Entrevista com Prof. Paulo Conti – DTM e Bruxismo

Na semana passada fomos surpreendidos por uma entrevista do Prof. Paulo Conti, professor da FOB-USP e coordenador do Bauru Orofacial Pain Group, no programa Saúde em Prática da TV Unesp de Bauru.

Uma entrevista bem esclarecedora para a população, falando sobre tipos de disfunções temporomandibulares (DTM), ruídos, cefaleias, bruxismo, má oclusão (desmistificando seu papel) e tratamentos (enfatizando os conservadores, explicando papel das placas, etc).

Vale a pena assistir!

Dê um play! 😉

Relato de caso sobre neuralgia do auriculotemporal

Há algum tempo postei aqui que a revista The Journal of Headache and Pain era uma revista científica com bom fator de impacto e que dispõe seu conteúdo online e gratuito.

Pois bem, enviamos para lá um relato de caso sobre neuralgia do auriculotemporal NA) e ele acaba de ser publicado!

Trata-se de uma paciente que recebeu inicialmente o diagnóstico de disfunção temporomandibular (DTM) foi controlada, mas depois de alguns meses retornou com um quadro de dor que preenchia os critérios para NA.

Não vou entrar em detalhes não! Cá está o link para quem quiser ler toda a história, na íntegra! http://www.springerlink.com/content/u67w03706281351w/fulltext.pdf

Boa Páscoa a todos!!! 😉

Curso de especialização em DTM e Dor Orofacial

Mais um curso está integrando a página de Cursos em DTM e Dor Orofacial: curso de especialização em Florianópolis!

O curso é coordenado pelos professores Paulo Conti Roberto Ramos Garanhani e conta com a participação do professor Rafael Santos Silva e da equipe da Faculdade de Odontologia de Bauru – USP, inclusive eu (rs…). Olhe que vou acrescentar uma super aula sobre bruxismo do sono em crianças agora além das que já ministro!

Mais informações pelo site http://www.dor.odo.br

O professor Jorge von Zuben de Campinas informa também que estão abertas inscrições para a nova turma do curso de especialização na Associação dos Cirurgiões Dentistas de Campinas (ACDC). Em breve colocarei o folder aqui também. Mais informações: http://www.acdc.com.br

Eu me formei por este curso! Está mais do que indicado! 😉

 

 

Palpômetro

A palpação da articulação temporomandibular (ATM) e dos músculos mastigatórios é um exame físico essencial no diagnóstico das disfunções temporomandibulares (DTMs).

As classificações das DTMs costumam relatar que devemos realizar a palpação com um força constante, determinada em kg. No caso do novo DC/TMD, classificação que eu acredito será finalmente anunciada neste ano, esta palpação deveria ser de 500 gramas a 1 kg, dependendo da estrutura avaliada.

Mas como aferir isso? Na prática clínica procuramos treinar com balanças a pressão exercida. Na pesquisa este treinamento pode ser realizado através dos algômetros, como fiz na minha de mestrado. Mas não é um método preciso.

Quando o professor Svensson esteve em Bauru, ele trouxe os protótipos de um novo palpômetro. Trata-se de um dispositivo com uma ponta redonda que quando pressionada na estrutura, ao se chegar à pressão desejada, a superfície do dedo do operador encontrará uma resistência.

Este instrumento foi submetido à um estudo para avaliar sua acurácia. Para ler o resumo do estudo clique aqui.

Este dispositivo foi lançado comercialmente com o nome de Palpeter e até onde eu sei, só está disponível para a venda na Europa ao custo de 99 euros.

Mas uma pessoa curiosa perguntaria: por que 500 gramas e 1 kg?

O professor Paulo Conti orientou duas pesquisas interessantes na Faculdade de Odontologia de Bauru – USP onde procurou verificar então qual seria o valor de corte para a pressão que distinguisse pacientes de indurante o exame de limiar de dor à pressão. Este foi tema das dissertações de mestrado da Profa. Carolina Ortigosa Cunha e do Prof. Dr. Rafael Santos Silva.

No caso da dor muscular, o trabalho do Prof. Dr. Rafael Santos Silva mostrou que o masseter e o temporal apresentaram valores distintos para se distinguir pacientes de não pacientes. Com 90.8% de especificidade os valores obtidos foram  1.5 kgf/cm2 para masseter, 2.47 kgf/cm2 para temporal anterior, 2.75 kgf/cm2 para temporal médio, and 2.77 kgf/cm2 para temporal posterior.  Clique aqui para ler o resumo do trabalho que saiu no Journal Orofacial Pain.

O trabalho da Profa. Carolina Ortigosa Cunha verificou que o valor de palpação de 1,56 kgf/cm2 é o mais adequado para o diagnóstico de DTM de origem articular. Para ler a dissertação na íntegra, clique aqui.

Os valores são bem distintos daqueles propostos pelo futuro DC/TMD e também reproduzidos pelo Palpeter. Vi no site que há modelos com 2 e 4 kg. Estas pesquisas deveriam sugerir que pelo menos fosse considerado 1,5 kg, não? Ainda bem que existe gente curiosa no Brasil! 😉

Para quem ficou curioso em ver o Palpeter em funcionamento, segue abaixo vídeo postado pela empresa no You Tube.

5 perguntas sobre Dor Orofacial para… Prof. Paulo Conti

Prof. Paulo César R. Conti

Mais um “5 perguntas para…”! Desta vez o José Luiz Peixoto Filho enviou perguntas ao Professor Paulo César R. Conti, na mesma época que havia enviado ao Prof. Peter Svensson (entrevista publicada aqui).

O Prof. Conti é docente da Faculdade de Odontologia de Bauru – USP e é uma das pessoas mais importantes dentro da nossa especialidade, com várias pesquisas publicadas na área.

Então, vamos logo às 5 perguntas!

1.Qual a situação atual da Dor Orofacial e DTM no Brasil?

Obtivemos um grande avanço com a oficialização de nossa especialidade pelo CFO há alguns anos atrás, em relação a divulgação e certificação dos especialistas. No entanto, ainda  acredito haver uma falta de informação de nossos colegas sobre as atribuições da especialidade de DTM e DOF. Acredito que com a introdução de disciplinas em nível de graduação e pós-graduação em nossa Faculdades, este cenário tende a melhorar.

2. … e o futuro?

Acredito que o futuro passa por dois aspectos fundamentais: controle e unificação de uma proposta de treinamento ao especialista baseada em evidências científicas e maior divulgação entre a classe odontologia. O campo das Dores Orofaciais é extremamente carente de profissionais bem treinados para atendimento, sendo esta uma área de interesse aos nossos jovens doutores recém-saídos dos bancos das Faculdades. Temos um grupo de pesquisadores de alta competência em nosso país, sendo que podemos contribuir sobremaneira para o conhecimento em nossa área por meio de pesquisas, publicação de artigos e realização de eventos de impacto.

3. O que vem sendo estudado em seu programa de pós-graduação?

Temos, atualmente, nos focado em alguns itens de pesquisa específicos. A validação de  métodos diagnósticos apropriados é uma das principais linhas de pesquisa de nosso grupo aqui na FOB. Ainda, estudamos, atualmente o impacto da presença de cefaléias primárias no tratamento das DTMs. Uma linha de pesquisa sobre alterações sensoriais nos pacientes de diversas dores orofaciais está em andamento, juntamente com a determinação do componente genético das dores, o que deve nos trazer resultados importante a médio prazo.

4.  Como foi a vinda do Prof.Peter Svenson a Bauru?

Foi um excelente oportunidade de discussão de projetos em comum com um dos maiores pesquisadores em nossa área atualmente. A experiência do Prof. Svensson, associada a sua já conhecida rigidez científica, contribuíram muito para o aprimoramento de nossos projetos e para o estabelecimento de uma parceria com a Universidade de Aarhus, na Dinamarca.

5. Por que uma Sociedade Brasileira de Dor Orofacial?

Acredito que tivemos uma grande e imensurável apoio das instituições voltadas para o estudo da dor (SBED e SBCe) com a a criação de Comitês de Dor Orofacial. Com a solidificação e amadurecimento de nossa especialidade, acredito que já temos condição de termos uma Sociedade independente para que a classe odontologia possa conhecer e participar de maneira mais ativa das discussões e interar-se das novidades em nossa área. Ainda, faz parte de nosso compromisso nos posicionarmos diante do órgão públicos para garantirmos atenção adequada no ensino e atendimento dos pacientes portadores de Dor Orofacial. Com uma sociedade própria, acredito podermos atrair novos e promissores colegas a atuar na área.