Tratamento da dor – efeitos não específicos

Nunca dá tempo de ler tudo o que gostaríamos. Somente hoje li o fascículo da Pain Clinical Uptades (uma publicação da IASP que comentei recentemente aqui) sobre os efeitos não específicos do tratamento da dor publicado em Janeiro de 2011.

O que é bem isso? Bem, nós profissionais da saúde vislumbramos sempre o sucesso da nossa terapia, mas sabemos que isso não depende somente da técnica e tecnologia empregada. Quando postei sobre efeito placebo, eu escrevi que deveríamos trazer o efeito placebo a nosso favor. Os efeitos não específicos do tratamento fariam parte disso, e dependem tanto da personalidade do paciente como também da relação entre o profissional e o paciente.

O colega Rodrigo Teixeira abordou o tema recentemente em um ótimo texto postado no blog do portal Odonto 1 que vale a pena ser lido!

Infelizmente conferências, congressos e cursos que envolvam dor focam seus temas em técnicas terapêuticas como protocolos de medicamentos, agulhamento e dispositivos orais e pouco espaço é dedicado a este tema tão importante quanto. E por que ensinar e discutir isso? Oras, como o próprio texto exemplifica muito da melhora do paciente com uma técnica provém destes efeitos.

O que acontece então?

O paciente procura atendimento com dor, que interfere na sua rotina, na sua vida social, no seu trabalho, leva a depressão e frustação. Normalmente o paciente que procura o especialista em dor orofacial já tentou pelo menos um tipo de terapia, sem sucesso.

E o que ele encontra pela frente?

Um profissional extremamente técnico, habilidoso, consciente mas que não consegue se comunicar com o paciente, simplesmente porque não recebeu treinamento para isso. Já foi sugerido que o profissional, que foca exclusivamente nas necessidades físicas e não nas emocionais do paciente, tendem a terem seu tratamento interpretado como inadequado pelo paciente.

Henry Beecher, um estudioso do efeito placebo, identificou a importância das características do paciente e também do profissional da saúde no prognóstico do tratamento. Ele  reconheceu que os pacientes com uma postura positiva frente o tratamento e também os profissionais que entusiasmados com sua técnica tendiam a relatarem os melhores resultados.

O texto segue com exemplos e dicas para que possamos refletir não só sobre a nossa atitude diária na clínica mas também sobre algo interessante, a própria eficácia das terapias utilizadas no campo da dor.

E por estas e por outras que é tão difícil a pesquisa neste campo!

Para não me alongar demais e contar tudo o que está no texto, termino com a tradução livre e sem autorização minha (rsrs…) de um dos quadros. São dicas extraídas do consenso do Institute for Healthcare Communication (www.healthcarecomm.org).

Para entender melhor, leia o texto todo na íntegra: clique aqui.

Abraços a todos!

Leia mais sobre efeito placebo: https://julianadentista.com/2010/11/02/efeito-placebo/

Vídeo excelente sobre efeito placebo: https://julianadentista.com/2011/03/01/video-sobre-terapia-com-placebo/

Texto sobre a relação dentista/paciente: http://www.odonto1.com/blogs/julianabarbosa/?p=595

3 pensamentos sobre “Tratamento da dor – efeitos não específicos

  1. Muito interessante…uma alma boa poderia traduzir para o português para que a transferência de conhecimento fosse mais eficiente e os colegas que não dominassem a língua também tivessem acesso ao texto ( e que tal trabalho não ficasse sempre na tríade Juliana-Peixoto-Reynaldo-rs) # fica a dica…nós nos encarregamos de espalhar a tradução, com os devidos créditos ao tradutor.

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