Ideias para a coluna “5 PERGUNTAS PARA…”

Olá pessoal!

Quero voltar com a coluna “5 perguntas para…” mas estou passando por uma fase pouco criativa.

Então, vou pedir ajuda a vocês!

Por favor, dêem sugestões pelo formulário abaixo. Pode ser só sugestão de pergunta ou só de entrevistado.

Pretendo fazer algumas entrevistas em vídeo! Já tenho alguns nomes aqui em mente.

Enquanto isso, dê uma olhada nas que fizemos aqui no blog no passado:

Mais um evento em Setembro: Viscossuplementação na ATM

E vamos lá para mais um evento do segundo semestre, e mais um em Setembro! Desta vez será um curso sobre Viscossuplementação na ATM a ser realizado nos dias 24, 25 e 26 de setembro no Hospital Mater Dei em Belo Horizonte.

A ideia do curso surgiu pelo professor Eduardo Januzzi que vem divulgando esta técnica há alguns anos nos cursos de especialização em DTM e Dor Orofacial no Brasil e em Portugal. Ele esteve no curso de especialização do IEO-Bauru no módulo passado.

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Desta vez ele resolveu organizar um evento maior, com presença de professores que atuam na área, para discutir esta técnica e suas vantagens e desvantagens. Assim, mesas redondas de discussão estão programadas. O curso será teórico e prático.

Estarão presentes os professores convidados: Paulo Cunali, Eduardo Grossman, Frederico Mota Leite, Rafael Tardin, Betânia Alves, Luciano Ferreira, Pedro Oliveira e o presidente da Sociedade Portuguesa de DTM e Dor Orofacial (SPDOF), David Lopez.

As mesas redondas serão mediadas pelo presidente da Sociedade Brasileira de DTM e Dor Orofacial (SBDOF), João Henrique Padula e pelos amigos professora Ana Cristina Lotaif, José Luiz Peixoto Filho e Marcelo Ugadin.

E eu também vou! Vou falar bem na parte inicial sobre as degenerações em ATM e também fui convidada a moderar uma mesa. Acho que será interessante para tirar dúvidas sobre o uso desta técnica na clinica de Dor Orofacial.

A programação é extensa e você pode encontrar no site www.neoncursos.com.br bem como fazer a sua inscrição.

Serão apenas 40 vagas, o que é bem chato pois muitos ficarão de fora. Vi hoje na página do Facebook deles que mais da metade já foi preenchida! Então, quem se interessar, tem que fechar rápido! Sócios da SBDOF tem desconto.

E por falar em cursos….

O Dia do Bruxismo em SP será no dia 15 de agosto!!! Eu e dona Adriana Lira Ortega voltaremos onde tudo começou, na São Leopoldo Mandic em Perdizes.

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Algumas pessoas me escreveram dizendo que estavam com dificuldades ao acessar o site da SLMandic (também achei um pouco complexo). Segue abaixo como proceder!

Acesse: http://www.slmandic.edu.br/cursos.php?#

No site da Mandic o “Dia do Bruxismo” está com o nome: ” Aperfeiçoamento em Identificação e Diagnóstico do Bruxismo” e o código é: 2015. Caso queiram procurar pelo nome do coordenador, digitem “Ortega”.
Qualquer problema com a inscrição, entrar em contato coma central de atendimento pelo número: 0800 941 7 941.
Não deixem para última hora porque as vagas acabam….
‪#‎diadobruxismo‬ ‪#‎diadobruxismosaopaulo‬

Este ano também iremos a Brasília (03/10) e Uberaba (07/12)! Saiba mais em www.diadobruxismo.com

Homeostase e a posição mandibular

Esta semana me deparei com a figura da página Doutor, tenho Dor no facebook:
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O André Porporatti colocou o seguinte texto abaixo da figura:
Uma revisão sistemática da literatura englobou 20 pesquisas diferentes e concluiu que intervenções cirúrgicas não apresentam diferenças nos resultados quando comparadas com terapias conservadoras habituais (não-cirúrgicas) para deslocamento do disco da articulação da mandíbula (disco articular da ATM)

Obviamente, cada caso tem que ser estudado individualmente. E sim, há possibilidades e indicações cirúrgicas para problemas na articulação da mandíbula.

Procure um profissional especialista em DTM e Dor Orofacial.
Referência: Al-Baghdadi M et al. TMJ Disc Displacement without Reduction Management: A Systematic Review. Journal of Dental Research (2014)

Mesmo não abordando especificamente casos cirúrgicos, nem mesmo uma DTM específica, isso me fez lembrar que prometi escrever sobre o trecho final do artigo publicado pelos autores Charles Greene e Ales Obrez na revista Triple O:
Na parte final os autores questionam a real necessidade de reposicionar a mandíbula em casos de deslocamentos de disco em ATM como prevenção em indivíduos assintomáticos e mesmo tratamento para  pacientes com DTM. Os autores enfatizam a necessidade de conhecermos a biologia do sistema mastigatória e como ele funciona ao longo do tempo, especialmente a sua capacidade de adaptação (processo de homeostase). Claro que não negam a existência da degeneração em alguns pacientes (quando o estímulo excede a capacidade adaptativa), e a necessidade de tratamento destes pacientes, mas relatam que de modo geral este sistema funciona de maneira equilibrada, mantendo a mandíbula em uma posição apropriada em relação à maxila (oclusão) e o crânio (ATM).
Remodelação é o termo utilizado para falar sobre o equilíbrio entre a forma e a função.
A remodelação na ATM acontece por mudanças na composição celular das camadas fibrosas articulares da cabeça da mandíbula (condilo) e eminência articular. As células como fibrócitos são eventualmente substituídas por células cartilaginosas. Como as mudanças maxila-mandibulares ocorrem ao longo do tempo com desgaste dentário ou perda dentária, a força aplicada sobre a ATM aumenta e a espessura dos tecidos articulares muda em conformidade a nova situação. Os locais onde a remodelação da ATM ocorrem mais frequentemente são os aspectos posteriores e laterais da cabeça da mandíbula. Estas mudanças acontecem, na maioria dos casos, sem qualquer processo patológico e são indolores. A ATM remodelada também é capaz de continuar sua função apesar da quantidade e localização da pressão biomecânica  Isso explica as diferenças e variações observadas em ATMs tanto no mesmo indivíduo como em pessoas diferentes (e faz refletir se a relação cêntrica existe de forma igual para todos, não?).
A oclusão dentária tem papel crucial nesta remodelação, uma vez que é importante reconhecer que qualquer mudança permanente na morfologia oclusal afeta o crescimento, desenvolvimento e a remodelação tanto da ATM como também dos músculos mastigatórios. A relação entre a ATM e a oclusão em qualquer indivíduo é produto da capacidade adaptativa ao longo da vida. Podemos observar bem este conceito e o quanto o sistema mastigatório se adapta favoravelmente quando várias intervenções irreversíveis são realizadas como ortodontia, reabilitação oral ou cirurgia ortognática.
Mas e sobre o conceito de reposicionar a mandíbula como abordagem preventiva ou terapêutica para DTM? Os autores após toda explanação sobre homeostase afirmaram que se as relações oclusais, musculares e entre côndilo-fossa estão constantemente se adaptando à função atual do sistema mastigatório, então cada relação apresentada pelo indivíduo é, na ausência claro de degeneração e dor, uma relação biologicamente correta.
Assim o termo “má posição mandibular” não deve ser utilizado para explicar a etiologia de uma DTM e assim ser a indicação para uma terapia reposicionadora irreversível, ou seja, não preenche o primeiro critério de necessidade biológica (leia o post anterior para os critérios) que diz que a condição a ser tratada deve ser válida e reconhecida como um problema de saúde.
Os autores também citam algo que para mim foi bem interessante: é importante hoje avaliar os estudos que mostram técnicas para tratamento de DTM com sucesso a luz da homeostase, ou seja, não esquecendo a história natural da condição. Muitos dos estudos realizados hoje deixam este aspecto de lado e supervalorizam as técnicas. (para se pensar…)
Quanto maior a informação relacionada a etiologia e patofisiologia das DTM, especialmente o reconhecimento das disfunções musculares, estiver disponível, mais ficará claro que a taxa de custo/benefício da abordagem conservadora significantemente aumentará. Os autores encerram o artigo relatando os protocolos de tratamento conservadores e enfatizando o custo financeiro que muitas vezes o paciente arca com tratamentos irreversíveis, sem benefício superior.
Infelizmente hoje ainda não há estes clínicos, técnicos ou exames de imagem que possam dizer que o paciente necessite de uma abordagem como esta na prevenção de DTM (os testes são muito sensíveis mas pouco específicos!). E isso chama a atenção e cruza com o que o André citou lá na figura acima, que nem todo o disco precisa ou até mesmo, deve ser recapturado. Bem, tentei passar alguns trechos desta revisão complexa porém reflexiva sobre os aspectos que envolvem uma técnica muito utilizada ainda.
Como eu relatei, destaquei só alguns pontos, para dar um aperitivo e para que vocês busquem ler mais sobre respeito a isso (também vou fazer isso!).
Bom final de semana!! 🙂
 

Reposicionar a mandíbula: artigo recente na literatura

Faz mais de uma semana que tento ler o recém artigo publicado pelos autores Charles Greene e Ales Obrez na revista Triple O:
O assunto deste artigo de revisão é discutido há muitos anos e volta e meia volta a ser discutido: a validade do reposicionamento mandibular como terapia preventiva ou abordagem terapêutica em pacientes com DTM. O artigo é longo e vou tentar abordar em algumas postagens aqui no blog.
Segue o resumo do artigo:
In this paper, the authors review the rationale and history of mandibular repositioning procedures in relation to temporomandibular disorders (TMDs) as these procedures have evolved over time. A large body of clinical research evidence shows that most TMDs can and should be managed with conservative treatment protocols that do not include any mandibular repositioning procedures. Although this provides a strong clinical argument for avoiding such procedures, very few reports have discussed the biologic reasons for either accepting or rejecting them. This scientific information could provide a basis for determining whether mandibular repositioning procedures can be defended as being medically necessary. This position paper introduces the biologic concept of homeostasis as it applies to this topic. The continuing adaptability of teeth, muscles, and temporomandibular joints throughout life is described in terms of homeostasis, which leads to the conclusion that each person’s current temporomandibular joint position is biologically “correct.” Therefore, that position does not need to be changed as part of a TMD treatment protocol. This means that irreversible TMD treatment procedures, such as equilibration, orthodontics, full-mouth reconstruction, and orthognathic surgery, cannot be defended as being medically necessary.
Hoje destaco dois trechos:
O primeiro é do  início do texto quando  os autores relataram que ao estudar qualquer procedimento  deveríamos pensar no que eles chamaram em ingles de “medical necessity” e que tomarei a liberdade de traduzir como necessidade biológica. Este conceito implica que um procedimento clínico deveria ser indicado e realizado pelos seguintes motivos:
  1.  A condição (por exemplo, má posição mandibular) é usualmente reconhecida como um problema de saúde ou doença
  2. Testes diagnósticos utilizados para examinar quando o paciente tem esta condição são válidos e com sensibilidade e especificidade aceitáveis
  3. A condição do paciente pode piorar se um procedimento especifico não é realizado
  4. O procedimento clínico tem especificidade para atender ao problema particular do paciente
  5. O procedimento é clinicamente eficaz de acordo com os critérios de evidência (isto é, não somente efeito placebo)
  6. A doença ou condição não poderia ser resolvida realizando um procedimento menos invasivo, o que justifica a procedimento clínico baseado em sua taxa de risco e benefício.
Achei bacana a reflexão sobre estes itens. Acho que podemos usar quando discutirmos as mais variadas técnicas.
O segundo trecho diz respeito à dispositivos interoclusais. Quinta feira estarei em Bauru, no IEO,  e neste módulo uma das discussões com o pessoal da especialização será sobre dispositivos interoclusais. Assim destaco agora o trecho em que os autores relatam que na literatura, ao longo dos anos, o relato de melhora de sinais e sintomas de DTM com o uso de aparelhos interoclusais é comum.
Foto do Instagram! Siga: @dtmdororofacial

Foto do Instagram! Siga: @dtmdororofacial

Muitos estudos mostram que a placa estabilizadora tradicional pode ser utilizada com sucesso em uma abordagem conservadora e que não envolve reposicionamento mandibular permanente. Interessante que em estudos comparando as placas estabilizadoras a placas reposicionadoras (com a proposta de recapturar um disco deslocado), os resultados são bem favoráveis ao uso das placas estabilizadoras, mesmo que elas não recapturem discos.
Entretanto, os autores destacaram dois cenários clínicos onde alguns pacientes se beneficiariam do uso de aparelhos que poderiam reposicionar provisioriamente a mandíbula para anterior: dor articular aguda e deslocamento do disco com redução e travamento intermitente.
Segundo os autores, na dor aguda (ocasionada por evento intrínseco como abertura bucal prolongada por longas sessões no dentista, incubações ou subluxação da mandíbula)  o uso deveria ser junto com uma combinação de terapias (medicamentos, bolsa de gelo, repouso) por 24 horas até que o processo inflamatório se solucionasse, revertendo o aparelho a uma placa lisa estabilizadora para uso noturno somente.
No segundo caso, os pacientes usariam a placa para uso durante o sono, não com o objetivo de recapturar o disco mas para permitir a mudança e remodelação do disco e tecidos retrodiscais, melhorando a dinâmica da ATM e evitando as situações dolorosas.
Os autores destacam que em ambos os casos não há a intenção de provocar uma mudança permanentemente na posição mandibular (para isso orientam o cuidado máximo para evitar o sobre uso do dispositivo) e que o objetivo final deve ser permitir que a ATM retorne à posição original determinada pela máxima oclusão habitual do paciente.
O artigo aborda ainda aspectos interessantes como um trecho dedicado a homeostase do complexo craniofacial, mas sobre isso vou escrever outro dia!
Se puderem, dêem uma olhada nas referências utilizadas por eles! Tentei colocar aqui mas não consegui! 😦
Falando nisso…
 
Lendo o artigo me lembrei da aula sobre placas oclusais do Prof. Paulo Conti (Dispositivos intraorais e DTM: evidência aplicada a prática clínica) que gosto muito! Este ano ele irá a ministrá em curso durante o Congresso da AILDC que será realizado em Lima no Peru!
Vejam abaixo!
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Novidade: DC/TMD – Vídeo para treinamento

Olha a novidade! Já falamos aqui sobre as novidades da classificação internacional para as Disfunções Temporomandibulares (DTM), o DC/TMD (Diagnostic Criteria for Temporomandibular Disorders) algumas vezes (clique aqui, aqui e aqui)

Esta não é ainda a classificação de minha preferência para a clínica (uso a da Academia Americana de Dor Orofacial), mas é a obrigatória para pesquisa, e sendo assim, temos que dominá-la! 🙂

Ainda a tradução para o português não saiu (mas será em breve) mas quem já quiser ter contato com os formulários finais, basta acessar o site do consórcio clicando aqui.

Faço parte hoje junto com dentistas do mundo todo do Consórcio Internacional RDC/TMD e recebi via email a novidade de que o vídeo de treinamento do novo protocolo está no ar! Este vídeo foi desenvolvido para que todos tenham a oportunidade de conhecer como se realiza o exame físico do paciente com DTM e possa reproduzir em seus consultórios (o intuito é fazer que o diagnóstico seja mais popular na clínica) e centros de pesquisa.

Acho que para controlar os acessos ao vídeo (quem e onde ) e poder ser citado em artigos científicos (tem DOI), os organizadores o disponibilizaram para download no site da AAMC – Association of American Medical Colleges. Vamos combinar que seria bem mais fácil no You Tube né?

Assim siga este passo a passo:

1. Acesse o link: https://www.mededportal.org/publication/9946

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2. Faça seu cadastro (clique em Register) (pedem confirmação por email e depois pedem a instituição que vc trabalha).

3. Confirme o cadastro em seu email

4. Volte ao link: https://www.mededportal.org/publication/9946

5. Faça download de todo o pacote (está em .zip)

Captura de Tela 2014-12-04 às 10.51.06

O conteúdo do arquivo inclui o manual do instrutor, o filme e a licença para o uso.

Pronto (parece difícil mas até que foi rápido!).

Curso Atualização DTM/DOF em Bauru

Sempre encontro colegas que me perguntam a respeito de cursos de atualização/especialização. Eu participo de alguns cursos e mantenho uma página aqui no blog dedicada a divulgá-los.

Este mês começaram as inscrições ao curso de atualização em DTM e Dor Orofacial do IEO-Bauru. Este curso é coordenado pelo Prof. Paulo Conti e conta com a participação de todo o grupo de Dor Orofacial da FOB-USP. São 11 módulos, uma vez por mês, às quintas e sextas feiras, com amplo atendimento a pacientes (só não trabalha quem não quer!) com casos envolvendo DTM e também outras dores orofaciais, como as neuropatias pós tratamento odontológico.

Eu acho que este curso é ideal não só para o dentista que quer ter um primeiro contato com a área, mas para quem já é especialista e busca se atualizar, já que a cada ano a ciência evolui e os resultados mais recentes são apresentados nas aulas teóricas e práticas. Também está aberto a todos profissionais da saúde interessados na área.

Para quem se interessar (valores, calendário, etc), entrem em contato com a Vivian pelo telefone (14) 32341919 ou pelo site www.ieobauru.com.br

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Falando nisso….

E por falar em se atualizar, a Sociedade Brasileira de DTM e Dor Orofacial (SBDOF) já lançou as datas e local do próximo congresso! Eu vou! E… bem, ainda não posso contar. Aguardem as novidades!

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Deslocamento do disco sem redução: como proceder?

Uma das condições mais complicadas entre as Disfunções Temporomandibulares é o deslocamento do disco sem redução (DDsR). Possivelmente o clínico encontrará nesta situação o paciente com travamento mandibular e limitação severa em abertura bucal, o que interfere na mastigação. Durante o exame detectará presença de deflexão em abertura bucal para o lado afetado e limitação no movimentos para o lado contrário. Em ressonância magnética pode ser encontrado ambos dos dos seguintes: na mordida habitual, a parte posterior do disco articular está localizada anteriormente em uma posição a 11:30 e a zona intermediária do disco está localizada anteriormente a cabeça da mandíbula e; em máxima abertura bucal, esta zona intermediária permanece localizada anteriormente à cabeça da mandíbula.

Bem, definido sobre o que vamos falar, vamos ao assunto do título da postagem. Hoje estava fazendo uma busca sobre as novidades em DTM/DOF nos artigos científicos e vi que a revisão sistemática sobre intervenções para DDsR havia sido atualizada. Publicada por pesquisadores ingleses, a revisão pode ser acessada na íntegra no Journal of Dental Research, um dos jornais mais prestigiados na Odontologia (é gratuito! aproveite!).

Em Odontolgia baseada em Evidências, sabemos que a Revisão Sistemática se encontra no topo dos tipos de estudos quando buscamos evidências para conduta em qualquer condição.

A revisão sistemática é um tipo de estudo secundário (quadro 1.1) que facilita a elaboração de diretrizes clínicas, sendo extremamente útil para os tomadores de decisão na área de saúde, entre os quais estão os médicos e administradores de saúde, tanto do setor público como do privado. Além disso, as revisões sistemáticas também contribuem para o planejamento de pesquisas clínicas.

As revisões sistemáticas reúnem – de forma organizada, grande quantidade de resultados de pesquisas clínicas e auxiliam na explicação de diferenças encontradas entre estudos primários que investigam a mesma questão.

Fonte: Curso de Revisão e Metanálise da UNIFESP virtual

Pois bem, o título do trabalho é TMJ Disc Displacement without Reduction Management: A Systematic Review e os autores buscaram trabalhos com DDsR agudo e crônico para responder a pergunta sobre dois desfechos: melhora na intensidade de dor e em abertura bucal.

Foram 21 estudos selecionados, 1305 pacientes envolvidos e várias intervenções comparadas.

De modo geral, o trabalho mostrou que quando as intervenções foram comparadas entre os grupos, a menos invasiva possível (educação e auto cuidados) produziu resultados semelhantes ao efeito de procedimentos mais “ativos” como uso de dispositivos interoclusais e fisioterapia combinados ou cirurgias da ATM.

Para DDsR agudo, a manipulação mandibular parece ser o procedimento que produz benefício imediato, com aumento da amplitude de abertura bucal. Já escrevi sobre isso aqui e é até hoje uma das postagens mais acessadas.

Todas as intervenções, quando analisadas intragrupo, ou seja, seu efeito sobre o baseline, mostram ser efetivas tanto no alívio da intensidade de dor quanto na movimentação mandibular. Entretanto, os autores mostram que os muitos dos estudos não abordam aspectos que poderiam ser atribuídos a esta melhora como: efeito placebo ou curso natural do DDsR; falha em poder estatístico e; a compreensão do termo minimal clinically important difference (MCID). Esta diferença mínima sugere por exemplo que redução de 1/3 na escala visual analógica de dor (que afere intensidade de dor) seria considerado desfecho positivo. Não há uma padronização entre os estudos.

Ainda, há técnicas que não tem evidência suficiente para serem incluídas neste estudo de  metanálise. Uma delas é o uso a injeção das substâncias intra-articulares como ácido hialurônico.

Sugiro fortemente a leitura do texto completo para que todos os aspectos analisados sejam compreendidos! Fiz apenas um (micro) resumo! Clique aqui.

Ao final do texto os autores sugerem para a prática clínica o uso da intervenção mais simples, menos custosa e menos invasiva para o tratamento inicial de DDsR. Das variedades de terapias conservadoras avaliadas a menos invasiva é educação do paciente, auto-cuidados e manipulação mandibular (o quanto antes). Mas as outras terapias não devem ser refutadas, já que as evidências ainda são escassas.

Eu sempre sugiro aos colegas que desde o início concientize seu paciente que os procedimentos iniciarão com os menos invasivos mas dependendo da evolução do caso, todas as técnicas podem ser necessárias. É uma escada, degrau por degrau e com cautela sempre!

Falando em deslocamento….

Encontrei um vídeo ótimo sobre deslocamento da ATM (situação contrária a que descrevemos acima), quando o travamento é aberto. Dêem uma olhada!

E aproveitando o tema vídeo, segue o “clássico” (já perdi as contas de quantas aulas assisti com este vídeo) de DDsR:

Até mais!

O uso do ácido hialurônico no tratamento da DTM

Semana passada foi noticiado no site da Sociedade Brasileira de DTM e Dor Orofacial (SBDOF) que uma comissão interna elaborou um parecer sobre o uso do ácido hialurônico no tratamento da DTM articular. Este parecer contou com revisão da literatura atual para ter evidências suficientes que apoiasse o uso. A conclusão do parecer foi:

“conclui-se que a viscosuplementação da Articulação Temporomandibular (ATM) com o Hialuronato de Sódio apresenta evidência com força e grau de recomendação suficiente para declarar sua segurança no tratamento de diversas condições que afetam as ATMs, desde  que administrado por profissionais capacitados para um correto diagnóstico e para os procedimentos operatórios que envolvem o uso dessa técnica.”

 

O documento foi entregue ao presidente do Conselho Federal de Odontologia (CFO) e será analisado.

Para ver a notícia na íntegra, clique aqui.

Neste meio tempo também recebi por email um artigo sobre a viscossuplementação escrito pelos colegas Daniel Bonotto, Eduardo Machado, Rafael e Paulo Cunali e publicado na Revista Dor. Neste artigo a técnica foi utilizada em pacientes com deslocamento de disco sem redução e/ou osteoartrite. Segue resumo:

Viscossuplementação como tratamento das alterações internas da articulação temporomandibular: estudo retrospectivo

JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS:

As formas de tratamento consideradas não invasivas para as alterações internas das articulações temporomandibulares descritas na literatura são muitas, incluindo aconselhamento, farmacoterapia, fisioterapia e dispositivos interoclusais. No entanto, alguns pacientes tornamse refratários aos tratamentos conservadores, sendo indicados procedimentos como artrocentese, artroscopia e cirurgias das articulações temporomandibulares. A viscossuplementação é uma abordagem pouco invasiva, de baixo custo e com bons resultados em curto e médio prazo. O objetivo deste estudo foi discutir a viscossuplementação no tratamento das alterações internas da articulação temporomandibular com os resultados depois de quatro meses de acompanhamento.

MÉTODOS:

Cinquenta e cinco pacientes com deslocamento de disco com redução, deslocamento de disco sem redução e osteoartrite refratários a tratamentos conservadores foram submetidos a infiltração com hialuronato de sódio. Foi observada melhora estatisticamente significativa para dor nos três grupos.

RESULTADOS:

Pacientes com deslocamento de disco sem redução e osteoartrite apresentaram aumento significativo da abertura bucal. Estes resultados se mantiveram constantes ao longo dos quatro meses de acompanhamento.

CONCLUSÃO:

A viscossuplementação com hialuronato de sódio pode ser considerada uma boa alternativa no reestabelecimento funcional da articulação temporomandibular em curto prazo em pacientes com alterações internas refratárias a tratamentos conservadores.

Palavras-Chave: Ácido hialurônico; Articulação temporomandibular; Tratamento

Para ler o artigo na íntegra e baixar sua versão em PDF, clique aqui!

Valeu Cunali pelo envio! 🙂

Sinais e sintomas de artrite em ATM

Estava folheando o excelente livro TMDs – An evidence approach to diagnosis and treatment, editado pelos professores Daniel Laskin, Charles Greene e William Hylander, e me deparei com uma tabela interessante sobre o diagnóstico diferencial para artrites adaptada para a articulação temporomandibular (ATM).

Esta tabela foi adaptada de um livro de reumatologia de autoria de McCarthy (Arthritis and allied conditions: a textbook of rheumatology).

Os autores relacionaram os sinais e sintomas úteis no diagnóstico diferencial das artrites em três condições: degenerativa, inflamatória e psicogênica.

Segue abaixo para vocês a tabela (clique para aumentar) com tradução livre feita por mim!

 Sinais e sintomas úteis no diagnóstico diferencial das artrites