Podcast -Como ter informações de qualidade – Parte1 – Revistas Científicas

Depois de um longo e tenebroso inverno , estou de volta ao podcast!
E neste episódio vou responder aos colegas que me questionaram no Instagram sobre como me mantinha atualizada em artigos científicos. Pois é, eu fiz alguns vídeos por lá, mostrando a minha rotina, e muitos se interessaram pelos métodos que uso. Assim, resolvi fazer um episódio com algumas dicas para vocês.
Olha, eu não faço milagres! meu dia também tem 24 horas e divido meu tempo entre vida profissional, pessoal, social e dormir (eu preciso de 7 horas de sono gente). Quem acompanha minha rotina sabe que trabalho em 2 consultórios, um em Franca e outro em Ribeirão Preto, ministro aulas em Bauru, reviso artigos para revistas científicas, às vezes escrevo no blog e alguns outros artigos científicos viajo muito para pregar a palavra, ou melhor, para ministrar aulas sobre dor orofacial e bruxismo.
Ufa! E sobra tempo? Sempre sobra. Mas eu precisei buscar algumas ferramentas para me ajudar a ficar sempre atualizada e, principalmente, fazer meu cérebro funcionar para aprimorar o atendimento dos meus pacientes.
Mas antes de começar é preciso falar sobre algumas coisas. Eu acho que precisamos sempre trabalhar dentro da melhor evidência possível e fazer uma ponte entre o que o conhecimento científico revela e como aplicar isso no consultório. Adoro andar nesta ponte. Para isso é preciso entender como ler um artigo científico. É claro que o mestrado e depois o doutorado me ajudaram muito nisso. Entender um pouquinho de metodologia científica ajuda muito. Mas se você não teve esta possibilidade, não quer dizer que não possa ir atrás! Eu mesma comprei um livro tempos atrás para entender melhor. O nome do livro era inclusive: Como ler um artigo científico.
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E por que precisamos disso gente? Olha, o papel aceita tudo. Já li muito artigos ruins publicados por ai… É preciso separar o joio do trigo. E o que faz com que muitas vezes eu critique o trabalho é seu delineamento, os métodos que muitas vezes estão ali cheios de vieses. Se o delineamento do estudo é inaceitável, o trabalho é inaceitável. Se o delineamento está correto, então você deve verificar se os dados foram coletados com metodologia adequada e se a análise está certa. Se isso acontecer, verifique se a interpretação dos dados e e a discussão fizeram jus ao trabalho. E só então se as conclusões são aceitáveis. Parece simples mas eu sei que não é. Mas depois de muito treino, você acaba pescando algumas coisas até no resumo.
Mas tudo bem, você não teve uma preparação sobre isso e nem quer correr atrás disso agora. Então, eu acho que um método interessante seria buscar ler trabalhos publicados em revistas com fator de impacto alto. Talvez até lendo revisões sobre determinado assunto.
E o que é Fator de Impacto?
É  um método bibliométrico que avalia a importância de periódicos científicos em suas respectivas áreas. E esta medida utilizada hoje pelas bases de dados é geralmente pelo número de citações que os artigos que foram publicados na revista tem. Por exemplo: eu publico um artigo numa revista X, depois vários pesquisadores em revistas e artigos diferentes usam o meu trabalho como referência, ou seja, meu trabalho teve um impacto no meio acadêmico. Este fator de impacto é calculado anualmente, e o mais famoso mundialmente é aquele das revistas indexadas ao “Instituto de Informação Científica” e, depois, publicado no “Relatório de Citações de Periódico” cuja sigla em inglês é JCR que é da empresa Thomson Reuters.
Revistas que cumprem estes requisitos são alvo dos pesquisadores: todo mundo que publicar seu trabalho lá e quem sabe ser notícia no Jornal Nacional, não é? Veja que William Bonner sempre ao citar algum trabalho que tem impacto na humanidade cita alguma destas revistas: Science, Nature, Lancet… Estas são as revistas com maior impacto! E dentre os assuntos na área da saúde cujo artigos apresentam mais impacto, está a oncologia. As revistas dedicadas ao câncer são as que apresentam o maior impacto.
No Brasil, a CAPES desenvolveu um critério próprio para classificar os periódicos, o QUALIS, que surgiu entre 1996 e 1997. Este oferece uma classificação das revistas que retratam o produto intelectual dos programas de pós graduação no Brasil. O método utilizado para a classificação do QUALIS não é o mesmo do fator de impacto, apesar que revistas de excelência são geralmente aquelas com mais alto fator de impacto. Mas às vezes, na ânsia de auxiliar uma revista brasileira, uma revista com fator de impacto baixo internacionalmente pode apresentar um Qualis alto porque está segmentado por área.
Eu particularmente prefiro procurar as novidades nas revistas que possuem bom fator de impacto internacional, mesmo sabendo que o método não é tão preciso assim para indicar qualidade, uma vez que nem sempre leva em conta fatores importantes como pontualidade, revisão por pares, etc. O que significa isso: não é só o número de citações deveria ser considerado para uma  revista ter impacto, mas ela deve ser pontual, deve ter rapidez ao analisar e revisar um trabalho e ainda, esta revisão deve ser realizada em pares ou até num número maior de revisores que buscam analisar o rigor científico de cada trabalho, ou seja, já fazem o trabalho por você.
Bem, e na Odontologia. A odontologia é uma área específica da saúde e assim, as revistas específicas a ela não apresentam fatores de impacto tão expressivos quanto às da saúde ou medicina de forma geral.
Por exemplo, a revista New England Journal of Medicine tem fator de impacto 70.670 e a Lancet, também bem conhecida, 59.102. Eu dei uma olhada nas revistas de Odontologia e é o Periodontology 2000 com o maior fator de impacto que é 7.861, depois Journal of Dental Research que aparece com  5,125. Dentre as top 5, duas de periodontia e 1 de implantodontia. A revista de prótese mais bem colocada é a JPD, Journal of Prosthestic Dentistry, em 13 lugar (onde eu publiquei meu artigo do doutorado por sinal) com 2.787.  Veja só, a minha queridinha, uma das que mais visito está 22 posição, a Journal of Oral Rehabilitation com 2,341. A diferença entre as revistas depois do 10 lugar é pequena. Para vocês terem uma ideia, a revista de ortodontia mais bem posicionada está em 32o. lugar, ou seja, talvez quanto mais específica a área, a tendência é reduzir o fator. Então não dá para comparar a Lancet com as de odontologia. e nem uma que publica somente sobre ortodontia com uma que publica pesquisa sobre toda a área de odontologia.
Todas as revistas com fator de impacto alto estão publicadas na lingua inglesa. Ou seja, se você não sabe ingles, a chance de ficar desatualizado ou de depender de outras pessoas para adquirir o conhecimento é alta.
Das brasileiras, entram no ranking a Brazilian Oral Research que é da SBPqO e está na 39 posição e tem fator de impacto 1,773 e a JAOS, Journal Applied of Oral Sciences na 50, aqui da Faculdade de Odontologia de Bauru-USP, que tem fator de impacto 1.506.
Muitas revistas não tem sequer fator de impacto internacional. Para ver então o impacto delas você pode verificar no QUALIS, elas estarão nas categorias B, C e D.
E então o que eu faço?
Eu entro nas revistas com maior impacto na minha área, de dor orofacial, e cadastro meu email na newsletter deles. Com isso, assim que os artigos que foram aceitos nestas revistas são publicados no site, eu recebo um email com o título deles, e abro aqueles que me interessam. Baixo aqueles em que no resumo achei algo que quero ler mais! Hoje mesmo pela manhã recebi um email do Journal of Oral Rehabilitation, que é uma revista importante, tanto para DTM quanto para bruxismo, com os artigos aceitos da semana e lá estava um do nosso grupo aqui, o Bauru Orofacial Pain Group. Inclusive é um artigo do mesmo tema que o professor Yuri Costa ganhou o prêmio no IADR este ano.
Isso me ajuda também a ter ideias de pesquisa, ler revisões sobre os mais variados assuntos, e sempre contar para vocês uma novidade!
Para quem está curioso em saber quais são as revistas com maior impacto na dor orofacial, ou seja, as que eu consulto, vou agora colocar aqui abaixo a minha listinha, mas você pode criar a sua, baseado no que está afim de estudar.
Segue a lista (organizada por fator de impacto e abrangendo dor orofacial, DTM, cefaleia, sono e bruxismo):
  1. Journal of Pain – https://www.jpain.org
  2. Journal of Dental Research – https://journals.sagepub.com/home/jdr
  3. Current Pain and Headache Reports: https://link.springer.com/journal/11916
  4. Journal of Oral Rehabilitation – https://onlinelibrary.wiley.com/journal/13652842
  5. Brazilian Oral Research – http://www.scielo.br/bor
  6. Oral Surgery Oral Medicine Oral Pathology Oral Radiology – https://www.oooojournal.net
Pessoal, fazendo a lista vi que deixei um monte de revistas que chegam no meu email de fora (especialmente as de odontologia em geral,  neurociências e sono), mas acho que a lista já está bem extensa.  E das revistas de maior impacto nem sempre tem artigos que me interessam, mas aí é só passar os olhos e deletar o email. O fato é que quando tiver (como o de neurofisiologia da migrânea publicado na Lancet Neurology), serão ótimos, com certeza.
Para assinar com seu email o boletim de notícias destas revistas tem que procurar no site delas. Vou fazer um vídeo pois algumas editoras deixam isso no site da editora mesmo (você marca numa caixa de seleção os que você quer). Procurem!
Abraços a todos.
Para ouvir o podcast você pode procurar no seu tocador preferido ou nos links abaixo:

Doutor, tenho DOR

É muito bacana quando a gente acompanha de perto um projeto nascer e já com tanto sucesso! O projeto o qual me refiro é uma página no Facebook, dedicada a esclarecer à população aspectos relacionados a Dor Orofacial: Doutor, tenho DOR!

A ideia foi do meu grande amigo André Porporatti. Já perdi as contas de quantas vezes conversei com ele sobre comunicação e divulgação por redes sociais, blogs, vídeos. Mas quando dizia que ele precisava divulgar o que ele fazia, ele respondia: “não sei, não achei ainda o formato, queria aproximar dos pacientes”.

E um belo dia, pelo Whatsapp ele me avisa que estava lá, a ideia exposta, a página criada, o Doutor, tenho DOR (e eu fui a primeira a curtir \o/).

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O formato engloba pequenos vídeos e slides, com a missão de explicar condições e resultados de pesquisa. Além da página no Facebook (curta!), agora também há um canal no YouTube (assine!)!

Já sou a fã número 1 e estou compartilhando sempre com meus pacientes.

E olha só a homenagem que recebemos dele no domingo!

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Parabéns André!!! Ser sua amiga me enche de orgulho! 🙂

Não percam tempo, assistam aos vídeos!

Segue o primeiro só para deixar com o gostinho de quero mais!

Falando nisso…

Quero aproveitar e agradecer a todos que estiveram no último sábado no Dia do Bruxismo de Belo Horizonte! Casa cheia e todo mundo ficando até o final. Eu e a Adriana Lira Ortega não poderíamos ter ficado mais felizes! Agradeço também aos amigos queridos Sérgio Mendonça e Rodrigo Teixeira que cuidaram para que tudo saísse “nos conformes”!

Para quem quer conhecer nosso curso, acesse o site www.diadobruxismo.com 

As próximas datas serão em João Pessoa (Julho), São Paulo (Agosto), Brasília (Outubro) e Uberaba (Dezembro).

Rapidinha: video aula sobre como ler um artigo científico

O Professor Luis Cláudio do site Medicina Baseada em Evidências, já citado aqui no blog em outra postagem, ontem ministrou uma palestra online sobre como ler um artigo científico, algo que ele citou que não deve ser um trabalho árduo e sim prazeroso! A leitura faz você não só aprimorar sua técnica clínica, mas traz um exercício reflexivo sobre sua conduta, o que pode ainda estimulá-lo no trabalho.

Passei o link aos meus alunos de especialização e atualização e quem assistiu adorou!

A aula está online, gratuita e parece que haverá continuação por um curso online.

Para quem quer assistir a aula, acesse o link: http://medicinabaseadaemevidencias.com/palestra-aovivo/

Eu acho que vale super a pena!

A renovação do conhecimento

Hoje enquanto fazia a sobremesa do almoço de feriado, coloquei no You Tube a palestra divulgada na página da Dental Press como um show. Trata-se da palestra de abertura do 8o. Congresso Internacional da Dental Press, ministrada pelo Prof. Alberto Consolaroque aconteceu ontem!

Literalmente um show! O professor fez uma retrospectiva bacana sobre os mitos que rondam a Ortodontia. Não sou ortodontista e nem este blog é dedicado a esta especialidade, mas o que me chamou a atenção foi constatar entre as cabeças pensantes da saúde um mesmo objetivo: é preciso mudar.

É preciso deixar mitos e dogmas para trás e conhecer o novo, entender o porquê. Puxa vida,  tenham pensamento crítico, mantenham-se atualizados, aprendam a desapegar dos mitos, formulem a sua própria linha de atuação. Como o professor disse nesta palestra, o mito, a crença o dogma são muito atrativos. Acreditar é muito fácil! Falando na área de DTM e Dor Orofacial, como é difícil, mesmo com tantas evidências fortes, fazer com que os colegas se desapeguem de algumas coisas, como, por exemplo, o ajuste oclusal para tratamento de DTM!

A palestra tem duração de quase uma hora, mas vale a pena! Dê um play!

Falando nisso…

Está chegando a hora do II Congresso Brasileiro de Dor Orofacial, promovido pela SBDOF (quem vai? o/) e a palestra de abertura será realizada pelo Prof. Eli Eliav,  da Rutgers School of Dental Medicine nos Estados Unidos. Ano passado fui ao ICOT/AAOP Meeting, realizado em Las Vegas e tive o prazer de assistir a sua palestra, com tema semelhante à descrita acima. Para quem deseja se lembrar, clique aqui e leia a postagem. Prof. Eliav lembrou que é possível sim fazer uso da Odontologia baseada em Evidências na sua rotina clínica.

No II CBDO, além desta palestra, ele também irá falar sobre o uso dos testes sensoriais quantitativos, tema super atual e que nos ajuda na escolha na terapia, especialmente em dores neuropáticas.

Você vai perder? 😉

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Revisão sistemática: quer entender melhor do assunto?

Olha a novidade: em 2015, em Florianópolis, acontecerá um curso teórico e prático sobre Revisão Sistemática. Achei a iniciativa super bacana, já que não cansamos de dizer que os profissionais da saúde, especialmente os que pesquisam na área,  devem aprender a lidar com tantas informações, separar o joio do trigo, entender o que é trabalhar com a melhor evidência possível.

Este curso é fruto do pós-doutorado realizado pela Prof. Graziela de Luca Canto na Universidade de Alberta, cujo objetivo foi adquirir competências em Odontologia Baseada em Evidências.
O curso acontece na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), é teórico-prático e durante o curso o pesquisador vai escrevendo um artigo de revisão sistemática. Os encontros serão quinzenais, sempre às sextas-feiras, de fevereiro a julho.
O público alvo são os pesquisadores de qualquer área da saúde.
Os interessados podem obter mais informações sobre o curso e o trabalho que a equipe da UFSC desenvolve pelo site: http://cobe.paginas.ufsc.br
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Falando nisso….
Sexta feira foi o último dia do curso de Atualização em DTM e Dor Orofacial lá em Bauru! Toda turma que vai embora, deixa saudades…
Para quem deseja fazer parte do curso de 2015, entrem em contato com a Vivian no IEO-Bauru pelo site www.ieobauru.com.br

Não há evidências para tudo…

“Não há evidências para todos os tratamentos”. Esta é a frase que mais escuto por aí quando falamos sobre DTM e outras dores orofaciais. É também o argumento utilizado junto com a famosa frase “já tratei mais de 1000 pacientes assim…” para alguns colegas justificarem o porquê não adotam a prática da saúde baseada em evidências.

E parece que não é só na área de Dor Orofacial que isso acontece. Toda esta introdução é para indicar a vocês a leitura de um blog muito bacana, o “Medicina baseada em Evidências” que recentemente publicou uma postagem exatamente com o título desta: “Não há evidência para tudo”.

No texto o autor justifica que a frase esta equivocada através de 3 princípios: hipótese nula, complacência e plausabilidade extrema. Parece complicado, né? Mas garanto que a leitura é bem clara.

Medicina baseada em evidências não é copiar o artigo científico; medicina baseada em evidências é individualizar para o paciente um conceito demonstrado no artigo científico.

Prof. Dr. Luis Claudio Correa

Faça o teste! Dê uma chance aos textos do Luis Claudio Correa, que é Professor Livre Docente em Cardiologia – UFBA; Doutor em Medicina e Saúde; Professor Adjunto da Escola Bahiana de Medicina; Médico Cardiologista e blogueiro dos melhores. O seu blog desde 2009 presta o serviço de informar e orientar a respeito da prática da saúde baseada em evidências de maneira clara e objetiva que facilitará cada dia mais o emprego na sua prática clínica.

http://medicinabaseadaemevidencias.blogspot.com.br

Gosto sempre de lembrar que a decisão clínica deve se apoiar em 4 pilares: sua experiência, o que o paciente deseja, custo e a melhor evidência possível.

Parabéns Luis Claudio pelo seu esforço e trabalho! 🙂

Falando nisso….

Quem adora Ciência com certeza já ouviu falar em Carl Sagan que capitaneava a série Cosmos em 1980. Ele foi cientista, astrobiólogo, astrônomo, astrofísico, cosmólogo, escritor e divulgador científico (leia aqui mais sobre Carl Sagan). Um dos podcasts mais bacanas que ouvi este ano foi sobre ele e  sobre o legado de “Cosmos”, assim como o importante papel dos cientistas comunicadores, o acesso à ciência no Brasil e o debate Evolucionismo vs. Criacionismo. Foi o Braincast número 102.

E hoje quando estava pensando em publicar este texto, um amigo compartilhou um vídeo sobre uma passagem do livro de Carl Sagan no Facebook que caiu como uma luva aqui. São só 4 minutinhos, vale assistir.

Abraços a todos!

Odontologia baseada em Evidências

Sexta feira passada ministrei uma aula sobre Odontologia baseada em evidências para a turma de especialização em Implantodontia da Universidade de Franca (UNIFRAN).

Recebi hoje por email de um dos aluno, o colega João Baptista de Lima aqui de Franca, algumas frases que eu disse durante a aula! Achei engraçado ler as frases assim, fora do contexto! Obrigada João! rs….

Vou dividir com vocês as bobagens que eu falo:

A odontologia Baseada em Evidencia (OBE) não é coisa teórica. Hoje é rotina na nossa clinica do dia a dia.

Vamos parar de acreditar em aparências. Um gatinho nunca poderá parecer com um leão. O corvo preto sempre será preto até que você encontre um corvo branco!

Experiência clinica é importante. Mas o fundamental é o estudo, o conhecimento cientifico. É manter-se sempre atualizado!

No mundo de hoje com a internet e o Google não tem mais desculpa: só não é atualizado quem não quer ou tem muita preguiça!

O professor de nossos cursos será sempre o guia. Mas não ele o sabe tudo. Ele desperta sua atenção, mas é VOCÊ que deve ir atrás, fazer pesquisas e formatar o seu ponto de vista!

Para sair da sua macaquice é muito fácil: Comece a pensar e mudar suas atitudes de rotina. Atualize sempre. Busque, pesquise informações atualizadas e forme sua própria opinião. Façam essa experiência e com certeza vocês iram se surpreender. Vale a pena mudar!

Ah! Como eu queria ao menos um copo d’água, pois acho que já falei demais!!!

Abaixo parte da aula ministrada em vídeo. Me inspirei no texto do professor Reynaldo do site http://www.dtmedor.com.br. Publiquei o texto aqui.

Pensamento crítico


Estou lendo o livro Critical Thinking: understanding and evaluating dental research do Prof. Dr. Donald Brunette. O livro tem como lema: seja um consumidor sofisticado da literatura odontológica.

Na contracapa há a promessa de  (se você ler claro) desenvolver as habilidades necessárias para reconhecer e selecionar artigos de boa qualdiade, avaliar os desenhos experimentais e a estratégia de pesquisa e detectar erros típicos e abusos da estatística.

Ok, você pode dizer, sou um profissional da saúde clínico, gosto de atendimentos e não de pesquisa, mas hoje em dia, com o número imenso de informações pipocando por aí na internet, o acesso mais fácil aos estudos científicos, o número grande de cursos, é importantíssimo separar o joio do trigo, ou seja, a boa da má informação.

Este livro me faz pensar bastante sobre isso e o quanto é comum me confrontar com situações que o autor classifica como falácias de nenhuma evidência (afirmações) e também falácias de evidências insuficientes ou inapropriadas.

A publicidade usa de artifícios de afirmação o tempo todo, como na propaganda da cerveja X, onde a praia é linda cheia de mulheres. Isso leva os homens bobos a supor que a cerveja seja também excelente.

Na área da saúde não é diferente. Quem nunca presenciou uma técnica sendo repetida como uma afirmação mesmo sem provas, simplesmente porque as pessoas acreditam nela ou particularmente quando o palestrante tem um quê de superioridade? Recentemente, num grande congresso de Dor Orofacial, um professor, quando questionado onde se baseava a sua técnica para tratamento, simplesmente respondeu, nos 1000 casos tratados no meu consultório. Qual a credibilidade disso? Quem me prova que é verdade? Quem acreditou nisso?

Dúvido que você que está lendo o que eu escrevo agora não tenha se deparado com esta situação! Especialmente os dentistas têm uma atração por aparelhos, dispositivos intraorais, (como faço?, onde compro?) mas dificilmente se questionam, se esta técnica ou dispositivo funciona melhor do que  já é utilizado. O método em que a técnica ou dispositivo foi testado é válido? Foi testado??

Existe um fabricante de placas de mordida que sempre me oferece cursos de treinamento (recebo via email). Fui verificar o que esta placa tinha de diferente para eu precisar comprá-la e me submeter a um curso para utilizá-la. Entrei no site e na parte de bibliografia haviam inúmeros artigos, em letras tão pequenas que precisei do zoom. O que estavam lá? Muitas pesquisas sobre o dispositivo? Não. Estavam artigos bem conhecidos sobre DTM e bruxismo, até mesmo uma citação do artigo do Costen!

Me engana que eu gosto?


Aproveitando este texto desabafo, no blog Entendendo a Dor Orofacial do Odonto 1, há um texto excelente sobre Odontologia Baseada em Evidências escrito pelo Prof. Reynaldo Martins Jr. que sugiro que todos leiam! Serve para qualquer especialidade e profissão! Gaste uns minutinhos por lá! Segue o link: http://www.odonto1.com/blogs/julianabarbosa/?p=549

Atualizando: o blog não existe mais… E o livro está esgotado…

Segue um trechinho do texto:

Se o acesso às informações não é mais problema, a dificuldade agora é outra: são muitas as informações disponíveis, e o clínico não parece preparado, na maioria das vezes, para separar a boa da má informação, tendo como conseqüência uma resistência a uma prática baseada em evidências científicas. Nesse contexto, não é incomum ouvirmos frases como “cada um fala uma coisa” e “os pesquisadores (ou professores) não se entendem” , resultando em uma regressão ao modelo anterior, baseado em crenças, tradição e principalmente opiniões de profissionais com os quais o clínico se identifique (através de cursos, artigos do tipo tutorial ou ponto-de-vista, e livros) .

 

Essa situação ocorre basicamente por desconhecimento do que seja Ciência de maneira geral, e Odontologia Baseada em Evidências, de maneira particular, fruto de um sistema educacional que leva a aluno a “aprender” e “reproduzir” sem ser estimulado a pensar, questionar, descobrir por si as respostas. Faremos algumas breves considerações sobre esses pontos.