7 anos!!

20 de fevereiro se tornou uma data especial em minha vida. Foi quando num dia chuvoso eu sentei em frente do computador e escrevi algumas palavras no WordPress, dando início a este blog!

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7 anos, sim, 7 anos se passaram e posso dizer que de certa forma o blog conseguiu transformar a minha vida, e para melhor.

Hoje posso dizer que consegui um espaço para falar diretamente com o profissional da saúde, sem barreiras, sem edição. Sou eu mesma escrevendo e compartilhando. Isso me traz uma satisfação gigante!

Obrigada aos todos os leitores, àqueles que me acompanham em toda a postagem, aos que buscam posts antigos e escrevem para comentar, aos alunos que chegam aqui pelo conteúdo online das aulas, a todos que se interessam por Dor Orofacial, Disfunção temporomandibular, Bruxismo, Cefaleia, Fibromialgia, Dor Neuropática, Dor Crônica e fazem o que podem para proporcionar bem estar aos seus pacientes.

A audiência ano a ano só aumentou!

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E tradicionalmente, vou colocar a lista de artigos mais lidos no blog, no último ano (com comentários meus)!

  1. Manobras para (des)travamento da ATM – parte 1 (acho que por ser um artigo SOS é muito acessado sempre!)
  2. Trismo, quando a boca não quer abrir (impressão minha ou travar os movimentos mandibulares é um sinal realmente intrigante para o clínico?)
  3. Ardência bucal, afinal o que pode ser? (campeão de audiência entre leigos! Recebo pacientes, mensagens, emails, sinais de fumaça todos os dias com pessoas que buscam diagnóstico para este sintoma! Profissionais, é preciso falar sobre ardência).
  4. Neuralgia do Trigêmeo (que bom que as pessoas se interessam por esta condição. O diagnóstico precoce reduz o sofrimento do paciente).
  5. Barodontalgia: dor de dente por diferença de pressão atmosférica (poucos sites na internet em lingua portuguesa falam sobre o assunto. Sintomas que deixam o clínico confuso).
  6. Neuropatias pós implantes dentários (os casos de dor persistente pós implante em meu consultório já superam os pós endodontia. É preciso entender que o problema não está na técnica empregada)
  7. Manobras para (des)travamento parte 2 (e a saga continua… rs)
  8. Síndrome do queixo dormente (caso desafiador que atendi uma vez)
  9. Controle do bruxismo infantil (tudo dirigido para crianças dá mais ibope! rs)
  10. Desvio e deflexão (confesso que este post aqui me surpreendeu! Sinais característicos de problemas mecânicos na ATM).

Tá aí! Acho que estes posts servem de inspiração e guia sobre o que escrever… então vamos lá para comemorar sempre mais e mais anos.

Leitor querido, obrigada!

Bom carnaval a todos! Alalaou!

 

 

Os 10 mais!

Nossa! Já acabou o ano! Como assim?

Eu prometi a mim mesma que seria mais ativa aqui no blog e que faria uma planilha no excel sobre as minhas finanças. Não fiz nem uma coisa, nem outra… #fail

Mas 2016 está aí para a gente começar de novo, não é mesmo?

E hoje fui conferir as estatísticas de 2015 para este blog e…. a visualização aumentou 40%! Fiquei super feliz!

Aproveitei e peguei a lista das postagens mais lidas do Por Dentro da Dor Orofacial. E com vocês, os 10 mais em ordem de visualização (para ver o artigo original, clique no título!):

 

10. Rapidinhas: Ortodontia e sua relação (ou não) com DTM

Postagem rápida sobre um artigo gratuito. Trechinho:

“Dá uma tristeza ter que escrever ainda sobre este tema. Por que tanta gente ainda indica ortodontia para tratamento das mais diversas Disfunções Temporomandibulares (DTM)?

Vários pesquisas já mostraram que Ortodontia não trata, nem previne e nem causa DTM.”

É… e acreditem que fiz uma outra postagem parecidíssima com esta (preciso escrever sobre o que já postei para não esquecer!).

 

09. Odontologia “metafísica”

Este artigo tem um texto muito bom do amigo Yuri Martins Costa. Ele ainda estava em Aarhus na Dinamarca! Yuri também faz parte do Bauru Orofacial Pain Group e tenho o maior orgulho em ter acompanhado seu desenvolvimento na pesquisa!

Trechinho:

“Com isso, a mensagem que gostaríamos de deixar é que cresce constantemente a quantidade de evidências que apontam para efeitos terapêuticos das placas oclusais que vão além da correção ou melhora dos aspectos mecânicos de arranjo oclusal/equilíbrio muscular e envolvem, pelo menos indiretamente, características psicológicas e comportamentais e, por isso, sendo um pouco amplo na definição e com certa dose de exagero proposital, podem ser considerados “efeitos metafísicos”.

 

08. Site bacana com vídeos sobre anatomia e fisiologia

Eu adorei compartilhar este site com vocês. O Armando Hasudungan rabiscava o que aprendia nas aulas de farmacologia. Uniu o talento do desenho ao conhecimento científico. Assistam seus vídeos! Vale a pena!

Trechinho:

“Em seu site encontrei vídeos das mais diversas áreas, divididos por assuntos! Destaco o vídeo sobre mecanismos básicos da dor e como funcionam os anestésicos locais, mas vejam os Neurologia, Farmacologia (há sobre inflamação), Sistema Muscular, ou seja, naveguem por lá que não irão se arrepender!”

 

07. Homeostase e posição mandibular

06. Reposicionar a mandíbula: artigo recente na literatura

Estas postagens foram sobre o artigo “Treating temporomandibular disorders with permanent mandibular repositioning: is it medically necessary? “.

Este foi um ano em que estudei bastante sobre processos degenerativos da articulação temporomandibular (ATM) e este trabalho chamou a minha atenção uma vez que abordou o processo de remodelação e adaptação. Vale a pena ler e reler!

Trechinho:

” Os autores enfatizam a necessidade de conhecermos a biologia do sistema mastigatória e como ele funciona ao longo do tempo, especialmente a sua capacidade de adaptação (processo de homeostase). Claro que não negam a existência da degeneração em alguns pacientes (quando o estímulo excede a capacidade adaptativa), e a necessidade de tratamento destes pacientes, mas relatam que de modo geral este sistema funciona de maneira equilibrada, mantendo a mandíbula em uma posição apropriada em relação à maxila (oclusão) e o crânio (ATM). Remodelação é o termo utilizado para falar sobre o equilíbrio entre a forma e a função.”

 

05. Rapidinhas: Ortodontia e DTM: até quando?

Até quando? Até quando?

Trechinho:

 “Dá uma tristeza ter que escrever ainda sobre este tema. Por que tanta gente ainda indica ortodontia para tratamento das mais diversas Disfunções Temporomandibulares (DTM)?”

 

04. Neuralgia do trigêmeo: podcast e vídeos

Uma lista extensa com vídeos que estão no Youtube e um podcast bem bacana! Material  para quem quer estudar um pouco mais sobre esta condição. Não tem trechinho a ser destacado mas sugiro que você visite a postagem e assista aos vídeos! Vale a pena!

 

03. Síndrome do queixo dormente

Tem certas postagens que me mostram que vale a pena escrever neste espaço. Atendi uma paciente, vi uma condição diferente, estudei, escrevi aqui e confesso que fiquei emocionada (por toda a história envolvida) em ter este artigo no top 3.

Trechinho:

“O profissional que trabalha com dor orofacial deve estar atento a todos os sintomas. Lembre-se das palavras do professor Pedro Moreira Filho, neurologista da Universidade Federal Fluminense: trate de forma típica, aquilo que lhe é típico. Não inicie um tratamento se não tiver diagnóstico.”

 

02. Uso da toxina botulínica nas cefaleias

Ah, esta postagem deu o que falar! Recebi várias mensagens e vários telefonemas e adorei. Pelo menos fiz as pessoas refletirem sobre a indicação correta da toxina!

Nunca inicie um tratamento sem o correto diagnóstico!

Trechinho:

“O Conselho Federal de Odontologia prevê o uso terapêutico da toxina botulínica em procedimentos odontológicos. E então tenho perguntas a você, colega dentista:

 
  1. Você sabe a diferença entre migrânea (enxaqueca), cefaleia tipo tensional e cefaleia por disfunção temporomandibular? Se sabe, diga agora todos os critérios de diagnóstico!
  2.  Você sabe diferenciar uma cefaleia primária de uma cefaleia secundária (causada por algo) que tenham as mesmas características, que podem ser migranosas?
  3. Você sabe o motivo da toxina botulínica ser indicada para o tratamento da migrânea crônica?
  4. E para terminar, você sabe que enxaqueca é sinônimo de migrânea e que não é apenas uma dor de cabeça forte, e sim uma cefaleia primária com fases distintas e fenômenos neurológicos marcantes?
E por fim…. a postagem que foi mais lida por apenas 95 leitores a mais:

01. Neuralgia do trigêmeo no Fantástico!

Saiu na Globo gente! rs… Pois é, aqui no blog vi duas postagens sobre uma mesma condição entre as 5 mais lidas! Eu acho ótimo.

Trechinho:

  “Pois bem, ela perdeu dois dentes e levou um ano sofrendo.

É PRECISO FALAR SOBRE ISSO!

Contem a seus amigos, mostrem a reportagem, leiam sobre o assunto, não deixe isso acontecer! O papel do dentista é conhecer esta condição e encaminhar ao neurologista o mais rápido possível para que se inicie exames e tratamento adequados.

A propósito, o caso da Tatiana é realmente triste pois se trata de neuralgia do trigêmeo refratária ao tratamento, mas a maioria do caso responde bem ao tratamento medicamentoso. A classe farmacológica de primeira escolha recai nos anticonvulsivantes, especialmente a carbamazepina.

Tenho muitas histórias muito parecidas com esta. São casos onde até tratamento para DTM foi realizado por 2 anos! Isso só prolonga o sofrimento do paciente.”

 

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E chegamos ao final de Dezembro, final do ano de 2015, ano de muitos encontros, aulas, estudos, reflexões.

Espero que 2016 seja um ano fantástico para todos e também para a especialidade de DTM e Dor Orofacial! Feliz Natal e um excelente Ano Novo!!!

🙂

 

Odontalgia não Odontogênica

Quando a dor é no dente e não do dente….

Estava hoje mexendo nos arquivos do meu HD externo e encontrei uma aula que ministrei em 2009 sobre Odontalgia não Odontogênica. Resolvi tirar as fotos e figuras dos casos clínicos (não tenho autorização para divulgar na internet) e compartilhei com vocês através do Slideshare.

Vejam que apesar de não ter as fotos, alguns casos estão descritos e alguns deles estão publicados na literatura, basta procurar!

E quais são as condições associadas às odontalgias?

Não podemos esquecer que para chegar a estes diagnósticos o primeiro é investigar a possibilidade de dor odontogênica.

Boa semana!

Neuralgia do Trigêmeo: podcast e vídeos!

Esta semana no curso de Especialização em DTM e Dor Orofacial do IEO-Bauru vou conversar com os alunos sobre Neuralgia do Trigêmeo (NT). Já escrevi aqui no blog algumas vezes sobre NT. Confira aqui e aqui a reportagem que apareceu no programa Fantástico da Rede Globo.

Procurando conteúdo novo para a aula, eis que me deparei com um podcast produzido pelo British Medicine Journal (BMJ) com uma das maiores autoridades no assunto, professora Joanna M Zakrzewska! Ela aborda aspectos chaves sobre o problema. Eu gostei muito! Infelizmente o programa foi em inglês, sem possibilidade de tradução.  Clique aqui e acesse (também está no SoundCloud).

Abaixo reproduzo o conteúdo do podcast:

The bottom line

  • Trigeminal neuralgia is characterised by sharp stabbing pains that are usually unilateral, last for less than a minute, and occur within the distribution of the fifth cranial nerve

  • Few high quality, large randomised control trials are available to guide practice

  • Initial treatment is usually medical with a single first line agent (such as carbamazepine or oxcarbazepine)

  • Consider surgical treatment if an adequate trial of a single first line agent at maximum tolerable dose has failed

(Não sabe o que é Podcast? Leia aqui)

Eu também  adoro dar uma olhada nos vídeos que estão no YouTube e selecionar alguns para complementar o conteúdo! Para quem é leitor novo do blog, no passado fiz algumas postagens com vídeos para o estudo da neurofisiologia da dor, neuroanatomia e tantas outros.

Seguem para vocês uma seleção de vídeos sobre esta condição! Se entender o inglês for difícil, acionem a legenda em Português do YouTube. Pode ajudar. Clique aqui e saiba como.

Convivendo com Neuralgia do Trigêmeo

Este depoimento é muito interessante, vejam que a paciente diz: eu sabia que não era um problema dentário.

Aula do programa UCLA Health

Explica o que é NT, seus sintomas, as possíveis causas e tratamentos. Aula muito bem feita, ministrada pelo neurocirurgião Neil Matin.

Webcast Viva sem Dor

Dr. Claudio Correa explica aspectos gerais sobre Neuralgia do Trigêmeo e seu tratamento.

Bloqueio gânglio trigeminal

Vídeo demonstrando como pode ser realizado a opção bloqueio do gânglio de Gasser, quando necessário.

Sobre a opção da neurocirurgia

Vídeo curto com aspectos gerais da NT e quando é realizado o encaminhamento a neurocirugia, normalmente quando o tratamento de primeira escolha, medicamentoso, falha.

Descompressão Microvascular

Uma das técnicas utilizadas pelos neurocirurgiões. Neste vídeo é uma aula completa (1 hora de duração) com Peter Janetta, médico neurocirurgião que introduziu  técnicas neste procedimento (a primeira cirurgia feita por ele foi em 1966). Leia mais sobre isso aqui.

Outro vídeo, mais curto só com a demonstração do procedimento (eu “assisto” sempre de olhos fechados! Tem sangue? Ploft!)

Forame oval

O forame oval permite acesso a procedimentos como radiofrequência e micro compressão por balão no gânglio trigeminal.

Sobre compressão por balão

Vídeo demonstrando o processo.

Um antes e depois coreano.

E uma aula completa com uma hora de duração sobre os procedimentos de radiofrequência e mico compressão por balão.

Gamma Knife

A radiocirurgia com Gamma Knife® é uma forma de radioterapia que entrega altas doses de radiação ao local no cérebro a ser tratado  com feixes de radiação muito estreitos que convergem para este local com extrema precisão (0,4 mm). Vem sendo realizada também para NT. Abaixo um vídeo explica o procedimento.

Falando nisso….

Sei que estamos no meio do ano, mas a procura pelo curso de Atualização em DTM e Dor Orofacial coordenado pelo Professor Paulo Conti e com participação do Bauru Orofacial Pain Group já começou! Assim, aos interessados, o curso começará em Fevereiro/2016 e todas as datas já foram agendadas. Saiba mais em http://www.ieobauru.com.br ou ligue (14) 3234 1919 com Vivian! As vagas são limitadas!

Neuralgia do trigêmeo no Fantástico!

Estava viajando domingo e assim não assisti TV.

Mas logo que cheguei em casa e chequei o email, me deparei com este abaixo:

Olá Juliana, fui a sua palestra em novembro de 2014 na ABO-ES e hoje estava passando no fantástico uma reportagem sobre a neuralgia do trigêmeo e percebi o quanto eu aprendi na sua palestra! Gostaria de te parabenizar pela sua excelente aula…eu não sei se você vai se lembrar de mim mas eu tentava responder quase tudo que você perguntava e você me perguntou se eu estava na graduação e eu falei que sim! Espero em ir em outras palestras.

Att. Mariana Reis

Puxa Mariana, obrigada por teu email! Me deixou feliz da vida! O objetivo é este: INFORMAR. E é disso que tanto os pacientes como os profissionais da saúde precisam, sobretudo sobre neuralgia do trigêmeo, informação.

E a gente tem que parabenizar a produção do programa Fantástico e à Tatiana que clamou pela reportagem.

A Neuralgia do Trigêmeo é uma condição há muito tempo conhecida entre os que estudam dor, que apresenta sinais e sintomas bem marcantes (o que facilita seu diagnóstico) mas completamente esquecida no ensino da Odontologia. Digo isso porque é, talvez, a condição onde mais iatrogenias são cometidas contra os pacientes.

Por acometer especialmente os segundo e terceiro ramos do nervo trigêmeo, muitas vezes a dor se manifesta na boca, em um dente e é facilmente confundida (apesar das características marcantes) com odontalgia. Se é neste local, o paciente irá procurar o dentista e não o médico para tratamento. E é aí o problema: sem formação adequada (não culpo os profissionais mas o ensino), muitos profissionais na tentativa de realizar algo para amenizar a dor tão grave (a pior do mundo), mesmo sem certeza absoluta, realiza procedimentos invasivos.

Não é incomum encontrar pacientes que já foram submetidos a tratamentos endodônticos, cirurgias paraendodônticas, exodontias, etc.

CONHEÇAM A NEURALGIA DO TRIGÊMEO!

Há algum tempo escrevi uma postagem sobre o assunto aqui no blog (em 2010, veja lá!)

Voltando a reportagem, vejam o que diz Tatiana, a paciente que incentivou o Fantástico a produzir a matéria:

Ela conta como foi a primeira dor: “Eu senti um choque. Na hora, eu não dei bola. Aí, a partir do terceiro, mais ou menos, eu pensei em procurar a dentista. Eu extraí o dente do siso e extraí mais um outro. E, claro, que não melhorou”, ela lembra.

As dores só aumentavam e a artesã não conseguia descobrir o que tinha. “Depois de um ano sofrendo, resolvi procurar na internet, até que chegou na neuralgia do trigêmeo”, ela conta.

Pois bem, ela perdeu dois dentes e levou um ano sofrendo.

É PRECISO FALAR SOBRE ISSO!

Contem a seus amigos, mostrem a reportagem, leiam sobre o assunto, não deixe isso acontecer! O papel do dentista é conhecer esta condição e encaminhar ao neurologista o mais rápido possível para que se inicie exames e tratamento adequados.

A propósito, o caso da Tatiana é realmente triste pois se trata de neuralgia do trigêmeo refratária ao tratamento, mas a maioria do caso responde bem ao tratamento medicamentoso. A classe farmacológica de primeira escolha recai nos anticonvulsivantes, especialmente a carbamazepina.

Tenho muitas histórias muito parecidas com esta. São casos onde até tratamento para DTM foi realizado por 2 anos! Isso só prolonga o sofrimento do paciente.

Vejam a reportagem do Fantástico. Leiam a postagem do blog. Vamos falar sobre isso! 🙂

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Dor facial: vídeo aula

Recebi dias desses por email o link para uma vídeo aula sobre dor facial. Somente hoje consegui finalizar a visualização (são 44 minutos de aula!) e adorei.

O vídeo faz parte do programa UCLA Health dos Estados Unidos e, infelizmente, está em inglês.

O título da aula é Facial Pain: Diagnosis, Treatments and Latest Advancements com o neurocirurgião Neil Martin.

O tema central foi Neuralgia do Trigêmeo e ele discorre do diagnóstico, de outras condições que também geram dor na face (como herpes zoster, sinusite, migrânea e as cefaleias trigemino autonômicas, como SUNCT e cefaleia em salvas) e termina respondendo a perguntas que eram enviadas naquele momento.

Sugiro a vocês que arrumem um tempinho e assistam (ou façam como eu, vá assistindo por partes, rs…).

Abaixo o vídeo!

 

Falando nisso…

Últimas vagas para o curso de especialização em DTM e Dor Orofacial coordenado pelo professor Paulo Conti e com a participação de toda a equipe FOB-USP de Dor Orofacial. Acesse o site www.ieobauru.com.br ou ligue para 14 32341919 com Vivian para mais informações! Começa em Outubro/2015.

Textos ótimos e gratuitos sobre Dor Orofacial

Neste dia frio que tal ler algo sobre dor orofacial?

Separei dois artigos gratuitos que vocês podem fazer download!

O primeiro é um artigo de revisão sobre Dor Orofacial, bem básico, excelente para quem quer entender um pouco mais sobre a área e para o especialista enviar ao colega para explicar o que faz.

O título é Orofacial pain management: current perspectives, e como trata o nome, fala também sobre tratamento para dor orofacial atualmente. Foi publicado na revista Journal of Pain Research (que tem outros artigos gratuitos também, vale conferir!). Para acesso ao artigo, clique na figura abaixo.

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O segundo artigo vem do jornal da IASP (Associação Internacional de Estudo para Dor) e trata sobre a jornada que o paciente enfrenta para o diagnóstico de neuralgia do trigêmeo. Não canso de repetir: precisamos estar atentos no diagnóstico desta condição. Quando o cirurgião dentista não reconhece a neuralgia do trigêmeo, normalmente o paciente sofre com procedimentos invasivos e inadequados (tratamento endodôntico, apicectomia, exodontias) realizados no intuito de tratar a dor. Por favor, nunca inicie um tratamento sem ter certeza do diagnóstico. Vejam que este não é só um problema do Brasil, como o artigo mostra.

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Boa leitura! 🙂

4 anos!

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4 anos, 233.170 visualizações, 1387 comentários, 3589 curtidas na página do Facebook, 1604 seguidores no Twitter depois aqui estou eu para agradecer a vocês leitores assíduos ou eventuais, colegas de profissão, profissionais da saúde e pacientes.

Não contabilizei o número de emails que já recebi através desta página mas são centenas.

O trabalho não é fácil, às vezes (muitas vezes) reclamo da falta de tempo, mas na medida do possível faço a minha parte para divulgar a Dor Orofacial em todas suas vertentes.

Aproveite e relembre os posts mais lidos de todos os tempos no blog (Top 10!):

1. Ardência bucal… Afinal o que pode ser?

2. Manobras para (des)travamento – parte 1

3. Trismo, quando a boca não consegue abrir.

4. Disfunção temporomandibular

5. Neuralgia do trigêmeo

6. Barodontalgia: dor em dente por diferença em pressão atmosférica.

7. Manobra para (des)travamento – parte 2

8. Arterite temporal

9. Bruxismo infantil

10. Controle do bruxismo infantil

 

4 x obrigada! 🙂

3 vídeos sobre o trigêmeo

Recebi um email com estes três vídeos que assisti e gostei bastante.

O primeiro faz uma revisão anatômica e clínica sobre o nervo trigêmeo:

O segundo apresenta uma forma rápida de examinar o paciente:

E o terceiro o vídeo de uma cirurgia de descompressão do trigêmeo em paciente com neuralgia trigeminal, com comentários:

Infelizmente estão todos em inglês. Se o dia tivesse 25 horas bem que eu tentaria legendar. Se eu conseguir, coloco de novo para todos!

Bom final de semana!

Neuralgia do trigêmeo

A primeira coisa que fiz antes de começar este texto foi checar se eu ainda não havia escrito sobre neuralgia do trigêmeo aqui no blog. E eu mesma me assustei ao ver que ainda não!

Por que isso? Bem, toda vez que começo uma aula sobre dor neuropática, após as explicações básicas (neuroanatomia, definição, fisiopatologia geral, etc), eu coloco um caso clínico. Este sempre é (atenção futura plateia) um caso de neuralgia do trigêmeo. Afinal, quero começar com algo mais familiar ao cirurgião dentista e, penso que  a maioria deve já conhecer a condição clínica.

Mas, o que acontece, A MAIORIA dos cirurgiões dentistas NÃO reconhece esta dor neuropática!

E fico triste e até um pouco brava. Primeiro porque esta é a dor orofacial descrita há mais tempo no mundo (há uma descrição na Bíblia!), segundo porque os pacientes com neuralgia do trigêmeo sofrem muito até receberem o diagnóstico e o que mais acontece é a exodontia de dentes, ou a privação do uso de próteses, enfim, procedimentos odontológicos sem diagnóstico correto.

Ainda, é incrível o número de pessoas (pacientes ou dentistas) que descrevem qualquer dor forte como neuralgia do trigêmeo, quando na verdade, não há o diagnóstico.

O que acho que está acontecendo? Falta de preparo na graduação. Pelo número de procedimentos odontológicos realizados de forma iatrogênica em pacientes com esta condição, acho que esta merecia destaque na grade curricular. Espero que com a divulgação maior da especialidade este quadro se reverta.

Nesta mesma aula há um texto de 2005 do Prof. Siqueira, profissional de quem tenho o maior respeito pela sua luta pela divulgação das dores orofaciais, do qual destaco um trecho (texto integral aqui):

“Segundo o especialista em dor orofacial do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina de USP, José T. Siqueira, de cada 100 mil habitantes, quatro apresentam a síndrome. As crises, em 74% dos casos, ocorrem na boca, levando à extração desnecessária de dentes, entre outros procedimentos cirúrgicos que resultam no aumento da dor e do sofrimento do doente.
Pacientes perdem dentes, fazem próteses e, depois, descobrem que não conseguem usá-las, pois desencadeiam a temível dor do “trigêmeo”, alertou Siqueira.
O desconhecimento da enfermidade por parte dos profissionais da saúde, da área médica e da população retarda o diagnóstico da doença, aumentando o sofrimento dos doentes. O tratamento da neuralgia trigeminal é longo e exige acompanhamento de equipes treinadas. Em muitos casos, explicou o especialista, a neurocirurgia pode ser indicada.”

Toda vez que falo ou escrevo sobre este assunto me lembro de um caso, lá no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. Um senhor estava internado com este quadro. subi para visitá-lo e ao saber que eu era dentista, logo pegou o par de prótese total que descansava no copo na mesa ao lado da cama. Me disse com tristeza: “Não consigo usar doutora. Fui a uma escola de odontologia aqui e por culpa da dor, extraíram meus dentes e fizeram esta dentadura. Mas agora não consigo usar”.

A tristeza dele não sai da minha memória. O diagnóstico dele? Neuralgia do trigêmeo, secundária a um tumor benigno, localizado próximo ao gânglio de Gasser.

Motivada por este caso, fiz um trabalho que publicamos na revista da ABO, onde revisei os prontuários do hospital para verificar as características destes pacientes. Com relação aos fatores de desencadeamento da dor, a mastigação dominava as queixas, com 47,2% dos casos. Não é estranho então que muitos pacientes procurem o cirurgião dentista no primeiro atendimento!

Então, na missão de divulgar as dores orofaciais, seguem abaixo algumas características da neuralgia do trigêmeo!

A neuralgia do trigêmeo está classificada pela Classificação Internacional das Cefaleias no item 13. É subdividida em neuralgia clássica do trigêmeo e neuralgia trigeminal sintomática.


 

Resumidamente:

  • Dor unilateral, forte na face, tipo “choque elétrico” (lancinante).
  • Segundo e terceiro ramos do trigêmeo são mais comumente afetadas
  • Idade comum: sexta e sétima décadas de vida.
  • Mulheres ligeiramente mais afetadas do que homens (3:2)
  • Dor é estimulada, dura de segundos a no máximo 2 minutos. Várias crises durante o dia podem ocorrer.
  • Zona gatilho: área da qual a dor é ativada. Assim, pode mimetizar uma odontalgia.
  • Bloqueio anestésico na zona gatilho alívia os disparos de dor.
  • Fisiopatologia da Neuralgia Clássica do Trigêmeo (NCT): compressão vascular do nervo trigêmeo com desintegração da bainha de mielina com desmielinização – processo degenerativo progressivo. Das sintomáticas: neoplasias, infecções, traumas, esclerose múltipla, por exemplo.
  • Tratamento de primeira escolha: medicamentoso, com anticonvulsivantes (Carbamazepina, oxcarbamazepina…)

Enfim, é isso! Bom final de semana a todos!