Os 10 mais!

Nossa! Já acabou o ano! Como assim?

Eu prometi a mim mesma que seria mais ativa aqui no blog e que faria uma planilha no excel sobre as minhas finanças. Não fiz nem uma coisa, nem outra… #fail

Mas 2016 está aí para a gente começar de novo, não é mesmo?

E hoje fui conferir as estatísticas de 2015 para este blog e…. a visualização aumentou 40%! Fiquei super feliz!

Aproveitei e peguei a lista das postagens mais lidas do Por Dentro da Dor Orofacial. E com vocês, os 10 mais em ordem de visualização (para ver o artigo original, clique no título!):

 

10. Rapidinhas: Ortodontia e sua relação (ou não) com DTM

Postagem rápida sobre um artigo gratuito. Trechinho:

“Dá uma tristeza ter que escrever ainda sobre este tema. Por que tanta gente ainda indica ortodontia para tratamento das mais diversas Disfunções Temporomandibulares (DTM)?

Vários pesquisas já mostraram que Ortodontia não trata, nem previne e nem causa DTM.”

É… e acreditem que fiz uma outra postagem parecidíssima com esta (preciso escrever sobre o que já postei para não esquecer!).

 

09. Odontologia “metafísica”

Este artigo tem um texto muito bom do amigo Yuri Martins Costa. Ele ainda estava em Aarhus na Dinamarca! Yuri também faz parte do Bauru Orofacial Pain Group e tenho o maior orgulho em ter acompanhado seu desenvolvimento na pesquisa!

Trechinho:

“Com isso, a mensagem que gostaríamos de deixar é que cresce constantemente a quantidade de evidências que apontam para efeitos terapêuticos das placas oclusais que vão além da correção ou melhora dos aspectos mecânicos de arranjo oclusal/equilíbrio muscular e envolvem, pelo menos indiretamente, características psicológicas e comportamentais e, por isso, sendo um pouco amplo na definição e com certa dose de exagero proposital, podem ser considerados “efeitos metafísicos”.

 

08. Site bacana com vídeos sobre anatomia e fisiologia

Eu adorei compartilhar este site com vocês. O Armando Hasudungan rabiscava o que aprendia nas aulas de farmacologia. Uniu o talento do desenho ao conhecimento científico. Assistam seus vídeos! Vale a pena!

Trechinho:

“Em seu site encontrei vídeos das mais diversas áreas, divididos por assuntos! Destaco o vídeo sobre mecanismos básicos da dor e como funcionam os anestésicos locais, mas vejam os Neurologia, Farmacologia (há sobre inflamação), Sistema Muscular, ou seja, naveguem por lá que não irão se arrepender!”

 

07. Homeostase e posição mandibular

06. Reposicionar a mandíbula: artigo recente na literatura

Estas postagens foram sobre o artigo “Treating temporomandibular disorders with permanent mandibular repositioning: is it medically necessary? “.

Este foi um ano em que estudei bastante sobre processos degenerativos da articulação temporomandibular (ATM) e este trabalho chamou a minha atenção uma vez que abordou o processo de remodelação e adaptação. Vale a pena ler e reler!

Trechinho:

” Os autores enfatizam a necessidade de conhecermos a biologia do sistema mastigatória e como ele funciona ao longo do tempo, especialmente a sua capacidade de adaptação (processo de homeostase). Claro que não negam a existência da degeneração em alguns pacientes (quando o estímulo excede a capacidade adaptativa), e a necessidade de tratamento destes pacientes, mas relatam que de modo geral este sistema funciona de maneira equilibrada, mantendo a mandíbula em uma posição apropriada em relação à maxila (oclusão) e o crânio (ATM). Remodelação é o termo utilizado para falar sobre o equilíbrio entre a forma e a função.”

 

05. Rapidinhas: Ortodontia e DTM: até quando?

Até quando? Até quando?

Trechinho:

 “Dá uma tristeza ter que escrever ainda sobre este tema. Por que tanta gente ainda indica ortodontia para tratamento das mais diversas Disfunções Temporomandibulares (DTM)?”

 

04. Neuralgia do trigêmeo: podcast e vídeos

Uma lista extensa com vídeos que estão no Youtube e um podcast bem bacana! Material  para quem quer estudar um pouco mais sobre esta condição. Não tem trechinho a ser destacado mas sugiro que você visite a postagem e assista aos vídeos! Vale a pena!

 

03. Síndrome do queixo dormente

Tem certas postagens que me mostram que vale a pena escrever neste espaço. Atendi uma paciente, vi uma condição diferente, estudei, escrevi aqui e confesso que fiquei emocionada (por toda a história envolvida) em ter este artigo no top 3.

Trechinho:

“O profissional que trabalha com dor orofacial deve estar atento a todos os sintomas. Lembre-se das palavras do professor Pedro Moreira Filho, neurologista da Universidade Federal Fluminense: trate de forma típica, aquilo que lhe é típico. Não inicie um tratamento se não tiver diagnóstico.”

 

02. Uso da toxina botulínica nas cefaleias

Ah, esta postagem deu o que falar! Recebi várias mensagens e vários telefonemas e adorei. Pelo menos fiz as pessoas refletirem sobre a indicação correta da toxina!

Nunca inicie um tratamento sem o correto diagnóstico!

Trechinho:

“O Conselho Federal de Odontologia prevê o uso terapêutico da toxina botulínica em procedimentos odontológicos. E então tenho perguntas a você, colega dentista:

 
  1. Você sabe a diferença entre migrânea (enxaqueca), cefaleia tipo tensional e cefaleia por disfunção temporomandibular? Se sabe, diga agora todos os critérios de diagnóstico!
  2.  Você sabe diferenciar uma cefaleia primária de uma cefaleia secundária (causada por algo) que tenham as mesmas características, que podem ser migranosas?
  3. Você sabe o motivo da toxina botulínica ser indicada para o tratamento da migrânea crônica?
  4. E para terminar, você sabe que enxaqueca é sinônimo de migrânea e que não é apenas uma dor de cabeça forte, e sim uma cefaleia primária com fases distintas e fenômenos neurológicos marcantes?
E por fim…. a postagem que foi mais lida por apenas 95 leitores a mais:

01. Neuralgia do trigêmeo no Fantástico!

Saiu na Globo gente! rs… Pois é, aqui no blog vi duas postagens sobre uma mesma condição entre as 5 mais lidas! Eu acho ótimo.

Trechinho:

  “Pois bem, ela perdeu dois dentes e levou um ano sofrendo.

É PRECISO FALAR SOBRE ISSO!

Contem a seus amigos, mostrem a reportagem, leiam sobre o assunto, não deixe isso acontecer! O papel do dentista é conhecer esta condição e encaminhar ao neurologista o mais rápido possível para que se inicie exames e tratamento adequados.

A propósito, o caso da Tatiana é realmente triste pois se trata de neuralgia do trigêmeo refratária ao tratamento, mas a maioria do caso responde bem ao tratamento medicamentoso. A classe farmacológica de primeira escolha recai nos anticonvulsivantes, especialmente a carbamazepina.

Tenho muitas histórias muito parecidas com esta. São casos onde até tratamento para DTM foi realizado por 2 anos! Isso só prolonga o sofrimento do paciente.”

 

snoopychristmas

E chegamos ao final de Dezembro, final do ano de 2015, ano de muitos encontros, aulas, estudos, reflexões.

Espero que 2016 seja um ano fantástico para todos e também para a especialidade de DTM e Dor Orofacial! Feliz Natal e um excelente Ano Novo!!!

🙂

 

Desvio e deflexão

Há algum tempo atrás recebi um email de um dos leitores do blog sugerindo que escrevesse aqui sobre desvios e deflexões na abertura bucal.

Na disfunção temporomandibular (DTM) sabemos que o exame físico em busca de sinais e sintomas é considerado padrão ouro para o diagnóstico de algumas patologias, segundo critérios como o da Academia Americana de Dor Orofacial ou o Research Diagnostic Criteria for Temporomandibular Disorders (RDC/TMD). Dois destes possíveis achados durante o exame físico são desvio e deflexão.

Desvio em abertura bucal ocorre geralmente em S e coincide muitas vezes com o clique na articulação temporomandibular (ATM). Este desvio está associado ao deslocamento do disco com redução. Neste tipo de deslocamento o disco encontra-se, em boca fechada, desalinhado, caracterizando uma  alteração ou interferência da relação entre cabeça da mandíbula e o disco. Quando se inicia o movimento de abrir a boca, a cabeça da mandíbula primeiro rotaciona e a partir de mais ou menos de 25 mm de abertura, quando ocorre a translação mandibular, há clique e a melhora da relação estrutural entre disco/cabeça da mandíbula. Neste momento ocorre um desvio. A ATM com melhor relação disco/cabeça da mandíbula tende a transladar primeiro.

Na deflexão ocorre no estágio agudo do deslocamento de disco sem redução. Neste caso não há translação da ATM afetada e há marcada limitação de abertura, com deflexão para o lado afetado, e também limitação em lateralidade para o lado contralateral, além de ausência do clique.

Apesar destes achados serem comuns, deve-se enfatizar que eles não são patognomônicos e devem ser associados a história e outros achados para que o diagnóstico possa ser realizado.

Procurando por novidades na internet, encontrei um artigo do professor Manfredini e colaboradores, publicado agora em outubro de 2012 que mostra exatamente isso. Os autores comentam que existem alguns clínicos argumentam a favor do uso de alguns dispositivos eletrônicos para o diagnóstico das DTMs. Um destes aparelhos seria o cinesiográfico. O que os autores então fizeram foi comparar os resultados da cinesiografia  com o exame de ressonância magnética, padrão ouro no diagnóstico de deslocamentos de discos, e verificar a acurácia deste aparelho no diagnóstico de deslocamento de disco.

As figuras acima são resultados da cinesiografia para desvio e deflexão e ressonância magnética de paciente com deslocamento de disco sem redução, em boca fechada. Estas figuras foram publicadas no artigo.

Para a cinesiografia eles utilizaram as medidas de desvio e deflexão em abertura bucal de 31 pacientes. Os resultados mostraram que além de ocorrer uma relação pobre entre os achados da ressonância magnética e a cinesiografia, a acurácia de vários achados pelo cinesiográfico como preditor para o achado da ressonância também foi baixa, o que levou aos autores concluírem que estes parâmetros não eram aceitáveis.

Para o artigo, segue o link: http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2212440312003604

De fato, lembre-se, sinais e sintomas não indícios de patologia mas não o próprio diagnóstico em si!

É importante conhecê-los mas é mais importante combiná-los.

E, claro, nunca inicie um tratamento sem diagnóstico!

Aproveitando….

A página de cursos em DTM e Dor Orofacial foi atualizada! Vejam!! Cursos para 2013! 🙂

É só clicar aqui ó: https://julianadentista.com/cursos-dtm-e-dor-orofacial/

Reunião com CFO sobre ácido hialurônico

Acho que a maioria dos dentistas já estão sabendo da resolução do Conselho Federal de Odontologia com relação ao uso do ácido hialurônico em procedimentos odontológicos:

Resolução do CFO proíbe o uso da toxina botulínica para fins estéticos na Odontologia

O Conselho Federal de Odontologia publica a Resolução CFO 112 / 2011, que dispõe  sobre o uso do ácido hialurônico e da toxina botulínica em procedimentos odontológicos. 

Pela Resolução, fica proibido o uso do ácido hialurônico na Odontologia. A norma também restringe o uso da toxina botulínica por cirurgiões – dentistas, estando proibido o uso dessa substância para fins estéticos e permitido o seu emprego para fins exclusivamente terapêuticos.

Para ter acesso à integra da Resolução CFO 112 / 2011, clique aqui.

Pois bem, pelo enunciado acima, retirado do site do CFO, entende-se que o ácido hialurônico está proibido mas libera a toxina botulínica para fins terapêuticos. Engraçado isso… Quem consulta a literatura sabe que existem muito mais estudos clínicos envolvendo o uso do ácido hialurônico do que a toxina botulínica.

O Prof. Dr. Marcelo Mascarenhas, coordenador do Comitê Brasileiro de Dor Orofacial da Sociedade Brasileira de Estudo da Dor (SBED) relatou que esteve ontem em uma reunião com o presidente do CFO e sua diretoria e mostrou sua indignação com a proibição do uso do ácido hialurônico e defendeu o uso da substância na viscossuplementação da articulação temporomandibular (ATM) o que, segundo ele, era desconhecido pela maioria dos membros ali presentes. Ele entregou ainda uma compilação de  22 artigos publicados na literatura (estudos clínicos e revisões sistemáticas) como colaboração ao CFO e solicitou alteração ou anulação da resolução acima citada.

A quem possa interessar, colocarei abaixo 18 estudos classificados como estudos clínicos randomizados e revisões metanálises sobre o uso do ácido hialurônico na ATM.

Obrigada pela informação Marcelo!!!

Abraços a todos

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