Obras de arte e Fibromialgia

Não é a primeira vez que conto aqui que devo a minha inclinação em estudar a relação entre DTM e Fibromialgia a minha amiga Edmara Salomão (competente fisioterapeuta) e o quão isso foi importante para eu me tornar professora. Leia aqui a historinha…

Uma das primeiras aulas que ministrei foi exatamente sobre Fibromialgia a convite do professor Jorge von Zuben na ACDC de Campinas. Até hoje, provavelmente, é o tema sobre o qual mais palestrei.

Na época em que escrevi a postagem sobre Fibromialgia, indiquei o site myalgia.com como site do mês. O site em um de seus links traz a história de Frida Kahlo, pintora mexicana que sofreu por anos de dor crônica difusa e retratou o sofrimento em alguns de seus quadros.

Daí a linkar as obras de arte com dor foi um pulo.  Aqui no blog escrevi em 2010 sobre os quadros pintados pelos pacientes com cefaleia, o que pode ser visto no site PainExhibit.org

Então, para a aula de Fibromialgia no último módulo do curso de DTM e Dor Orofacial no IEO em Bauru selecionei algumas obras de arte para contar esta história.

Abaixo as minhas eleitas:

The Brokren Column, Frida Kahlo, 1944, Collection Museo Dolores Olmedo, Mexico City, Mexico

Para mim o quadro The Bloken Column de Frida Kahlo é a verdadeira imagem de uma paciente sofrendo por fibromialgia. Dor crônica difusa, rigidez, fadiga, depressão, sono não reparador, dor axial, acho que muitos os sintomas podem ser visualizados nesta obra. Gosto muito deste quadro.

Mulher Chorando, Cândido Portinari, 1944, Colección Museo Nacional de Bellas Artes, Buenos Aires

No mesmo ano, 1944, Cândido Portinari terminou a obra Mulher Chorando. O desespero da mulher em idade fértil sendo consolada pela criança. Quem nunca presenciou ou ouviu sobre uma cena dessas no consultório, ao atender pacientes com dor crônica?

O grito, Edvard Munch, 1893, Oslo, Noruega

Quem nunca viu o quadro O Grito de Munch em uma aula sobre dor orofacial ou cefaleia? O quadro traz o desespero de uma pessoa nas ruas de Oslo. Segundo historiadores, o laranja ao fundo seria o por do sol.

At Eternity’s Gate, Vincent Van Gogh, 1890 Kröller-Müller Museum, Orteloo, Holanda.

O quadro At Eternity’s Gate de Van Gogh foi um dos quadros cuja história mais me impressionou. Pintado no mesmo ano em que Van Gogh atirou em seu próprio peito, percebi pelo quadro o desespero retratato pelo próprio pintor. Usei este quadro para mostrar alguns sintomas apresentados pelos pacientes com dor crônica.

The Girl With The Pearl Earring, Johannes Vermeer, 1665 Mauritshuis de Haia, Holanda

A menina com o brinco de pérola (The Girl With The Pearl Earring) é mais um quadro de um pintor holandês, desta vez Johan Vermeer. A imagem dúbia entre o rosto de menina e a vaidade de uma mulher eu achei perfeita para perguntar o porquê deste problema de dor crônica e assim entrar no tema fisiopatologia.

O último Julgamento, Michelângelo, 1537-1541, Capela Sistina, Vaticano

A próxima figura não é bem um quadro e sim um fragmento da obra mais conhecida de Michelângelo e que habita o teto da Capela Sistina no Vaticano, O Último Julgamento. O professor Speciali costumava mostrar este quadro em suas aulas e dizia que parecia com um pacientes que sofre com cefaleia em salvas.

Monalisa, Leonardo Da Vinci, 1503-1506, Museu do Louvre, Paris, França

Monalisa, porque é talvez o quadro mais famoso do mundo, porque tem um sorriso dúbio, porque é mulher. Na aula coloquei duas para mostrar que a Fibromialgia poderia ter dois tipos: primária e secundária.

On the Terrace, Pierre-Auguste Renoir, 1881, The Art Institute of Chicago

On the Terrace, lindíssimo retrato de Renoir (pintor que adoro). Renoir era retratista. Aqui são duas irmãs. Quadro perfeito para falar sobre dor e genética.

Sono, Salvador Dali, 1937 Coleção Particular

A relação entre Sono e Dor. Perfeito para o quadro do surrealista Salvador Dali. Confesso que não sou a maior fã do surrealismo mas este quadro mostra perfeitamente a entrega do corpo ao sono.

E os distúrbios do sono são presentes em pacientes com dor crônica e capazes de perpetuar a dor percebida. Para um ciclo, por que não o quadro Dança de Matisse?

Dança, Henri Matisse, 1909, Museum of Modern Art, New York City

Escolhi a versão com mulheres pintado em 1909 (a de homens em 1910), quadro exposto no MoMa em Nova York.

Depois para introduzir o tema DTM e Fibromialgia, escolhi um quadro de Degas. Neste uma das lavadeiras coloca a mão na face e está com a boca aberta. Será que está bocejando? Será que é muita loucura imaginar uma DTM ali? Vou conferir de perto na minha próxima viagem (daqui um mês!!).

Laundry Girls Ioning, Edgar Degas, 1884, Musée d’Orsay, Paris, France

Young Girls in a Boat, Monet, 1887, National Museum of Western Art, Tokyo, Japan.

Inspirada pela França, escolhi um quadro de Monet para simbolizar a comorbidade. Será que as duas condições estão no mesmo barco?

Rosa e Azul, Pierre-Auguste Renoir, 1881, Museu de Arte de São Paulo (MASP)

Rosa e Azul, duas irmãs.

Parti imediatamente após terminar o retrato das meninas Cahen, tão cansado que nem lhe sei dizer se a pintura é boa ou ruim.

Renoir

Eu acho o quadro lindo, meu favorito, no MASP, no Brasil, para quem quiser contemplá-lo!

Na aula este quadro ilustrou uma frase de Moldofsky, médico e professor canadense que estudou fibromialgia e sua relação com sono e DTM:

DTM e Fibromialgia são comorbidades. Ambas são associadas à pobre qualidade do sono. A falha em não reconhecer estas condições que estão em comorbidade resultam em 75% dos pacientes, portadores de fibromialgia e dor miofascial, sendo tratados exclusivamente com placas de mordida, provavelmente com benefícios limitados para a DTM

Moldofsky, 2001

Tree of Hope, Frida Kahlo, 1946, Collection of Isadore Ducasse Fine Arts, New York

Mais uma obra de Frida Kahlo. Cansada das inúmeras cirurgias e da dor crônica, Frida retrata seu sonho e sua esperança de se ver livre da dor.

Medusa, Caravaggio, 1579, Galeria Ufizzi, Florença, Itália

Vi a pintura em madeira de Caravaggio quando estive em Florença, logo depois do congresso da IASP. A medusa paralisava a quem olhasse em seus olhos. A fibromialgia, por meio da sensibilização central, consegue paralisar a vida social de seus portadores. Precisamos direcionar nossos olhares a estes pacientes.

Ciência e Caridade, Pablo Picasso, 1897, Museu Picasso, Barcelona

Por fim um dos primeiros quadros de Pablo Picasso, pintado quando o mesmo tinha 17 anos. Retrata o sofrimento da mulher, na cama sendo examinada pelo médico, olhando para a criança aos cuidados da freira. Provavelmente o medo era estar ausente da vida desta criança.

Enfim, a aula teve duração de 4 horas, impossível contar tudo aqui, mas coloquei abaixo uma amostra para vocês, um vídeo ainda sem som. Quem sabe em breve, com mais tempo, monto uma aula completa dedicada aos leitores do blog!

Aperte o pause para ver cada slide com calma.

ando em uma velocidade

<p><a href=”http://vimeo.com/70788779″>Fibromialgia: o básico</a> from <a href=”http://vimeo.com/user7892772″>Dor Orofacial</a> on <a href=”https://vimeo.com”>Vimeo</a&gt;.</p>

5 pensamentos sobre “Obras de arte e Fibromialgia

  1. Obrigada Juliana,

    Além de ótima a aula, também muito interessante a correlação com a arte.

    Parabéns,

    Beatriz Helena

  2. Que bacana Juliana! Fantástica a associação de imagens (obras de arte), e sua leitura!

  3. Juliana essa aula deve ter ficado magnífica , que primor em relacionar as obras de arte de um artista com os cuidados que nós artistas da saúde temos que ter com nossos pacientes que tanto sofrem com suas dores crônicas . Parabéns !!

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