Textos sobre DTM publicados a partir do JOR CORE

Em 2009, em Sienna na Itália, foi realizado um curso de verão, direcionados a doutores e alunos de doutorado, promovido pelo Journal of Oral Rehabilitation com tema relacionado à DTM. Este curso foi o 1st Colloquium on Oral Rehabilitation (JOR-CORE). Neste curso os alunos puderam estar em contato com docentes renomados da área. E então, foi publicado agora em 2010 na revista Journal of Oral Rehabilitation um comentário sobre alguns temas que foram discutidos neste curso sobre DTM. Para quem tem acesso a revista, o link é este: http://www3.interscience.wiley.com/journal/123359578/abstract?CRETRY=1&SRETRY=0

Achei interessante ter acesso a este texto no momento que estamos organizando o primeiro consenso de especialistas sobre DTM no Brasil. Infelizmente, somente quem tem acesso a revista poderá ler estes comentários, mas vou tentar resumir e colocar a essência deste texto para conhecimento geral.

Os comentários realizados neste texto deram origem a quatro grandes revisões sobre os temas: patofisiologia da DTM; ortodontia, oclusão e DTM; tratamento da dor na DTM e; avaliação da DTM e reabilitação do sistema mastigatório que serão ainda publicadas também no mesmo periódico. De modo geral o texto discorre sobre estes assuntos, evidenciando o que há de mais atual sobre cada tópico. Leia mais abaixo.

O que surgiu de novidade neste texto foi a introdução do conceito de incapacidade ou inabilidade.

Limitação e incapacidade são aspectos principais na DTM e podem influenciar outras áreas da Odontologia também. O autores frisam é que é um desafio incorporar a importâncias destes aspectos na prática clínica diária (muitos não fazem sequer uma investigação do problema, não é mesmo?) sobretudo pela visão mecanicista da Odontologia e a falta de estudos na área. Uma sugestão inédita apresentada pelos autores seria a adoção de um modelo de avaliação para atendimento primário na Odontologia, ou seja, para os clínicos gerais ou especialistas que não tenham como principal foco a dor, que incorporasse o sistema de sinais vermelhos e amarelos (red e yellow flags – a tradução é minha mesmo, rs…). Os sinais vermelhos referem-se a condições sérias como dor que acorda o paciente, vícios, intenção de suicídio que podem estar diretamente associadas a morbidade e mortalidade. Sinais amarelos identificariam fatores psicossociais que poderiam influenciar na resposta ao tratamento odontológico. Seriam estes: dor, limitação funcional, desabilidade relacionada a dor, depressão, ansiedade, sintomas físicos não específicos, e qualidade de vida relacionado à saúde oral (existem questionários específicos para isso como o Oral Health Impact Profile-OHIP).

Mas como identificar estes fatos no paciente? Os autores sugerem o uso rotineiro de um instrumento auto aplicável (um questionário) aos pacientes associada a uma entrevista detalhada sobre sua queixa (já falei sobre isso também em outro post).

A proposta é que o questionário tenha não mais de 20 itens e examine aspectos relacionados a ansiedade, depressão, angústia e incapacidade social. Entretanto eles não sugeriram um questionário específico.

Durante a anamnese, o cirurgião dentista deverá observar alguns pontos sobre a queixa principal: cronicidade, limitação funcional, discrepância com os achados clínicos, abuso de medicamentos, comportamento inapropriado, expectativas sobre o tratamento inapropriadas, respostas inadequadas a outros tratamentos já realizados e identificação de sinais vermelhos no questionário.

É claro que os autores chamam a atenção para o fato de que isso ainda não foi testado ou validado, mas é uma perspectiva nova e interessante de avaliação do paciente. Com certeza novas publicações surgirão sobre este questionário e este método.

Achei a proposta diferente e interessante. A figura abaixo, retirada do texto, é um algoritmo sobre a aplicabilidade clínica deste método.

Leia

Algo sobre o texto:

Sobre patofisiologia da DTM: complexa e envolve diferentes mecanismos. O principal sintoma é dor tanto na ATM como nos músculos mastigatórios. Como as mudanças degenerativas na ATM aparece em somente um subgrupo de pacientes com DTM, há uma pobre correlação entre a intensidade da dor e mudanças patológicas na ATM e músculos. Mecanismos de modulação de dor, sensibilidade central, variabilidade genética, reação ao estresse e hormônios femininos podem fazer parte desta fisiopatologia. Consequentemente há a sugestão de que maiores estudos sejam realizados para se estabelecer um mecanismo de prevenção para DTM. (Sugiro que fiquem de olho no estudo OPPERA!)

– Ortodontia, oclusão e DTM: basicamente os autores relataram o que já escrevi em outro post, “a literatura atual não dá suporte para qualquer associação forte entre variáveis oclusais e DTM ou qualquer benefício ou malefício da terapia ortodôntica na dor por DTM”. Como já esperava os autores relataram sobre a baixa qualidade metodológica dos estudos que abordaram estas relações.

– Tratamento da DTM: achei interessante neste trecho do texto que os autores relatam algo que observamos frequentemente, é difícil para o clínico diante da oferta de tantos tratamentos novos, avaliar o que é eficaz, válido e reprodutível para ser aplicado em seus pacientes. Muitas vezes a informação científica não chega ao clínico. Os dentistas devem encontrar uma maneira de filtrar estas informações para saber o que é realmente útil. Os autores relatam que a melhor forma hoje seria utilizar a Odontologia baseada em Evidências de uma forma integrativa a clínica, sempre pensando no que é mais importante para cada paciente.

Membros do grupo:

Pathophysiology workgroup members
Iva Alajbeg (Croatia), Altair Del Bel Cury (Brazil), Sibel Dincer (USA), Malin Ernberg (Sweden), Gary Heir (USA), Adriaan Klitsie (Netherlands), Howard
Tenenbaum (Canada).
Occlusion and orthodontic workgroup members
Taro Arima (Japan), Jose Luis de la Hoz (Spain), Susanne Elmasry Ivanovic (Sweden), Malvin Janal (USA), Pinar Kursoglu (Turkey), Tomohiro Tanosoto
(Japan), Ephraim Winocur (Israel), Luo Xiaoping (China).
Systematic review workgroup members
Jari Ahlberg (Fin), Maria Clotilde Carra (Italy), Fernanda Foat (Brazil), Nikolaos Giannakopoulos (Germany), Ebru Ispirgil (Turkey), Karen Raphael
(USA), Claudia Restrepo (Columbia), Olcay Sakar (Turkey).

Pathophysiology workgroup members

Iva Alajbeg (Croatia), Altair Del Bel Cury (Brazil), SibelDincer (USA), Malin Ernberg (Sweden), Gary Heir(USA), Adriaan Klitsie (Netherlands), HowardTenenbaum (Canada).Occlusion and orthodontic workgroup membersTaro Arima (Japan), Jose Luis de la Hoz (Spain),Susanne Elmasry Ivanovic (Sweden), Malvin Janal(USA), Pinar Kursoglu (Turkey), Tomohiro Tanosoto(Japan), Ephraim Winocur (Israel), Luo Xiaoping(China).Systematic review workgroup membersJari Ahlberg (Fin), Maria Clotilde Carra (Italy),Fernanda Foat (Brazil), Nikolao Giannakopoulos(Germany), Ebru Ispirgil (Turkey), Karen Raphael(USA), Claudia Restrepo (Columbia), Olcay Sakar(Turkey).

Disability workgroup members

Justin Durham (UK), Anat Gavish (Israel), Jordi Martinez-Gomis (Spain), Yoshihiro Tsukiyama (Japan), Wataru Yachida (Japan).

4 pensamentos sobre “Textos sobre DTM publicados a partir do JOR CORE

  1. Gostei muito do seu blog e da sua iniciativa.Parabens!
    é importante compartilhar informações, todos ganhamos ,e o paciente recebe o tratamento especifico para seu caso.
    Eu coordeno um centro de Atendimento Voluntario a pacientes com Dores Orofacias e DTM, no Centro de Educação Continuada da Academia Cearense de Odontologia,em Fortaleza, e tenho procurado compartilhar com os colegas as informações recentes em diagnostico diferencial e tratamento. Acredito que estamos avançando, a lentos passos ainda, mais já conseguimos aqui que colegas medicos (oftalmologistas,otorrinos) encaminhem pacientes com sintomas de DTM.

  2. Gostaria de ler mais artigos sobre Ortodontia e Dtm, se vc tiver ou poder me indicar mais artigos pra ler , eu agradeceria, pois vou escrever uma monografia sobre o assunto, realmente é um assunto muito complicado, e não é tão simples assim, falar que não tem nada a ver Orto e Dtm, na realidade penso que poderiamos ter aquela parcela de pacientes que poderiam sofre alguma influencia sim, mas tudo leva a nós acreditarmos que no geral, nada tem relação

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