Novidades sobre Bruxismo no IADR

Esta semana aconteceu em São Francisco na Califórnia a edição anual do Congresso Mundial de Pesquisa Odontológica promovido pela IADR (Associação Internacional de Pesquisa Odontológica). Infelizmente não pude comparecer.

Neste evento aconteceu uma reunião fechada entre os experts na pesquisa do Bruxismo. Prof. Daniele Manfredini foi um dos participantes e gentilmente fez um resumo do que aconteceu nesta reunião. Coloco abaixo seu texto:

Dear friends, 
as promised, here I am with a brief summary of the expert consensus meeting on bruxism at the IADR congress. Nice and lovely experience, without any real clashes between any of us…my special thanks to Frank Lobbezoo for the excellent coordination and to Karen Raphael and Peter Wetselaar, who co-chaired with me the working group on the definition of diagnostic cut-offs. The other groups provided summaries on the non-instrumental (ie, questionnaires, interviews, EMA [ecological momentary assessment], clinical assessment) and instrumental (ie, PSG and EMG) approaches to bruxism evaluation. 
At the end of the a very productive day, we all agreed that the new consensus paper should be based on some very clear concepts: 
1. a separate definition for sleep and awake bruxism – different etiology, clinical consequences, and management outcomes; 
2.bruxism is a behavior, which can be a risk factor for some clinical signs/symptoms (e.g., tooth wear, muscle fatigue, pain) or be associated with other conditions (e.g., OSA, other sleep disorders). Bruxism is not a “disorder” per se; 
3. being a risk factor, bruxism cannot be “diagnosed” in terms of yes/no, and the search for an ideal cut-point that discriminates between the presence or absence of clinical consequences might reveal unfruitful; 
4. as such, as far as sleep time is concerned, it is recommendable that masticatory muscle activity is measured in its continuum; 
5. as for awake bruxism, self-report via EMA is a promising strategy to approximate a correlation with patients’ experienced symptoms.  
All these summary points have to be refined after the manuscript will be drafted in full version and submitted for suggestions to the expert who were absent during the meeting.

Daniele Manfredini

Como eu já esperava, mais do que nunca é importante separar o Bruxismo do Sono do Bruxismo em Vigília, inclusive em definição, já que são condições distintas.

Bruxismo é um comportamento. Este fato traz um desafio ao clínico, pois há individualização do diagnóstico. Como comportamento sua ocorrência depende de vários fatores e ainda, pode ser que tragam ou não consequências ao organismo. O bruxismo nem sempre é vilão (leia sobre isso aqui).

Sobre o EMA citado no item 5, trata-se do uso de aplicativos para smartphone para potencializar o diagnóstico e controle do bruxismo em vigília. E isso já fazemos há anos, não é mesmo? O primeiro aplicativo foi o Desencoste seus Dentes e depois surgiu o Bruxapp. No Dia do Bruxismo demonstro sempre como uso este recurso na clínica!

Enfim, pensando em todos os aspectos, concordo com um comentário realizado pelo colega Ricardo Aranha e confirmado pela Profa. Karen Raphael em uma discussão no Facebook: existe muito sobre tratamento em relação ao Bruxismo.

Eu já estou ansiosa para ler as publicações que viram por aí no Journal Oral Rehabilitation. Vamos ficar de olho!!

 

Falando nisso…

A professora Adriana Lira Ortega também estava lá no IADR (#inveja) e mostrou tudo no Instagram do Dia do Bruxismo! Siga lá! @diadobruxismo Antes de ela embarcar ainda estivemos em Maringá na Dental Press, e foi muito bacana!

Agora o próximo DB acontecerá em Passo Fundo (vamos explicar direitinho as novidades sobre Bruxismo)! Clique aqui e saiba todos os detalhes!

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Bruxismo infantil e o problema respiratório

Quem já assistiu o Dia do Bruxismo já sabe: professora Adriana Lira Ortega é a responsável pela parte do Bruxismo Infantil e também por falar sobre o bruxismo secundário (apesar dos meus spoilers, ela é que fala brilhantemente sobre o assunto).

E um dos assuntos que ela aborda e cada dia mais ouço e leio é a relação entre o bruxismo do sono e os problemas respiratórios em crianças. E é bem interessante!

Hoje fiz uma transmissão ao vivo pelo Instagram (me siga lá @dtmdororofacial) e falei sobre um dos últimos artigos publicados sobre o assunto. Trata-se de um estudo observacional que verificou a associação do bruxismo do sono aos problemas respiratórios em crianças de 8 a 11 anos. O trabalho foi desenvolvido no Brasil e mostrou que especialmente rinite e sinusite estavam associados a presença de BS infantil (além de mostrar que a prevalência de BS em crianças era maior quando as mães apresentam maior escolaridade – seria percepção maior da mãe? – e alto nível de estresse).

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Mas vamos falar sobre esta relação entre a passagem do ar e bruxismo durante o sono. Faz sentido. Como já relatei aqui, o bruxismo neste caso é secundário ao evento de obstrução e aparece como um sinal de que algo não está Ok neste sono. Leia o post Bruxismo: vilão ou mocinho?

Interessante também observar um outro fato. Extrapolando os resultados deste trabalho, é possível pensar que a criança que apresente estes distúrbios do sono possa ser uma criança agitada. Não é incomum mães relatarem que suas crianças são hiperativas. Mas elas são mesmo ou apenas dormem mal? Quando seu filho ou filha dormem mal, eles ficam sonolentos no dia seguinte ou extremamente irritados?

Achei um relato de caso publicado este mês exatamente questionando isso! Bem bacana!

Saiba mais sobre hiperatividade e déficit de atenção: clique aqui.

É preciso diagnosticar bem qual tipo de bruxismo a criança apresenta. Quando o bruxismo é secundário, o tratamento deve visar a causa e não o bruxismo em si.

#ficaadica

Falando nisso…

Estaremos em Maringá, Passo Fundo, Bauru, Balneário Camboriú, São Paulo e mais alguns lugares este ano! Acompanhem tudo no site do Dia do Bruxismo, www.diadobruxismo.com, Facebook e Instagram (@diadobruxismo).

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Onde eu atendo os pacientes com DTM?

Eu acho que nunca escrevi aqui no blog sobre meus locais de atendimento, apesar de sempre no menu estarem localizados estes endereços.

Mas sabe resolução de 2017? Então, resolvi que neste ano vou divulgar mais os locais onde recebo pacientes ansiosos para o controle de suas dores, disfunções e bruxismo.

Para isso ano passado fiz um site totalmente novo, voltado para o público leigo no endereço: www.dentistajuliana.com.br

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O site é informativo e aos poucos estou atualizando os textos.

Uma das coisas bacanas que resolvi colocar é um teste de sintomas de DTM. Assim, antes da visita, o paciente pode perceber dados relevantes sobre sua queixa.

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Ainda, acompanhando as novas tendências, intensificamos o contato via Whatsapp com números específicos para os dois consultórios. Hoje atendo em Ribeirão Preto e Franca.

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Além deste atendimento particular, faço parte do Bauru Orofacial Pain Group e auxilio atendimentos nas clínicas de DTM e Dor Orofacial no IEO-Bauru uma vez no mês. Lá o atendimento é de baixo custo (mais informações 14-3234 1919).

Assim, caso precisem ser atendidos ou mesmo encaminhar pacientes, estão aí meus contatos!

Falando nisso….

E por falar nos cursos de Bauru, o curso de Atualização em DTM e Dor Orofacial coordenado pelo Prof. Paulo Conti está com vagas quase esgotadas! Corra! Início dia 16/02/2017 e com novidades! 🙂

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Bruxapp – novo aplicativo

Dias desses através de um grupo italiano de discussão sobre DTM e bruxismo no LinkedIn, conheci o Bruxapp, novo aplicativo para diagnóstico e controle do bruxismo.

Desde 2012 eu uso (e recomendo) o aplicativo Desencoste seus Dentes, que auxilia no diagnóstico e controle do Bruxismo em Vigília (lembre-se que há vários tipos de Bruxismo, aqui no texto usarei bruxismo do sono (BS) e bruxismo em vigília (BV)). Então fiquei curiosa quando vi este novo aplicativo.

O Bruxapp está disponível para smartphones Android e iOS, nas versões em Inglês, Italiano e Espanhol, e custou 3,99 dólares. Bem, logo de cara a primeira restrição na utilização no consultório: não há ainda versão em Português do Brasil (fui informada que logo chegará).

Ele é um aplicativo é bem completo e achei até um pouco complexo o que pode dificultar o uso por alguns dos pacientes, sobretudo os não familiarizados com tecnologia ou ansiosos.

Desenvolvido sob coordenação do Prof. Daniele Manfredini, o Bruxapp participa de um estudo epidemiológico multicêntrico. Os dados, quando autorizados, são enviados ao seu grupo de pesquisa na Itália.

Mas vamos à descrição: inicialmente o aplicativo apresenta um guia para que você programe todos os alertas que desejar.

Captura de Tela 2016-05-16 às 18.27.02O aplicativo visa ajudar os pacientes a perceberem o bruxismo e evitarem danos aos dentes, músculos e ATM com o lema: mantenha seus dentes desencostados e seus músculos relaxados. Assim como o Desencoste, ele emite uma notificação para isso em seu celular. E promete uma versão para Apple Watch com estímulo tátil (vibração) nos próximos meses.

A cada vez que o alerta soa, o paciente deve responder às 3 perguntas: a primeira sobre como estão posicionados seus dentes (afastados, levemente em contato, apertados ou rangendo). A segunda é sobre a musculatura, se está tensa ou contraída (em uma posição fixa e rígida) e a terceira se o paciente sente dor na face.

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Há dois tipos de uso: básico e avançado. No básico os alertas servem apenas para que o paciente mentalmente guarde como estava no momento (as três respostas) e assim, ao final do dia, ele é solicitado a preencher um relatório sobre as atividades durante o dia (quantas vezes percebeu). No avançado ele permite que o paciente anote no momento, de acordo com o alerta, seu estado.

Os alarmes durante o dia podem ser  ativados por horário de início e fim e ainda intervalos sem ativação podem ser programados. É possível escolher a freqüência de notificações (de 5 a 25 por dia).

Um outro alarme interessante é para BS. Você pode programar uma alarme matinal (5 minutos antes do horário habitual do paciente acordar) e assim ao despertar o paciente pode responder às 3 perguntas! Também tem um alarme para lembrar àquele paciente que usa dispositivo interoclusal para dormir de vesti-lo.

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Mas só um alarme que achei estranho. Há a possibilidade de programar alarmes para o sono, ou seja, o aplicativo acordaria o paciente (1 a 3 vezes durante o sono) para realizar as 3 perguntas. Achei isso interessante mas me preocupa interromper o sono do paciente, especialmente se o mesmo apresentar DTM e insônia por exemplo. Estudos com outros métodos que acordavam o paciente mostram que a sonolência diurna ocorre após algumas noites utilizando.

Mais informações na página do aplicativo no Facebook!

Falando nisso…

Demonstrei o Bruxapp no aplicativo Periscope outro dia e foi bem bacana! Siga-me por lá! www.periscope.tv/dororofacial

Também falo sempre no Dia do Bruxismo! Já estamos com inscrições abertas para Ribeirão Preto (13/08) e Joinville (09/09). Não vá perder!! http://www.diadobruxismo.com

E por falar em redes sociais…

Estamos presentes nas mais diferentes plataformas!

Além do Periscope:

Facebook: www.facebook.com/dororofacial

Twitter: www.twitter.com/dororofacial

Instagram: @dtmdororofacial

🙂

 

 

Rapidinhas: Dia do Bruxismo em Uberaba

Eu sei que estou sumida e só fazendo posts da categoria Rapidinhas, podem brigar comigo!

Nem transmissão no Periscope fiz esta semana… (me segue por lá! @dororofacial)

Para justificar quero contar que estou ajudando na organização de um evento bacana que acontecerá semana que vem aqui no Brasil: o CORE – Colloquium of Oral Rehabilitation. Este ano o tema é Dor Orofacial. Serão dois dias de intensas discussões que gerarão artigos científicos para a revista Journal of Oral Rehabilitation que organiza o evento junto com a Comissão de Ensino e Pesquisa da SBDOF. Ou seja, muita leitura (tenho que ler os quatro rascunhos ainda!!) e trabalho pela frente…

O motivo desta postagem é para contar para vocês que logo depois do CORE, no dia 05/12, estarei em Uberaba junto com minha amiga e bruxpartner Adriana Lira Ortega para mais um Dia do Bruxismo!

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O evento vem se aperfeiçoando ao longo do tempo! Este ano já estivemos em Florianópolis, Belo Horizonte, João Pessoa, São Paulo, Brasília e agora vamos terminar comendo doce de leite Zebu em Uberaba! As palestras estão atualizadas com tudo o que saiu na literatura nos últimos meses (inclusive material online sobre isso). É um dia inteiro para saber mais sobre Bruxismo!

Quer participar? As inscrições estão abertas! 

Fique atento ao local e também ao contato para inscrição:

Data: 05/12 – 8 às 18 hs
Local: Clínica Ortovenâncio – R.Vigario Silva, 471 – Centro, Uberaba MG
Inscrições: (34) 3325-3936 ou (34) 98822-0240 (Whatsapp) com Flávia
Mais informações: ortovenancio@yahoo.com.br

Quer conhecer mais sobre o curso: www.diadobruxismo.com

Curso Aperfeiçoamento em DTM e Dor Orofacial – IEO Bauru

Semana intensa e quente por aqui! Não deu tempo nem de fazer um vídeo mais longo no Periscope (já me segue por lá? @dororofacial)!

Recebi a informação que a procura já começou pelo curso de Aperfeiçoamento em DTM e Dor Orofacial do IEO-Bauru!

Quem acompanha o blog há mais tempo já conhece este curso, não é? Com mais de 10 anos de tradição, professor Paulo Conti está na coordenação deste curso, teórico e clínico.

O curso tem como objetivo oferecer a todos os alunos atualidades com relação a meios de diagnóstico, critérios de classificação, comorbidades e as terapias mais conceituadas de tratamento dentro das disfunções temporomandibulares e dores orofaciais.

Na equipe, além de mim, estão presentes o professor Leonardo Bonjardim, da Fisiologia Oral da FOB-USP (junto com o prof. Paulo Conti, os dois maiores nomes na pesquisa em DTM/DOF do Brasil), Carolina Ortigosa CunhaAndré Porporatti, Yuri Costa, Naila Machado, Fernanda Araújo Sampaio, Dyna Mara FerreiraHenrique Quevedo e o fisioterapeuta César Waisberg, todos membros do Bauru Orofacial Pain Group, para suporte ao curso com aulas teóricas e acompanhamento na clínica.

Além disso sempre temos convidados especiais! Este módulo a professora querida Daniela Godói Gonçalves estará por lá! \o/

O curso tem 11 módulos, de fevereiro a dezembro e todas as datas já estão agendadas! Acontece uma vez por mês, às quintas (8:00 a mais ou menos 20:30 hs) e sextas feiras (8:00 às 18:00).

A quem se destina: cirurgiões-dentistas, fisioterapeutas e fonoaudiólogos. O bacana é que este curso também é voltado para a atualização do especialista em DTM e Dor Orofacial!

Quer saber mais?

Entre em contato com a Vivian no IEO-Bauru pelo telefone 14 32341919 ou site www.ieobauru.com.br

Espero encontrar vários leitores por lá!

Ah! E para quem quer saber sobre a Especialização: nova turma em Abril de 2016!

Conheça também nosso trabalho no Bauru Orofacial Pain Group através da página do Facebook: www.facebook.com/orofacialpain

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Entrevista com Prof. Paulo Conti – DTM e Bruxismo

Na semana passada fomos surpreendidos por uma entrevista do Prof. Paulo Conti, professor da FOB-USP e coordenador do Bauru Orofacial Pain Group, no programa Saúde em Prática da TV Unesp de Bauru.

Uma entrevista bem esclarecedora para a população, falando sobre tipos de disfunções temporomandibulares (DTM), ruídos, cefaleias, bruxismo, má oclusão (desmistificando seu papel) e tratamentos (enfatizando os conservadores, explicando papel das placas, etc).

Vale a pena assistir!

Dê um play! 😉

Teorias sobre Bruxismo secundário a problemas respiratórios

Esta semana li um artigo sobre a teoria da relação causa-efeito entre Bruxismo do Sono e Distúrbios do Sono  relacionados a problemas respiratórios. Trata-se do artigo: “Theories on possible temporal relationships between sleep bruxism and obstructive sleep apnea events. An expert opinion” publicado na revista Sleep Breath e que traz como autores Daniele Manfredini, Luca Guarda-Nardini, Rosario Marchese-Ragona e Frank Lobbezoo. 

Pelo título já percebemos que se trata de uma revisão livre e com opinião de alguns dos maiores pesquisadores na área de Bruxismo (se estivesse na sala de aula já estava fazendo meu tradicional gesto de que é um artigo da base da pirâmide de evidência, rs…).

A discussão sobre este assunto é necessária e interessante do ponto de vista clínico. Os dados clínicos apontam para este tipo de Bruxismo, classificado como secundário, apesar de sabermos que Bruxismo primário pode apresentar aumento no número de eventos por um fator secundário. Entretanto, como os autores citaram, recentemente uma revisão sistemática sugeriu que ainda não é possível afirmar ou negar a relação entre as duas condições.

Para não ficar confuso, vamos usar a tática encontrada pelos autores e dividir a associação em alguns possíveis cenários, de acordo com o caráter temporal. Observem que será um texto mais de caráter reflexivo do que prático!

A chave para entender o pensamentos dos autores parece estar ligada a fisiopatologia do Bruxismo do Sono (BS), sobretudo a cascata de eventos que ocorrem em sequência (microdespertar – taquicardia – contração muscular em músculos mastigatórios).

Para quem não está familiarizado com isso, sugiro a leitura do texto neste link: http://goo.gl/ClBdnR Observem a tabela 3!

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Cenário 1 – os dois eventos não são relacionados.

Neste cenário os autores apontaram que os dados obtidos através do exame de polissonografia (PSG) não mostra uma relação temporal entre os dois eventos, ou seja, os eventos se relacionem com microdespertares diferentes. Entretanto, é um cenário discutível já que não se sabe qual seria o período de tempo exato para se dizer que as duas ocorrências (evento de BS e evento de hipopneia ou apneia) não estão relacionadas. Complicado imaginar e verificar nos exames este cenário.

Cenário 2 – Um evento de hipopneia/apneia precede um evento de BS

Me parece ser o cenário mais comum (pelo menos o que mais observo nas PSG que recebo). Também é o cenário em que conseguimos explicar com mais facilidade. Neste cenário o evento de hipopneia/apneia precede o evento de BS. O que acontece é que a obstrução da passagem do ar parece ser interrompida pela contração da musculatura mastigatória, o que na PSG aparece como um evento de BS após o evento de hipopneia/apneia.

Os autores descrevem estes eventos e sua relação com a contração dos músculos suprahioides (mais uma vez, vejam a tabela 3 do atrigue está neste link:  http://goo.gl/ClBdnR). Esta contração acontece um segundo antes do chamado movimento ritmico da musculatura mastigatória (RMMA) e parece estar envolvida com a restauração da passagem do ar. O BS teria um papel protetor ao organismo neste caso.

Também pensando nisso, deve-se observar que a obstrução a passagem do ar apresenta tipos e locais diferentes. Possivelmente a obstrução deve ser solucionada com o avanço mandibular.

A contração dos músculos mastigatórios pode também ser uma reação não específica à Síndrome da Resistência das Vias Aéreas Superiores (SRVAS) caracterizada  por uma obstrução das vias aéreas superiores (VAS) insuficiente para criar apnéias francas, hipopnéias e dessaturações (queda na oxigenação do sangue), mas suficiente para perturbar a microestrutura do sono e aumentar o esforço respiratório. Neste caso há uma aumento de microdespertares, o que poderia ser a ligação com os eventos de BS.

Cenário 3 – Um evento de BS precede um evento de apneia/hipopneia

Este cenário é raramente descrito na literatura e pode ser explicado uma vez que há a sugestão de que durante o sono REM as mucosas das vias aéreas superiores poderiam secretar muco suficiente para causar uma congestão nasal que por sua vez seria o gatilho para o aparecimento do microdespertar. O natural seria imaginar um quadro como no cenário 2, mas os autores também descrevem algumas teorias que suportam este cenário 3. Primeiro que o BS poderia ocorrer como reflexo trigeminal frente a uma bradicardia. Neste caso, este reflexo cardíaco trigeminal poderia induzir à congestão nasal. Os autores ainda destacam no texto que possivelmente este cenário incomum acontecesse também na fase REM, onde eventos de BS são igualmente menos comuns de ocorrerem.

Cenário 4 – Um evento de apneia/hipopneia ocorre ao mesmo tempo que o evento de BS

Na teoria este cenário pode ser plausível, na prática ainda não foi descrito.

Você pode ter chegado até esta parte do texto questionando-se porque é que eu resolvi escrever sobre este texto tão teórico ainda. Bem, eu acho que devemos abrir nossa mente aos diferentes pacientes com diferentes tipos de bruxismo que recebemos diariamente em nossa clínica. O cenário 2 é mais frequente, mais fácil de ser explicado mas devemos saber que outros cenários podem existir.

Lembro que o artigo refere-se a opinião de autores. Ainda, não reproduzi na íntegra todo o texto e cabe a observação que estudos comprovando cada um dos cenários são citados. Sugiro a leitura integral do texto que está neste link: http://goo.gl/8X0iE9

Conheçam Bruxismo, mas também conheçam outros distúrbios do sono que possam estar relacionados a ele! 🙂

Falando nisso…

Já estão abertas as inscrições para o Dia do Bruxismo em Belo Horizonte e São Paulo! Em breve: Florianópolis, João Pessoa, Curitiba e Uberaba! Conheça o projeto, o programa, as palestrantes e faça sua inscrição pelo site www.diadobruxismo.com Falaremos mais sobre as associações ao Bruxismo por lá! 🙂

Sobre Bruxismo no site do Ministério da Saúde

Hoje saiu um folder sobre bruxismo no blog do Ministério da Saúde! Fiquei bem feliz pois é um tema que precisa ser divulgado.

Usem para divulgar para seus pacientes!

Também abaixo segue o folder sobre Disfunção Temporomandibular.

Para ler mais sobre um dos assuntos no blog do MS, clique no folder!

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Uso da toxina botulínica em casos de bruxismo do sono em crianças

Hoje eu vou ceder o espaço para que a professora Adriana Lira Ortega escreva sobre um tema que está me preocupando muito: o uso indiscriminado da toxina botulínica, sem critérios, no tratamento de bruxismo do sono em crianças.

Apenas, antes de passar a palavra, queria lembrá-los que postei há algum tempo aqui sobre bruxismo infantil. Por favor, se informem a respeito desta condição antes de aceitarem qualquer terapia na tentativa de reduzir barulhos ao dormir. Procure saber o que é bruxismo. Procure saber o que é bruxismo primário. Procure saber que em crianças é comum o diagnóstico de bruxismo secundário a obstrução nasal (e o tratamento deve nestes casos privilegiar estas condições). Procure saber mais sobre bruxismo! Clique aqui para ler todas as postagens feitas neste blog sobre este assunto!

Com a palavra, Dra. Adriana:

Ultimamente tenho percebido um avanço no uso da toxina botulínica em crianças e hoje uma colega me perguntou se eu uso e resolvi escrever alguma coisa sobre o assunto, já que ela não foi a primeira a perguntar. Em crianças com distúrbios neuromotores ou neuropsicomotores eu indico sob determinadas condições.

Não aconselho esse emprego em crianças normorreativas porque ainda tenho muitas dúvidas…

  1. Já é questionável dizer “tratamento” como muitos dizem: o bruxismo não seria tratado com a aplicação da toxina, uma vez que sua origem é central. Ou seja, o estímulo neurológico para que o músculo contraia continuaria existindo com ou sem a toxina. O que ocorre é a diminuição da contração muscular e, no caso, em masseter e temporal. E os pterigoideos? Não havendo aplicação em pterigoideos, a lateralidade continuaria a existir.
  2. Diminuindo a eficiência muscular com a aplicação em masseter e temporal, ainda assim não seria suficiente para evitar o contato e a atrição dos dentes durante o ranger. Se houver diminuição da força muscular a ponto de não haver atrito, também haverá prejuízo na mastigação, o que não é desejável. E se não impede o contato, a placa tem que ser usada pq é o que evita o desgaste da estrutura dental. Ou seja, a toxina não dispensaria o uso da placa.
  3. A ação da toxina não é reversível para o neurônio lesado (lembrando que os procedimentos reversíveis são os mais indicados para os pacientes). A contração muscular que volta acontecer é resultado da neuroplasticidade: depois que a liberação da acetilcolina pelo neurônio é bloqueado pela toxina, uma nova junção neuromuscular é formada para suprir a ausência da primeira. Em modelo animal, essa regeneração neuronal é lenta e os autores questionam se não há um limite para essa plasticidade (ROGOZHIN et al., 2008). Levantar essa questão é necessária uma vez que é percebido nos resultados clínicos a longo prazo: aumento do espaço de tempo entre as aplicações.
  4. Me preocupa um pouco os resultados a longo prazo. Se o bruxismo é de origem central então seria necessário reaplicações da toxina, uma vez que o paciente não pararia de ranger. A toxina já promove atrofia neurogênica de fibras musculares em uma única aplicação (SCHRODER et al., 2009) e estudo longitudinal com crianças com paralisia cerebral afirma que repetidas aplicações da toxina apresentam resultados funcionais, com diminuição do tônus muscular (TEDROFF et al., 2009). Isso é desejável em crianças com paralisia cerebral porque elas têm o tônus aumentado. Em crianças normorreativas não consigo perceber nenhum benefício nessa diminuição permanente de tônus.
  5. Pensando no condicionamento psicológico das crianças para o atendimento odontológico (e isso é muito importante!), como é a aceitação delas em relação ao procedimento?

Alinhada com a conduta da Odontologia baseada em Evidências Científicas e com os conceitos da mínima intervenção não vejo, por hora, motivos plausíveis para indicar injeções de toxina botulínica para crianças com bruxismo do sono.

No entanto, reforço minha postura de flexibilidade para mudar de opinião assim que tiver conhecimento de outros resultados, inferências e conjecturas que, de forma contundente, contradigam meu raciocínio atual.

Referências

Rogozhin AA, Pang KK, Bukharaeva E, Young C, Slater CR. Recovery of mouse neuromuscular junctions from single and repeated injections of botulinum neurotoxin A. J Physiol. 2008;586(13):3163-82.

Schroeder AS, , Ertl-Wagner B, Britsch S et al. Muscle biopsy substantiates long-term MRI alterations one year after a single dose of botulinum toxin injected into the lateral gastrocnemius muscle of healthy volunteers. Mov Disord. 2009;24(10):1494-503.

 

Tedroff K, Granath F, Forssberg H, Haglund-Akerlind Y. Long-term effects of botulinum toxin A in children with cerebral palsy. Dev Med Child Neurol. 2009;51(2):120-7.

 

Para quem quiser saber mais sobre bruxismo e DTM em Odontopediatria, dia 24 de maio acontecerá um evento em São Paulo! Clique na figura abaixo para mais informações.

Obrigada Adriana por todo ensinamento! Você é muito generosa!

 

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