Evidências

Entre devaneios e feriado com a família, eu li alguma coisa sobre DTM e Dor Orofacial. Bem, eu passei os olhos mais do que li! rs…

Chamou minha atenção uma discussão que estava acontecendo no fórum do site www.dtmedor.com.br

A discussão era sobre um artigo de revisão de literatura que abordava a relação entre DTM e oclusão. Na verdade nem vou entrar no mérito do tema abordado (vou falar sobre isso no Congresso Internacional do Rio de Janeiro! Aguardem informações!), quero falar sobre leitura crítica. O grande problema deste artigo de revisão é exatamente a metodologia. Para ser mais clara, vire e mexe tentamos enfatizar a importância da Odontologia baseada em Evidências. Mas ainda há pessoas que confundem evidências com artigo publicado. Presenciei isso recentemente em uma palestra que assisti e confesso que fiquei chocada com a desinterpretação do que vem a ser evidência. É o que o amigo Marcelo Ugadin postou nos comentários: odontologia baseada em referência e não evidência!

Fonte: Dicionário Michaelis

Nesta história o que me chamou a atenção foi praticamente o uso de artigos que traziam apenas conclusões ou pensamentos que refletiam a opinião do autor. Este é o grande problema deste tipo de trabalho e que gerou uma carta a revista e a discussão no fórum.

A  preferência sempre deve ser dada a trabalhos que revisem toda a literatura ou pelo menos a literatura recente, mesmo não sendo uma revisão sistemática com análise. Eu dei como exemplo no fórum uma  revisão que publicamos sobre cefaleia e fibromialgia. Ali está claro como fizemos o levantamento dos dados, quais as palavras chave utilizadas e quantos artigos e onde foram encontrados sobre o tema.

É o mínimo…

Os trabalhos de revisão são ótimos para tomarmos conhecimento sobre um determinado assunto mas podem atrapalhar se buscarmos trabalhos que apenas reflitam uma opinião pessoal.

No livro Critical Thinking de Donald M. Brunette há um capítulo em que o autor relata exatamente esta situação. Lá ele coloca o exemplo dos casos clínicos publicados. É claro que a publicação de um caso ou série de casos sobre uma patologia é o primeiro passo para se iniciar os estudos sobre ela, mas as evidências sobre o tratamento aplicado são as de mais baixo nível, exatamente porque reflete a conduta do autor e existe, claro, a tendência de se publicar apenas os casos de sucesso.

Acho importante o exercício do pensamento crítico!

Enfim, ufa, pensamento exposto, recado dado! 🙂

P.S.: algumas pessoas estão me perguntando como acessar a discussão. Entrem no site http://www.dtmedor.com.br e façam seu cadastro para ter acesso (é gratuito). Depois é só clicar em fórum que todas as discussões poderão ser visualizadas.

4 pensamentos sobre “Evidências

  1. Pois eh! A velha historia da Odontologia baseada em referencia e nao em Evidencia. Paciencia…. Mas sou otimista! Abraco.

  2. Educar o público também pode ser considerada uma evidência, que combate o excesso de “achismos ” que povoa a mente das pessoas.

  3. Olá , Juliana.
    Você tem razão qdo falamos em Odontologia Baseada em Evidências, temos que antes de mais nada saber o significado de EVIDÊNCIA = INCONTESTÁVEL.
    Referência e não evidência.
    Abs

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