Bruxismo infantil e o problema respiratório

Quem já assistiu o Dia do Bruxismo já sabe: professora Adriana Lira Ortega é a responsável pela parte do Bruxismo Infantil e também por falar sobre o bruxismo secundário (apesar dos meus spoilers, ela é que fala brilhantemente sobre o assunto).

E um dos assuntos que ela aborda e cada dia mais ouço e leio é a relação entre o bruxismo do sono e os problemas respiratórios em crianças. E é bem interessante!

Hoje fiz uma transmissão ao vivo pelo Instagram (me siga lá @dtmdororofacial) e falei sobre um dos últimos artigos publicados sobre o assunto. Trata-se de um estudo observacional que verificou a associação do bruxismo do sono aos problemas respiratórios em crianças de 8 a 11 anos. O trabalho foi desenvolvido no Brasil e mostrou que especialmente rinite e sinusite estavam associados a presença de BS infantil (além de mostrar que a prevalência de BS em crianças era maior quando as mães apresentam maior escolaridade – seria percepção maior da mãe? – e alto nível de estresse).

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Mas vamos falar sobre esta relação entre a passagem do ar e bruxismo durante o sono. Faz sentido. Como já relatei aqui, o bruxismo neste caso é secundário ao evento de obstrução e aparece como um sinal de que algo não está Ok neste sono. Leia o post Bruxismo: vilão ou mocinho?

Interessante também observar um outro fato. Extrapolando os resultados deste trabalho, é possível pensar que a criança que apresente estes distúrbios do sono possa ser uma criança agitada. Não é incomum mães relatarem que suas crianças são hiperativas. Mas elas são mesmo ou apenas dormem mal? Quando seu filho ou filha dormem mal, eles ficam sonolentos no dia seguinte ou extremamente irritados?

Achei um relato de caso publicado este mês exatamente questionando isso! Bem bacana!

Saiba mais sobre hiperatividade e déficit de atenção: clique aqui.

É preciso diagnosticar bem qual tipo de bruxismo a criança apresenta. Quando o bruxismo é secundário, o tratamento deve visar a causa e não o bruxismo em si.

#ficaadica

Falando nisso…

Estaremos em Maringá, Passo Fundo, Bauru, Balneário Camboriú, São Paulo e mais alguns lugares este ano! Acompanhem tudo no site do Dia do Bruxismo, www.diadobruxismo.com, Facebook e Instagram (@diadobruxismo).

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Site do Mês: Odontopediatria em Evidência

Olá! Feliz 2016!

Espero que este ano eu consiga cumprir a promessa de escrever bastante aqui no blog! 🙂

E para esta primeira postagem do ano eu quero apresentar a vocês um novo blog! A minha amiga e parceira no Dia do Bruxismo, Prof.a. Adriana Lira Ortega aderiu ao vício de blogar e começou o seu próprio espaço na internet!

  
Já estava na hora. Para quem não a conhece, a Adriana é odontopediatra e ortodontista e trabalha na área clínica e de pesquisa em DTM, Dor Orofacial e Bruxismo em crianças e adolescentes e pacientes especiais, e é palestrante em vários cursos no Brasil e também no exterior!

É uma área muito bacana e muitas vezes desconhecida dos profissionais.

Em seu blog, ela pretende discutir e expor assuntos sobre o prisma da Odontologia baseada em Eviências. Assim o nome não podia ser melhor: Odontopediatria em Evidência.

Acho que é um bom tempero, não?

Corre lá para ler! Link: www.adrianaliraortega.com

Falando nisso…

Eu e a dona Adriana estaremos juntas mais uma vez para falar sobre Bruxismo, agora em Curitiba na ABOPR no dia 05/03/2016 e as inscrições estão com valores promocionais mas logo vai mudar! Mais informações no site www.diadobruxismo.com

  
Ao pessoal que assistiu a um dos eventos de 2015, corra para fazer download do material online! O prazo vence dia 15/02! 🙂

Crianças e DTM e Dor Orofacial

Eu pedi, implorei, ajoelhei, e nada. Mas aí chegou Outubro, mês Rosa, mês de Maria, mês das crianças e achei que não podia passar deste mês. Finalmente, a professora e amiga (além de parceira no estudo do bruxismo) Adriana Lira Ortega arrumou um tempinho e mandou um texto para publicarmos aqui no blog! \o/

O texto chegou no mesmo dia do texto do Jorge von Zuben (por isso demorei a publicar Adriana!) e já estou me sentindo feliz por ter tantos amigos colaborando aqui com o Por Dentro da Dor Orofacial!

Sem mais delongas, segue o texto! Ótimo fim de semana a todos!

Adriana Lira Ortega

Adriana Lira Ortega, Pós doutora em Patologia Bucal e doutora em Ciências Odontológicas pela Faculdade de Odontologia da USP (FOUSP) , mestre em Morfologia pela Escola Paulista de Medicina (EPM) da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), graduada em Odontologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Especialista em Odontopediatria pela Fundação para o Desenvolvimento Cienífico e Tecnológico da Odontologia (FUNDECTO) da FOUSP e em Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais pelo Conselho Regional de Odontologia (CFO). Professora da graduação e pós graduação da Universidade Cruzeiro do Sul (UNICSUL).

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A criança na intersecção da Odontopediatria com a DTM/DOF

O fato de não haver crianças na rotina do atendimento dos ambulatórios de DTM/DOF não significa que elas estejam imunes à essa condição. Vários trabalhos epidemiológicos que investigaram sinais e sintomas de DTM/DOF em crianças apontam porcentagens que chegam a 35% da amostra avaliada. Então porque esse percentual não é atingido nas procuras em serviços especializados? Um dos prováveis motivos é que os sinais e sinto6mas investigados pelas pesquisas não chegam a afetar a qualidade de vida desses indivíduos e assim não são percebidos pela criança ou por seus cuidadores. No entanto, esse fato não se torna menos importante sabendo que, como em toda doença, pode haver evolução para quadros mais complexos. Desta forma, a percepção precoce de sinais e sintomas com posterior intervenção, pode ser uma forma eficiente de evitar a evolução ou minimizar o acometimento.

A Odontopediatria é a especialidade que prima pela prevenção de doenças ou alterações orofaciais para que a criança cresça livre de qualquer necessidade de tratamento. Sabendo que a oportunidade dos primeiros contatos da criança com o dentista é do Odontopediatra, fica claro que é sua responsabilidade reconhecer precocemente sinais e sintomas de DTM/DOF. Após a identificação desses sinais e sintomas, o paciente deve ser encaminhado para o profissional capacitado nessa área específica para que seja feito o diagnóstico preciso e seguimento do caso. Como não custa reforçar o que já está comprovado pelas evidências científicas, mas ainda permanece como prática no nosso meio, a capacitação em área clínica que vise a harmonia oclusal não habilita o profissional para o manejo de pacientes com DTM/DOF.

Nesse ponto a criança é encaminhada para um cirurgião dentista que normalmente trata de pacientes adultos. Para o profissional acostumado ao atendimento de adultos é importante alertar que o estabelecimento do vínculo com a criança é fundamental para a tomada de história e que nem sempre acontece no primeiro contato. Devemos lembrar que o adulto procura o serviço de saúde e quer ser tratado, enquanto que a criança não procurou e em algumas vezes não quer ou tem medo do que possa ser o tratamento. Além disso, algumas características dessa fase da vida exigem uma abordagem específica e o profissional precisa adequar a sua linguagem para fazer a tomada de história. É aconselhável o emprego rotineiro de recursos anamnéticos, como diário e escalas analógicas visuais infantis de dor, e também que se conheça as diversas etapas do desenvolvimento cognitivo para obtenção do máximo de informações. Lembrando que a catastrofização da dor em criança também existe, já foi bastante estudada e é influenciada pelo comportamento do cuidador.

De maneira geral, os estudos que abordam esse tema (DTM/DOF em crianças) estão mais restritos na área epidemiológica e muitas inferências são feitas a partir de pesquisas com adultos. Dessa forma, os protocolos de tratamento para crianças e adolescentes devem obedecer aos mesmos princípios preconizados atualmente e devem ser conservadores, reversíveis e baseados na melhor evidência científica disponível.

Aliás, é importante saber que o entendimento correto do que é evidência científica é condição fundamental para a prática da Odontologia.

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Controle do bruxismo infantil

Em Fevereiro fiz uma postagem sobre bruxismo infantil que foi um sucesso. Apresentei algumas evidências sobre esta condição.

Chegou a hora de escrever algumas palavras sobre o tratamento!

Não devemos esquecer que, para um controle eficaz, investigar e realizar um diagnóstico preciso é indispensável!

Assim, separar o bruxismo do sono do de vigília, o primário do secundário é fundamental também em crianças.

Infelizmente não há evidências sobre o que funciona ou não no controle do bruxismo na infância.

Eu proponho três etapas então:

  1. Informar
  2. Controlar
  3. Proteger

Informar

Devemos explicar claramente aos pais e/ou responsáveis o que é bruxismo, os fatores contribuintes e como podemos ajudar. Lembre-se que no Brasil o bruxismo infantil não é tão incomum. Na idade escolar já foi detectada a prevalência de 30%.

Acalmar também, uma vez que os ruídos produzidos durante o ranger dos dentes assustam a quem está por perto.

Explique sobre higiene do sono e técnicas de relaxamento que podem auxiliar, sobretudo antes de dormir.

Cuidado com o bruxismo em vigília, sobretudo em crianças que realizam atividades que requerem concentração como jogar video game, usar computador, estudar, etc. As mesmas orientações para o adulto podem e devem ser repassadas às crianças como evitar encostar os dentes, manter a língua em contato com palato, evitar outros hábitos como roer unhas, morder objetos, etc.

O conhecimento é o primeiro degrau para o controle!

Controlar

Agora é momento de dar atenção aos fatores que possam desencadear ou contribuir para a perpetuação do bruxismo infantil. Para encontrá-los a anamnese deve ser muito bem realizada.

Lembre-se que a resistência a passagem do ar é um dos principais fatores causais de bruxismo secundário em crianças. Identifique problemas respiratórios e esqueléticos e encaminhe o paciente ao otorrino e/ou ortodontista/ortopedista para avaliação quando necessário. Nestes casos basta o controle destes fatores para que o bruxismo desapareça.

Lembre-se que outros distúrbios do sono como sonilóquio, enurese e sonambulismo parecem estar associados ao bruxismo em crianças, bem como o uso de alguns medicamentos como inibidores seletivos da recaptação de serotonina e ritalina.

Proteger

Nos casos de bruxismo do sono primário muitas vezes não há um fator a ser controlado.

Quando o desgaste dentário é intenso, os danos aos dentes e periodonto são inevitáveis. Nestes casos pode ser prudente utilizar um protetor para os dentes. As crianças estão em crescimento e desenvolvimento e qualquer dispositivo interoclusal não pode atrapalhar. Apenas um estudo foi publicado, utilizando placa de acrílico, trocados conforme a criança crescia. Mas o foco do artigo foram sinais e sintomas de DTM, que não foram diferentes em quem usou ou não a placa, e não sobre desgaste dentário ou eventos de bruxismo.