Bruxapp – novo aplicativo

Dias desses através de um grupo italiano de discussão sobre DTM e bruxismo no LinkedIn, conheci o Bruxapp, novo aplicativo para diagnóstico e controle do bruxismo.

Desde 2012 eu uso (e recomendo) o aplicativo Desencoste seus Dentes, que auxilia no diagnóstico e controle do Bruxismo em Vigília (lembre-se que há vários tipos de Bruxismo, aqui no texto usarei bruxismo do sono (BS) e bruxismo em vigília (BV)). Então fiquei curiosa quando vi este novo aplicativo.

O Bruxapp está disponível para smartphones Android e iOS, nas versões em Inglês, Italiano e Espanhol, e custou 3,99 dólares. Bem, logo de cara a primeira restrição na utilização no consultório: não há ainda versão em Português do Brasil (fui informada que logo chegará).

Ele é um aplicativo é bem completo e achei até um pouco complexo o que pode dificultar o uso por alguns dos pacientes, sobretudo os não familiarizados com tecnologia ou ansiosos.

Desenvolvido sob coordenação do Prof. Daniele Manfredini, o Bruxapp participa de um estudo epidemiológico multicêntrico. Os dados, quando autorizados, são enviados ao seu grupo de pesquisa na Itália.

Mas vamos à descrição: inicialmente o aplicativo apresenta um guia para que você programe todos os alertas que desejar.

Captura de Tela 2016-05-16 às 18.27.02O aplicativo visa ajudar os pacientes a perceberem o bruxismo e evitarem danos aos dentes, músculos e ATM com o lema: mantenha seus dentes desencostados e seus músculos relaxados. Assim como o Desencoste, ele emite uma notificação para isso em seu celular. E promete uma versão para Apple Watch com estímulo tátil (vibração) nos próximos meses.

A cada vez que o alerta soa, o paciente deve responder às 3 perguntas: a primeira sobre como estão posicionados seus dentes (afastados, levemente em contato, apertados ou rangendo). A segunda é sobre a musculatura, se está tensa ou contraída (em uma posição fixa e rígida) e a terceira se o paciente sente dor na face.

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Há dois tipos de uso: básico e avançado. No básico os alertas servem apenas para que o paciente mentalmente guarde como estava no momento (as três respostas) e assim, ao final do dia, ele é solicitado a preencher um relatório sobre as atividades durante o dia (quantas vezes percebeu). No avançado ele permite que o paciente anote no momento, de acordo com o alerta, seu estado.

Os alarmes durante o dia podem ser  ativados por horário de início e fim e ainda intervalos sem ativação podem ser programados. É possível escolher a freqüência de notificações (de 5 a 25 por dia).

Um outro alarme interessante é para BS. Você pode programar uma alarme matinal (5 minutos antes do horário habitual do paciente acordar) e assim ao despertar o paciente pode responder às 3 perguntas! Também tem um alarme para lembrar àquele paciente que usa dispositivo interoclusal para dormir de vesti-lo.

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Mas só um alarme que achei estranho. Há a possibilidade de programar alarmes para o sono, ou seja, o aplicativo acordaria o paciente (1 a 3 vezes durante o sono) para realizar as 3 perguntas. Achei isso interessante mas me preocupa interromper o sono do paciente, especialmente se o mesmo apresentar DTM e insônia por exemplo. Estudos com outros métodos que acordavam o paciente mostram que a sonolência diurna ocorre após algumas noites utilizando.

Mais informações na página do aplicativo no Facebook!

Falando nisso…

Demonstrei o Bruxapp no aplicativo Periscope outro dia e foi bem bacana! Siga-me por lá! www.periscope.tv/dororofacial

Também falo sempre no Dia do Bruxismo! Já estamos com inscrições abertas para Ribeirão Preto (13/08) e Joinville (09/09). Não vá perder!! http://www.diadobruxismo.com

E por falar em redes sociais…

Estamos presentes nas mais diferentes plataformas!

Além do Periscope:

Facebook: www.facebook.com/dororofacial

Twitter: www.twitter.com/dororofacial

Instagram: @dtmdororofacial

🙂

 

 

Rapidinhas: desgaste dentário e SAOS

Tenho dois mantras que recito em toda aula de bruxismo:

1. Bruxismo não é DTM

2. A presença de desgaste dentário não indica que o paciente apresenta bruxismo do sono.

O primeiro mantra é fácil de explicar: simplesmente não são a mesma condição. Ainda, hoje a relação entre bruxismo e DTM é questionada, sobretudo quanto ao tipo de bruxismo e ao tipo de DTM.

O segundo mantra parece irraizado na mente dos cirurgiões dentistas e fazê-los observar além do óbvio é minha missão na aula. Os estudos falham em associar o desgaste dentário ao bruxismo do sono. Para dar um nó na cabeça,  bruxismo do sono primário tem ocorrência flutuante e o desgaste é uma cicatriz, não se sabe, naquele momento, quando aconteceu.

E olhem só que interessante: nas aulas do Dia do Bruxismo, a professora Adriana Lira Ortega comenta sobre a possível associação entre bruxismo do sono com síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS). Como já escrevi aqui no blog, esta associação pode ter várias direções, mas a mais provável seria colocando o bruxismo como mocinho da história, afinal o ato de movimentar a mandíbula pode estar associado a abertura da passagem do ar posterior e ainda salivação. Mas uma teoria pode indicar que isso aumente a ocorrência de desgaste dentário.


Revisando os artigos recentemente publicados sobre bruxismo, encontrei um estudo piloto que teve uma ideia interessante: verificou a associação entre desgaste dentário e SAOS em pacientes diagnosticados com possível bruxismo do sono.

O nome do artigo é  Frequency of Obstructive Sleep Apnea Syndrome in Dental Patients with Tooth Wear e foi publicado em 2015 no Journal of Clinical Sleep Medicine.

Os resultados mostraram que a frequência de SAOS em pacientes com desgaste dentário foi 3 vezes maior do que na população. Ainda, encontraram correlação positiva significativa entre a gravidade do desgaste dentário e a gravidade da SAOS, ou seja, quanto maior o número de eventos de apneia, maior o desgaste dentário encontrado.

Apesar de podermos discutir vários pontos negativos do trabalho como a escolha da amostra, estes resultados mostram algo que sempre pedimos aos colegas clínicos: pensem além do bruxismo! Outros distúrbios do sono podem estar interferindo na qualidade de vida de seu paciente.

Se não estudou ainda sobre SAOS e insônia, etc; corra atrás do prejuízo!

Para ler o artigo na íntegra, clique aqui.

Falando nisso….

O Dia do Bruxismo irá acontecer em Porto Alegre e Cuiabá! Fique de olho para não perder sua vaga!

Vagas limitadas!

Saiba mais em www.diadobruxismo.com


Site do Mês: Odontopediatria em Evidência

Olá! Feliz 2016!

Espero que este ano eu consiga cumprir a promessa de escrever bastante aqui no blog! 🙂

E para esta primeira postagem do ano eu quero apresentar a vocês um novo blog! A minha amiga e parceira no Dia do Bruxismo, Prof.a. Adriana Lira Ortega aderiu ao vício de blogar e começou o seu próprio espaço na internet!

  
Já estava na hora. Para quem não a conhece, a Adriana é odontopediatra e ortodontista e trabalha na área clínica e de pesquisa em DTM, Dor Orofacial e Bruxismo em crianças e adolescentes e pacientes especiais, e é palestrante em vários cursos no Brasil e também no exterior!

É uma área muito bacana e muitas vezes desconhecida dos profissionais.

Em seu blog, ela pretende discutir e expor assuntos sobre o prisma da Odontologia baseada em Eviências. Assim o nome não podia ser melhor: Odontopediatria em Evidência.

Acho que é um bom tempero, não?

Corre lá para ler! Link: www.adrianaliraortega.com

Falando nisso…

Eu e a dona Adriana estaremos juntas mais uma vez para falar sobre Bruxismo, agora em Curitiba na ABOPR no dia 05/03/2016 e as inscrições estão com valores promocionais mas logo vai mudar! Mais informações no site www.diadobruxismo.com

  
Ao pessoal que assistiu a um dos eventos de 2015, corra para fazer download do material online! O prazo vence dia 15/02! 🙂

Teorias sobre Bruxismo secundário a problemas respiratórios

Esta semana li um artigo sobre a teoria da relação causa-efeito entre Bruxismo do Sono e Distúrbios do Sono  relacionados a problemas respiratórios. Trata-se do artigo: “Theories on possible temporal relationships between sleep bruxism and obstructive sleep apnea events. An expert opinion” publicado na revista Sleep Breath e que traz como autores Daniele Manfredini, Luca Guarda-Nardini, Rosario Marchese-Ragona e Frank Lobbezoo. 

Pelo título já percebemos que se trata de uma revisão livre e com opinião de alguns dos maiores pesquisadores na área de Bruxismo (se estivesse na sala de aula já estava fazendo meu tradicional gesto de que é um artigo da base da pirâmide de evidência, rs…).

A discussão sobre este assunto é necessária e interessante do ponto de vista clínico. Os dados clínicos apontam para este tipo de Bruxismo, classificado como secundário, apesar de sabermos que Bruxismo primário pode apresentar aumento no número de eventos por um fator secundário. Entretanto, como os autores citaram, recentemente uma revisão sistemática sugeriu que ainda não é possível afirmar ou negar a relação entre as duas condições.

Para não ficar confuso, vamos usar a tática encontrada pelos autores e dividir a associação em alguns possíveis cenários, de acordo com o caráter temporal. Observem que será um texto mais de caráter reflexivo do que prático!

A chave para entender o pensamentos dos autores parece estar ligada a fisiopatologia do Bruxismo do Sono (BS), sobretudo a cascata de eventos que ocorrem em sequência (microdespertar – taquicardia – contração muscular em músculos mastigatórios).

Para quem não está familiarizado com isso, sugiro a leitura do texto neste link: http://goo.gl/ClBdnR Observem a tabela 3!

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Cenário 1 – os dois eventos não são relacionados.

Neste cenário os autores apontaram que os dados obtidos através do exame de polissonografia (PSG) não mostra uma relação temporal entre os dois eventos, ou seja, os eventos se relacionem com microdespertares diferentes. Entretanto, é um cenário discutível já que não se sabe qual seria o período de tempo exato para se dizer que as duas ocorrências (evento de BS e evento de hipopneia ou apneia) não estão relacionadas. Complicado imaginar e verificar nos exames este cenário.

Cenário 2 – Um evento de hipopneia/apneia precede um evento de BS

Me parece ser o cenário mais comum (pelo menos o que mais observo nas PSG que recebo). Também é o cenário em que conseguimos explicar com mais facilidade. Neste cenário o evento de hipopneia/apneia precede o evento de BS. O que acontece é que a obstrução da passagem do ar parece ser interrompida pela contração da musculatura mastigatória, o que na PSG aparece como um evento de BS após o evento de hipopneia/apneia.

Os autores descrevem estes eventos e sua relação com a contração dos músculos suprahioides (mais uma vez, vejam a tabela 3 do atrigue está neste link:  http://goo.gl/ClBdnR). Esta contração acontece um segundo antes do chamado movimento ritmico da musculatura mastigatória (RMMA) e parece estar envolvida com a restauração da passagem do ar. O BS teria um papel protetor ao organismo neste caso.

Também pensando nisso, deve-se observar que a obstrução a passagem do ar apresenta tipos e locais diferentes. Possivelmente a obstrução deve ser solucionada com o avanço mandibular.

A contração dos músculos mastigatórios pode também ser uma reação não específica à Síndrome da Resistência das Vias Aéreas Superiores (SRVAS) caracterizada  por uma obstrução das vias aéreas superiores (VAS) insuficiente para criar apnéias francas, hipopnéias e dessaturações (queda na oxigenação do sangue), mas suficiente para perturbar a microestrutura do sono e aumentar o esforço respiratório. Neste caso há uma aumento de microdespertares, o que poderia ser a ligação com os eventos de BS.

Cenário 3 – Um evento de BS precede um evento de apneia/hipopneia

Este cenário é raramente descrito na literatura e pode ser explicado uma vez que há a sugestão de que durante o sono REM as mucosas das vias aéreas superiores poderiam secretar muco suficiente para causar uma congestão nasal que por sua vez seria o gatilho para o aparecimento do microdespertar. O natural seria imaginar um quadro como no cenário 2, mas os autores também descrevem algumas teorias que suportam este cenário 3. Primeiro que o BS poderia ocorrer como reflexo trigeminal frente a uma bradicardia. Neste caso, este reflexo cardíaco trigeminal poderia induzir à congestão nasal. Os autores ainda destacam no texto que possivelmente este cenário incomum acontecesse também na fase REM, onde eventos de BS são igualmente menos comuns de ocorrerem.

Cenário 4 – Um evento de apneia/hipopneia ocorre ao mesmo tempo que o evento de BS

Na teoria este cenário pode ser plausível, na prática ainda não foi descrito.

Você pode ter chegado até esta parte do texto questionando-se porque é que eu resolvi escrever sobre este texto tão teórico ainda. Bem, eu acho que devemos abrir nossa mente aos diferentes pacientes com diferentes tipos de bruxismo que recebemos diariamente em nossa clínica. O cenário 2 é mais frequente, mais fácil de ser explicado mas devemos saber que outros cenários podem existir.

Lembro que o artigo refere-se a opinião de autores. Ainda, não reproduzi na íntegra todo o texto e cabe a observação que estudos comprovando cada um dos cenários são citados. Sugiro a leitura integral do texto que está neste link: http://goo.gl/8X0iE9

Conheçam Bruxismo, mas também conheçam outros distúrbios do sono que possam estar relacionados a ele! 🙂

Falando nisso…

Já estão abertas as inscrições para o Dia do Bruxismo em Belo Horizonte e São Paulo! Em breve: Florianópolis, João Pessoa, Curitiba e Uberaba! Conheça o projeto, o programa, as palestrantes e faça sua inscrição pelo site www.diadobruxismo.com Falaremos mais sobre as associações ao Bruxismo por lá! 🙂

Sobre Bruxismo no site do Ministério da Saúde

Hoje saiu um folder sobre bruxismo no blog do Ministério da Saúde! Fiquei bem feliz pois é um tema que precisa ser divulgado.

Usem para divulgar para seus pacientes!

Também abaixo segue o folder sobre Disfunção Temporomandibular.

Para ler mais sobre um dos assuntos no blog do MS, clique no folder!

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Hipervigilância: quando a ansiedade interfere na parafunção

Falta exatamente uma semana para o Dia do Bruxismo comigo e com a super Adriana Lira Ortega! Sábado que vem, neste horário, estaremos reunidos em São Paulo para conversar durante o dia todo sobre isso! E eu estou super ansiosa, já preparando o material que ficará disponível ao pessoal que fizer o curso. E como ansiedade é o que está dominando aqui, resolvi escrever sobre isso!

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Sabemos que os processos afetivos podem interagir com nocicepção e dor, por exemplo, nos mais variados níveis como: geração, modulação e resposta à dor. A ansiedade é um destes aspectos que influenciam o comportamento e a reposta do indivíduo frente a um estímulo. Para entender melhor a relação com dor, eu sugiro a vocês a leitura do capítulo 9 do livro Functional Pain Syndromes: presentation and pathophysiology, publicado pela IASP. Este livro é maravilhoso e tem em formato digital também!

Bem, neste capítulo citado, os autores Bruce Naliboff e Jamie Rhudy discorrem sobre os diversos aspectos pelos quais a ansiedade pode ser estudada: estado ou traço ansioso, neuroticismo, estresse, medo, catastrofização, etc. Um destes aspectos pelo qual a ansiedade pode influenciar o desenvolvimento e persistência dos sintomas somáticos é a hipervigilância.

Hipervigilância é um “hábito perceptual” que envolve uma amplificação subjetiva por uma variedade de sensações aversivas. McDermid et al., 1996 

A hipervigilância tem sido mais estudada com relação ao sintoma dor. Ela leva a alterações no sistema de percepção, sistema autonômico e mesmo em mecanismos cognitivos. Pode representar uma falha do modo padrão de regiões cerebrais para desengatar de um estímulo, o que é compatível com a noção de que o aumento de atenção focada por longos períodos de tempo pode amplificar alguns estados clínicos de dor, por exemplo. Provavelmente predisposição genética e experiência prévia possam ser fatores que aumentam a probabilidade do indivíduo ser hipervigilante.

Mas e a relação com a parafunção?

Bem, há alguns anos estudando a relação entre bruxismo e disfunção temporomandibular (DTM), me deparei com o termo hipervigilância oclusal em um artigo de revisão publicado na revista Journal Oral rehabilitation pela professora Ambra Michelotti e Iódice (leia este artigo aqui) 

Explicando: a reação à uma mudança oclusal é diferente em cada pessoa. Indivíduos que são hipervigilantes à sua oclusão apresentam um aumento na atividade da musculatura mastigatória com qualquer estímulo, seja uma nova restauração, coroas, implantes dentários e até ortodontia, mesmo que estes não estejam provocando interferências. Se esta atividade muscular ultrapassar a tolerância fisiológica, o indivíduo pode apresentar sintomas de DTM.

Há uma ligação estreita entre hipervigilância oclusal e o início ou perpetuação do bruxismo em vigília. Mas leia bem, fatores oclusais não estão relacionados com bruxismo (veja mais sobre isso aqui), o problema não é como é a oclusão e sim o que o indivíduo faz com sua boca, ou seja, o aumento da contração muscular. Sob este prisma, podemos inferir que tratamentos oclusais não controlar e até mesmo podem desencadear o bruxismo em vigília.

Em um dos poucos estudos desenvolvidos na área, a professora Ambra Michelotti e colaboradores realizou uma pesquisa clínica para verificar a hipótese de que as interferências oclusais experimentais teriam efeitos diferentes, dependendo da freqüência pelo qual os indivíduos manifestam a parafunção oral. Os resultados indicaram que as interferências oclusais levaram a redução dos contatos dentários não funcionais, mais proeminente no grupo com baixa freqüência, o que indicou que houve um comportamento de evitar a interferência. Mas no grupo com alta freqüência, os participantes relataram mais desconforto oclusal, cefaleia e dor muscular, o que pode ser consequência deste comportamento de evitar a interferência, levando a manutenção de uma posição mandibular, ou seja, aumentando contração muscular. Os níveis de ansiedade neste grupo foram maiores, o que pode ser associado a hipervigilância, onde os indivíduos são mais cautelosos, atentos e não se distraíram do estímulo provocado pela interferência. Leia todo o trabalho aqui.

No Brasil fico feliz em participar do Grupo de Dor Orofacial da FOB-USP, onde a Naila Machado e o Caio Valle desenvolvem estudos sobre este assunto e em breve trarão mais novidades!

Entender sobre este aspecto é importante, por exemplo, para o prognóstico do pacientes ao auto-controle do bruxismo em vigília. Dependendo do grau de hipervigilância e ansiedade, o paciente pode não responder adequadamente ao tratamento proposto, o que torna necessário a referência a profissionais habilitados no controle da ansiedade, como psicólogos e psiquiatras.

Aproveitem que esta postagem está recheada de links para os artigos completos. Precisamos estudar mais os efeitos da ansiedade na Dor Orofacial, não?

Falando nisso…

Já que citei o Grupo de Dor Orofacial da FOB-USP, devo lembrá-los que todos nós participamos dos cursos de atualização e especialização em DTM e Dor Orofacial capitaneado pelo Prof. Paulo Conti em Bauru. O curso de especialização começa em Outubro de 2014 e o de Atualização em Fevereiro de 2015. Caso se interesse, entre no site www.ieobauru.com.br ou pelo telefone 14 – 32341919 com Vivian. 🙂

A gente sempre conta as novidades lá primeiro! 😉

 

Dia do bruxismo – 13/09/2014

Sabe quando você conhece alguém que você se identifica de imediato? Assim foi quando eu conheci a Profa. Adriana Lira Ortega. Pudera, estudamos a mesma coisa! Fiquei, claro, admirada com seu conhecimento e principalmente, com a boa energia que ela coloca em seus estudos e em seu trabalho.

Depois de pouco tempo já estávamos nos intitulando “colegas de tema”. E o tema é bruxismo!

Como conversamos muito e falamos pouco sobre o tema (#sqn), decidir contar ao mundo o que fazemos não foi uma decisão difícil.

Custou mas conseguimos conciliar as agendas e montar o Dia do Bruxismo!

Este será um evento, das 8 às 18 hs, em São Paulo, na São Leopoldo Mandic.

A quem comparecer prometemos contar tudo, mas tudo mesmo que estamos estudando ao longo destes anos, o que engloba a nova definição e classificação, fisiopatologia, e estado da arte no tratamento do bruxismo em crianças e adultos! E para ficar mais bacana, estou preparando um conteúdo online e exclusivo para quem comparecer, recheado de trabalhos para download.

Para se inscrever, acesse o site: http://www.slmandic.edu.br/curso.php?c=1956

Eu e a Adriana esperamos vocês por lá!

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Atualizando…

Segue o conteúdo que será abordado:

 

 

REGRAS DO DIA – O QUE VAMOS E NÃO VAMOS FALAR
BRUXISMO E ODONTOLOGIA BASEADA EM EVIDÊNCIAS: POR QUE E PRÁ QUE?
O QUE É, COMO CLASSIFICO E COMO É QUE SEI QUE MEU PACIENTE TEM BRUXISMO?
 
FISIOPATOLOGIA PARA ENTENDER O PROCESSO
PARTICULARIDADES DO BRUXISMO INFANTIL
 
O QUE PODE SER UTILIZADO NO TRATAMENTO DO BRUXISMO HOJE
O USO DO DISPOSITIVO INTEROCLUSAL EM CRIANÇAS TRAVA O CRESCIMENTO?
TOXINA BOTULÍNICA: USO OU NÃO USO?
 
CASAMENTO OU DIVÓRCIO: ENTENDA O DILEMA ENTRE BRUXISMO E DTM
TUDO O QUE VOCÊ SEMPRE QUIS SABER SOBRE BRUXISMO E NÃO TINHA A QUEM PERGUNTAR, AGORA TEM, PERGUNTE!!
DESPEDIDA

Osteopenia como conseqüência do uso da toxina botulínica

Esta semana encontrei no Facebook uma figura do pessoal da página Dores orofaciais baseadas em evidências sobre o artigo da equipe da profa. Karen Raphael da Universidade de Nova Iorque sobre osteopenia como consequência do uso da toxina botulínica quando utilizado no tratamento de pacientes com Disfunção Temporomandibular (DTM) do tipo dor miofascial.

Achei bacana que eles abordaram este artigo que foi publicado em maio de 2014 no Journal of Oral Rehabilitation, ou seja, super recente!

Eu comentei com os alunos do curso de especialização do IEO – Bauru no último módulo que achei brilhante a ideia do artigo pois, pela primeira vez, abordaram os efeitos colaterais da técnica.

Isso porque existe o seguinte argumento: ok, os estudos mostram que o uso da toxina botulínica na dor miofascial mastigatória não tem eficácia comprovada, ou que seja melhor do que agulhamento seco ou mesmo infiltração com anestésico, mas mal também não faz. Cansei de ouvir isso. Mas será que mal mesmo não faz?

Vou agora tentar resumir para vocês o que os autores escreveram neste trabalho…

Primeiro, aconteceu uma revisão sobre o uso da toxina botulínica dedicando uma parte a dizer que a indicação para o uso em DTM é ainda off-label. Ainda assim, os autores enfatizam que houve uma disseminação da técnica com o número crescente de cursos dedicados a sua explanação nos Estados Unidos (a semelhança com o Brasil não é mera coincidência).

Quando se pensa sobre o uso de uma técnica, devemos pensar na sua eficácia X segurança.

O que há sobre a eficácia do uso da toxina para infiltração em músculos mastigatórios no tratamento da DTM?

Os poucos estudos mostram que AINDA (quem sabe no futuro, não?) a evidência científica é insuficiente para guiar a prática. Um estudo multicêntrico com 21 pacientes mostrou que a toxina botulínica foi ineficiente no tratamento da dor muscular mastigatória. Mas o estudo é pequeno e portanto ainda não conclusivo (me pergunto sempre porque não surgem outros estudos…).

E o que há sobre segurança do uso desta técnica?

A toxina botulínica mostra níveis de segurança adequados para várias indicações como estética, blefaroespasmo e hiperidrose. Entretanto, os autores mostram que nenhuma destas indicações envolvem redução de força muscular. Já a injeção em músculos mastigatórios reduz a força muscular. E qual a consequência disso? Foi exatamente o que os autores questionaram!

E por que investigar osteopenia?

Porque os ossos estão em constante remodelação e esta é guiada pela tração gerada pela musculatura esquelética. Em modelos animais, observou-se que a paralisia muscular induzia dramaticamente a perda óssea. Ainda em animais, os estudos com toxina botulínica mostram que em 12 e 16 semanas após a injeção, já ocorria a perda óssea.

Osteopenia e volume ósseo reduzido pode aumentar o risco de doença periodontal, perda de osso alveolar e perda dentária e ainda aumenta o risco de fratura mandibular após traumas, além de restringir futuros tratamentos odontológicos como implantes dentários.

Mas será que isso acontece em humanos?

O que os autores buscaram neste estudo foi responder a esta pergunta. E para isso analisaram um pequeno grupo de mulheres com DTM muscular (dor miofascial) que receberam ou não toxina botulínica nos músculos mastigatórios em pelo menos uma aplicação. Submeteram estas pacientes a exames com tomografia computadorizada cone-beam para avaliar região da ATM e densidade do trabeculado ósseo mandibular.

(Sugiro para entender a metodologia, a leitura do artigo na íntegra)

E qual foram os achados?

Significativamente observaram que os pacientes que receberam as injeções com toxina botulínica apresentaram densidade óssea reduzida. Foi o único achado relevante, porém, mostrou que sim, a toxina pode ter efeitos colaterais importantes (achei engraçado o pessoal da página Dor Orofacial baseada em Evidências realizarem a analogia com chá de camomila, rs…).

Como tudo na vida, isso pode mudar…. Mais estudos são necessários para se comprovar ou refutar estes achados!

Agora, vem cá, use seus neurônios e coloque na balança: eficácia, segurança e custo….

Na minha balança, ainda não indico como primeira escolha a terapia com toxina botulínica ao paciente com DTM ou bruxismo, confinando esta técnica a pacientes refratários e muito bem indicados.

E outra coisa, você que pretende fazer ou fez curso do uso da toxina, APRENDA A PRIMEIRO REALIZAR O DIAGNÓSTICO CORRETAMENTE, antes de escolher a terapia que irá realizar.#ficaadica

 

Classificação Internacional dos Distúrbios do Sono – Terceira Edição

Este ano a Classificação Internacional dos Distúrbios do Sono foi atualizada.

Eu sabia disso. Mas quando entrei no site da American Academy of Sleep Medicine (AASM) fiquei sabendo que teria que desembolsar 60 dólares para adquirir a classificação. Não o fiz no momento e acabei esquecendo.

Sorte a minha.

Dias desses o professor e meu colega de doutorado Yuri Martins Costa me questionou sobre a classificação. Disse a ele que tinha visto e ia adquirir via site.

Mas…

Yuri sempre atualizado avisou: baixe o aplicativo para tablets da AASM e você terá acesso a classificação, sem necessidade de login, nem nada!

\o/

E foi o que eu fiz!

O aplicativo se chama AASM Library. O acesso e leitura do texto só pode ser através do aplicativo para smartphones e tablets em iOS e Android.

Seguem algumas imagens do aplicativo!

Na tela do iPad

Na tela do iPad

 

 

Para ter acesso ao conteúdo gratuito clique em Skip

Para ter acesso ao conteúdo gratuito clique em S

Depois é só clicar sobre o ícone da classificação.

Depois é só clicar sobre o ícone da classificação.

 

E aí está!

E aí está!

E aqui os critérios de diagnóstico do bruxismo relacionado ao sono...

E aqui os critérios de diagnóstico do bruxismo relacionado ao sono…

 

#ficaadica

Valeu mestre Yuri! 

Uso da toxina botulínica em casos de bruxismo do sono em crianças

Hoje eu vou ceder o espaço para que a professora Adriana Lira Ortega escreva sobre um tema que está me preocupando muito: o uso indiscriminado da toxina botulínica, sem critérios, no tratamento de bruxismo do sono em crianças.

Apenas, antes de passar a palavra, queria lembrá-los que postei há algum tempo aqui sobre bruxismo infantil. Por favor, se informem a respeito desta condição antes de aceitarem qualquer terapia na tentativa de reduzir barulhos ao dormir. Procure saber o que é bruxismo. Procure saber o que é bruxismo primário. Procure saber que em crianças é comum o diagnóstico de bruxismo secundário a obstrução nasal (e o tratamento deve nestes casos privilegiar estas condições). Procure saber mais sobre bruxismo! Clique aqui para ler todas as postagens feitas neste blog sobre este assunto!

Com a palavra, Dra. Adriana:

Ultimamente tenho percebido um avanço no uso da toxina botulínica em crianças e hoje uma colega me perguntou se eu uso e resolvi escrever alguma coisa sobre o assunto, já que ela não foi a primeira a perguntar. Em crianças com distúrbios neuromotores ou neuropsicomotores eu indico sob determinadas condições.

Não aconselho esse emprego em crianças normorreativas porque ainda tenho muitas dúvidas…

  1. Já é questionável dizer “tratamento” como muitos dizem: o bruxismo não seria tratado com a aplicação da toxina, uma vez que sua origem é central. Ou seja, o estímulo neurológico para que o músculo contraia continuaria existindo com ou sem a toxina. O que ocorre é a diminuição da contração muscular e, no caso, em masseter e temporal. E os pterigoideos? Não havendo aplicação em pterigoideos, a lateralidade continuaria a existir.
  2. Diminuindo a eficiência muscular com a aplicação em masseter e temporal, ainda assim não seria suficiente para evitar o contato e a atrição dos dentes durante o ranger. Se houver diminuição da força muscular a ponto de não haver atrito, também haverá prejuízo na mastigação, o que não é desejável. E se não impede o contato, a placa tem que ser usada pq é o que evita o desgaste da estrutura dental. Ou seja, a toxina não dispensaria o uso da placa.
  3. A ação da toxina não é reversível para o neurônio lesado (lembrando que os procedimentos reversíveis são os mais indicados para os pacientes). A contração muscular que volta acontecer é resultado da neuroplasticidade: depois que a liberação da acetilcolina pelo neurônio é bloqueado pela toxina, uma nova junção neuromuscular é formada para suprir a ausência da primeira. Em modelo animal, essa regeneração neuronal é lenta e os autores questionam se não há um limite para essa plasticidade (ROGOZHIN et al., 2008). Levantar essa questão é necessária uma vez que é percebido nos resultados clínicos a longo prazo: aumento do espaço de tempo entre as aplicações.
  4. Me preocupa um pouco os resultados a longo prazo. Se o bruxismo é de origem central então seria necessário reaplicações da toxina, uma vez que o paciente não pararia de ranger. A toxina já promove atrofia neurogênica de fibras musculares em uma única aplicação (SCHRODER et al., 2009) e estudo longitudinal com crianças com paralisia cerebral afirma que repetidas aplicações da toxina apresentam resultados funcionais, com diminuição do tônus muscular (TEDROFF et al., 2009). Isso é desejável em crianças com paralisia cerebral porque elas têm o tônus aumentado. Em crianças normorreativas não consigo perceber nenhum benefício nessa diminuição permanente de tônus.
  5. Pensando no condicionamento psicológico das crianças para o atendimento odontológico (e isso é muito importante!), como é a aceitação delas em relação ao procedimento?

Alinhada com a conduta da Odontologia baseada em Evidências Científicas e com os conceitos da mínima intervenção não vejo, por hora, motivos plausíveis para indicar injeções de toxina botulínica para crianças com bruxismo do sono.

No entanto, reforço minha postura de flexibilidade para mudar de opinião assim que tiver conhecimento de outros resultados, inferências e conjecturas que, de forma contundente, contradigam meu raciocínio atual.

Referências

Rogozhin AA, Pang KK, Bukharaeva E, Young C, Slater CR. Recovery of mouse neuromuscular junctions from single and repeated injections of botulinum neurotoxin A. J Physiol. 2008;586(13):3163-82.

Schroeder AS, , Ertl-Wagner B, Britsch S et al. Muscle biopsy substantiates long-term MRI alterations one year after a single dose of botulinum toxin injected into the lateral gastrocnemius muscle of healthy volunteers. Mov Disord. 2009;24(10):1494-503.

 

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Obrigada Adriana por todo ensinamento! Você é muito generosa!

 

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