Dor orofacial e professor Paulo Conti são notícias em revista de universidade americana

Recentemente foi publicada uma matéria na revista da University of Medicine & Dentistry of New Jersey sobre a especialidade de Dor Orofacial, com destaque para a história do Prof. Paulo Conti da Faculdade de Odontologia de Bauru, Universidade de São Paulo (FOB-USP), meu orientador de doutorado!

E, posso falar, para mim é uma honra poder ter a chance de conviver com pessoas tão engajadas no diagnóstico, tratamento e na pesquisa envolvendo a dor orofacial como o Prof. Paulo Conti e sua equipe!

A reportagem conta um pouco do tempo que o professor passou em New Jersey e como isso influenciou nos seus estudos e no que faz hoje. Abaixo vai a tradução (ao pé da letra) do texto.

Foi em 1994 que o brasileiro Paulo Conti, DDS, PhD, veio aos Estados Unidos procurando repostas. Professor de Prótese Dentária na FOB-USP no momento, ele estava procurando por novos e melhores métodos de diagnóstico e tratamento para pacientes com dor orofacial, definidas como desordens faciais dolorosas crônicas, não relacionadas a problemas dentários.

No Brasil um diagnóstico no início dos anos 90 era baseado somente na oclusão dos pacientes ou como os dentes ocluíam. Os únicos tratamentos eram a correção da mordida, uso de placas para aliviar a pressão na mandíbulas gerada pelo bruxismo e a prescrição de analgésicos. Usualmente nenhuma destas terapias funcionavam. “Pacientes descreviam sua dor como agonizante, persistente, penetrante, torturante… e eu não podia oferecer alívio” Conti disse “Era frustante. Eu sabia que haveriam outros meio em que eu pudesse ajudar”.

Uma vez que não haviam programas para especialistas em Dor Orofacial no Brasil e a Internet ainda não havia sido inventada, Conti leu cada revista científica que ele poderia ter em mãos. E foi no Journal Orofacial Pain que ele ficou sabendo de um programa de 1 ano de diração em Disfunção Temporomandibular (DTM) na University of Medicine & Dentistry of New Jersey (UMDNJ) na New Jersey Dental School (NJDS). Ele imediatamente contatou o professor Gary Heir e se inscreveu.

Após 1 ano de permanência na NJDS, Conti retornou ao Brasil com o que ele chamou de “um novo mundo de conhecimento”. Pela primeira vez ele e seus colegas adotaram uma abordagem abrangente para o diagnóstico dos pacientes. Eles começaram a investigar os sistemas musculoesqueléticos, neurovascular e neuropático, distúrbios de movimentos e condições sistêmicas intra e extraorais. “Simplesmente compreender a comorbidade das dores orofaciais e cefaleias já fez uma enorme diferença” ele diz “Nós também mudamos e melhoramos nosso programa de pesquisas. A NJDS abriu uma nova era no controle da dor para nós.”

Em seu retorno, Conti desenvolveu e implementou o currículo de Dor Orofacial em Bauru para graduandos, pós graduandos e alunos de cursos de extensão. Ele é hoje um professor livre docente, um pesquisador produtivo na área de dor, autor e palestrante, muito do qual ele credita a NJDS. “A Dor Orofacial é uma especialidade emergente no Brasil, e isso significa que estaremos aptos a ajudar muitas pessoas que necessitam.”

Ele explica que a população pobre de áreas rurais do país às vezes esperam até cinco meses por uma consulta com neurologista. “Quando você apresenta uma dor de cabeça severa ou uma dor debilitante, cinco meses parece uma eternidade” ele diz “Agora estas pessoas podem contar com também com nossa opinião. Elas vêm até nós e nós podemos ajudá-las imediatamente.”

O programa de DTM que o Conti completou evoluiu desde a sua criação no começo dos anos 80. NJDS agora oferece um ano de Fellowship, 4 a 5 anos de programa PhD em Dor Orofacial e o programa de dois anos de mestrado em Dental Science requer a conclusão de um projeto de pesquisa em dor orofacial. Estes programas tem atraído estudantes de todos os continentes exceto Antartida, e aproximadamente 300 pessoas completaram os programas de Fellowshio e PhD. A American Dental Association (ADA) tem reconhecido a dor orofacial como uma área de avanço na educação odontológica e esta agora requerendo credenciamento. NJDS está neste processo.

Cirurgiões Dentistas como Heir e Conti acham a área desafiadora e recompensante. Há causas incontáveis de Dor Orofacial, algumas de simples diagnóstico, outras não. E, o diagnóstico inadequado de um paciente que possa ter um aneurisma ou um tumor cerebral pode ser fatal. “Esta região do corpo é composta de um vasta e complexa rede de nervos e vasos sanguíneos que estão interligados a músculos, ossos e articulações na cabeça, mandíbula e pescoço” explica Heir “má função pode acontecer em qualquer combinação destes sistemas, então determinar a causa da dor pode ser realmente difícil”. De fato, muitas vezes estes pacientes gastam anos indo e vindo de médicos e dentistas procurando alívio. Muitos são diagnosticados incorretamente, o que resulta em procedimentos desnecessários, como endodontias e extrações. Alguns pacientes então tornam-se tão frustados que aceitam terem todos os seus dentes extraídos e serem submetidos a procedimentos cirúrgicos para alívio da dor.

Conti relembra de uma paciente “Uma mulher jovem com uma dor na ATM excruciante tentou todos os tipos de tratamento sem melhora” ele diz “Finalmente um dentista recomendou um procedimento cirúrgico radical. Desesperada ela concordou com o procedimento, que resultou em deformidade severa em sua mandíbula e aumento na intensidade dolorosa. No momento em que ela nos procurou, ela mal conseguia abrir a boca. Ela praticamente não tinha vida”. Com uma combinação de terapia e medicação, a equipe do professor Conti começou lentamente a reverter o quadro. A mulher pode novamente mstigar e falar claramente. “Nós devolvemos a ela sua vida” diz Conti “o que torna esta profissão tão recompensadora”.

 

A revista pode ser acessada pelo link: http://www.umdnj.edu/umcweb/marketing_and_communications/publications/umdnj_magazine/winter-2011/winter-2011.pdf e a reportagem está na página 37!

4 pensamentos sobre “Dor orofacial e professor Paulo Conti são notícias em revista de universidade americana

  1. Parabéns ao dr. Conti e à você Juliana, pelo trabalho e divulgação desta especialidade tão apaixonante.

  2. Ele é um professor extraordinario que eu lembro com carinho. Para mim é um grande orgulho falar que eu tive 2 anos sendo aluna dele e agora como professora quero imita-lo. Não sei se ele vai ler esta mensagem, mas se ele ler… Um grande abraço desde a Rep. Dominicana.
    Fadwa

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