Entrevista com Prof. Paulo Conti – DTM e Bruxismo

Na semana passada fomos surpreendidos por uma entrevista do Prof. Paulo Conti, professor da FOB-USP e coordenador do Bauru Orofacial Pain Group, no programa Saúde em Prática da TV Unesp de Bauru.

Uma entrevista bem esclarecedora para a população, falando sobre tipos de disfunções temporomandibulares (DTM), ruídos, cefaleias, bruxismo, má oclusão (desmistificando seu papel) e tratamentos (enfatizando os conservadores, explicando papel das placas, etc).

Vale a pena assistir!

Dê um play! 😉

Neuralgia do Trigêmeo: podcast e vídeos!

Esta semana no curso de Especialização em DTM e Dor Orofacial do IEO-Bauru vou conversar com os alunos sobre Neuralgia do Trigêmeo (NT). Já escrevi aqui no blog algumas vezes sobre NT. Confira aqui e aqui a reportagem que apareceu no programa Fantástico da Rede Globo.

Procurando conteúdo novo para a aula, eis que me deparei com um podcast produzido pelo British Medicine Journal (BMJ) com uma das maiores autoridades no assunto, professora Joanna M Zakrzewska! Ela aborda aspectos chaves sobre o problema. Eu gostei muito! Infelizmente o programa foi em inglês, sem possibilidade de tradução.  Clique aqui e acesse (também está no SoundCloud).

Abaixo reproduzo o conteúdo do podcast:

The bottom line

  • Trigeminal neuralgia is characterised by sharp stabbing pains that are usually unilateral, last for less than a minute, and occur within the distribution of the fifth cranial nerve

  • Few high quality, large randomised control trials are available to guide practice

  • Initial treatment is usually medical with a single first line agent (such as carbamazepine or oxcarbazepine)

  • Consider surgical treatment if an adequate trial of a single first line agent at maximum tolerable dose has failed

(Não sabe o que é Podcast? Leia aqui)

Eu também  adoro dar uma olhada nos vídeos que estão no YouTube e selecionar alguns para complementar o conteúdo! Para quem é leitor novo do blog, no passado fiz algumas postagens com vídeos para o estudo da neurofisiologia da dor, neuroanatomia e tantas outros.

Seguem para vocês uma seleção de vídeos sobre esta condição! Se entender o inglês for difícil, acionem a legenda em Português do YouTube. Pode ajudar. Clique aqui e saiba como.

Convivendo com Neuralgia do Trigêmeo

Este depoimento é muito interessante, vejam que a paciente diz: eu sabia que não era um problema dentário.

Aula do programa UCLA Health

Explica o que é NT, seus sintomas, as possíveis causas e tratamentos. Aula muito bem feita, ministrada pelo neurocirurgião Neil Matin.

Webcast Viva sem Dor

Dr. Claudio Correa explica aspectos gerais sobre Neuralgia do Trigêmeo e seu tratamento.

Bloqueio gânglio trigeminal

Vídeo demonstrando como pode ser realizado a opção bloqueio do gânglio de Gasser, quando necessário.

Sobre a opção da neurocirurgia

Vídeo curto com aspectos gerais da NT e quando é realizado o encaminhamento a neurocirugia, normalmente quando o tratamento de primeira escolha, medicamentoso, falha.

Descompressão Microvascular

Uma das técnicas utilizadas pelos neurocirurgiões. Neste vídeo é uma aula completa (1 hora de duração) com Peter Janetta, médico neurocirurgião que introduziu  técnicas neste procedimento (a primeira cirurgia feita por ele foi em 1966). Leia mais sobre isso aqui.

Outro vídeo, mais curto só com a demonstração do procedimento (eu “assisto” sempre de olhos fechados! Tem sangue? Ploft!)

Forame oval

O forame oval permite acesso a procedimentos como radiofrequência e micro compressão por balão no gânglio trigeminal.

Sobre compressão por balão

Vídeo demonstrando o processo.

Um antes e depois coreano.

E uma aula completa com uma hora de duração sobre os procedimentos de radiofrequência e mico compressão por balão.

Gamma Knife

A radiocirurgia com Gamma Knife® é uma forma de radioterapia que entrega altas doses de radiação ao local no cérebro a ser tratado  com feixes de radiação muito estreitos que convergem para este local com extrema precisão (0,4 mm). Vem sendo realizada também para NT. Abaixo um vídeo explica o procedimento.

Falando nisso….

Sei que estamos no meio do ano, mas a procura pelo curso de Atualização em DTM e Dor Orofacial coordenado pelo Professor Paulo Conti e com participação do Bauru Orofacial Pain Group já começou! Assim, aos interessados, o curso começará em Fevereiro/2016 e todas as datas já foram agendadas. Saiba mais em http://www.ieobauru.com.br ou ligue (14) 3234 1919 com Vivian! As vagas são limitadas!

Doutor, tenho DOR

É muito bacana quando a gente acompanha de perto um projeto nascer e já com tanto sucesso! O projeto o qual me refiro é uma página no Facebook, dedicada a esclarecer à população aspectos relacionados a Dor Orofacial: Doutor, tenho DOR!

A ideia foi do meu grande amigo André Porporatti. Já perdi as contas de quantas vezes conversei com ele sobre comunicação e divulgação por redes sociais, blogs, vídeos. Mas quando dizia que ele precisava divulgar o que ele fazia, ele respondia: “não sei, não achei ainda o formato, queria aproximar dos pacientes”.

E um belo dia, pelo Whatsapp ele me avisa que estava lá, a ideia exposta, a página criada, o Doutor, tenho DOR (e eu fui a primeira a curtir \o/).

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O formato engloba pequenos vídeos e slides, com a missão de explicar condições e resultados de pesquisa. Além da página no Facebook (curta!), agora também há um canal no YouTube (assine!)!

Já sou a fã número 1 e estou compartilhando sempre com meus pacientes.

E olha só a homenagem que recebemos dele no domingo!

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Parabéns André!!! Ser sua amiga me enche de orgulho! 🙂

Não percam tempo, assistam aos vídeos!

Segue o primeiro só para deixar com o gostinho de quero mais!

Falando nisso…

Quero aproveitar e agradecer a todos que estiveram no último sábado no Dia do Bruxismo de Belo Horizonte! Casa cheia e todo mundo ficando até o final. Eu e a Adriana Lira Ortega não poderíamos ter ficado mais felizes! Agradeço também aos amigos queridos Sérgio Mendonça e Rodrigo Teixeira que cuidaram para que tudo saísse “nos conformes”!

Para quem quer conhecer nosso curso, acesse o site www.diadobruxismo.com 

As próximas datas serão em João Pessoa (Julho), São Paulo (Agosto), Brasília (Outubro) e Uberaba (Dezembro).

Site bacana com vídeos sobre anatomia e fisiologia

Semana passada eu estava em Bauru e ministrei aulas tanto no curso de Especialização quanto no de Atualização em DTM e Dor Orofacial (cursos coordenados pelo Prof. Paulo Conti e com participação do Bauru Orofacial Pain Group) sobre neurofisiologia da dor.

Eu sei que voltar a estudar fisiologia e os mecanismos envolvidos no processamento doloroso é tarefa nada fácil para nós dentistas clínicos. Eu sempre digo aos alunos, o ideal é ler um bom texto sobre estes mecanismos mas tentar visualizar o que está lendo. Explico: desenhar, escrever, algo que ligue aspectos cognitivos ao aprendizado é bacana para potencializar o seu conhecimento.

Eu também sempre falo que o YouTube é uma boa fonte para pesquisar vídeos de animações que explicam estes mecanismos, como já escrevi aqui antes.

Prometi aos alunos que enviaria os meus favoritos e estou separando alguns, dividindo pelas fases de transdução, transmissão, modulação, percepção e sensibilização. E na busca por estes vídeos encontrei o site do Armando Hasudungan (www.armandoh.org) e achei o máximo. Já tinha assistido alguns vídeos dele mas toda a biblioteca não tinha visto!

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O rapaz (acho que é britânico pelo sotaque) conta que começou a desenhar como hobby para entender uma aula sobre farmacologia (tô falando pessoal, ao invés de pintar flores, vamos pintar neurônios!). Nisso ele começou a fazer os vídeos e subir para o YouTube. Sorte nossa!

Achei muito bacana o seu depoimento:

As a student I have first-hand experience in the huge amount of information and knowledge required to be a competent health/science professional. Often, studying for medical and biological sciences can be an extremely boring and draining experience.

My aim is to deliver complex medical and biological concepts quickly and through a creative and engaging approach/method. Therefore, helping a wide community of life-long learners, from novice students to experienced professionals, to reignite their desire for science and refreshing basic concepts.

Armando Hasudungan

Em seu site encontrei vídeos das mais diversas áreas, divididos por assuntos! Destaco abaixo o vídeo sobre mecanismos básicos da dor e como funcionam os anestésicos locais, mas vejam os Neurologia, Farmacologia (há sobre inflamação), Sistema Muscular, ou seja, naveguem por lá que não irão se arrepender!

A única ressalva que faço é sobre a legenda do YouTube. Muitos me dizem que não compreendem inglês, mas dá para colocar a legenda em Inglês e também traduzi-las para Português no Youtube mas em alguns vídeos, esta tradução simultânea não é perfeita, infelizmente.

No site do Armando, do lado de cada vídeo é ainda possível fazer download da figura inteira que ele desenhou e ver como fica tudo ao final do vídeo!

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Gostaram? Eu adorei! Os vídeos são de graça mas caso você queira ajudá-lo, no site há links para doações através do PayPal e Patreon. Eu já fiz a minha! Sites como este só nos estimula a aprender cada dia mais! 🙂

O uso da toxina botulínica nas cefaleias

Olá! Estou de volta depois de um Maio super agitado! Há duas semanas estava no II Congresso Brasileiro de Dor Orofacial e quero aproveitar para agradecer ao carinho de várias pessoas que vieram dizer que lêem o blog!! Obrigada!!! Eu faço este trabalho aqui de divulgação para vocês mesmo! 🙂
Mas vamos ao que interessa: eu acabei assistindo a poucas palestras lá na íntegra. Mas sempre que podia corria para ver a mesa de perguntas aos palestrantes (para mim é sempre o ponto alto do congresso). No sábado pela manhã houve a palestra sobre o uso da Toxina Botulínica nas DTMs e Bruxismo. A palestrante foi minha parceira no Dia do Bruxismo, Profa. Adriana Lira Ortega (conheçam o site do projeto! Em Florianópolis as vagas estão esgotadas! Agora a próxima data é em Belo Horizonte, no dia 27/06!). Também estava no sábado pela manhã a Profa. Thaís Villa, neurologista e cafaliatra.
Assim, com o assunto fresco na memória, surgiu a pergunta a profa. Thaís e era sobre o que ela achava das propagandas de dentistas e cursos para dentistas que utilizariam a toxina botulínica para tratamento das cefaleias.
Não vou conseguir aqui reproduzir fielmente as palavras da Profa. Thaís naquele momento, mas lembro que ela citou que achava intrigante o cirurgião-dentista realizar tratamentos para migrânea e  até para algumas condições que não existem como “migrânea tensional”.
Na hora acessei o Google e dei uma olhada e também fiquei intrigada! Não é que tratamento para “migrânea tensional” é oferecido mesmo?!
E qual o problema disso??
Vem cá, vamos raciocinar.
(ATENÇÃO! Antes de mais nada quero deixar claro que não sou contra o uso odontológico da toxina botulínica quando bem empregado.)
O Conselho Federal de Odontologia prevê o uso terapêutico da toxina botulínica em procedimentos odontológicos. E então tenho perguntas a você, colega dentista:
  1. Você sabe a diferença entre migrânea (enxaqueca), cefaleia tipo tensional e cefaleia por disfunção temporomandibular? Se sabe, diga agora todos os critérios de diagnóstico!
  2.  Você sabe diferenciar uma cefaleia primária de uma cefaleia secundária (causada por algo) que tenham as mesmas características, que podem ser migranosas?
  3. Você sabe o motivo da toxina botulínica ser indicada para o tratamento da migrânea crônica?
  4. E para terminar, você sabe que enxaqueca é sinônimo de migrânea e que não é apenas uma dor de cabeça forte, e sim uma cefaleia primária com fases distintas e fenômenos neurológicos marcantes?
Pois é. Nós Cirurgiões-Dentistas, por mais bem intencionados que somos, não fomos treinados para isso. Não faz parte de nosso escopo. Por que este tipo de anúncio?
Então vou tentar relatar algumas coisas para você entender melhor meu questionamento. Primeiro é indispensável conhecer a condição, o diagnóstico da cefaleia. Para isso, estudamos a Classificação Internacional das Cefaleias, até para aprender a distinguir e poder encaminhar efetivamente ao neurologista, melhor ainda se cefaliatra (há uma lista deles filiados a Sociedade Brasileira de Cefaleia). Uma pesquisa que publicamos há anos atrás mostra por exemplo que o cirurgião dentista pode não estar preparado para reconhecer esta condição! Leia aqui.
Segundo, devemos buscar os estudos que apoiam a terapia.
E aí acontece uma coisa interessante, assim como nas DTMs, o uso da toxina botulínica na cefaleia tipo tensional crônica (CTTC), um tipo de cefaleia primária, (leia suas características na classificação) tem pouca ou modesta eficácia. Isso porque nestes casos, o uso da toxina visa a diminuição da força de contração muscular. Como os estudos mostram, nem sempre reduzir atividade muscular traz benefício para dor (vide aula Bruxismo X DTM). Tanto em 2012, no Journal of American Medicine Association (JAMA) quanto em 2013, na revista Headache, artigos de revisão foram publicados que citaram que o uso da toxina não mostrou resultados satisfatórios nem para migrânea episódica, nem para CTT.
E para  “migrânea tensional”? Isso não existe mas parece que a toxina não seria a melhor indicação para ela. 🙂
MAS…
Aí é que tá, a toxina botulínica tem boa aplicabilidade, segurança e tolerabilidade para o uso em outra condição: a Migrânea Crônica, refratária a outros tratamentos!
E você sabe dizer por que? Por que “relaxa” a musculatura? Hein?
Não, veja bem, para entender o porquê da toxina ser eficiente nesta condição é preciso entender a sua fisiopatologia!
Primeiro entender como é a fisiopatologia da Migrânea (vulgo, enxaqueca). Existem várias fontes de informação sobre isso. Para que este texto não se torne um capítulo de livro, sugiro que assista ao vídeo abaixo, ou veja este material da American Headache Society ou entre no site da Sociedade Brasileira de Cefaleia ou procure bons artigos no Pubmed.
Ainda é preciso entender sobre cronificação da dor, sensibilização periférica e central…
Segundo, a toxina botulínica aplicada neste casos não visa primariamente bloquear a liberação de acetilcolina e com isso a paresia muscular. E sim, visa atuar em neurônios sensitivos aferentes que estão disfuncionados, liberando na periferia neuropeptídeos inflamatórios como Substância P, CGRP, etc. Com isso, há uma redução na sensibilização periférica, o que contribui para reverter o quadro de sensibilização central, o que leva tempo e muitas vezes mais de uma aplicação.
 O trabalho vencedor do prêmio da International Headache Society este ano foi Selective inhibition of meningeal nociceptors by botulinum neurotoxin type A: Therapeutic implications for migraine and other pains!! Nele você poderá ler mais um pouco sobre o que escrevi acima e também nos links abaixo:
Só tratamos aquilo que conhecemos. Não devemos tratar sintomas e sim condições. Diagnóstico é fundamental.
Sobre isso, uma postagem de 5 anos atrás, talvez a minha favorita, ainda atual: Afinal, onde dói?

A renovação do conhecimento

Hoje enquanto fazia a sobremesa do almoço de feriado, coloquei no You Tube a palestra divulgada na página da Dental Press como um show. Trata-se da palestra de abertura do 8o. Congresso Internacional da Dental Press, ministrada pelo Prof. Alberto Consolaroque aconteceu ontem!

Literalmente um show! O professor fez uma retrospectiva bacana sobre os mitos que rondam a Ortodontia. Não sou ortodontista e nem este blog é dedicado a esta especialidade, mas o que me chamou a atenção foi constatar entre as cabeças pensantes da saúde um mesmo objetivo: é preciso mudar.

É preciso deixar mitos e dogmas para trás e conhecer o novo, entender o porquê. Puxa vida,  tenham pensamento crítico, mantenham-se atualizados, aprendam a desapegar dos mitos, formulem a sua própria linha de atuação. Como o professor disse nesta palestra, o mito, a crença o dogma são muito atrativos. Acreditar é muito fácil! Falando na área de DTM e Dor Orofacial, como é difícil, mesmo com tantas evidências fortes, fazer com que os colegas se desapeguem de algumas coisas, como, por exemplo, o ajuste oclusal para tratamento de DTM!

A palestra tem duração de quase uma hora, mas vale a pena! Dê um play!

Falando nisso…

Está chegando a hora do II Congresso Brasileiro de Dor Orofacial, promovido pela SBDOF (quem vai? o/) e a palestra de abertura será realizada pelo Prof. Eli Eliav,  da Rutgers School of Dental Medicine nos Estados Unidos. Ano passado fui ao ICOT/AAOP Meeting, realizado em Las Vegas e tive o prazer de assistir a sua palestra, com tema semelhante à descrita acima. Para quem deseja se lembrar, clique aqui e leia a postagem. Prof. Eliav lembrou que é possível sim fazer uso da Odontologia baseada em Evidências na sua rotina clínica.

No II CBDO, além desta palestra, ele também irá falar sobre o uso dos testes sensoriais quantitativos, tema super atual e que nos ajuda na escolha na terapia, especialmente em dores neuropáticas.

Você vai perder? 😉

II CBDOF.004

Novidade: DC/TMD – Vídeo para treinamento

Olha a novidade! Já falamos aqui sobre as novidades da classificação internacional para as Disfunções Temporomandibulares (DTM), o DC/TMD (Diagnostic Criteria for Temporomandibular Disorders) algumas vezes (clique aqui, aqui e aqui)

Esta não é ainda a classificação de minha preferência para a clínica (uso a da Academia Americana de Dor Orofacial), mas é a obrigatória para pesquisa, e sendo assim, temos que dominá-la! 🙂

Ainda a tradução para o português não saiu (mas será em breve) mas quem já quiser ter contato com os formulários finais, basta acessar o site do consórcio clicando aqui.

Faço parte hoje junto com dentistas do mundo todo do Consórcio Internacional RDC/TMD e recebi via email a novidade de que o vídeo de treinamento do novo protocolo está no ar! Este vídeo foi desenvolvido para que todos tenham a oportunidade de conhecer como se realiza o exame físico do paciente com DTM e possa reproduzir em seus consultórios (o intuito é fazer que o diagnóstico seja mais popular na clínica) e centros de pesquisa.

Acho que para controlar os acessos ao vídeo (quem e onde ) e poder ser citado em artigos científicos (tem DOI), os organizadores o disponibilizaram para download no site da AAMC – Association of American Medical Colleges. Vamos combinar que seria bem mais fácil no You Tube né?

Assim siga este passo a passo:

1. Acesse o link: https://www.mededportal.org/publication/9946

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2. Faça seu cadastro (clique em Register) (pedem confirmação por email e depois pedem a instituição que vc trabalha).

3. Confirme o cadastro em seu email

4. Volte ao link: https://www.mededportal.org/publication/9946

5. Faça download de todo o pacote (está em .zip)

Captura de Tela 2014-12-04 às 10.51.06

O conteúdo do arquivo inclui o manual do instrutor, o filme e a licença para o uso.

Pronto (parece difícil mas até que foi rápido!).

Deslocamento do disco sem redução: como proceder?

Uma das condições mais complicadas entre as Disfunções Temporomandibulares é o deslocamento do disco sem redução (DDsR). Possivelmente o clínico encontrará nesta situação o paciente com travamento mandibular e limitação severa em abertura bucal, o que interfere na mastigação. Durante o exame detectará presença de deflexão em abertura bucal para o lado afetado e limitação no movimentos para o lado contrário. Em ressonância magnética pode ser encontrado ambos dos dos seguintes: na mordida habitual, a parte posterior do disco articular está localizada anteriormente em uma posição a 11:30 e a zona intermediária do disco está localizada anteriormente a cabeça da mandíbula e; em máxima abertura bucal, esta zona intermediária permanece localizada anteriormente à cabeça da mandíbula.

Bem, definido sobre o que vamos falar, vamos ao assunto do título da postagem. Hoje estava fazendo uma busca sobre as novidades em DTM/DOF nos artigos científicos e vi que a revisão sistemática sobre intervenções para DDsR havia sido atualizada. Publicada por pesquisadores ingleses, a revisão pode ser acessada na íntegra no Journal of Dental Research, um dos jornais mais prestigiados na Odontologia (é gratuito! aproveite!).

Em Odontolgia baseada em Evidências, sabemos que a Revisão Sistemática se encontra no topo dos tipos de estudos quando buscamos evidências para conduta em qualquer condição.

A revisão sistemática é um tipo de estudo secundário (quadro 1.1) que facilita a elaboração de diretrizes clínicas, sendo extremamente útil para os tomadores de decisão na área de saúde, entre os quais estão os médicos e administradores de saúde, tanto do setor público como do privado. Além disso, as revisões sistemáticas também contribuem para o planejamento de pesquisas clínicas.

As revisões sistemáticas reúnem – de forma organizada, grande quantidade de resultados de pesquisas clínicas e auxiliam na explicação de diferenças encontradas entre estudos primários que investigam a mesma questão.

Fonte: Curso de Revisão e Metanálise da UNIFESP virtual

Pois bem, o título do trabalho é TMJ Disc Displacement without Reduction Management: A Systematic Review e os autores buscaram trabalhos com DDsR agudo e crônico para responder a pergunta sobre dois desfechos: melhora na intensidade de dor e em abertura bucal.

Foram 21 estudos selecionados, 1305 pacientes envolvidos e várias intervenções comparadas.

De modo geral, o trabalho mostrou que quando as intervenções foram comparadas entre os grupos, a menos invasiva possível (educação e auto cuidados) produziu resultados semelhantes ao efeito de procedimentos mais “ativos” como uso de dispositivos interoclusais e fisioterapia combinados ou cirurgias da ATM.

Para DDsR agudo, a manipulação mandibular parece ser o procedimento que produz benefício imediato, com aumento da amplitude de abertura bucal. Já escrevi sobre isso aqui e é até hoje uma das postagens mais acessadas.

Todas as intervenções, quando analisadas intragrupo, ou seja, seu efeito sobre o baseline, mostram ser efetivas tanto no alívio da intensidade de dor quanto na movimentação mandibular. Entretanto, os autores mostram que os muitos dos estudos não abordam aspectos que poderiam ser atribuídos a esta melhora como: efeito placebo ou curso natural do DDsR; falha em poder estatístico e; a compreensão do termo minimal clinically important difference (MCID). Esta diferença mínima sugere por exemplo que redução de 1/3 na escala visual analógica de dor (que afere intensidade de dor) seria considerado desfecho positivo. Não há uma padronização entre os estudos.

Ainda, há técnicas que não tem evidência suficiente para serem incluídas neste estudo de  metanálise. Uma delas é o uso a injeção das substâncias intra-articulares como ácido hialurônico.

Sugiro fortemente a leitura do texto completo para que todos os aspectos analisados sejam compreendidos! Fiz apenas um (micro) resumo! Clique aqui.

Ao final do texto os autores sugerem para a prática clínica o uso da intervenção mais simples, menos custosa e menos invasiva para o tratamento inicial de DDsR. Das variedades de terapias conservadoras avaliadas a menos invasiva é educação do paciente, auto-cuidados e manipulação mandibular (o quanto antes). Mas as outras terapias não devem ser refutadas, já que as evidências ainda são escassas.

Eu sempre sugiro aos colegas que desde o início concientize seu paciente que os procedimentos iniciarão com os menos invasivos mas dependendo da evolução do caso, todas as técnicas podem ser necessárias. É uma escada, degrau por degrau e com cautela sempre!

Falando em deslocamento….

Encontrei um vídeo ótimo sobre deslocamento da ATM (situação contrária a que descrevemos acima), quando o travamento é aberto. Dêem uma olhada!

E aproveitando o tema vídeo, segue o “clássico” (já perdi as contas de quantas aulas assisti com este vídeo) de DDsR:

Até mais!

Não há evidências para tudo…

“Não há evidências para todos os tratamentos”. Esta é a frase que mais escuto por aí quando falamos sobre DTM e outras dores orofaciais. É também o argumento utilizado junto com a famosa frase “já tratei mais de 1000 pacientes assim…” para alguns colegas justificarem o porquê não adotam a prática da saúde baseada em evidências.

E parece que não é só na área de Dor Orofacial que isso acontece. Toda esta introdução é para indicar a vocês a leitura de um blog muito bacana, o “Medicina baseada em Evidências” que recentemente publicou uma postagem exatamente com o título desta: “Não há evidência para tudo”.

No texto o autor justifica que a frase esta equivocada através de 3 princípios: hipótese nula, complacência e plausabilidade extrema. Parece complicado, né? Mas garanto que a leitura é bem clara.

Medicina baseada em evidências não é copiar o artigo científico; medicina baseada em evidências é individualizar para o paciente um conceito demonstrado no artigo científico.

Prof. Dr. Luis Claudio Correa

Faça o teste! Dê uma chance aos textos do Luis Claudio Correa, que é Professor Livre Docente em Cardiologia – UFBA; Doutor em Medicina e Saúde; Professor Adjunto da Escola Bahiana de Medicina; Médico Cardiologista e blogueiro dos melhores. O seu blog desde 2009 presta o serviço de informar e orientar a respeito da prática da saúde baseada em evidências de maneira clara e objetiva que facilitará cada dia mais o emprego na sua prática clínica.

http://medicinabaseadaemevidencias.blogspot.com.br

Gosto sempre de lembrar que a decisão clínica deve se apoiar em 4 pilares: sua experiência, o que o paciente deseja, custo e a melhor evidência possível.

Parabéns Luis Claudio pelo seu esforço e trabalho! 🙂

Falando nisso….

Quem adora Ciência com certeza já ouviu falar em Carl Sagan que capitaneava a série Cosmos em 1980. Ele foi cientista, astrobiólogo, astrônomo, astrofísico, cosmólogo, escritor e divulgador científico (leia aqui mais sobre Carl Sagan). Um dos podcasts mais bacanas que ouvi este ano foi sobre ele e  sobre o legado de “Cosmos”, assim como o importante papel dos cientistas comunicadores, o acesso à ciência no Brasil e o debate Evolucionismo vs. Criacionismo. Foi o Braincast número 102.

E hoje quando estava pensando em publicar este texto, um amigo compartilhou um vídeo sobre uma passagem do livro de Carl Sagan no Facebook que caiu como uma luva aqui. São só 4 minutinhos, vale assistir.

Abraços a todos!

Medicina Integrativa no Controle das Dores Orofaciais

Hoje o texto não é meu e sim do meu amigo André Luis Porporatti. O André já escreveu aqui sobre acupuntura e medicina tradicional chinesa. Assisti a aula que ele ministrou sobre Medicina Integrativa nos cursos de Especialização e Atualização em DTM e Dor Orofacial no IEO-Bauru e imediatamente pensei que precisamos divulgar melhor os conceitos relacionados a este tema.

A proposta não é substituir o tratamento convencional por outro, mas sim, casar tradicionais práticas baseadas em evidência com métodos que busquem tratar o corpo como um todo.

Também no jornal Pain Uptades da IASP (Associação Internacional de Estudo da Dor), Medicina Integrativa foi o tema da vez.

Sem mais delongas, segue abaixo o texto do André. Ah! Não deixem de ver o vídeo da aula, vocês vão entender porque fiquei encantada! 🙂

Recentemente, em Maio de 2014, foi lançado uma publicação no jornal da Pain Clinical Updates, sob a chancela da IASP (International Association for the Study of Pain), abordando um tema até então pouco discutido na área das ciências médicas que tratam, controlam e diagnosticam as dores de uma forma geral. O tema destaca em seu título: “Integrative Pain Medicine: A Holistic Model of Care” (Medicina Integrativa para Dor: Um Modelo Holístico de Controle e Cuidados aos pacientes).

Site para Download:

http://www.iasp-pain.org/PublicationsNews/NewsletterIssue.aspx?ItemNumber=3512

O artigo de autoria de Heather Tick (Site: http://heathertickmd.com/), Médica e Professora da Universidade de Washington (Seattle, EUA), aborda de forma clara, os aspectos e algumas formas de atuação da Medicina Integrativa, relacionados à Alimentação e Nutrição, Relação Mente-Corpo, Neuroplasticidade, e Sistema Miofascial.

Antes de esclarecermos estes aspectos abordados, é imprescindível definir a Medicina Integrativa (MI) como uma abordagem que busca casar (ou “integrar”) técnicas tradicionais baseadas na melhor evidência científica, com métodos que, em vez de focarem em um problema específico, buscam tratar o corpo (ou o paciente) como um todo. Essa medicina não se trata de uma “terapia alternativa”, pois a proposta não é trocar (“alternar”) um tratamento por outro, mas sim analisar qual deles ou qual combinação forneceria os melhores benefícios à longo prazo. Uma exemplo utilizado é que o médico ao pensar no tratamento de um câncer, não deveria ponderar apenas o tumor em si, mas necessitaria atentar à outros fatores envolvidos, como questões emocionais, espirituais, familiares, alimentares e ambientais. Assim, “sai a doença como foco principal da atenção e entra o paciente inteiro, mente-corpo-espirito”. Neste quesito, o paciente, com orientação e apoio do profissional da saúde, é visto como o agente responsável por sua melhora.

Consequentemente, o conceito de doença ou mesmo de cura se amplia, evitando referi-la apenas como a ausência de doença, mas concernindo-a como o reequilibro do paciente no aspecto físico, mental, social emocional e ambiental. O Consorcio dos Centros Acadêmicos de Saúde para MI (Consortium of Academic Health Centers for Integrative Medicine) define a MI como “a prática que reafirma a importância da relação entre o profissional da saúde e o paciente, com foco na pessoa como um todo, embasada em evidências científicas, e que usa de todas as abordagens terapêuticas apropriadas para alcançar a saúde e cura”.

Levando para nossa área de Dor Orofacial e DTM, poderíamos sugestionar uma forma de MI, como uma filosofia que não rejeita os tratamento convencionais já estabelecidos como válidos e seguros (Fisioterapia, Placas Interoclusais, Terapia Fonoaudiológica, Medicamentos, Orientações para o auto-cuidado, Termoterapias, Infiltrações, dentre outras), e ao mesmo tempo, uma filosofia que não aceita irrefutavelmente as terapias alternativas como forma única de tratamento. A MI faz o uso adequado e integrado de métodos convencionais e alternativos para facilitar a resposta inata de cura do corpo.

Além das técnicas já conhecidas na medicina convencional (incluindo a odontologia), podemos fazer uso de terapias que abrangem Acupuntura, Fitoterapia, Laserterapia, Hipnose, Yôga, Meditação, Relaxamento, Terapia Alimentar, Cromoterapia, Aromaterapia, Musicoterapia, Auriculoterapia, Magnetoterapia, Uso de Florais, e muitas outras. A escolha pela melhor forma terapêutica dependerá do profissional capacitado nessas técnicas da MI e na história de vida e escolha do paciente, buscando assim, em conjunto, alcançar o melhor tratamento para o paciente.

Voltando ao artigo da IASP, a importância da Alimentação e Nutrição como parte da MI se sobressai. Toda vez que comemos, a química do nosso corpo muda, logo, poderemos orquestrar essa alterações de pH, alterações de radicais livres e estimular mecanismos endógenos de cura, em prol de nosso benefício (ou do paciente), diminuindo essa reação química-inflamatória através das escolhas alimentares. Uma alimentação anti-inflamatória, baseada na riqueza dos vegetais, legumes, cereais, oleaginosas e frutas e na diminuição do consumo de carnes pode melhorar, de forma ampla, todas essas características de saúde. Se eu puder sugerir uma referencia sobre esse assunto, assistam o documentário “Forks Over knives” (link: http://www.forksoverknives.com/) que discute a questão alimentar de forma consciente e baseada em estudos médicos sérios.

Outro tópico abordado no artigo, é da relação Mente-Corpo, com os avanços nos estudos da Neuroplasticidade, que se trata da habilidade do cérebro e do sistema nervoso de se auto-modificar, se alterar e se “plastificar”. Essa ciência básica envolve desde estudos com células da Glia e fenômenos de sensitização central, até mecanismos mais complexos de neuroplasticidade. Nesta ciência, é evidenciado que pacientes com dor podem alterar funções no sistema nervoso, e por conseguinte, essas alterações no córtex somatossensorial podem envolver a manifestação de dores crônicas. Estratégias que tentam mudar essa fisiologia Mente-Cérebro-Corpo incluem: Meditação, Relaxamento, práticas de Biofeedback, Yôga e outras técnicas de conscientização e relaxamento, além de técnicas que possam afetar o sistema nervoso autonômico, como citado a Acupuntura.

E o ultimo tópico versa sobre a Dor Miofascial, como um tipo de dor e disfunção muito frequente e prevalente, e as vantagens da Medicina Tradicional Chinesa, a Acupuntura e o próprio agulhamento seco com agulhas de acupuntura, como técnicas que apresentam uma longa história no controle de condições médicas agudas e crônicas, incluindo a dor. A Medicina Tradicional Chinesa foi apontada como um sistema de medicina que é ancestral, complexo e detalhado. É uma medicina holística com uma visão de saúde ampla, onde ela é resultado de um equilíbrio e harmonia entre diferentes partes do corpo (ou meridianos). Para saber mais sobre Medicina Tradicional Chinesa clique aqui

Por fim, gostaria de concluir com uma frase que eu li e acredito que define bem a MI e esse novo avanço na forma de ver o paciente. Ela foi citada pela equipe de médicos que usam a MI no Hospital Albert Einstein:

“Somos capazes de participar ativamente do nosso processo de cura, apesar de não sermos educados para saber disso. A cura não vem de fora, mas de dentro – remédios, tratamentos e cirurgias são necessários para auxiliar e acelerar essa recuperação, mas não são tudo nem podem fazer todo o trabalho sozinhos.”

Obrigado pela atenção.

André Porporatti, DDS, Ms

http://www.andreporporatti.com

Cirurgião-Dentista formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Mestre e Doutorando em Reabilitação Oral pela Universidade de São Paulo (USP)

Membro Fundador da Sociedade Brasileira de Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial (SBDOF)

Membro da International Association for the Study of Pain (IASP)

Especialista em Acupuntura Tradicional Chinesa pelo Centro de Estudos em Terapias Naturais (CETN)

Para assistir o vídeo-aula, clique na figura abaixo!

Capa MI (André Porporatti)

 

Falando nisso…

Eu e o André fazemos parte do Grupo de Dor Orofacial da FOB-USP, com todo o time de pós graduandos, e estamos sempre juntos  no curso de Especialização em DTM e Dor Orofacial, coordenado pelo Professor Paulo Conti em Bauru. O curso começa em Outubro! Quem estiver com vontade de conhecer, entre em www.ieobauru.com.br ou ligue para Vivian no telefone (14) 32341919.