DC/TMD: o que muda no diagnóstico?

Quem quer ficar Por Dentro da Dor Orofacial quer saber as novidades do novo Research Diagnostic Criteria for Temporomandibular Disorders (RDC/TMD). E posso contar que a primeira novidade é que ele perdeu o R, ou seja, o Research.  (Atualizando: um novo RDC/TMD para diagnóstico em pesquisas será lançado a partir de 2012) A nova ferramenta para o diagnóstico da DTM recebe o nome de Diagnostic Criteria for Temporomandibular Disorders (DC/TMD).

Em termos práticos, o que isso significa?

Durante muito tempo ouvimos em palestras e cursos que o RDC/TMD era indicado para uso em pesquisas, para homogeneidade de amostras,  porque no dia-dia clínico deixava a desejar, com grande número de viéses. A equipe que está sugerindo as modificações deste instrumento quer mudar este quadro, e permitir o uso na clínica. Daí a queda do R.

Mudar uma ferramenta utilizada desde 1992 não parece ser tarefa fácil. Pesquisas foram realizadas, financiadas pelo NIH, para promover a modificação desta ferramenta. Os resultados foram publicados recentemente no Journal Orofacial Pain (volume 24, número 1).

Foram verificadas a validade do método e dos diagnósticos do eixo I do questionário, reprodutibilidade e as propriedades psicométricas do eixo

Não dá para contar a vocês toda a metodologia utilizada para modificação desta ferramenta, apesar de bem interessante, porque não cabe tudo num post de blog.  No site do Prof. Reynaldo Martins Jr. (já se tornou rotina citá-lo por aqui, não?) há um fórum onde alguns artigos estão disponíveis para discussão. Vale a pena dar uma olhada! Mas você deve se tornar membro do site para acessar o fórum…

Para quem não está familiarizado, os critérios do RDC/TMD classificam as condições em três grupos: dor miofascial; deslocamentos de disco e; artralgia, artrites e artroses. A maioria das críticas que são divulgadas sobre o RDC/TMD discorrem sobre a não fidelidade do diagnóstico de algumas condições. Um dos artigos mostrou que os métodos utilizados no exame físico são capazes de detectar com validade aceitável, os diagnósticos do grupo Dor Miofascial. Entretanto, o mesmo não se repetiu aos demais grupos, chegando a ser muito baixos os valores de especificidade e sensibilidade para deslocamentos de disco e osteoartrose, por exemplo.

A partir destes resultados, os pesquisadores trabalharam na melhoria da validade, reprodutibilidade, sensibilidade, especificidade, ou seja, trabalharam muito, discutiram muito (eu acho, rs…) e ao final foram publicados os métodos usados para estabelecer e validar os algoritmos que serão agora utilizados para compor o eixo I do novo DC/TMD e também sugestões para o futuro desta ferramenta.

Algumas mudanças notadas:

  • No diagnóstico de dor miofascial, apenas os músculos masseter e temporal são palpados e para que seja comprovado o diagnóstico, a dor durante a palpação deve ser familiar a dor relatada pelo paciente ou, se não houver dor a palpação, esta dor familiar deve estar presente nestes músculos durante movimento de abertura bucal. É o fim da palpação do pterigoideo lateral! Eh!
  • No diagnóstico de deslocamento de disco, a presença do estalido deve acontecer na abertura e fechamento pelo menos uma vez em três movimentos consecutivos ou um estalido na abertura ou fechamento e um estalido em um dos movimentos excursivos (lateralidade para direita, para esquerda e protusão) em 3 repetições também –deslocamento de disco com redução. Se não houver este estalido no exame mas o paciente relatar que já sofreu travamento mandibular, onde não conseguia abrir a boca e que esta limitação foi intensa o suficiente para impedir sua mastigação ele pode cair no grupodeslocamento de disco sem redução.
  • Também no diagnóstico de artralgia e osteoartrite a dor à palpação da ATM deve ser familiar a do relato do paciente. No caso das osteoartrites e osteoartrose deve haver o relato do paciente de crepitação ou crepitação detectada por palpação e audível a 6 inches(15,24 cm, !) da articulação em qualquer movimento da mandíbula.Vou ler de novo o texto para verificar como eles determinam estas medidas, rs…

Como vocês podem ver no site oficial do consórcio do RDC/TMD, e como já contei aqui, o novo algoritmo não foi oficialmente divulgado. Assim, não sei se posso disponibilizar as figuras do algoritmo, mesmo porque não tenho autorização.

Aguarde um pouco antes de se descabelar por ter enviado o projeto de pesquisa ao comitê de ética com o RDC/TMD! Você não precisará mudar por enquanto sua amostra! Rs…

 

16 pensamentos sobre “DC/TMD: o que muda no diagnóstico?

  1. Como sempre PERFEITA!!!! imagine que tenho que apresentar um seminário sobre o método (inclue-se aqui o diagnóstico epidemiológico) e com estas mudanças sem dúvidas será bem mais rico!

  2. Pingback: Fibromialgia: novos critérios de diagnóstico « Por dentro da Dor Orofacial

  3. Ju, nos meus relatórios para outros profissionais, principalmente neurologistas e otorrino, cito por costume o termo Eixo II para as alterações psicossociais dete ctadas e daí um neurologista cefaliatra parceiro, estranhou o uso do termo, já que o uso do mesmo não estaria de acordo com o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM IV) , sendo que já está saindo a quinta atualização.Encontrei alguns artigos tentando associar um com o o outro.Voc~e teria alguma coisa a acrescentar para mim, será que nesta revisão do RDCDC consta alguma coisa.Gostaria de saber da sua opinião para poder discutir o assunto com mais substrato.Obrigado, Rosan Abrantes.

  4. Não perdeu o “R”. O DC/TMD é outra coisa.
    O RDC/TMD continua a existir, vai ser atualizado para a versão 2 em 2012…

    • Você tem toda a razão! Mas quando escrevi este post, esta informação ainda não estava disponível, o que aconteceu depois do congresso de San Diego! Obrigada por lembrar-me. Abraços

  5. Oi, Juliana. Tudo bom? Sou academica da ufpa e estou interessada na versão do DC/TMD em português, mas não estou conseguindo. Tens como me enviar por e-mail? Ia te agradecer bastante! hehe Obrigada desde já. bjs

    • Olá! Infelizmente o DC/TMD ainda não foi publicado e sendo assim, nem tem a tradução em português ainda… Quando ele sair vou noticiar aqui no blog! Abraços

  6. Olá Juliana, sou fonoaudióloga daqui da FORP! Quando tiver e puder, encaminhe o artigo DC/TMD para mim? Capaz que em breve asssistirei alguma aula sua… estou cursando o aperfeiçoamento do Prof. Paulo Conti em Bauru.
    Abs,
    Melissa

  7. Bom dia, Julia, me interessei por esse método para fazer um trabalho, vc poderia mandar os artigos em que teve base para mim?

  8. Pingback: RDC/TMD —-> DC/TMD: considerações | Por dentro da Dor Orofacial

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