DTM dolorosa, bruxismo em vigília e ansiedade: implicações clínicas de uma pesquisa recente

Este post apresenta os principais achados de um estudo originado da tese de doutorado de Dyanne Medina Flores, orientada pelo Prof. Paulo Conti, do qual tive a oportunidade de participar como coautora junto com os professores Samilla Pontes Braga e Giancarlo de La Torre Canales. Estudo realizado no Bauru Orofacial Pain Group, na Faculdade de Odontologia de Bauru, USP.


Embora a associação entre bruxismo em vigília e sintomas de ansiedade já seja descrita na literatura, este trabalho trouxe um diferencial metodológico importante ao utilizar o T-score do GAD-7, permitindo identificar pacientes com níveis de sintomas de ansiedade acima do esperado para a população geral, e não apenas a presença de sintomas inespecíficos.

É fundamental lembrar que a ansiedade é um fenômeno contínuo na população. Ter sintomas não significa, necessariamente, apresentar um transtorno. Por isso, este estudo não fala em “pacientes ansiosos”, mas em pacientes com sintomas de ansiedade em nível elevado, caracterizando um fenótipo psicológico, e não um diagnóstico psiquiátrico formal.

A amostra foi composta por pacientes com DTM dolorosa muscular, o que confere maior relevância clínica aos achados. Outro ponto forte foi o uso do método de avaliação ecológica momentânea (EMA), que permitiu registrar não apenas a presença, mas também a frequência real do bruxismo em vigília ao longo do dia.

Os resultados mostraram que pacientes com maior presença e maior frequência de bruxismo em vigília, especialmente apertamento dental, foram aqueles com T-scores mais elevados para sintomas de ansiedade. Além disso, dor, estresse e catastrofização foram as variáveis que mais se correlacionaram com a ansiedade. Já fatores de estilo de vida, como atividade física, interação social e consumo de álcool, não diferiram entre os grupos, sugerindo maior peso do estresse psicológico na expressão do bruxismo em vigília.

Como todo estudo transversal, este trabalho não permite estabelecer causalidade nem explicar mecanismos biológicos. Também se trata de uma amostra relativamente pequena. Ainda assim, contribui ao refinar a compreensão clínica do papel dos sintomas de ansiedade em pacientes com DTM dolorosa.

A principal implicação para o consultório é clara: sintomas de ansiedade devem ser avaliados de forma sistemática na prática clínica. O cirurgião-dentista não diagnostica transtornos mentais, mas pode e deve reconhecer quando esses sintomas são elevados e saber quando referenciar o paciente ao profissional de saúde mental, como parte de um cuidado integral e interdisciplinar.

Ciência e clínica precisam caminhar juntas.

Fonte: Medina Flores D, Braga SP, De La Torre Canales G, Stuginski-Barbosa J, Conti PCR. Psychological Features Associated With Awake Bruxism in Painful TMD: The Role of Anxiety. J Oral Rehabil. 2026 Jan 28. doi: 10.1111/joor.70158. Epub ahead of print. PMID: 41601434.

Infográfico criado no NotebookLM a partir do artigo: Medina Flores D, Braga SP, De La Torre Canales G, Stuginski-Barbosa J, Conti PCR. Psychological Features Associated With Awake Bruxism in Painful TMD: The Role of Anxiety. J Oral Rehabil. 2026 Jan 28. doi: 10.1111/joor.70158. Epub ahead of print. PMID: 41601434.

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Sophia Bennett is an art historian and freelance writer with a passion for exploring the intersections between nature, symbolism, and artistic expression. With a background in Renaissance and modern art, Sophia enjoys uncovering the hidden meanings behind iconic works and sharing her insights with art lovers of all levels.

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