Por exemplo: eu publico um artigo numa revista X, depois vários pesquisadores em revistas e artigos diferentes usam o meu trabalho como referência, ou seja, meu trabalho teve um impacto no meio acadêmico. Este fator de impacto é calculado anualmente, e o mais famoso mundialmente é aquele das revistas indexadas ao “Instituto de Informação Científica” e, depois, publicado no “Relatório de Citações de Periódico” cuja sigla em inglês é JCR que é da empresa Thomson Reuters.
Revistas que cumprem estes requisitos são alvo dos pesquisadores: todo mundo que publicar seu trabalho lá e quem sabe ser notícia no Jornal Nacional, não é? Veja que William Bonner sempre ao citar algum trabalho que tem impacto na humanidade cita alguma destas revistas: Science, Nature, Lancet… Estas são as revistas com maior impacto! E dentre os assuntos na área da saúde cujo artigos apresentam mais impacto, está a oncologia. As revistas dedicadas ao câncer são as que apresentam o maior impacto.
No Brasil, a CAPES desenvolveu um critério próprio para classificar os periódicos, o QUALIS, que surgiu entre 1996 e 1997. Este oferece uma classificação das revistas que retratam o produto intelectual dos programas de pós graduação no Brasil. O método utilizado para a classificação do QUALIS não é o mesmo do fator de impacto, apesar que revistas de excelência são geralmente aquelas com mais alto fator de impacto. Mas às vezes, na ânsia de auxiliar uma revista brasileira, uma revista com fator de impacto baixo internacionalmente pode apresentar um Qualis alto porque está segmentado por área.
Eu particularmente prefiro procurar as novidades nas revistas que possuem bom fator de impacto internacional, mesmo sabendo que o método não é tão preciso assim para indicar qualidade, uma vez que nem sempre leva em conta fatores importantes como pontualidade, revisão por pares, etc. O que significa isso: não é só o número de citações deveria ser considerado para uma  revista ter impacto, mas ela deve ser pontual, deve ter rapidez ao analisar e revisar um trabalho e ainda, esta revisão deve ser realizada em pares ou até num número maior de revisores que buscam analisar o rigor científico de cada trabalho, ou seja, já fazem o trabalho por você.
Bem, e na Odontologia. A odontologia é uma área específica da saúde e assim, as revistas específicas a ela não apresentam fatores de impacto tão expressivos quanto às da saúde ou medicina de forma geral.
Por exemplo, a revista New England Journal of Medicine tem fator de impacto 70.670 e a Lancet, também bem conhecida, 59.102. Eu dei uma olhada nas revistas de Odontologia e é o Periodontology 2000 com o maior fator de impacto que é 7.861, depois Journal of Dental Research que aparece com  5,125. Dentre as top 5, duas de periodontia e 1 de implantodontia. A revista de prótese mais bem colocada é a JPD, Journal of Prosthestic Dentistry, em 13 lugar (onde eu publiquei meu artigo do doutorado por sinal) com 2.787.  Veja só, a minha queridinha, uma das que mais visito está 22 posição, a Journal of Oral Rehabilitation com 2,341. A diferença entre as revistas depois do 10 lugar é pequena. Para vocês terem uma ideia, a revista de ortodontia mais bem posicionada está em 32o. lugar, ou seja, talvez quanto mais específica a área, a tendência é reduzir o fator. Então não dá para comparar a Lancet com as de odontologia. e nem uma que publica somente sobre ortodontia com uma que publica pesquisa sobre toda a área de odontologia.
Todas as revistas com fator de impacto alto estão publicadas na lingua inglesa. Ou seja, se você não sabe ingles, a chance de ficar desatualizado ou de depender de outras pessoas para adquirir o conhecimento é alta.
Das brasileiras, entram no ranking a Brazilian Oral Research que é da SBPqO e está na 39 posição e tem fator de impacto 1,773 e a JAOS, Journal Applied of Oral Sciences na 50, aqui da Faculdade de Odontologia de Bauru-USP, que tem fator de impacto 1.506.
Muitas revistas não tem sequer fator de impacto internacional. Para ver então o impacto delas você pode verificar no QUALIS, elas estarão nas categorias B, C e D.
E então o que eu faço?
Eu entro nas revistas com maior impacto na minha área, de dor orofacial, e cadastro meu email na newsletter deles. Com isso, assim que os artigos que foram aceitos nestas revistas são publicados no site, eu recebo um email com o título deles, e abro aqueles que me interessam. Baixo aqueles em que no resumo achei algo que quero ler mais! Hoje mesmo pela manhã recebi um email do Journal of Oral Rehabilitation, que é uma revista importante, tanto para DTM quanto para bruxismo, com os artigos aceitos da semana e lá estava um do nosso grupo aqui, o Bauru Orofacial Pain Group. Inclusive é um artigo do mesmo tema que o professor Yuri Costa ganhou o prêmio no IADR este ano.
Isso me ajuda também a ter ideias de pesquisa, ler revisões sobre os mais variados assuntos, e sempre contar para vocês uma novidade!
Para quem está curioso em saber quais são as revistas com maior impacto na dor orofacial, ou seja, as que eu consulto, vou agora colocar aqui abaixo a minha listinha, mas você pode criar a sua, baseado no que está afim de estudar.
Segue a lista (organizada por fator de impacto e abrangendo dor orofacial, DTM, cefaleia, sono e bruxismo):
  1. Journal of Pain – https://www.jpain.org
  2. Journal of Dental Research – https://journals.sagepub.com/home/jdr
  3. Current Pain and Headache Reports: https://link.springer.com/journal/11916
  4. Journal of Oral Rehabilitation – https://onlinelibrary.wiley.com/journal/13652842
  5. Brazilian Oral Research – http://www.scielo.br/bor
  6. Oral Surgery Oral Medicine Oral Pathology Oral Radiology – https://www.oooojournal.net
Pessoal, fazendo a lista vi que deixei um monte de revistas que chegam no meu email de fora (especialmente as de odontologia em geral,  neurociências e sono), mas acho que a lista já está bem extensa.  E das revistas de maior impacto nem sempre tem artigos que me interessam, mas aí é só passar os olhos e deletar o email. O fato é que quando tiver (como o de neurofisiologia da migrânea publicado na Lancet Neurology), serão ótimos, com certeza.
Para assinar com seu email o boletim de notícias destas revistas tem que procurar no site delas. Vou fazer um vídeo pois algumas editoras deixam isso no site da editora mesmo (você marca numa caixa de seleção os que você quer). Procurem!
Abraços a todos.
Para ouvir o podcast você pode procurar no seu tocador preferido ou nos links abaixo:

Bibliometria em 2018

Olá pessoal!

Espero que as festas de final do ano tenham sido ótimas! Por aqui ainda estou no recesso. Volto para valer ao trabalho somente daqui uns dias. Mas para ir esquentando os motores e para fazer algo diferente este ano do que a retrospectiva dos posts mais visualizados (já que não produzi muitos em 2018), vou usar bibliometria.

Já ouviu falar sobre isso? Bibliometria é a estatística da informação científica. Basicamente dos artigos publicados.

Do wikipedia:

Dentre as diversas possibilidades de aplicação do uso da bibliometria, podem-se destacar as seguintes:

  • Identificar tendências e crescimento do conhecimento em uma determinada disciplina.
  • Estudar dispersão e obsolescências dos campos científicos.
  • Medir o impacto das publicações e dos serviços de disseminação da informação.
  • Estimar a cobertura das revistas científicas.
  • Identificar autores e instituições mais produtivos.
  • Identificar as revistas do núcleo de cada disciplina.
  • Estudar relações entre a ciência e a tecnologia[2].
  • Investigar relações entre disciplinas e áreas do conhecimento.
  • Monitorar o desenvolvimento de tecnologias.
  • Adaptar políticas de aquisição e descarte de publicações etc

Usei bastante  ferramentas de bibliometria no final de 2018, sobretudo a do site Web of Science e adorei a possibilidade de descobrir mais sobre as publicações realizadas no mundo todo. O Web of Science é uma base de dados que disponibiliza acesso a mais de 9.200 títulos de periódicos.

Daí, para fazer uma retrospectiva do ano de 2018, vou colocar abaixo algumas métricas!

Começando com Bruxismo. Em 2018, 166 artigos foram publicados com este tópico. Destes, 119 foram artigos completos e 20 revisões da literatura. 24 artigos foram produzidos no Brasil. E se você não sabe inglês, é difícil se manter atualizado… 162 artigos foram publicados neste idioma!

 

A ferramenta talvez mais conhecida deste site é a possibilidade de verificar quantas vezes o artigo foi citado por outras publicações. E o paper mais citado neste assunto foi, claro, a atualização do consenso internacional, que já citei aqui no blog. Mas ainda, como foram publicados em 2018, os artigos tem baixo índice de citação. Assim, resolvi separar os artigos com o número maior de uso nos últimos 180 dias, é o que chama de contagem de uso.

Do site Web of Science:

O Contagem de uso é uma medida do nível de interesse em um item específico da plataforma Web of Science. O total reflete o número de vezes que um artigo atendeu as necessidades de informação do usuário, conforme demonstrado pelos links clicados em toda a extensão do artigo no website do editor (através de link direto ou Open-Url) ou por ter salvo o artigo para uso em uma ferramenta de gerenciamento bibliográfico (através de exportação direta ou em um formato a ser importado posteriormente). O Contagem de uso é um registro de todas as atividades realizadas por todos os usuários do Web of Science, não apenas as atividades realizadas pelos usuários da sua instituição. O Contagem de uso para diferentes versões do mesmo item na plataforma Web of Science é unificado. Os Totais de uso são atualizados diariamente.

Agora que já expliquei direitinho, veja então os 5 artigos que foram mais utilizados que citam bruxismo no título (com link para resumo ou artigo completo):

  1. INTERNATIONAL DENTAL JOURNAL   Volume: 68   Edição: 2   Páginas: 97-104  Publicado: APR 2018 Link para artigo: clique aqui.
  2. JOURNAL OF ORAL REHABILITATION   Volume: 45   Edição: 6   Páginas: 423-429  Publicado: JUN 2018 Link para artigo: clique aqui.
  3. JOURNAL OF ORAL REHABILITATION   Volume: 45   Edição: 2   Páginas: 104-109  Publicado: FEB 2018 Link para artigo: clique aqui.
  4. ORAL AND MAXILLOFACIAL SURGERY CLINICS OF NORTH AMERICA   Volume: 30   Edição: 3   Páginas: 369-+   Publicado: AUG 2018 Link para o artigo: clique aqui.
  5. GASTROENTEROLOGY RESEARCH AND PRACTICE     Número do artigo: 7274318  Publicado: 2018 Link para o artigo: clique aqui (gratuito)

Só achei que o total de uso é bem baixo quando comparado a outros temas. Ainda, se destacou a revista Journal of Oral Rehabilitation. De fato, para quem quer ler mais sobre bruxismo, é a revista!

E agora sobre Disfunção Temporomandibular!

Foram 547 textos publicados! Destes, 441 foram artigos completos e 83 revisões. 122 dos Estados Unidos e 87 do Brasil! Realmente a produção brasileira aumentou na área da dor orofacial (o que é muito bacana) porém, ainda com pouca relevância em termos de citações. Muitos artigos são publicados em revistas de baixo impacto, infelizmente.

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O artigo mais citado que traz DTM no título foi sobre o sistema de classificação DC-TMD: “Reliability and Validity of the Diagnostic Criteria for Temporomandibular Disorders Axis I in Clinical and Research Settings: A Critical Appraisal“.

O total de uso já é maior do que em bruxismo. E os top 5 artigos inéditos (exclui os editoriais) com DTM no título foram:

  1. JOURNAL OF ORAL & FACIAL PAIN AND HEADACHE   Volume: 32   Edição: 1  Páginas: 53-66   Publicado: WIN 2018 Link para artigo: clique aqui.
  2. JOURNAL OF ORAL & FACIAL PAIN AND HEADACHE   Volume: 32   Edição: 1  Páginas: 7-18   Publicado: WIN 2018 Link para artigo: clique aqui
  3. Acesso antecipado: MAR 2018 Link para artigo: clique aqui.
  4. INTERNATIONAL JOURNAL OF DENTAL HYGIENE   Volume: 16   Edição: 1   Páginas: 165-170   Publicado: FEB 2018 Link para artigo gratuito: clique aqui.
  5. JOURNAL OF ORAL REHABILITATION   Volume: 45   Edição: 5   Páginas: 414-422  Publicado: MAY 2018 Link para o artigo: clique aqui.

E olhem só, dentre os artigos que selecionei, somente um é do Brasil e exatamente um que participei a convite do pessoal do COBE-UFSC! 🙂 Para quem se interessar em fazer um curso de Revisão Sistemática, eles estão com as inscrições abertas!

Se considerarmos os editoriais, a revista que nada de braçada nas publicações em DTM é The Journal of Oral & Facial Pain Headache (a antiga Journal Orofacial Pain).

É isso… Para quem quiser acompanhar minhas leituras, seleções de artigos, sites, podcasts, etc etc etc, basta seguir o Instagram @dtmdororofacial ou participar da lista de transmissão do WhatsApp. Mande uma mensagem para +55 16 99132 3541 (grave o número em seus contatos para receber as mensagens!) ou do seu celular, clique no link: bit.ly/julianadentista

Falando nisso….

Restam poucas vagas para o curso de Atualização em DTM e Dor Orofacial do Bauru Orofacial Pain Group, coordenado pelo Professor Paulo Conti no IEO-Bauru!

O curso é válido para quem quer atender pacientes em DTM e Dor Orofacial em seu consultório bem como para especialistas que gostariam de atualização e conhecer outros assuntos.

Para saber mais sobre o curso, você pode enviar uma mensagem para +55 14 996544386 ou clicar em bit.ly/cursoDTM no seu celular. Ainda no site www.ieobauru.com.br você pode ler mais sobre o curso.

E aguardem que teremos muitas novidades em cursos este ano!

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Novidade: podcast

Enfim chegou o dia de eu anunciar que finalmente consegui gravar um podcast para o blog!!

Faz muitos anos que sou ouvinte assídua de podcasts e até já escrevi sobre isso aqui.

Agora, com a facilidade dos novos aplicativos, consegui entrar para este mundo! Espero manter a frequência (quero que seja quinzenal).

Neste primeiro episódio falo sobre Bruxismo e o consenso de 2018.
Dá o play aí!!
Links:
Para saber mais sobre Bruxismo, venha estudar conosco no Dia do Bruxismo!
Próxima data: 08/12 em Campinas. Para se inscrever, clique aqui.

DTM e Bruxismo: mais um olhar na relação

🔴 Mais um artigo sobre a relação entre Bruxismo e DTM saiu! 

👉🏻Muzalev, van-Selms e Lobbezoo em artigo recentemente publicado.

🧐 Investigaram se existe uma relação dose-dependente entre a intensidade de dor relacionada a DTMs 🏧e a frequência do auto relato de bruxismo 😬 (do sono e da vigília) em um grupo de pacientes com DTM dolorosa. 

✔️Para isso selecionaram 768 pacientes onde, 293 que foram diagnosticados com pelo menos um tipo de DTM dolorosa. 

🤔Os resultados apontaram que  testes de correlação de Spearman não forneceram correlação significativa entre a frequência de bruxismo do sono e a intensidade de dor. 😱Por outro lado, o auto relato de bruxismo da vigília correlacionou-se positivamente 👍🏻com a intensidade da dor na DTM; no entanto, ❌ esta última correlação foi perdida quando o modelo foi controlado para os efeitos da depressão.🤯

👉🏻Assim, os autores concluíram que a suposição de que existe uma associação dose-dependente entre o bruxismo e a dor da DTM, onde quanto mais bruxismo, mais sobrecarga e, portanto,  mais dor, não poderia ser justificada. 👊🏻

🔺Parece que o caminho para entender a presença de uma DTM dolorosa vai mesmo além da hiperatividade muscular! 

💡Observem outros fatores sempre!

#ficaadica

🔺Quer saber mais sobre Bruxismo😬? 

👉🏻Estaremos em Campinas no dia 08/12 com o curso Dia do Bruxismo! 🍾🍾🍾

Inscrições e informações: www.diadobruxismo.com

🔺Quer estudar mais DTM, 🏧,Bruxismo e como estão relacionados? 

👉🏻Venha participar do curso de Atualização ou Especialização do Bauru Orofacial Pain Group, coordenado pelo professor Paulo Conti! Ministro a aula completa por lá! 😊 Link bit.ly/cursoDTM para mais informações! 

Referência: 

Muzalev K, van Selms MK, Lobbezoo F.J 

No Dose-Response Association Between Self-Reported Bruxism and Pain-Related Temporomandibular Disorders: A Retrospective Study. Oral Facial Pain Headache. 2018 Fall;32(4):375-380. 

Ah! Lembrando que a relação entre bruxismo e DTM é tema da palestra que irei ministrar no IV Congresso Brasileiro de Dor Orofacial em abril no ano que vem!!

Sim! Vou falar! \o/

Se você for participar, aproveite o desconto até 15/12/2018! Informações no site: www.sbdof2019.com.br

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Ei doutor, silicone ou acrílico?

Por que tantos dentistas ainda prescrevem plaquinhas de silicone aos seus pacientes que apresentam bruxismo do sono?
Esta é a pergunta que martela a minha mente.
Eu não sei ainda a resposta certa.
Esta situação não é exclusividade nacional. Um estudo publicado em 2012 na Suécia perguntou aos dentistas qual tipo de placa os mesmos utilizavam para tratamento de DTM. Menos da metade utilizada placas de acrílico. Qual seria o motivo disso?

 

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Existem alguns fatos e mitos sobre placas que podem nos ajudar a entender

  1. A placa de silicone é mais fácil de confeccionar. FATO. Basta uma plastificadora, uma placa, um modelo e uma tesoura. Pronto! Já o dispositivo interoclusal liso de acrílico rígido (entendedores entenderão) exige enceramento e acrilização, até do registro bem feito, passos que demandam mais tempo e cuidado.
  2. A placa de acrílico é desconfortável.  MITO. Eu tenho a teoria que o protético te ensinou isso quando você ligou ao laboratório e ele te perguntou: de acrílico ou silicone (quando não, dura ou mole… rs). E ele te diz que a de silicone é mais confortável. Ou a vizinha disse isso ao paciente. Mas de fato, é mesmo? Não há um estudo sequer que relate isso. Então, vou usar da minha experiência para dizer a você leitor, NÃO. A placa de acrílico bem confeccionada e ajustada é sim confortável. Alguns pacientes relatam dificuldade inicial de uso, mas isso acontece com qualquer dispositivo e é preciso insistência. Também é possível trocar o arco. Além disso, há estudos que mostram melhora na qualidade do sono com o uso da placa de acrílico como este aqui.
  3. Placa de silicone é miorrelaxante. MITO. Nenhum dispositivo interoclusal é miorrelaxante. Não há estudos com a placa de silicone a longo prazo que indique que ela seria uma exceção. Há um estudo bem antigo do Prof. Okeson, em 1987 que indicou que entre 10 pacientes que iniciaram terapia com placa de silicone, 5 apresentaram aumento em atividade muscular e apenas 1 reduziu, quando a placa de acrílico mostrou redução de atividade em 8 dos 10 pacientes. Mas eu sinceramente acredito que este estudo não mostra o que realmente acontece. Sabemos que qualquer dispositivo (seja com cobertura oclusal, parcial ou nenhuma cobertura) a curto prazo pode reduzir mais frequentemente a atividade muscular (observada por eletromiografia de músculos mastigatórios durante o sono). Mas este efeito acontece a curto prazo (cerca de 1 a 2 semanas) e depois os valores voltam às médias basais. Além disso, não acontece em todos os pacientes. Há aqueles pacientes em que a introdução de um dispositivo, ao contrário do que se pensa, aumenta o número de eventos (veja este estudo aqui).
  4. A placa de silicone protege os dentes. MITO.   Não há nenhum estudo que comprove ou negue isso. Mas darei um depoimento meu como profissional que acompanha estes casos há anos, ou seja, nível de evidência científica ZERO. A placa de silicone não é resiliente. Com o uso ela deforma e se mostra friável. Com a pressão, chega a entrar em atrito com os dentes. Imagine isso em um ambiente de menor salivação. O que acontece com os dentes? Como eu já alertei, sem nenhuma evidência concreta, mas por observações, já vi placa de silicone marcar dentes de pacientes, ser desconfortável ao tocar a gengiva (ok, você pode cortar com uma tesoura…) e até chegarem totalmente rasgadas e furadas.
  5. A placa de silicone é estabilizadora. MITO. Não é possível ajustar a placa de silicone. Muitas vezes os toques são realizados apenas em alguns dentes. Ao contrário, na placa de acrílico, podemos realizar ajustes necessários ao longo do tempo para que possa ser um dispositivo utilizável a longo prazo. Ainda, pode-se acompanhar a atividade dos músculos mastigatórios pelas marcas eventuais que os dentes deixam no acrílico.
Por tudo acima e mais o fato de que não há um estudo sequer que indique esta terapia como superior ou, pelo menos, igual a terapia com placa de acrílico, acho estranha a indicação de uma plaquinha (“inha” mesmo) de silicone para bruxismo do sono a longo prazo.
E você? O que acha? Por que mesmo indica a placa de silicone?
Falando nisso…
Quer ver todas as referências que cito acima  e mais algumas? Venha participar do Dia do Bruxismo!
As inscrições estão abertas para:
– Belo Horizonte – 07/10/2017
– Florianópolis – 11/11/2017
– Aracaju – 02/12/2017
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#ficaadica

Novidades sobre Bruxismo no IADR

Esta semana aconteceu em São Francisco na Califórnia a edição anual do Congresso Mundial de Pesquisa Odontológica promovido pela IADR (Associação Internacional de Pesquisa Odontológica). Infelizmente não pude comparecer.

Neste evento aconteceu uma reunião fechada entre os experts na pesquisa do Bruxismo. Prof. Daniele Manfredini foi um dos participantes e gentilmente fez um resumo do que aconteceu nesta reunião. Coloco abaixo seu texto:

Dear friends, 
as promised, here I am with a brief summary of the expert consensus meeting on bruxism at the IADR congress. Nice and lovely experience, without any real clashes between any of us…my special thanks to Frank Lobbezoo for the excellent coordination and to Karen Raphael and Peter Wetselaar, who co-chaired with me the working group on the definition of diagnostic cut-offs. The other groups provided summaries on the non-instrumental (ie, questionnaires, interviews, EMA [ecological momentary assessment], clinical assessment) and instrumental (ie, PSG and EMG) approaches to bruxism evaluation. 
At the end of the a very productive day, we all agreed that the new consensus paper should be based on some very clear concepts: 
1. a separate definition for sleep and awake bruxism – different etiology, clinical consequences, and management outcomes; 
2.bruxism is a behavior, which can be a risk factor for some clinical signs/symptoms (e.g., tooth wear, muscle fatigue, pain) or be associated with other conditions (e.g., OSA, other sleep disorders). Bruxism is not a “disorder” per se; 
3. being a risk factor, bruxism cannot be “diagnosed” in terms of yes/no, and the search for an ideal cut-point that discriminates between the presence or absence of clinical consequences might reveal unfruitful; 
4. as such, as far as sleep time is concerned, it is recommendable that masticatory muscle activity is measured in its continuum; 
5. as for awake bruxism, self-report via EMA is a promising strategy to approximate a correlation with patients’ experienced symptoms.  
All these summary points have to be refined after the manuscript will be drafted in full version and submitted for suggestions to the expert who were absent during the meeting.

Daniele Manfredini

Como eu já esperava, mais do que nunca é importante separar o Bruxismo do Sono do Bruxismo em Vigília, inclusive em definição, já que são condições distintas.

Bruxismo é um comportamento. Este fato traz um desafio ao clínico, pois há individualização do diagnóstico. Como comportamento sua ocorrência depende de vários fatores e ainda, pode ser que tragam ou não consequências ao organismo. O bruxismo nem sempre é vilão (leia sobre isso aqui).

Sobre o EMA citado no item 5, trata-se do uso de aplicativos para smartphone para potencializar o diagnóstico e controle do bruxismo em vigília. E isso já fazemos há anos, não é mesmo? O primeiro aplicativo foi o Desencoste seus Dentes e depois surgiu o Bruxapp. No Dia do Bruxismo demonstro sempre como uso este recurso na clínica!

Enfim, pensando em todos os aspectos, concordo com um comentário realizado pelo colega Ricardo Aranha e confirmado pela Profa. Karen Raphael em uma discussão no Facebook: existe muito sobre tratamento em relação ao Bruxismo.

Eu já estou ansiosa para ler as publicações que viram por aí no Journal Oral Rehabilitation. Vamos ficar de olho!!

 

Falando nisso…

A professora Adriana Lira Ortega também estava lá no IADR (#inveja) e mostrou tudo no Instagram do Dia do Bruxismo! Siga lá! @diadobruxismo Antes de ela embarcar ainda estivemos em Maringá na Dental Press, e foi muito bacana!

Agora o próximo DB acontecerá em Passo Fundo (vamos explicar direitinho as novidades sobre Bruxismo)! Clique aqui e saiba todos os detalhes!

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7 anos!!

20 de fevereiro se tornou uma data especial em minha vida. Foi quando num dia chuvoso eu sentei em frente do computador e escrevi algumas palavras no WordPress, dando início a este blog!

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7 anos, sim, 7 anos se passaram e posso dizer que de certa forma o blog conseguiu transformar a minha vida, e para melhor.

Hoje posso dizer que consegui um espaço para falar diretamente com o profissional da saúde, sem barreiras, sem edição. Sou eu mesma escrevendo e compartilhando. Isso me traz uma satisfação gigante!

Obrigada aos todos os leitores, àqueles que me acompanham em toda a postagem, aos que buscam posts antigos e escrevem para comentar, aos alunos que chegam aqui pelo conteúdo online das aulas, a todos que se interessam por Dor Orofacial, Disfunção temporomandibular, Bruxismo, Cefaleia, Fibromialgia, Dor Neuropática, Dor Crônica e fazem o que podem para proporcionar bem estar aos seus pacientes.

A audiência ano a ano só aumentou!

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E tradicionalmente, vou colocar a lista de artigos mais lidos no blog, no último ano (com comentários meus)!

  1. Manobras para (des)travamento da ATM – parte 1 (acho que por ser um artigo SOS é muito acessado sempre!)
  2. Trismo, quando a boca não quer abrir (impressão minha ou travar os movimentos mandibulares é um sinal realmente intrigante para o clínico?)
  3. Ardência bucal, afinal o que pode ser? (campeão de audiência entre leigos! Recebo pacientes, mensagens, emails, sinais de fumaça todos os dias com pessoas que buscam diagnóstico para este sintoma! Profissionais, é preciso falar sobre ardência).
  4. Neuralgia do Trigêmeo (que bom que as pessoas se interessam por esta condição. O diagnóstico precoce reduz o sofrimento do paciente).
  5. Barodontalgia: dor de dente por diferença de pressão atmosférica (poucos sites na internet em lingua portuguesa falam sobre o assunto. Sintomas que deixam o clínico confuso).
  6. Neuropatias pós implantes dentários (os casos de dor persistente pós implante em meu consultório já superam os pós endodontia. É preciso entender que o problema não está na técnica empregada)
  7. Manobras para (des)travamento parte 2 (e a saga continua… rs)
  8. Síndrome do queixo dormente (caso desafiador que atendi uma vez)
  9. Controle do bruxismo infantil (tudo dirigido para crianças dá mais ibope! rs)
  10. Desvio e deflexão (confesso que este post aqui me surpreendeu! Sinais característicos de problemas mecânicos na ATM).

Tá aí! Acho que estes posts servem de inspiração e guia sobre o que escrever… então vamos lá para comemorar sempre mais e mais anos.

Leitor querido, obrigada!

Bom carnaval a todos! Alalaou!

 

 

Bruxismo infantil e o problema respiratório

Quem já assistiu o Dia do Bruxismo já sabe: professora Adriana Lira Ortega é a responsável pela parte do Bruxismo Infantil e também por falar sobre o bruxismo secundário (apesar dos meus spoilers, ela é que fala brilhantemente sobre o assunto).

E um dos assuntos que ela aborda e cada dia mais ouço e leio é a relação entre o bruxismo do sono e os problemas respiratórios em crianças. E é bem interessante!

Hoje fiz uma transmissão ao vivo pelo Instagram (me siga lá @dtmdororofacial) e falei sobre um dos últimos artigos publicados sobre o assunto. Trata-se de um estudo observacional que verificou a associação do bruxismo do sono aos problemas respiratórios em crianças de 8 a 11 anos. O trabalho foi desenvolvido no Brasil e mostrou que especialmente rinite e sinusite estavam associados a presença de BS infantil (além de mostrar que a prevalência de BS em crianças era maior quando as mães apresentam maior escolaridade – seria percepção maior da mãe? – e alto nível de estresse).

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Mas vamos falar sobre esta relação entre a passagem do ar e bruxismo durante o sono. Faz sentido. Como já relatei aqui, o bruxismo neste caso é secundário ao evento de obstrução e aparece como um sinal de que algo não está Ok neste sono. Leia o post Bruxismo: vilão ou mocinho?

Interessante também observar um outro fato. Extrapolando os resultados deste trabalho, é possível pensar que a criança que apresente estes distúrbios do sono possa ser uma criança agitada. Não é incomum mães relatarem que suas crianças são hiperativas. Mas elas são mesmo ou apenas dormem mal? Quando seu filho ou filha dormem mal, eles ficam sonolentos no dia seguinte ou extremamente irritados?

Achei um relato de caso publicado este mês exatamente questionando isso! Bem bacana!

Saiba mais sobre hiperatividade e déficit de atenção: clique aqui.

É preciso diagnosticar bem qual tipo de bruxismo a criança apresenta. Quando o bruxismo é secundário, o tratamento deve visar a causa e não o bruxismo em si.

#ficaadica

Falando nisso…

Estaremos em Maringá, Passo Fundo, Bauru, Balneário Camboriú, São Paulo e mais alguns lugares este ano! Acompanhem tudo no site do Dia do Bruxismo, www.diadobruxismo.com, Facebook e Instagram (@diadobruxismo).

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Onde eu atendo os pacientes com DTM?

Eu acho que nunca escrevi aqui no blog sobre meus locais de atendimento, apesar de sempre no menu estarem localizados estes endereços.

Mas sabe resolução de 2017? Então, resolvi que neste ano vou divulgar mais os locais onde recebo pacientes ansiosos para o controle de suas dores, disfunções e bruxismo.

Para isso ano passado fiz um site totalmente novo, voltado para o público leigo no endereço: www.dentistajuliana.com.br

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O site é informativo e aos poucos estou atualizando os textos.

Uma das coisas bacanas que resolvi colocar é um teste de sintomas de DTM. Assim, antes da visita, o paciente pode perceber dados relevantes sobre sua queixa.

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Ainda, acompanhando as novas tendências, intensificamos o contato via Whatsapp com números específicos para os dois consultórios. Hoje atendo em Ribeirão Preto e Franca.

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Além deste atendimento particular, faço parte do Bauru Orofacial Pain Group e auxilio atendimentos nas clínicas de DTM e Dor Orofacial no IEO-Bauru uma vez no mês. Lá o atendimento é de baixo custo (mais informações 14-3234 1919).

Assim, caso precisem ser atendidos ou mesmo encaminhar pacientes, estão aí meus contatos!

Falando nisso….

E por falar nos cursos de Bauru, o curso de Atualização em DTM e Dor Orofacial coordenado pelo Prof. Paulo Conti está com vagas quase esgotadas! Corra! Início dia 16/02/2017 e com novidades! 🙂

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