Os vídeos da vez para estudar Neurofisiologia da Dor

 

Lá no IEO-Bauru, onde há o curso de especialização em DTM e Dor Orofacial coordenado pelo Professor Paulo Conti, estamos  todo o módulo realizando uma reunião científica, o Journal Club, onde sempre escolhemos temas interessantes para estudar. Num deles estudamos como  facilitar o estudo dos processos relacionados a dor. Escolhi mostrar alguns dos vídeos que gosto no youtube!

Como já faz um tempo que fiz uma postagem com estes vídeos do Youtube que gostei para estudar neurofisiologia da dor, acho que está mais do que na hora de atualizar a lista né? Quanto tiver um tempinho sobrando, veja um deles. Ver vídeos ajuda bastante no conhecimento!

Aproveite e conheça o meu canal por lá. Tem poucos vídeos meus mas tem as listas que crio com vídeos que gosto! 🙂

Segue a sequência de vídeos que enviei aos alunos:
1. Aula TED-Ed sobre dor

2. As fases da nocicepção

3. Caminhos da dor

4. Condução:

5. Transmissão (sinapse):

6. Modulação de dor:

  • Teoria do portão:
  • Modulação endógena:
  •  Papel do opióide:

7. Percepção de dor:

E mais uns extras que sugeri que assistissem:

* O mistério da dor crônica:


* Neurônio:


* Como os nervos funcionam?


* Potencial de ação:


* Potencial da membrana:


* Inibidores seletivos de recaptacao de serotonina:

 

#ficaadica

Quer se inscrever na próxima turma do curso de DTM e Dor Orofacial e também participar do Journal Club? Clique aqui!

Falando nisso…

No dia 03 de agosto de 2018 irei ministrar novamente a minha aula favorita: Odontalgias não Odontogênicas em Campinas. Esta aula tem duração de 8 horas e apresentou alguns casos clínicos de interesse aos colegas dentistas para que o conhecimento evite as iatrogenias!

Assim, se quiser participar, entre em contato com a Imajon Cursos. Link para conteúdo programático aqui.

Abraços!!

ad66f6b7-940e-4f52-8b70-bec9d4402288

Odontalgia não Odontogênica

Quando a dor é no dente e não do dente….

Estava hoje mexendo nos arquivos do meu HD externo e encontrei uma aula que ministrei em 2009 sobre Odontalgia não Odontogênica. Resolvi tirar as fotos e figuras dos casos clínicos (não tenho autorização para divulgar na internet) e compartilhei com vocês através do Slideshare.

Vejam que apesar de não ter as fotos, alguns casos estão descritos e alguns deles estão publicados na literatura, basta procurar!

E quais são as condições associadas às odontalgias?

Não podemos esquecer que para chegar a estes diagnósticos o primeiro é investigar a possibilidade de dor odontogênica.

Boa semana!

Barodontalgia: dor em dente por diferença em pressão atmosférica.

Hoje vou escrever sobre barodontalgia. Mas antes vou contar como este tema surgiu em meu pensamento….

Sempre que viajo de avião levo um chiclete na bolsa. Isso porque eu sofro na maioria dos voos com as variações de pressão atmosférica e ontem não foi diferente.

O que acontece é que as variações repentinas de pressão que se verificam durante um voo fazem com eu sinta dor ou que meu ouvido fique tampado. A pressão no ouvido médio pode ser equilibrada respirando com a boca aberta, mascando chiclete ou engolindo. Infelizmente em mim estas manobras não funcionam 100%. Esta situação foi ainda pior quando eu estava resfriada e estava em um voo em direção ao Rio de Janeiro. Ao se aproximar do aeroporto Santos Dumont tive vontade de simplesmente cortar minha cabeça tão forte foi a dor!

As pessoas que tenham uma infecção ou uma alergia que afete o nariz e a garganta podem sentir queixas quando viajam de avião ou mergulham. Um descongestionante alivia a congestão e ajuda a abrir as trompas de Eustáquio, igualando a pressão em cada um dos lados dos tímpanos. Mas pergunte se eu tinha um na bolsa! Claro que não! Só o chiclete básico que de nada adiantou neste dia…

Mas pensando nisso durante a viagem de carnaval, mascando o chiclete na aterrissagem no Rio de Janeiro (trauma do Santos Dumont e também do Salgado Filho em Porto Alegre!), me lembrei de uma condição de dor dentária pouco relatata que é a barodontalgia.

Pouco vi na literatura científica até hoje sobre o assunto. Resolvi jogar o termo no pubmed e os resultados mostraram 31 artigos, a maioria relato de casos e algumas revisões.

A última revisão foi publicada por Yehuda Zadik de Israel na revista Triple O, intitulada “Barodontalgia: what have we learned in the past decade?”. Deste artigo, que disponibilizarei logo abaixo para vocês fazerem download, extrai algumas informações para um resumo informativo:

Definição: a barodontalgia é um tipo de dor orofacial relacionada a alteração da pressão atmosférica que ocorre nos dentes.

Classificação: a dor pode ser indireta (não relacionada a problemas dentários) ou direta (relacionada a problemas dentários). Esta última pode ser classificada em 4 subclasses de acordo com as condições e sintomas pulpares e/ou periodontais: (1) pulpite irreversível; (2) pulpite reversível; (3) polpa necrótica; (4) patologia periapical.

Prevalência e incidência: comum em duas situações: mergulho e voos. As taxas de incidência durante o mergulho variam entre 9,2 a 21,6%. Já durante voos, a barodontalgia acontece em cerca de 11% dos aeronautas, com taxa de 5 episódios a cada 1000 voos por ano. A barodontalgia já foi relatada durante escaladas e também em câmaras hiperbáricas mas não há dados suficientes ainda sobre estas condições.

Fatores associados: Durante o mergulho a dor aparece a uma profundidade maior ou igual a 33 pés e afetam mais dentes superiores do que inferiores. A maioria dos epidódios ocorre quando o megulhador está descendo a esta profundidade. Durante voos, tanto dentes superiores como inferiores parecem ser afetados, bem como isso ocorre tanto ao subir como descer, sendo relatada à altitudes de 3000 a 25000 pés.

Etiologia: A maioria dos casos está associada a um “despertar” de uma condição subclínica pulpar e/ou periodontal previamente presente. Barosinusite em casos de voos foram a causa da dor em 9,7% dos casos. Casos relacionados a barotite e a barotrauma dental (quando ocorrem fraturas em resturações ou tecido duro dental pela diferença na pressão atmosférica) também já foram relatados. Quando associados a barossinusite e a barotite, a dor é referida ao dente, sendo classificado como dor indireta.

Diagnóstico: parece que 14,8% dos casos não são diagnosticados. No processo de diagnóstico, frente ao paciente com dor, o profissional deve questioná-lo sobre tratamentos odontológicos recentes, sintomas que precederam a dor (por ex., ouvido tampado), início e alívio da dor (descendo ou subindo) e as características desta dor (para lembrar, postagem sobre anamnese sobre dor). Durante o exame, deve-se avaliar fraturas em restaurações, lesões de cáries, realizar testes de vitalidade pulpar, necessidade de radiografias, presença de sinusite e dor em ATM e músculos mastigatórios, ou seja, realizar o exame físico odontológico de forma completa!

Patologia: ainda oculta por falta de dados e de pesquisas. O que se relata é a maior relação da barossinusite e a dor em dentes superiores (dor indireta) durante o mergulho e a dor direta no caso de voos. Lembre-se porém, que ambas situações, direta ou indireta, podem ocorrer.

Prevenção: os autores lembram que todos devemos ser submetidos a exames odontológicos periódicos. Indica, no caso desta população, exames com radiografias panorâmicas com intervalos de 3 a 5 anos. Atenção especial com patologias periapicais, fraturas em resturações, cáries secundárias e dentes desgastados. Restrição ao mergulho e voos logo após procedimentos dentais e cirúrgicos também é uma ótima ferramenta de prevenção.

Leiam o texto completo aqui!

Fonte: Oral Surg Oral Med Oral Pathol Oral Radiol Endod 2010;109:e65-e69

Alguém já sofreu como eu???

 

Odontalgia não odontogênica: cefaleia primária

Um dos temas recorrentes em minhas palestras é Odontalgia não Odontogênica. Costumo falar sobre isso nos cursos de DTM e Dor Orofacial, Endodontia e agora também no de Implantodontia. É um tema que necessita de MUITA divulgação, uma vez que o diagnóstico incorreta é fonte certeira de iatrogenias.

Eu acho que nós dentistas não fomos capacitados para distinguir uma dor odontogênica de uma dor não odontogênica na graduação. Eu desconheço um curso que dê ênfase a isso. Aprendemos sim a fazer diagnósticos precisos entre pulpite, necrose pulpar, periodontites, etc. Afinal é esta nossa grande área de atuação. Mas e quando há um caso duvidoso? Ou quando a dor persiste mesmo após um tratamento endodôntico adequado?

Sobre este assunto já escrevi aqui citando os casos de neuralgia do trigêmeo, odontalgia atípica, migrânea facial e neuroma traumático. Hoje quero falar de outro tipo de cefaleia primária que pode ser fonte de dor em dentes.

Saiu na última edição do Journal Orofacial Pain um artigo com o título: Unnecessary Extractions in Patients with Hemicrania Continua: Case Reports and Implication for Dentistry.

Neste artigo os autores descrevem quatro casos de pacientes que apresentavam cefaleia e dor facial unilateral de moderada a forte intensidade contínua, com exacerbações. Neste período, onde a dor se tornava ainda mais intensa, sinais autonômicos podiam ser percebidos.

Este tipo de dor pode ser confundida com sinusites ou odontalgias, mas um detalhe é muito importante, em nenhum exame poderá haver alteração nestas estruturas.

Sei que a maioria de vocês pensou “eu não faria isso, não abriria um dente sem certeza”, claro que não. Mas na verdade não é isso o que acontece. Muitas vezes por inexperiência, outras por insistência do paciente (se eu não fizer meu colega do consultório ao lado vai fazer), o cirurgião dentista mesmo em dúvida faz algum procedimento. E issó não é exclusividade do Brasil, como mostram vários artigos na literatura. Acho que faz parte da filosofia mecanicista.

Mas voltando ao artigo, nos 4 casos ocorreram exodontias, endodontias, cirurgias em seio maxilar, prescrição de analgésicos e antinflamatórios e tudo isso sem melhora da queixa do paciente.

Conhecer a Classificação Internacional das Cefaleias não é pré requisito para exercer a Odontologia, mas uma coisa é essencial JAMAIS INICIE UM TRATAMENTO SEM DIAGNÓSTICO. Mesmo sem sinais e sintomas de odontalgia, extrações ocorreram e vão continuar ocorrendo se não divulgarmos isso.

Artigo completo para download.

Todos os casos deste artigo foram diagnosticados como hemicrania contínua, que é realmente um diagnóstico difícil mesmo para o mais experiente neurologista, por ser rara.

Segue abaixo os critérios de diagnóstico desta condição.

Hemicrania contínua

Critérios de diagnóstico

A. Cefaleia por > 3 meses, preenchendo critérios de B a D.

B. Todas as características seguintes:

  1. Dor unilateral sem mudança de lado
  2. diária e contínua, sem intervalos livres de dor
  3. intensidade moderada, porém com exacerbações para dor intensa

C. Pelo menos uma das características autonômicas seguintes, ocorrendo durante as exacerbações e  ipsilaterias à dor:

  1. hiperemia conjuntival e/ou lacrimejamento
  2. congestão nasal e/ou rinorreia
  3. ptose e/ou miose

D. Resposta completa a doses terapêuticas de indometacina

E. Não atribuída a outro transtorno.

Nunca atendi em meu consultório um caso de hemicrania contínua mas perdi as contas dos casos de migrânea e tive um caso de hemicrania paroxística tratada há meses como disfunção temporomandibular.

O que nos é estranho, estranho é.

#ficaadica!

No link um artiogo do Prof. Mario Peres, médico neurologista, sobre hemicrania contínua (em português): http://www.einstein.br/biblioteca/artigos/Suplemento/hemicrania%20continua.pdf

Apresentações sobre Dor Orofacial

Encontrei no You Tube hoje um canal da cirurgiã-dentista Michele Jehenson do Bay Area Pain and Wellness Center localizado em Los Gatos, Califórnia, duas ótimas apresentações sobre Dor Orofacial.

A primeira diz respeito a diagnóstico e tratamento de DTM, a segunda sobre mecanismos de dor neuropática orofacial e a terceira sobre odontalgia não odontogênica.

Interessante!

Bom domingo!

Dor facial migranosa: apresentação em powerpoint

Estou tentando usar uma nova ferramenta para dividir com vocês algumas apresentações que já ministrei. A menor foi uma sobre dor facial migranosa. O link segue abaixo!
Me digam se a ferramenta funciona e se gostaram. Em caso positivo, vou utilizar com frequência!
Abraços a todos.
View more presentations or Upload your own.