DTM e esportes de alto impacto

Eu já falei que sou uma pessoa de sorte aqui, não? Pois é, nestes anos todos trabalhando dentro da especialidade de DTM e Dor Orofacial pude conhecer pessoas bacanas que se tornaram amigos!

Uma destas pessoas é o Prof. Daniel Bonotto da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Além de excelente profissional e meu amigo, Daniel é pai do fofíssimo João e esposo da querida Danielle Veiga Bonotto, também especialista em DTM e Dor Orofacial (não podia deixar de escrever isso, rs…).

Bem, o fato é que chegou até mim um artigo escrito pelo Daniel e colaboradores. Neste trabalho ele buscou conhecer o perfil de atletas de alto impacto em relação à presença de Disfunção Temporomandibular (DTM). Achei o tema tão interessante, este link entre a Odontologia no Esporte e a DTM, que pedi para ele que escrevesse um texto para o blog!

Logo abaixo do texto está o link para o artigo completo! Espero que a pesquisa avance nesta área Daniel! Muito obrigada pela gentileza de sempre!

Segue o texto!

Bonotto

Prof. Dr. Daniel Bonotto

Fiquei muito feliz e agradecido com o convite da Juliana para escrever um post para este blog que há tanto tempo acompanho e divulgo como exemplo de informação de qualidade em Dor Orofacial na web.

Há alguns anos, comecei a receber muitos pacientes atletas com queixas de DTM encaminhados pelo prof. Eli Namba, coordenador da Especialização em Odontologia do Esporte da Universidade Positivo, em Curitiba-PR. As histórias eram sempre muito parecidas e envolviam traumas faciais, hábitos parafuncionais diurnos e muito desconhecimento das DTM por parte dos pacientes. A frequência desses encaminhamentos começou a ser tão grande que me chamou atenção e percebi que havia pouca informação na literatura sobre DTM nessa população.

Decidimos ir a campo, literalmente, e avaliar atletas de diferentes modalidades e com diferentes níveis de treinamento.  Utilizamos o RDC/TMD em sua versão em português por ser uma ferramenta reproduzível e usada no mundo inteiro para diagnosticar DTM em pesquisas clínicas.

Os achados da pesquisa confirmaram nossas hipóteses de que entre atletas de alta performance de esportes com alto risco de trauma facial observaríamos maior prevalência de DTM.

Por exemplo, 61% dos  lutadores profissionais de MMA avaliados apresentaram algum tipo de DTM sintomática (ou seja, com dor e/ou limitação funcional). Entre os atletas da seleção brasileira de Karatê, essa taxa foi de 54%. Para efeito de comparação, praticantes recreativos de karatê e um grupo de não-atletas apresentaram 17% e 14%, respectivamente.

UFC 186

03 Oct 2014, Montreal, Quebec, Canada — Oct. 3, 2014 – Montreal, Quebec, Canada – CHAD “The Disciple†LAPRISE (black trunks) lands a right head kick to BRYAN BARBERENA (yellow trunks) during their Lightweight bout at UFC 186 at the Bell Centre in Montreal. (Credit Image: © Allan Zilkowsky/ZUMA Wire) — Image by © Allan Zilkowsky/ZUMA Press/Corbis

Procuramos também sair do universo das artes marciais e buscamos um esporte coletivo de alto impacto: o Rugby. Embora não seja profissional do Brasil, existe uma liga organizada de Rugby, com times estruturados, rotina diária de treinamentos e tudo mais que caracteriza as atividades de alto rendimento. Pois bem, entre jogadores de Rugby observamos frequências semelhantes àquelas encontradas em lutadores profissionais (esses últimos dados em breve serão publicados para apreciação de todos).

Sem dúvida a diferença de prevalência tão significativa entre atletas de alto rendimento dessas modalidades e “indivíduos comuns” nos chamou atenção. Mas talvez a maior surpresa foi o baixo grau de dor crônica associada à DTM entre os atletas quando comparados aos pacientes que geralmente buscam atendimento em ambulatórios de DTM e Dor Orofacial. Foi nítido e frequente durante a avaliação dos atletas que mesmo indivíduos com restrições funcionais pareciam não se importar muito com as limitações características de pacientes com DTM.

Por que essa população que está tão exposta a fatores causais e perpetuantes de DTM parece sofrer tão pouco com o problema? No que ela difere dos pacientes que nos procuram no dia-a-dia? É nisso que estamos trabalhando agora. Em um seguimento da pesquisa já publicada, estamos avaliando perfil emocional e características de catastrofização e hipervigilância de atletas com DTM. Esperamos em breve poder contribuir para o melhor entendimento dessas dúvidas.

Aproveito ainda para convidar todos os colegas a participar do II Encontro Paranaense da SBDOF em Curitiba-PR nos dias 20 e 21 de maio. O evento está sendo organizando com todo carinho e conta com uma programação imperdível!!!

Para ler o artigo completo: Bonotto_et_al-2015-Dental_Traumatology

Falando nisso…

Como escreveu Daniel, dias 20 e 21 de maio acontece em Curitiba o II Encontro Paranaense da SBDOF que contará com a presença internacional do Prof. Antoon de Laat, além de vários palestrantes nacionais, como eu e o Daniel!

Para saber mais, entre no site www.gapedor.com.br

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Rapidinhas: Dica de Webinário

A IASP (Associação Internacional de Estudo da Dor ) promove em 2016 o ano de combate a Dor Articular.

Pois bem, hoje recebi via email um convite para webinário que achei interessante e dentro desta temática: o papel dos anticorpos na dor articular por artrite reumatóide. O foco será a dor persistente.

Como sabemos a artrite reumatóide pode atingir as articulações temporomandibulares (ATM) e devemos conhecer o tratamento médico realizado pata esta condição para entender os casos que recebemos, sobretudo os crônicos.

Esta é uma ótima oportunidade!

A aula será pela internet e em seguida acontecerá um debate.

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Acontecerá na terça-feira, dia 19/04.

Seguem detalhes do evento:

Here is an abstract of Svensson’s talk:
Joint pain in rheumatoid arthritis (RA) often precedes joint inflammation and may persist even after successful anti-inflammatory treatment. RA is a chronic autoimmune disease, and one type of neuroimmune interaction that has recently received some attention is the potential pathogenic role of autoantibodies in maladaptive pain states. We have addressed the possibility that anti-collagen type II (CII) antibodies and anti-citrullinated protein antibodies (ACPAs), present in patients with RA, may be directly responsible for the induction of pain, independent of inflammation. For example, we found that mice injected with either human ACPA IgG purified from RA patients, or murinized monoclonal ACPAs generated from synovial B cells from RA patients, developed long-lasting, pronounced evoked and spontaneous pain-like behavior in the absence of visible and histological signs of inflammation. Non-ACPA IgG from RA patients or control monoclonal IgG were without pro-nociceptive effects. We coupled this to an ACPA-mediated increase in osteoclast activity and subsequent release of pro-nociceptive CXCL1 (IL-8) release. This presentation will highlight roles of autoantibodies in the patho­genesis of persistent pain states and focus on mechanisms by which CII antibodies and ACPAs activate sensory neurons in particular. The identification of novel contributions of autoantibodies to persistent pain may aid in the development of new treatment strategies, not only for pain in RA, but also for pain in other conditions associated with autoantibody production.

Audience participation is encouraged—get ready to submit your questions live to our panel of experts! 
During the live discussion, participants will be able to submit questions to the panel. You can also submit questions now, by emailing them to neil@painresearchforum.org.

The webinar is free but registration is required.
Register here.

Veja a página com mais explicações: http://www.painresearchforum.org/forums/webinar/65510-webinar-role-autoantibodies-rheumatoid-arthritis-joint-pain

 

Falando nisso…

A professora e pesquisadora Liete Zwir estará também no II Encontro Paranaense da SBDOF falando sobre degeneração em ATM.

Vale a pena assistir a aula da Liete! Eu garanto!🙂

Inscrições em www.gapedor.com.br

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2016: ano do combate a dor articular

Bem, carnaval já se foi, então é hora de começar o ano!
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No site da IASP é possível encontrar textos sobre diversos aspectos da dor articular. Eu não vi nenhum específico sobre a Articulação Temporomandibular (ATM). Entretanto, existem alguns conceitos que podem ser extrapolados a ela. Assim, leiam! 😃
Os artigos abaixo já estão traduzidos para o português!
  1. Tratando pessoas com Dor nas Articulações
  2. Avaliação de Dores nas Articulações Experimentalmente em Humanos
  3. Marcadores Bioquímicos Articulares para Cartilagem, Osso, Degradação de Cartilagem, Remodelagem Óssea e Inflamação
  4. Modelos Animais da Dor da Osteoartrose
  5. Avaliação da Dor nas Articulações e da Função na Clínica
  6. Exercício, Esporte e Dor nas Articulações
  7. Predisposições e Outros Fatores Importantes da Dor nas Articulações
  8. Opções de Tratamento Alternativo da Osteoartrose: Fatos e Evidências sobre Glucosaminas e Condroitina
  9. Dor nas Articulações em Cães e Gatos Domésticos
  10. Dor Inflamatória: Dor da Artrite Reumatoide
  11. Epidemiologia da Dor Articular
  12. Mecanismos e Sintomas Neuropáticos da Dor Articular: Impacto na Avaliação e Gerenciamento
  13. Dor da Osteoartrose: Fisiopatologia, Diagnóstico e Gerenciamento
  14. Dor Crônica após Cirurgia Articular
  15. Imagens das articulações
  16. Neurofisiologia e Patofisiologia articular: Nervos, Campos Receptivos, Sensibilização
  17. Visualização da Dor Articular e a Contribuição da Dor Generalizada e da Hipersensibilidade
  18. Escada Analgésica da Organização Mundial da Saúde: Ela é Adequada para a Dor Articular? Dos AINH aos Opióides
  19. Novas Oportunidades de Tratamento para Dor Articular
  20. Dor das articulações na infância
Por culpa desta iniciativa da IASP,  pensei este ano em dedicar mais a postagens sobre a Articulação Temporomandibular (ATM) e suas patologias, inclusive que envolvem dor. Aí me lembrei do vídeo que fiz de uma transmissão via Periscope, uma aula que ministrei em Belo Horizonte sobre o controle da Dor em ATM.
Vou colocá-la novamente abaixo. Afinal, vale a pena ver de novo, não?
Feliz ano novo!🙂

Site do Mês: Odontopediatria em Evidência

Olá! Feliz 2016!

Espero que este ano eu consiga cumprir a promessa de escrever bastante aqui no blog!🙂

E para esta primeira postagem do ano eu quero apresentar a vocês um novo blog! A minha amiga e parceira no Dia do Bruxismo, Prof.a. Adriana Lira Ortega aderiu ao vício de blogar e começou o seu próprio espaço na internet!

  
Já estava na hora. Para quem não a conhece, a Adriana é odontopediatra e ortodontista e trabalha na área clínica e de pesquisa em DTM, Dor Orofacial e Bruxismo em crianças e adolescentes e pacientes especiais, e é palestrante em vários cursos no Brasil e também no exterior!

É uma área muito bacana e muitas vezes desconhecida dos profissionais.

Em seu blog, ela pretende discutir e expor assuntos sobre o prisma da Odontologia baseada em Eviências. Assim o nome não podia ser melhor: Odontopediatria em Evidência.

Acho que é um bom tempero, não?

Corre lá para ler! Link: www.adrianaliraortega.com

Falando nisso…

Eu e a dona Adriana estaremos juntas mais uma vez para falar sobre Bruxismo, agora em Curitiba na ABOPR no dia 05/03/2016 e as inscrições estão com valores promocionais mas logo vai mudar! Mais informações no site www.diadobruxismo.com

  
Ao pessoal que assistiu a um dos eventos de 2015, corra para fazer download do material online! O prazo vence dia 15/02!🙂

Os 10 mais!

Nossa! Já acabou o ano! Como assim?

Eu prometi a mim mesma que seria mais ativa aqui no blog e que faria uma planilha no excel sobre as minhas finanças. Não fiz nem uma coisa, nem outra… #fail

Mas 2016 está aí para a gente começar de novo, não é mesmo?

E hoje fui conferir as estatísticas de 2015 para este blog e…. a visualização aumentou 40%! Fiquei super feliz!

Aproveitei e peguei a lista das postagens mais lidas do Por Dentro da Dor Orofacial. E com vocês, os 10 mais em ordem de visualização (para ver o artigo original, clique no título!):

 

10. Rapidinhas: Ortodontia e sua relação (ou não) com DTM

Postagem rápida sobre um artigo gratuito. Trechinho:

“Dá uma tristeza ter que escrever ainda sobre este tema. Por que tanta gente ainda indica ortodontia para tratamento das mais diversas Disfunções Temporomandibulares (DTM)?

Vários pesquisas já mostraram que Ortodontia não trata, nem previne e nem causa DTM.”

É… e acreditem que fiz uma outra postagem parecidíssima com esta (preciso escrever sobre o que já postei para não esquecer!).

 

09. Odontologia “metafísica”

Este artigo tem um texto muito bom do amigo Yuri Martins Costa. Ele ainda estava em Aarhus na Dinamarca! Yuri também faz parte do Bauru Orofacial Pain Group e tenho o maior orgulho em ter acompanhado seu desenvolvimento na pesquisa!

Trechinho:

“Com isso, a mensagem que gostaríamos de deixar é que cresce constantemente a quantidade de evidências que apontam para efeitos terapêuticos das placas oclusais que vão além da correção ou melhora dos aspectos mecânicos de arranjo oclusal/equilíbrio muscular e envolvem, pelo menos indiretamente, características psicológicas e comportamentais e, por isso, sendo um pouco amplo na definição e com certa dose de exagero proposital, podem ser considerados “efeitos metafísicos”.

 

08. Site bacana com vídeos sobre anatomia e fisiologia

Eu adorei compartilhar este site com vocês. O Armando Hasudungan rabiscava o que aprendia nas aulas de farmacologia. Uniu o talento do desenho ao conhecimento científico. Assistam seus vídeos! Vale a pena!

Trechinho:

“Em seu site encontrei vídeos das mais diversas áreas, divididos por assuntos! Destaco o vídeo sobre mecanismos básicos da dor e como funcionam os anestésicos locais, mas vejam os Neurologia, Farmacologia (há sobre inflamação), Sistema Muscular, ou seja, naveguem por lá que não irão se arrepender!”

 

07. Homeostase e posição mandibular

06. Reposicionar a mandíbula: artigo recente na literatura

Estas postagens foram sobre o artigo “Treating temporomandibular disorders with permanent mandibular repositioning: is it medically necessary? “.

Este foi um ano em que estudei bastante sobre processos degenerativos da articulação temporomandibular (ATM) e este trabalho chamou a minha atenção uma vez que abordou o processo de remodelação e adaptação. Vale a pena ler e reler!

Trechinho:

” Os autores enfatizam a necessidade de conhecermos a biologia do sistema mastigatória e como ele funciona ao longo do tempo, especialmente a sua capacidade de adaptação (processo de homeostase). Claro que não negam a existência da degeneração em alguns pacientes (quando o estímulo excede a capacidade adaptativa), e a necessidade de tratamento destes pacientes, mas relatam que de modo geral este sistema funciona de maneira equilibrada, mantendo a mandíbula em uma posição apropriada em relação à maxila (oclusão) e o crânio (ATM). Remodelação é o termo utilizado para falar sobre o equilíbrio entre a forma e a função.”

 

05. Rapidinhas: Ortodontia e DTM: até quando?

Até quando? Até quando?

Trechinho:

 “Dá uma tristeza ter que escrever ainda sobre este tema. Por que tanta gente ainda indica ortodontia para tratamento das mais diversas Disfunções Temporomandibulares (DTM)?”

 

04. Neuralgia do trigêmeo: podcast e vídeos

Uma lista extensa com vídeos que estão no Youtube e um podcast bem bacana! Material  para quem quer estudar um pouco mais sobre esta condição. Não tem trechinho a ser destacado mas sugiro que você visite a postagem e assista aos vídeos! Vale a pena!

 

03. Síndrome do queixo dormente

Tem certas postagens que me mostram que vale a pena escrever neste espaço. Atendi uma paciente, vi uma condição diferente, estudei, escrevi aqui e confesso que fiquei emocionada (por toda a história envolvida) em ter este artigo no top 3.

Trechinho:

“O profissional que trabalha com dor orofacial deve estar atento a todos os sintomas. Lembre-se das palavras do professor Pedro Moreira Filho, neurologista da Universidade Federal Fluminense: trate de forma típica, aquilo que lhe é típico. Não inicie um tratamento se não tiver diagnóstico.”

 

02. Uso da toxina botulínica nas cefaleias

Ah, esta postagem deu o que falar! Recebi várias mensagens e vários telefonemas e adorei. Pelo menos fiz as pessoas refletirem sobre a indicação correta da toxina!

Nunca inicie um tratamento sem o correto diagnóstico!

Trechinho:

“O Conselho Federal de Odontologia prevê o uso terapêutico da toxina botulínica em procedimentos odontológicos. E então tenho perguntas a você, colega dentista:

 
  1. Você sabe a diferença entre migrânea (enxaqueca), cefaleia tipo tensional e cefaleia por disfunção temporomandibular? Se sabe, diga agora todos os critérios de diagnóstico!
  2.  Você sabe diferenciar uma cefaleia primária de uma cefaleia secundária (causada por algo) que tenham as mesmas características, que podem ser migranosas?
  3. Você sabe o motivo da toxina botulínica ser indicada para o tratamento da migrânea crônica?
  4. E para terminar, você sabe que enxaqueca é sinônimo de migrânea e que não é apenas uma dor de cabeça forte, e sim uma cefaleia primária com fases distintas e fenômenos neurológicos marcantes?
E por fim…. a postagem que foi mais lida por apenas 95 leitores a mais:

01. Neuralgia do trigêmeo no Fantástico!

Saiu na Globo gente! rs… Pois é, aqui no blog vi duas postagens sobre uma mesma condição entre as 5 mais lidas! Eu acho ótimo.

Trechinho:

  “Pois bem, ela perdeu dois dentes e levou um ano sofrendo.

É PRECISO FALAR SOBRE ISSO!

Contem a seus amigos, mostrem a reportagem, leiam sobre o assunto, não deixe isso acontecer! O papel do dentista é conhecer esta condição e encaminhar ao neurologista o mais rápido possível para que se inicie exames e tratamento adequados.

A propósito, o caso da Tatiana é realmente triste pois se trata de neuralgia do trigêmeo refratária ao tratamento, mas a maioria do caso responde bem ao tratamento medicamentoso. A classe farmacológica de primeira escolha recai nos anticonvulsivantes, especialmente a carbamazepina.

Tenho muitas histórias muito parecidas com esta. São casos onde até tratamento para DTM foi realizado por 2 anos! Isso só prolonga o sofrimento do paciente.”

 

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E chegamos ao final de Dezembro, final do ano de 2015, ano de muitos encontros, aulas, estudos, reflexões.

Espero que 2016 seja um ano fantástico para todos e também para a especialidade de DTM e Dor Orofacial! Feliz Natal e um excelente Ano Novo!!!

🙂

 

Rapidinhas: Ortodontia e DTM: até quando?

Dá uma tristeza ter que escrever ainda sobre este tema. Por que tanta gente ainda indica ortodontia para tratamento das mais diversas Disfunções Temporomandibulares (DTM)?

Vários pesquisas já mostraram que Ortodontia não trata, nem previne e nem causa DTM.

Figura: Doutor, tenho Dor - www.facebook.com/doutortenhodor

Figura: Doutor, tenho Dor – http://www.facebook.com/doutortenhodor

Entretanto, no mês passado mesmo recebi uma mensagem de um colega pedindo artigos sobre o tema para mostrar ao seu professor de Ortodontia que insistia no assunto. Alouuuu, você é professor? Que tal atualizar o conteúdo que você expõe em suas aulas?

Para isso, que tal ler o trabalho mais recente publicado pelo professor Danielle Manfredini e colaboradores? Há 6 dias foi publicado no  Angle Orthodontics: Orthodontics is temporomandibular disorder–neutral. Clique aqui para ler!

Quer ler tudo sobre Ortodontia X DTM que publicamos aqui? Segue o link: CLIQUE AQUI PARA ACESSAR

#ficaadica

Pacientes refratários

Há uma semana estive na Semana Acadêmica Odontológica (SAOJEM) da UFPR em Curitiba falando sobre Bruxismo (obrigada pelo convite pessoal, foi ótimo!) pela manhã e à tarde conversei com os alunos do curso de Especialização em DTM e Dor Orofacial da UFPR (coordenado pelos professores Paulo Cunali e Daniel Bonotto – também foi ótimo pessoal!). O tema desta conversa foi: pacientes refratários.

E preparando o material para levar a Curitiba, eu me lembrei que sempre quis escrever aqui sobre isso. Ainda mais porque um tipo de frase me incomoda muito:

“fulano disse que fez este tratamento porque era a última esperança para sicrana já que ela não responde a nada”

Mas vamos raciocinar, antes de escolher uma técnica alternativa a este paciente, vamos entender: quem é o paciente refratário ao tratamento antes proposto?

Refletindo sobre este assunto, eu me lembrei que há muito tempo havia lido um artigo publicado em 2003 na Neurology com o título: “Why headache treatment fails”. O artigo foi escrito por pesquisadores conhecidos na área da cefaliatria: Lipton, Silberstein, Bigal, Saper, Goadsby.

Reli o artigo e adaptei os 5 quesitos citados por eles à dor orofacial e é sobre os itens deste artigo que escreverei hoje!

 1. O diagnóstico está incompleto ou equivocado

Este é o primeiro e fundamental passo a ser revisto e talvez o que mais acontece. Se o paciente não responde de maneira típica (claro que uns demoram mais do que outros a responderem ao tratamento), reveja seu diagnóstico.

Os autores no texto ressaltam que uma condição pode não ter sido diagnosticada ou ainda confundida com outra com manifestação semelhante. Por exemplo, no caso de Disfunção Temporomandibular (DTM) como os sintomas são muitas vezes flutuantes e são vários tipos de DTM, um tipo pode ficar sem diagnóstico em um primeiro momento.

Também pode acontecer do paciente apresentar outras condições como a neuralgia do auriculotemporal, que pela proximidade anatômica pode ser confundida. Já atendi pacientes que previamente receberam diagnóstico de DTM, foram submetidos a terapias sem respostas, quando na verdade apresentavam, por exemplo, cisto retrofaríngeo, carcinoma espinocelular, hemicrania paroxística, etc. Até necrose pulpar! 

Então, antes de propor qualquer terapia, pare, respire e revise. Repita toda anamnese, o exame físico e solicite exames complementares que achar adequado.

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2. Fatores contribuintes podem não ter recebido atenção

Conduzir uma boa anamnese, com destaque a pontos chave de sua investigação é essencial para identificar fatores que podem perpetuar ou exacerbar crises de dor. Mas muitas vezes ou, por uma falha na ficha clínica, não se pergunta ou o paciente não relata espontaneamente estes fatores.

Os autores no texto destacaram que o uso excessivo de medicação analgésica é um dos vilões para a cronificação da cefaleia. Ainda não há estudos indicando, mas percebe-se que provavelmente o mesmo aconteça com as dores musculoesqueléticas. Pergunte não só quais medicamentos seu paciente faz uso mas também quantos o faz por mês. Não é incomum na clínica de dor orofacial o paciente relatar que faz uso destes medicamentos pelo menos uma vez por dia, totalizando um mínimo de 30 comprimidos/mês, bem a mais do que é aceito pela Classificação Internacional das Cefaleias. Neste mesmo pensamento, o uso abusivo de cafeína também se destaca com relação à cefaleia.

Leve em consideração também o estilo de vida do paciente. Recentemente uma pesquisa realizada pela Paula Jordani e equipe da Faculdade de Odontologia de Araraquara – UNESP mostrou que obesidade está associada a presença de DTM dolorosa. A obesidade é uma doença crônica e extremamente prevalente. Não hesite em encaminhar seu paciente para acompanhamento nutricional.

Fatores emocionais e sociais influenciam também no prognóstico do tratamento. Como é a vida familiar e social do seu paciente? Ele está passando por momentos de estresse?

Considere encaminhar para avaliação com profissional habilitado.

Ele recebeu alguma informação equivocada? Sim, cuidado com a forma com que você explica a situação ao paciente. NUNCA diga que ele vai ficar sem abrir a boca ou que seu queixo vai cair. O paciente acredita em você, não se esqueça.  Coleciono histórias de pacientes que receberam esta informação e chegaram até mim passando por situações como ficar 6 meses sem abrir direito a boca ou até passando dias sem falar para que “seu queixo não caisse”. E pasmem, óbvio que não apresentavam quadro compatível com luxação. Apenas receberam esta informação e não seguiram corretamente as instruções do tratamento anterior por medo. O tal nocebo…

Outros fatores que não podemos esquecer são os relacionados ao sono! O estudo OPPERA mostrou que a presença de Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) está relacionada a ocorrência de DTM. Insônia é uma das condições que mais prejudicam a modulação de dor, o que pode fazer com que os pacientes com DTM, por exemplo, apresentem baixo limiar de dor até mesmo em regiões distantes da face. Não deixe de avaliar a qualidade do sono de seu paciente.

3. Farmacoterapia não adequada

Os autores pontuam que farmacoterapia não adequada pode acontecer se tratamentos inapropriados são selecionados, se uma dose inicial excessiva é utilizada (atenção aos efeitos colaterais), se a dose de tratamento é inadequada, se a duração do tratamento é muito curta, se politerapia é preciso e não foi observado, se o paciente não absorve a medicação e ainda, se o paciente não é colaborador.

Revise as medicações utilizadas (vale lembrar, veja se o seu paciente não faz uso de alguma medicação que não relatou ou mesmo se não abusa de analgésicos). Baseado não em protocolos mas na neurofisiologia da dor crônica, determine a dose e duração do tratamento medicamentoso que será adotado. Apesar da monoterapia ser recomendável, politerapia pode ser necessária. Assim, não se esqueça de revisar as interações medicamentosas, presença condições comórbidas e efeitos colaterais possíveis.

E muito importante: explique direitinho ao seu paciente como o medicamento irá ajudá-lo, quais possíveis efeitos colaterais (destacando que nem todos os pacientes apresentam efeitos colaterais), a segurança do uso do medicamento, que não é para sempre (diga o período previsto) e especialmente: que não existe medicamento forte, e sim medicamento adequado. Não sei se sou só eu mas acho incrível o preconceito que muitos, inclusive profissionais da saúde, tem com fármacos, o que faz o paciente muitas vezes não colaborar com o tratamento. Em algumas condições de dor orofacial, especialmente nas dores neuropáticas, o tratamento farmacológico é o apropriado.

4. Tratamento não farmacológico adequado

Pacientes podem precisar de fisioterapia e também mudar seus comportamentos muitas vezes.

No consultório odontológico orientamos muitas vezes a respeito de exercícios mandibulares, por exemplo. É comum a entrega de uma folha de papel com todos escritos. Mas destaco: faça o exercício junto ao seu paciente, verifique se ele entendeu as orientações e, super importante, nas consultas de retorno cheque tudo novamente. O seu paciente pode ter feito algo errado. Seja na instrução da termoterapia, seja na massagem, seja nos exercícios prescritos, etc.

Também, como colocarei abaixo, outras comorbidades musculoesqueléticas, como cervicalgias, podem contribuir para a refratariedade do paciente. Encaminhe sempre que necessário ao médico e fisioterapeuta para que medidas e orientações adequadas sejam conduzidas. O paciente pode perceber dor na face, mas a origem da dor pode ser no esternocleidomastoideo ou no trapézio (dor miofascial).

5. Outros fatores

É fundamental conhecer outros fatores que possam influenciar na percepção de dor do paciente. Já citei algumas no item 2.

É preciso conhecer as expectativas de seu paciente, se ele está ou não catastrófico ou hipervigilante (existem questionários para isso!).

Catastrofização é um dos fatores mais estudados hoje para se compreender a dor crônica e o que leva a sua perpetuação e, muito importante, qual o prognóstico da terapia adotada. Sugiro que estudem bastante estes fatores.

Além disso, as condições que podem ser comórbidas às condições de dores orofaciais também influenciam no resultado da terapia adotada, muito por compartilharem de passos neurofisiológicos e/ou serem afetadas pelo déficit de modulação de dor.

A presença de depressão e/ou transtornos relacionados a ansiedade sem tratamento adequado é um destes fatores.

Especialmente a DTM muscular pode coexistir em um mesmo paciente com outra condição do grupo das Síndromes Somáticas Funcionais. É importante conhecer quais as condições que participam deste grupo e que podem influenciar seu paciente. Fibromialgia, migrânea, cefaleia tipo tensional, dor lombar crônica, vulvodínia, síndrome da fadiga crônica e síndrome do intestino irritável são algumas destas condições. Nem sempre o paciente já comparece com o diagnóstico prévio destas condições, então cabe ao profissional conhecer os sinais e sintomas das mesmas e encaminhar para avaliação e terapia apropriada.

Lembre-se que DOR + DOR é = a muito mais DOR.

Para quem ficou curioso sobre o artigo, eu não consegui o PDF do mesmo, ele é um pouco antigo (2003 já é antigo, meu Deus!) mas está disponível clicando aqui.

(Queria escrever tantas outras coisas, mas acho que daria um livro! Tá aí um tema para livro não?)

Abraços a todos!!

Ah! Não deixem de me seguir no Periscope! Falei tudo isso e muito mais por lá semana passada! @dororofacial

Curso Aperfeiçoamento em DTM e Dor Orofacial – IEO Bauru

Semana intensa e quente por aqui! Não deu tempo nem de fazer um vídeo mais longo no Periscope (já me segue por lá? @dororofacial)!

Recebi a informação que a procura já começou pelo curso de Aperfeiçoamento em DTM e Dor Orofacial do IEO-Bauru!

Quem acompanha o blog há mais tempo já conhece este curso, não é? Com mais de 10 anos de tradição, professor Paulo Conti está na coordenação deste curso, teórico e clínico.

O curso tem como objetivo oferecer a todos os alunos atualidades com relação a meios de diagnóstico, critérios de classificação, comorbidades e as terapias mais conceituadas de tratamento dentro das disfunções temporomandibulares e dores orofaciais.

Na equipe, além de mim, estão presentes o professor Leonardo Bonjardim, da Fisiologia Oral da FOB-USP (junto com o prof. Paulo Conti, os dois maiores nomes na pesquisa em DTM/DOF do Brasil), Carolina Ortigosa CunhaAndré Porporatti, Yuri Costa, Naila Machado, Fernanda Araújo Sampaio, Dyna Mara FerreiraHenrique Quevedo e o fisioterapeuta César Waisberg, todos membros do Bauru Orofacial Pain Group, para suporte ao curso com aulas teóricas e acompanhamento na clínica.

Além disso sempre temos convidados especiais! Este módulo a professora querida Daniela Godói Gonçalves estará por lá! \o/

O curso tem 11 módulos, de fevereiro a dezembro e todas as datas já estão agendadas! Acontece uma vez por mês, às quintas (8:00 a mais ou menos 20:30 hs) e sextas feiras (8:00 às 18:00).

A quem se destina: cirurgiões-dentistas, fisioterapeutas e fonoaudiólogos. O bacana é que este curso também é voltado para a atualização do especialista em DTM e Dor Orofacial!

Quer saber mais?

Entre em contato com a Vivian no IEO-Bauru pelo telefone 14 32341919 ou site www.ieobauru.com.br

Espero encontrar vários leitores por lá!

Ah! E para quem quer saber sobre a Especialização: nova turma em Abril de 2016!

Conheça também nosso trabalho no Bauru Orofacial Pain Group através da página do Facebook: www.facebook.com/orofacialpain

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Ideias para a coluna “5 PERGUNTAS PARA…”

Olá pessoal!

Quero voltar com a coluna “5 perguntas para…” mas estou passando por uma fase pouco criativa.

Então, vou pedir ajuda a vocês!

Por favor, dêem sugestões pelo formulário abaixo. Pode ser só sugestão de pergunta ou só de entrevistado.

Pretendo fazer algumas entrevistas em vídeo! Já tenho alguns nomes aqui em mente.

Enquanto isso, dê uma olhada nas que fizemos aqui no blog no passado:

Mais um evento em Setembro: Viscossuplementação na ATM

E vamos lá para mais um evento do segundo semestre, e mais um em Setembro! Desta vez será um curso sobre Viscossuplementação na ATM a ser realizado nos dias 24, 25 e 26 de setembro no Hospital Mater Dei em Belo Horizonte.

A ideia do curso surgiu pelo professor Eduardo Januzzi que vem divulgando esta técnica há alguns anos nos cursos de especialização em DTM e Dor Orofacial no Brasil e em Portugal. Ele esteve no curso de especialização do IEO-Bauru no módulo passado.

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Desta vez ele resolveu organizar um evento maior, com presença de professores que atuam na área, para discutir esta técnica e suas vantagens e desvantagens. Assim, mesas redondas de discussão estão programadas. O curso será teórico e prático.

Estarão presentes os professores convidados: Paulo Cunali, Eduardo Grossman, Frederico Mota Leite, Rafael Tardin, Betânia Alves, Luciano Ferreira, Pedro Oliveira e o presidente da Sociedade Portuguesa de DTM e Dor Orofacial (SPDOF), David Lopez.

As mesas redondas serão mediadas pelo presidente da Sociedade Brasileira de DTM e Dor Orofacial (SBDOF), João Henrique Padula e pelos amigos professora Ana Cristina Lotaif, José Luiz Peixoto Filho e Marcelo Ugadin.

E eu também vou! Vou falar bem na parte inicial sobre as degenerações em ATM e também fui convidada a moderar uma mesa. Acho que será interessante para tirar dúvidas sobre o uso desta técnica na clinica de Dor Orofacial.

A programação é extensa e você pode encontrar no site www.neoncursos.com.br bem como fazer a sua inscrição.

Serão apenas 40 vagas, o que é bem chato pois muitos ficarão de fora. Vi hoje na página do Facebook deles que mais da metade já foi preenchida! Então, quem se interessar, tem que fechar rápido! Sócios da SBDOF tem desconto.

E por falar em cursos….

O Dia do Bruxismo em SP será no dia 15 de agosto!!! Eu e dona Adriana Lira Ortega voltaremos onde tudo começou, na São Leopoldo Mandic em Perdizes.

DB SP.002

Algumas pessoas me escreveram dizendo que estavam com dificuldades ao acessar o site da SLMandic (também achei um pouco complexo). Segue abaixo como proceder!

Acesse: http://www.slmandic.edu.br/cursos.php?#

No site da Mandic o “Dia do Bruxismo” está com o nome: ” Aperfeiçoamento em Identificação e Diagnóstico do Bruxismo” e o código é: 2015. Caso queiram procurar pelo nome do coordenador, digitem “Ortega”.
Qualquer problema com a inscrição, entrar em contato coma central de atendimento pelo número: 0800 941 7 941.
Não deixem para última hora porque as vagas acabam….
‪#‎diadobruxismo‬ ‪#‎diadobruxismosaopaulo‬

Este ano também iremos a Brasília (03/10) e Uberaba (07/12)! Saiba mais em www.diadobruxismo.com