Síndrome do queixo dormente

Hoje venho contar uma história que presenciei ano passado e acredito que possa ajudar muitas pessoas.

Atendi uma paciente cuja queixa principal era dormência no queixo associada a dor na face, bilateral, em masseter. Esta dor era forte e até então, intratável. Nenhuma medicação trouxe analgesia.

Após longa anamnese e exame físico, constatei que a queixa era incomum. Isso foi muito importante. Sempre digo a todos, conheça profundamente os diagnósticos mais comuns em sua rotina e saiba também identificar quando um caso não é típico. Um dos pontos que me chamou a atenção foi que a paciente apresentava um tumor em mama, reincidente, maligno. Em duas semanas seria submetida aos procedimentos cirúrgicos.

Me lembrei dos casos que  o Prof. Reynaldo Martins Jr. de Cuiabá publicados sobre referência de dor em mandíbula por tumores. Escrevemos e estudamos tão pouco sobre dor oncológica na nossa área, não? Em contato com ele discutimos sobre a presença de Numb Chin Syndrome, em português, Síndrome do Queixo Dormente, o qual se assemelhava ao caso da paciente.

Enquanto escrevia esta postagem, encontrei via Google um texto interessante sobre isso no Facebook da página Semiologia Geral e Especializada (se o texto está bom, vamos reproduzi-lo com créditos!):

A síndrome do queixo dormente (SQD), também chamada neuropatia mentual, é neuropatia sensorial caracterizada por dormência do queixo e do lábio inferior, na maioria das vezes unilateral. Surge devido trauma, compressão ou infiltração de fibras do nervo mentual ou mentoniano. Embora incomum, adquire importância por frequentemente traduzir comprometimento ósseo metastático.
O ramo mandibular do nervo trigêmeo deixa o crâneo pelo forame oval e ramifica-se numa porção anterior motora e outra posterior sensitiva. Este último ramo progride pela mandíbula como nervo alveolar inferior o qual, ao se exteriorizar pelo forame mentual, torna-se o nervo mentual. Processos que acometam fibras desse nervo ao longo do seu trajeto podem causar SQD. Entre eles incluem-se doenças odontológicas, traumas, amiloidose, vasculites sistêmicas, esclerose múltipla, diabetes melitus, sarcoidose, anemia falciforme e AIDS. Entretanto, a causa mais comum de SQD são lesões neoplásicas metastáticas.
O acometimento ósseo metastático pode ocorrer ao nível da mandíbula e mesmo na base do crâneo. Em alguns casos o quadro é devido carcinomatose meníngea. Inúmeras neoplasias já foram associadas com a SQD, em especial tumores de mama, linfomas, tumores de pulmão, próstata, e cabeça e pescoço. Associação com leucemias aparece geralmente em crianças.
A SQD é mais comum em pacientes com diagnósticos já firmados de neoplasias, sendo em muitos casos sinal de recorrência da doença primária. Entretanto, ela também pode ser a primeira manifestação de um tumor. Entre 10 a 30% dos casos o quadro é bilateral. Nessa situação deve ser diferenciado de hiperventilação ou hipocalcemia que dão sintomatologia perioral. Via de regra a SQD se associa a prognóstico ruim, por significar doença maligna metastática.
O conhecimento da SQD pelos médicos é importante, para que não deixem de valorizar uma queixa tão sútil de doença neoplásica avançada.

Vários fatos batiam: a neoplasia era recorrente, o tumor era em mama, e a paciente se encontrava entre os 10 a 30% dos casos que são bilaterais. Mas, solicitei exames de imagem de face e crânio e não foi apontada nenhuma alteração digna de nota. Detalhe: o convênio dela não aceitou meu pedido para imagem de pescoço (vamos sempre brigar pelo nosso direito). Como estava próximo da data de cirurgia, resolvemos esperar e verificar se a sintomatologia melhorava. Entrei em contato com o oncologista e discuti isso.

A dor era intensa e não houve melhora. Os sintomas poderiam ser também relacionados a síndrome paraneoplásica, onde o sistema neurológico poderia estar acometido pelo tumor à distância. O que chamou a minha atenção é que mesmo após a remoção do tumor, a dor e dormência persistiram. É muito importante comunicar isso ao oncologista pois pode estar relacionado a presença de metástase, o que realmente aconteceu, presente na região cervical.

O profissional que trabalha com dor orofacial deve estar atento a todos os sintomas. Lembre-se das palavras do professor Pedro Moreira Filho, neurologista da Universidade Federal Fluminense: trate de forma típica, aquilo que lhe é típico. Não inicie um tratamento se não tiver diagnóstico.

Vamos ler mais sobre o assunto?

Vários artigos estão à disposição online! Separei os mais recentes. Todos com acesso gratuito!

Segue abaixo:

Intractable Facial Pain and Numb Chin due to Metastatic Esophageal Adenocarcinoma.

Numb chin syndrome as first symptom of diffuse large B-cell lymphoma.

Metastasis of prostate carcinoma in the mandible manifesting as numb chin syndrome.

Numb chin syndrome as a manifestation of non-small cell lung cancer.

Numb chin syndrome.

Unusual presentation of ‘numb chin syndrome‘ as the manifestation of metastatic adenocarcinoma of the lung.

Boa leitura!

– Marinella MA. Numb Chin Syndrome: A Subtle Clue to Possible Serious Illness. Hosp Phys. 2000; 35: 55-56.35: 55-56.

Site do mês: André Porporatti

É com alegria que escolhi como site do mês de Julho a página do meu amigo André Porporatti!

Eu tenho sorte, mas muita sorte mesmo, em ter conhecido pessoas brilhantes na equipe de DTM e Dor Orofacial do Prof. Paulo Conti em Bauru. André é um dos meus colegas de doutorado.

Impressionante a generosidade e capacidade deste rapaz. Não é porque ele é meu amigo não, é porque é notável mesmo. Dá para perceber visitando seu website: www.andreporporatti.com

E o capricho vocês podem perceber por suas palestras. Uma amostra está no link abaixo (basta clicar na figura!).

Aula André

A boa notícia é que em breve o André irá nos brindar com informações sobre acupuntura (promessa é dívida)! 🙂

André, obrigada pela ajuda de sempre! Este post é uma homenagem (pequena, mas sincera) ao seu talento!

Pessoal, visitem o site, guarde em seus favoritos. Em breve mais atualizações!

Classificação Internacional das Cefaleias – 2013 – versão Beta

Eis que vejo pela página Disfunção Temporomandibulares: esclarecendo a confusão no Facebook que a revista Cephalagia acabou de publicar a versão beta da nova Classificação Internacional das Cefaleias!

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E quais são as novidades para nós?

1. A sofrível classificação de cefaleia secundária a Disfunção Temporomandibular sofreu mudanças importantes (item 11.7 – páginas 765-766)

11.7 Headache attributed to temporomandibular disorder (TMD)
Description:
Headache caused by a disorder involving structures in the temporomandibular region.
Diagnostic criteria:
A. Any headache fulfilling criterion C
B. Clinical and/or imaging evidence of a pathological process affecting the temporomandibular joint (TMJ), muscles of mastication and/or or associated structures
C. Evidence of causation demonstrated by at least two of the following:
1. headache has developed in temporal relation to the onset of the temporomandibular disorder
2. either or both of the following:
a) headache has significantly worsened in parallel with progression of the temporomandibular disorder
b) headache has significantly improved or resolved in parallel with improvement in
or resolution of the temporomandibular disorder
3. the headache is produced or exacerbated by active jaw movements, passive movements through the range of motion of the jaw and/or provocative manœuvres applied to  temporomandibular structures such as pressure on the TMJ and surrounding muscles of mastication

4. headache, when unilateral, is ipsilateral to the side of the temporomandibular disorder

D. Not better accounted for by another ICHD-3 diagnosis.

Sugiro que leiam os comentários localizados na página 766.

2. Nova classificação para Síndrome da Ardência Bucal (SAB)! Localizada no item 13.10, páginas 781-782. Mais uma vez enfatizando que esta ardência não é secundária a problemas locais como xerostomia, lesões orais e, sistêmicos como diabetes, Sjögren e deficiências vitamínicas.

Description:
An intraoral burning or dysaesthetic sensation, recurring daily for more than 2 hours per day over more than 3 months, without clinically evident causative lesions.

Diagnostic criteria:
A. Oral pain fulfilling criteria B and C
B. Recurring daily for >2 hours per day for >3 months
C. Pain has both of the following characteristics:
1. burning quality
2. felt superficially in the oral mucosa
D. Oral mucosa is of normal appearance and clinical examination including sensory testing is normal
E. Not better accounted for by another ICHD-3 diagnosis.

3. E por último destaco o comentário realizado abaixo do item 13.11 Dor facial persistente idiopática para Odontalgia Atípica na página 782:

The term atypical odontalgia has been applied to a continuous pain in one or more teeth or in a tooth socket after extraction, in the absence of any usual dental cause. This is thought to be a subform of 13.11 Persistent idiopathic facial pain (PIFP), although it is more localized, the mean age at onset is younger and genders are more balanced. Based on the history of trauma, atypical odontalgia may also be a subform of 13.1.2.3 Painful post-traumatic trigeminal neuropathy. These subforms, if they exist, have not been sufficiently studied to propose diagnostic criteria.

O download é gratuito pelo site da revista, basta clicar aqui!

Bom final de semana a todos!

Questionário traduzido para alodinia

Alodinia – sensação dolorosa causada por estímulo normalmente não doloroso.

Hoje o tema da postagem é esta sensação estranha. Como migranosa (ui) sei bem o que é isso nos dias de crise. Pentear os cabelos se torna tortura. Para alguns usar o óculos. Para aqueles com odontalgia atípica, passar um cotonete no local da dor faz com que a intensidade dispare!

Estímulos dolorosos prolongados ou repetitivos podem levar a sensibilização (termo que descreve  um aumento na resposta neuronal) do SNC. Alodinia é uma manifestação da sensibilização do sistema nervoso central. E este sintoma não está presente apenas em pacientes com cefaleia ou odontalgia atípica e sim na maioria dos que apresentam dor crônica.

A figura acima é muito conhecida de quem estuda dor e mostra a resposta normal a dor (linha azul) e após uma injúria a presença de hiperalgesia e alodinia (linha vermelha). Falando de alodinia, observem que agora um mínimo estímulo (que normalmente não geraria dor) passa a gerar dor, que não tem a intensidade da dor percebida por um estímulo maior, como ocorre na hiperalgesia.

É interessante verificar a presença de alodinia e hiperalgesia nos pacientes antes, durante e após um tratamento, delimitando a área de sua ocorrência.

Uma das formas de se fazer isso no consultório seria utilizando um teste quantitativo sensorial (QST). Na rotina clínica pode se usar passar um pincel ou gaze na face (extraoral) ou o uso de cotonetes ou chumaço de algodão (intraoral). Uma outra forma seria através de questionários.  Na literatura há um questionário validado que verifica não só a prevalência como a severidade da alodinia. É muito interessante seu uso na pesquisa, já que permite a verificação de um grupo grande de pacientes. Este questionário é o 12 item Allodynia Symptom Checklist (ASC-12).

O grande problema é que, vocês podem verificar acima, o questionário está em inglês. Assim, seria necessária uma tradução e validação para verificar se os resultados seriam reprodutíveis na língua portuguesa.

Eis que  Lidiane Florêncio, sob a orientação da querida Debora Bevilaqua-Grossi, resolveu usar este tema para sua dissertação de mestrado! Os profissionais da saúde lhe agradecem! 🙂

O trabalho foi realizado pela Lidiane e a equipe do curso de Fisioterapia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, que desenvolvem pesquisas com alodinia em pacientes com cefaleias e disfunção temporomandibular (DTM) (clique aqui para ver) e contou com o apoio também dos professores Speciali e Marcelo Bigal (neurologistas experts em cefaleia).

O resultado saiu em novembro de 2012 na revista Arquivos de Neuropsiquiatria e todos podem ter o acesso ao artigo por este link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-282X2012001100006&lng=en&nrm=iso&tlng=en

E com exclusividade a versão em PDF em português do questionário está aqui no blog!! \o/

Obrigada Debora e Lidiane!

Clique aqui para baixar: versão traduzida ASC-12_2

O escore varia de 0 a 24. Para isso pontue  cada questão da seguinte forma:

  • “esta situação não se aplica a mim” , “raramente” ou “não nunca” = 0
  • “às vezes sim, às vezes não” = 1
  • “a maior parte das vezes” = 2

Some tudo e de acordo com o escore final pode-se classificar o paciente da seguinte forma:

  • Sem alodinia: 0-1
  • Alodinia leve: 3-5
  • Alodinia moderada: 6-8
  • Alodinia grave: 9 ou mais

Leiam mais artigos gratuitos com o uso deste questionário pelos links abaixo:

 

Usem e abusem! 🙂

Vídeos sobre neuroanatomia

Passeando pelo Facebook hoje (já curtiu? www.facebook.com/dororofacial) encontrei duas postagens do colega Sérgio Terçarolli com vídeos sobre anatomia do nervo trigêmeo.

Achei-os muito didáticos e bem feitos! Vou colocar já na aula de neurofisiologia da dor!

Para começar o ano, que tal começar do básico? É dever conhecer o nervo trigêmeo! 😉

Obrigada Sérgio!

Abaixo link para os vídeos:

https://www.youtube.com/watch?v=w-wim7JvT_o

https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=E8RrN0LWBbg#!

Palestra gratuita!

Convido a todos para uma palestra gratuita que irei ministrar na APCD de Franca, SP.

Faz tempo que não falo aqui em Franca e espero que seja um encontro proveitoso para divulgar a dor neuropática orofacial, seus diagnósticos e tratamentos.

Então, marque na agenda:

13 de julho de 2012, sexta feira, das 14 às 18 horas.

DORES NEUROPÁTICAS: QUANDO ESTA É  A CAUSA DA DOR DENTÁRIA
Conteúdo:
– Como avaliar o paciente com dor persistente pós tratamento odontológico (especialmente endodontia e implantodontia)
– Dor neuropática: definição e fisiopatologia
– Casos clínicos e comentários sobre: neuralgia do trigêmeo, odontalgia atípica e neuroma de amputação
A palestra é gratuita mas requer reserva pelo telefone: 016 37240077
A APCD fica na Rua Dr. Julio Cardoso, 2060 no centro de Franca.

Relato de caso sobre neuralgia do auriculotemporal

Há algum tempo postei aqui que a revista The Journal of Headache and Pain era uma revista científica com bom fator de impacto e que dispõe seu conteúdo online e gratuito.

Pois bem, enviamos para lá um relato de caso sobre neuralgia do auriculotemporal NA) e ele acaba de ser publicado!

Trata-se de uma paciente que recebeu inicialmente o diagnóstico de disfunção temporomandibular (DTM) foi controlada, mas depois de alguns meses retornou com um quadro de dor que preenchia os critérios para NA.

Não vou entrar em detalhes não! Cá está o link para quem quiser ler toda a história, na íntegra! http://www.springerlink.com/content/u67w03706281351w/fulltext.pdf

Boa Páscoa a todos!!! 😉

Slides sobre Síndrome da Ardencia Bucal

Quando comecei este blog sobre Dor Orofacial eu pensava que o assunto que iria atrair mais atenção seria a Disfunção Temporomandibular.

Mas tive uma surpresa! Uma das postagens mais lidas é sobre Síndrome da Ardencia Bucal (SAB) e este assunto é também o líder nos emails que recebo de pacientes. Talvez pela carência de informações na internet, ou pelo crescente interesse da classe odontológica pelo assunto…

Hoje preparando a aula que vou ministrar em Brasília na sexta (sobre dor neuropática) eu me deparei com alguns slides sobre SAB e resolvi separar alguns para compartilhar com vocês, uma pequena introdução sobre o assunto!

Para ver esta apresentação, basta clicar na imagem abaixo ou no link: http://www.slideboom.com/presentations/370921/S%C3%ADndrome-da-Ardencia-Bucal

Abraços a todos!!

5 perguntas sobre Dor Orofacial para… Professor Peter Svensson

Na primeira semana de maio o Professor Peter Svensson esteve na Faculdade de Odontologia de Bauru – USP, a convite do professor Paulo Conti, para ministrar a disciplina Dores Orofaciais para os alunos da pós- graduação. E graças ao professor Conti, eu, a Ana Lotaif e o José Luiz Peixoto Filho pudemos participar como alunos convidados. Obrigada, Conti!!!

Peter Svensson é professor da Universidade de Aarhus, Dinamarca, onde é chefe da disciplina de Fisiologia Oral na Faculdade de Odontologia e também integra o MINDLab, Centro de Neurociências Integrativa Funcional no Hospital Universitário. Também, é editor chefe do Journal Oral Rehabilitation e presidente do consórcio internacional do Research Diagnostic Criteria for Temporomandibular Disorders (RDC/TMD) de 2010 até 2013.

Foi uma semana extremamente gratificante, quando nós pudemos aproveitar palestras muito interessantes e confirmar tanto a experiência em pesquisas quanto a capacidade de ensino do Professor Svensson. Os tópicos apresentados foram sobre os mecanismos das DOF, uma atualização sobre Bruxismo e Dor Orofacial Neuropática, e o processo evolutivo do DC/TMD. Espero de coração que este seja apenas um primeiro encontro!

Voltando de Bauru, o José Luiz teve a idéia de iniciar aqui no blog uma série de entrevistas sobre DTM e Dor Orofacial, com pessoas envolvidas em atividade clínica, ensino e pesquisa nessa área, as “5 perguntas para…”, e nós estamos muito orgulhosos de iniciar com o Professor Peter Svensson.

E lá vamos para a primeira!

On the first week of May, Professor Peter Svensson was at the Dental School of Bauru – USP, invited by Professor Paulo Conti, to present lectures on Orofacial Pain to post-graduate students. And thanks to Professor Conti, I, Ana Lotaif and José Luiz Peixoto Filho could atend as invited students. Thank you, Conti !!!

Peter Svensson is professor at the University of Aarhus School of Dentistry division of Clinical Oral Physiology, and holds an appointment at the University Hospital in the MindLab (Functional Integrative Neuroscience Center). Also, he is the chief editor of the Journal of Oral Rehabilitation and president of the International Consortium – Research Diagnostic Criteria for Temporomandibular Disorders (RDC / TMD) – from 2010 to 2013.

 It was an extremely rewarding week, and we could enjoy very interesting lectures and confirm the experience on research and teaching skills of Professor Svensson. The topics presented were a review on Orofacial Pain mechanisms, an update on Bruxism and Orofacial Neurophatic Pain, and the evolving process of the DC / TMD. I hope with my heart that we can meet again in the future!

Back from Bauru, José Luiz had the idea to start in the blog a series of interviews on TMD and Orofacial Pain with people involved in clinical, teaching and research in this area, the “5 questions to…”, and we are very proud to start it with Professor Peter Svensson.

And here we go!

5 perguntas para Peter Svensson – 5 questions to Peter Svensson

1) Como é o ensino do tema Dor Orofacial e DTM em seu país?

How is the Orofacial Pain and TMD teaching in Denmark? Do dental students have it as a regular discipline? Is OFP/DTM a recognized specialty in Dentistry at your country?

Na Dinamarca os alunos de Odontologia tem 2 anos de formação em Fisiologia Oral, que abrange as DTM e a Dor Orofacial (DOF). Assim, eles aprendem a avaliar, diagnosticar e tratar esses pacientes. Infelizmente, não existe oficialmente a especialidade de DTM e DOF na Dinamarca, mas atualmente estamos trabalhando junto ao Conselho Nacional de Saúde para ver se conseguimos ter mais especialidades odontológicas na Dinamarca (atualmente existem apenas duas especialidades oficializadas: a Ortodontia e a Cirurgia Buco-Maxilo-Facial). Isso faz com que os Dentistas clínicos sejam capacitados a diagnosticar e tratar os tipos mais comuns de DTM e DOF – e também saber quando e como encaminhar pacientes, por exemplo, ao nosso departamento.

Dental students in DK have 2 years of training with oral physiology which covers TMD / OFP. So they get to see and diagnose and treat patients. Unfortunately, there is no official specialty in OFP in DK but we are currently working with the National Board of Health to see if we can manage to get more specialities in DK (only 2 officials: ortho – and oral and maxillofacial surgery).This also demands that “normal” dentists can diagnose and treat the most common types of OFP and TMD – and know when and how to refer to e.g. our department.


2) Que áreas lhe despertam interesse em pesquisas atualmente?

What are your present research interests in the OFP/TMD area?

Estou muito interessado na plasticidade do córtex cerebral e na importância do cérebro na regulação da dor. Também em termos dos efeitos do treinamento, o cérebro é extremamente envolvido e importante. Ainda, existe um amplo leque de pesquisas que vão desde o estabelecimento de perfis somatossensoriais de diferentes condições de Dor Orofacial até o emprego de vários tipos de técnicas de eletrofisiologia (estudos de EMG / reflexos / mastigação / e condução nervosa). Nós gostamos de ter uma abordagem experimental e também clínica no estudo das DOF. O principal objetivo é aprender mais sobre os seus mecanismos para ajudar a melhorar o seu diagnóstico e tratamento.

I am very interested in cortical plasticity and the importance of the brain in the regulation of pain. Also in terms of training effects the brain is extremely involved and important. Otherwise there is a wide span of research from somatosensory profiling in different OFP conditions to various types of electrophysiology (EMG / reflexes / mastication / nerve conduction studies). We like to take an experimental but obviously also clinical approach to the study of OFP. The main goal is to learn more about mechanisms to help improve diagnosis and management.

3) Testes Quantitativos Sensoriais (TQS – QST): instrumento de pesquisa com possível aplicação clínica? Por favor comente.

Is QST a research instrument with clinical application? Please comment on that for us.

TQS (QST) é uma técnica maravilhosa, mas requer habilidade, diretrizes e um laboratório bem equipado. Portanto, há uma necessidade de se desenvolver técnicas mais simples,”semi”-quantitativas, porém confiáveis e válidas e que possam ser utilizadas no ambiente clínico odontológico. Acredito que o estabelecimento de perfis somatossensoriais é uma forma muito útil para caracterizar o fenótipo dos pacientes – e que este conhecimento pode levar ao desenvolvimento de tratamentos específicos, por exemplo, não apenas para tratar uma condição de DOF específica, mas para tratar uma condição de DOF específica com um perfil somatosensorial específico (por exemplo, uma que apresente alodinia mecânica dinâmica e uma outra que apresenta alodínia térmica).

QST is a wonderful technique but requires skill, guidelines and a well-equipped lab. So there is a need to develop more simple but reliable and valid “semi”-quantitative techniques that can be used chair-side. I believe somatosensory profiling is a very useful way to characterize the endophenotype of the patients – and that this may develop into specific management, e.g., not just to treat a specific OFP condition but to treat a specific OFP condition with a specific somatosensory profile (e.g dynamic mechanical allodynia vs warmth allodynia).

4) Como é sua participação no CONSORTIUM e o novo DC-RDC?

Tell us briefly about your participation in CONSORTIUM and the new DC-RDC.

Eu sou o atual diretor do projeto RDC / TMD e estamos trabalhando no novo DC/TMD (Schiffman et al. – a ser publicado na JADA ainda este ano). Foi um longo processo que contou com a ajuda de muitas pessoas. Acredito que o novo DC/TMD será mais fácil de usar e, naturalmente, fornecer uma medida direta de validade. Por isso, deverá ajudar tanto os clínicos quanto pesquisadores. É muito importante que nós tenhamos uma linguagem “comum” para o diagnóstico das DTM – e é aí que o DC / TMD realmente tem a sua importância. Vou incentivar as pessoas a aderirem ao projeto do DC-RDC/TMD e participarem da sua emocionante evolução – que eventualmente levará a um RDC inteiro para as DOF.

I am the current director of the RDC/TMD consortium and we are working on the new DC/TMD (Schiffman et al. – to be published in JADA – later this year). It has been a long process with the input and help from many people. I believe that the new DC/TMD will be easier to use and of course provide a direct measure of validity. So it should help both clinicians and researchers. It is so important that we have a “common” language in the diagnosis of TMDs – and this is where the DC/TMD really has its importance. I will encourage people to join the RDC/TMD consortium and take part in the exciting developments – that will eventually lead to an entire RDC for orofacial pain.
5. Quais foram suas impressões pessoais sobre as pesquisas em andamento pela equipe de estudantes coordenada pelo professor Paulo Conti na Faculdade de Odontologia de Bauru?

What were your personal impressions with the ongoing researches done by Paulo Conti’s students at Bauru School of Dentistry?

Fiquei extremamente impressionado com os muitos projetos de pesquisa, de alta qualidade e relevantes, apresentados durante a semana. Eles trarão uma boa e duradoura contribuição para o campo das DOF. Além disso, todos os apresentadores fizeram um trabalho muito bom em apresentar e discutir seus projetos em Inglês. Eu não tenho dúvidas que a pesquisa de Dor Orofacial no Brasil está avançando rapidamente – e ajudará a guiar o desenvolvimento clínico também. Estou ansioso para colaborar em alguns dos projetos no futuro!

I have been extremely impressed by the many and high-quality and relevant research projects presented during the week. They will all make good and lasting contributions to the field. Also, all presenters did an extremely good job in presenting and discussing their projects in English. I am not in doubt the OFP research in Brazil is moving fast forward – and will help to guide the clinical development as well. I am looking forward to collaborate on some of the projects in the future!

Obrigada a Ana Cristina Lotaif e ao José Luiz Peixoto Filho pela colaboração nesta postagem!

Esta entrevista também estará disponível no site www.dtmedor.com.br