Podcast – Zumbido e DTM

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Hoje é 27 de abril de 2020 e estamos vivendo tempos de pandemia.  Estamos ainda em uma fase de distanciamento social.
E, como você já sabe, no começo desta quarentena, para suavizar os dias, fiz algumas transmissões via Instagram. Convidei professores e amigos para responderem a questões sobre algum tema específico, ligado a área de Dor Orofacial.
Como sou super atrapalhada, infelizmente não consegui gravar todas as transmissões.
Mas quem tem boca, vai a Roma! Falei isso nos dois episódios anteriores, com as entrevistas do Professor Paulo Conti e do Professor Ricardo Tesch e recebi uma mensagem no whastapp de alguém que gravou alguns dos audios!
Obrigada querida Lucia Deluiz por resgatar e trazer a possibilidade de eu publicar estes audios.
Por favor,  lembre-se que é uma transmissão pelo Instagram, então o audio não saiu muito bem…
Então nesta live conversei com a Professora Priscila Sidney da Universidade Federal do Paraná (UFPR)  sobre a relação entre Zumbido e DTM. Professora Priscila junto com Professor Daniel Bonotto coordenam o SAMDOF – o Serviço Ambulatorial em Dor Orofacial da UFPR – onde atendem pacientes com DTM e Dor Orofacial e ainda realizam pesquisas (sigam eles pelo instagram @SAMDOF.UFPR)!
Já agradeço novamente à querida Priscila por responder prontamente a todas as nossas dúvidas!
Vamos ouvir?
Para isso você pode procurar pelo podcast Por Dentro da Dor Orofacial em qualquer aplicativo ou mesmo no google!

Podcast: Dor e degeneração na ATM

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Hoje é 21 de abril de 2020 e ainda estamos vivendo tempos de pandemia.
Durante a quarentena fizemos transmissões via Instagram. O episódio de hoje deriva do audio de uma destas transmissões.  Eu convidei professores e amigos para responderem a questões sobre algum tema específico, ligado a área de Dor Orofacial.
Foram 10 lives! Um verdadeiro congresso em que aprendi muito!
Mas infelizmente, como já contei, não consegui gravar todas as transmissões.
A de hoje foi resgatada pela professora Daniela Gonçalves, obrigada amiga!
Como toda transmissão ainda há falhas durante a gravação, então,Por favor, releve!
Então nesta live conversei com o Professor Ricardo Tesch dor e degeneração na ATM. Professor Ricardo Tesch  é ortodontista e Especialista em DTM e Dor Orofacial. Atualmente é Professor Adjunto da Faculdade de Medicina de Petrópolis, onde é o Coordenador do Curso de Especialização em DTM e Dor Orofacial e coordena também um grupo de pesquisa em dor crônica. Também é coordenador do curso de especialização em DTM e Dor Orofacial da PUC Maestra e Maestria de Santigo de Los Caballeros, na Republica Dominicana.
Já agradeço novamente ao professor Ricardo pela disponibilidade em conceder esta entrevista
Vamos ouvir? Para isso você pode procurar pelo podcast Por Dentro da Dor Orofacial em qualquer aplicativo ou mesmo no google!

Podcast: Toxina Botulínica e DTM

Hoje é 13 de abril de 2020 e estamos vivendo tempos de pandemia. Muita coisa mudou no mundo todo com isso. Estamos em uma fase de distanciamento social.
Tentei, então, bem no começo desta quarentena, suavizar os dias com transmissões via Instagram. Então, convidei professores e amigos para responderem a questões sobre algum tema específico, ligado a área de Dor Orofacial.
Foram 10 lives! Um verdadeiro congresso em que aprendi muito!
Mas infelizmente não consegui gravar todas as transmissões. Falando bem a verdade, eu não tinha tido esta ideia, até que começaram a chegar vários pedidos. Aí, acionei os colegas do GEDOF, especialistas em DTM e Dor Orofacial que participam do grupo de estudos que coordeno, e perguntei se alguém tinha conseguido gravar algumas delas.
E ainda bem que sim!
A de hoje foi resgatada pela colega Alice Mioto de Curitiba! Algumas que virão depois pela professora Daniela Gonçalves, que também foi entrevistada! E outras, eu consegui gravar. Uma pena que nem todas deram certo…. Ainda, como toda transmissão ainda há falhas durante a gravação. Por favor, releve!
Então nesta live conversei com o Professor Paulo Conti sobre o uso da toxina botulínica na DTM. Professor Paulo Conti é a pessoa de destaque na dor orofacial no Brasil, professor titular da Faculdade de Odontologia de Bauru, e que entre outras coisas, hoje é também coordenador do Bauru Orofacial Pain Group, do qual faço parte, e secretário do grupo de Cefaleia e Dor Orofacial da IASP, Associação Internacional de Estudo a Dor.
Já agradeço novamente ao professor Conti pela disponibilidade em estar conosco.
infelizmente a gravação começa quando nosso bate papo já tinha começado. Mas são 42 minutos de muita informação, que não podia deixar de compartilhar com vocês.
Vamos ouvir?
Link abaixo!
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A queixa do estalo na ATM…

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Uma das queixas principais no consultório do especialista em Disfunção Temporomandibular (DTM) e Dor Orofacial é ruído na ATM. Na maioria das vezes este ruído é do tipo estalo, indolor mas muito incômodo.

Pacientes relatam que não conseguem bocejar ou mastigar sem a presença do ruído, que muitas vezes é audível o suficiente para incomodar quem está ao lado. Beijar na boca também é uma missão impossível sem o ruído.

A causa principal é um tipo de DTM muscular, o deslocamento do disco com redução.

Conhecer esta condição é, portanto, fundamental!

No ano passado Professor Rodrigo Poluha e a equipe do Bauru Orofacial Pain Group, capitaneada pelo Professor Paulo Conti, com colaboração do Professor Eduardo Grossman publicaram um artigo de revisão sobre o assunto na regista JAOS – Journal of Applied Oral Science. 

A JAOS é uma revista nacional, com bom fator de impacto, da Faculdade de Odontologia de Bauru  (FOB)- USP, e com acesso gratuito! Ou seja, só não lê o artigo quem não quer. E ele está neste link: http://bit.ly/DDCR_USP

Segue o resumo traduzido para o Português:

Poluha RL, Canales GT, Costa YM, Grossmann E, Bonjardim LR, Conti PCR. Temporomandibular joint disc displacement with reduction: a review of mechanisms and clinical presentation [published correction appears in J Appl Oral Sci. 2019 Apr 01;27:e2019er001]. J Appl Oral Sci. 2019;27:e20180433. Published 2019 Feb 21. doi:10.1590/1678-7757-2018-0433

“O deslocamento do disco com redução (DDWR) é um dos distúrbios intra-articulares mais comuns da articulação temporomandibular (ATM). Fatores relacionados à etiologia, progressão e tratamento dessa condição ainda são objeto de discussão. Esta revisão de literatura teve como objetivo abordar etiologia, desenvolvimento, fatores relacionados, diagnóstico, curso natural e tratamento de DDWR. Foi realizada uma busca não sistemática no PubMed, Scopus, SciELO, Medline, LILACS e Science Direct, utilizando os termos Medical Subjective Headings (MeSH), termos “desordens temporomandibulares”, “articulação temporomandibular”, “deslocamento de disco” e “deslocamento de disco com redução” . Nenhuma restrição de tempo foi aplicada. Revisões da literatura, revisões sistemáticas, meta-análise e ensaios clínicos foram incluídos. O DDWR é geralmente assintomático e não requer tratamento, uma vez que as estruturas da ATM se adaptam muito bem e sem dor a diferentes posições do disco. No entanto, estudos de longo prazo mostraram a progressão favorável dessa condição, sem dor e / ou bloqueio da mandíbula ocorrendo na maioria dos pacientes.”

Falando nisso….

Últimas vagas para o curso de DTM e Dor Orofacial coordenado pelo Professor Paulo Conti e Professora Juliana Stuginski Barbosa, com participação do Bauru Orofacial Pain Group.

Para mais informações CLIQUE AQUI.

Rapidinhas – Publicação do DC/TMD em Português Brasileiro!!

Finalmente!!!

Depois de um longo e tenebroso inverno está publicado no site do  DC/TMD a versão traduzida oficialmente.

E o que temos que fazer, além de clicar aqui e fazer download? Agradecer imensamente o esforço dos professores Francisco Pereira e Daniela Gonçalves e de todos os colaboradores!! Muitooooo obrigada! 🙂

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Podcast – Ortodontia, Bruxismo e DTM – entrevista para o canal Rompendo Fronteiras Ortodontia

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Muito ainda se discute sobre a relação entre oclusão, ortodontia, bruxismo e Disfunção Temporomandibular (DTM). A literatura caminha apontando que a relação não é tão direta como ainda pensam muitos dentistas.
Sobre este assunto, recebi em minha casa (perdoem os ruídos de obra ao fundo) a Daniela Ferreira e o Marcos Campos, dois cirurgiões dentistas, ortodontistas que fizeram um canal no Youtube e perfis nas redes sociais chamado Rompendo Fronteiras Ortodontia, e que são curiosos para saber mais sobre estas condições. Afinal, qual ortodontista que não recebeu em seu consultório um paciente com sinais e sintomas de DTM e tantas duvidas, não é?
Dê um play, siga o Rompendo Fronteiras Ortodontia e deixe seu comentário! Esta entrevista também está no canal deles no Youtube!

10 anos….

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10 anos!

Passaram voando. Frase clichê mas que reflete a pura realidade!

Quanta coisa aconteceu! Especialização, mestrado, doutorado, dois consultórios, inúmeras aulas, parcerias importantes, congressos organizados, livros devorados, pesquisas publicadas, artigos lidos, dicas dadas…. 10 anos.

E sabe, nada faria sentido se não houvessem os leitores, os fiéis leitores, que após cada postagem mandavam mensagens, emails, telefonemas. Obrigada a todos vocês que leram cada frase. Obrigada especial àqueles que lêem desde o post #1.

Mas obrigada também ao blog. É. Obrigada Por Dentro da Dor Orofacial. Sem você talvez não teria ministrado uma aula sequer. Sem você talvez eu não teria a relevância que tive em alguns momentos. Sem você não teria onde desabafar, contar o que vi.

Mas você se desdobrou, se recriou… primeiro numa página de Facebook, depois em um perfil noInstagram e mais recentemente numa lista de transmissão no Whatsapp, perfil no Telegram, na minha nova paixão, em um Podcast.

Mas sempre é você. Meu blog. Meu espaço. Minha voz.

E seguimos em frente….

#10anos

Mindfulness

Eu sempre acompanho os movimentos de terapias para melhorar a qualidade de vida dos pacientes com dor crônica.

No último Congresso Mundial de Dor, promovido pela IASP, vi vários pôsteres que falavam sobre meditação e o quão benéfico é para nossos pacientes.

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Desde então estava com vontade de convidar a fisioterapeuta Michele Peres Ferreira que desenvolve um trabalho muito bacana nesta área no Brasil para escrever aqui sobre o assunto (nada melhor do que uma pessoa com expertise não é?).

Finalmente consegui!! Obrigada Michele por sua disponibilidade!

Mindfulness, viva com atenção plena!

por Michele Peres Ferreira

FOTO Profissional

 

Você já ouviu falar em Mindfulness? 

 

Vamos falar sobre esse tema que está em alta?

 

Segundo Jon Kabat-Zinn, Mindfulness é um estado mental de estar atento à experiência no momento presente, sem julgamento. 

Quando traduzirmos a palavra Mindfulness para o português o resultado é Atenção Plena. Isso significa que um dos principais componentes desse estado mental é a atenção. 

Diferentemente do que muitos acreditam, meditar não significa contorcer o corpo ou esvaziar a mente. A meditação da atenção plena é como um esporte, se trata de um treinamento de concentração da mente. O Mindfulness é um exercício laico, derivado do Budismo, mas não exige qualquer fé religiosa nem é necessário se tornar budista. 

Meditar pode ser difícil, especialmente no início. É como ir à academia. Se você não estiver ofegante nem suando, é provável de que não esteja fazendo direito. Da mesma forma, se começar a meditar e logo se encontrar num êxtase livre de pensamentos, ou você se iluminou de repente ou está morto. A prática fica mais fácil com o tempo, mas mesmo após anos de meditação, você irá se distrair muitas vezes. 

A meditação nos faz entrar em contato com uma realidade pouco explorada, a nossa voz interna, isso significa que nossa mente está o tempo todo discutindo com ela mesma sobre os fatos do passado ou do futuro, fazendo listas, ensaiando discussões, remoendo coisas etc. É como Mark Twain diz: “Algumas das piores coisas da minha vida nunca chegaram acontecer”. Isso significa que pensamos muito o tempo todo, e sentimos a carga emocional dos nossos pensamentos, e na maioria das vezes sofremos mais por eles, do que pela própria realidade. Quando não temos consciência desse falatório interior incessante, ele pode nos controlar e nos enganar. 

O nosso estado mental nada mais é do que a forma como reagimos e nos comportamos nas diversas situações apresentadas em nossa vida. O interessante é que 70% do nosso estado mental pode ser treinado, sendo apenas 30% dele genético. Isso significa que podemos exercitar e treinar o nosso cérebro a estar mindful, ou seja, estar atento e consciente para o momento presente. O processo de treinamento do nosso cérebro ocorre através da meditação que explora o controle atencional, o autoconhecimento e a auto-regulação emocional.

Quantas vezes você realizou uma tarefa de forma tão automática que nem se deu conta de qual foi o processo para concluí-la? Um exemplo muito comum disso são pessoas que estão acostumadas a fazer sempre o mesmo caminho para voltarem para casa, e que ao chegarem percebem que nem se deram conta do caminho percorrido. Isso significa que você está inconsciente da tarefa que está realizando naquele momento, ou seja, sua mente não está no momento presente, a sua atenção está voltada para os pensamentos: “Preciso comprar leite… Ainda não paguei a conta de luz… Se eu não terminar o relatório até amanhã meu chefe me mata!”; e assim você chega na sua casa sem saber exatamente como.

Nossos pensamentos, em sua grande maioria, costumam ser negativos ou irreais, frutos da nossa imaginação, de coisas que já aconteceram, vão acontecer ou talvez nem aconteçam. Enquanto focamos a atenção para esses pensamentos gastamos energia e tempo com coisas improdutivas. É comum vivermos no passado ou no futuro, esquecendo do momento presente, ocasionando um aumento dos níveis de ansiedade e estresse.

Hoje estamos vivendo em uma era da multitarefa, temos dificuldade de ficar ociosos, qualquer folguinha, nem que seja um minuto, recorremos ao celular, para checar os e-mails, dar uma espiada nas redes sociais e com isso nossa mente entra em um processo de exaustão. Pessoas estão dormindo e acordando cansadas, o cérebro deixa de recuperar a energia pois está sempre em atividade.

O cérebro é um órgão plástico, flexível e treinável, o que torna possível exercitá-lo para modificar o estado mental e aumentar o nível de concentração. (Veja no link:A. Brefczynski-Lewis*, A. Lutz*, H. S. Schaefer, D. B. Levinson*, and R. J. Davidson* Neural correlates of attentional expertise in long-term meditation practitioners. Proc Natl Acad Sci U S A. 2007 Jul 3;104(27):11483-8. Epub 2007 Jun 27.)

O treinamento e aprendizado geralmente se dá através de técnicas de autorregulação da atenção com prática da meditação e de outros exercícios afins, permitindo uma maior tomada de consciência de seus processos mentais e de suas ações. As práticas e exercícios de meditação ajudam a alcançarmos essa alteração a nível central. 

Ao contrário do que muitos pensam não é porque você começou a meditar que irá virar uma pessoa super calma e sem problemas, mas então qual seria o benefício de se tornar uma pessoa consciente, atenta, mindful? Através do treinamento de mindfulness temos como objetivo perceber pensamentos, sensações corporais e emoções no momento que ocorrem, sem reagir de maneira automática e habitual. Com isso, aprendemos a fazer escolhas mais conscientes e funcionais, influenciando positivamente na maneira como lidamos com os desafios cotidianos e em relações interpessoais. Através de Mindfulness, aprendemos a regular as emoções desafiadoras e reduzir aquele discurso interno mental que aparece nas circunstâncias difíceis.

Profissionais da área da saúde estão estudando cada vez mais o Mindfulness e seus benefícios para redução do estresse, ansiedade, aumento da concentração e manejo da dor. 

 

Vamos falar sobre a utilidade dessa ferramenta na dor ?

 

Bom, a dor crônica é freqüentemente definida como uma dor que dura mais que 3 meses ou após o tempo normal de cicatrização tecidual e que pode levar a consequências médicas, sociais e econômicas significativas, problemas de relacionamento, perda de produtividade e altos custos com cuidados de saúde. 

A alta prevalência e natureza refratária da dor crônica, em conjunção com as consequências negativas da medicação, levou ao aumento do interesse em planos de tratamentos que incluem terapia adjuvante ou alternativas à medicação. 

Uma dessas modalidades que os pacientes com dor estão usando é essa meditação que comentamos Mindfulness. Esse treinamento trabalha reorientando a mente para o presente momento e aumentando a consciência do ambiente externo e das sensações internas, permitindo o indivíduo a reformular as experiências. 

Ao incluir o Mindfulness nos tratamentos os pacientes são encorajados a mudar a maneira como eles se relacionam com a dor, suspendendo o julgamento de  pensamentos que acompanham a percepção da dor. Isso desacopla teoricamente a dimensão sensorial da dor da reação de alarme afetivo resultando em uma atenuação da experiência de sofrimento através da reavaliação cognitiva. ( Yi‑Yuan Tang*, Britta K. Hölzel* and Michael I. Posner. The neuroscience of mindfulness meditation. NATURE REVIEWS | NEUROSCIENCE. 16 (2015)  213-225.)

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Os programas de Mindfulness foram empregados por quase 40 anos para o tratamento de várias condições de dor crônica, incluindo lombalgia, enxaqueca, dores de cabeça e dor musculoesquelética. Muitas vezes, não é possível eliminar a dor, mas o paciente aprende habilidades para viver uma vida produtiva na presença de desconforto ou incapacidade. 

Estudos recentes utilizaram neuroimagem para elucidar mecanismos neurofisiológicos e os efeitos subjacentes da atenção plena no cérebro. Uma recente revisão sistemática observou que a regulação da dor pelas técnicas de meditação podem alterar o funcionamento das regiões do cérebro em uma extensa rede, incluindo regiões não nociceptivas. Mas principalmente reduziu a experiência afetiva da dor, enquanto as reduções de intensidade da dor foram menos consistentes. Alterações cerebrais foram demonstradas como resultado da aplicação de medidas psicológicas e pode representar as implicações clínicas de alterações na atividade cerebral ou morfologia.

Em estudos de mindfulness em pacientes com dor tem se mostrado promissores, em relação a sintomas de desconforto relacionado a dor, perturbação do humor, ansiedade, e depressão, bem como a utilização de drogas relacionadas ao controle da dor. Apesar dos resultados positivos, recentes revisões sistemáticas sugerem a realização de estudos de alta qualidade para a recomendação do uso da meditação mindfulness para sintomas de dor crônica. 

Portanto, parece que estamos no caminho certo, mas ainda há necessidade de muitos estudos qualificados para se “bater o martelo”, e dessa forma vamos modificando nossas abordagens terapêuticas para uma abordagem mais humanizada, valorizando o ser em todos os seus aspectos e não somente os biológicos. 

Referências:

Kabat-Zinn J, Lipworth L, Burney R. The clinical use of mindfulness meditation for the self-regulation of chronic pain. J Behav Med. 1985 Jun;8(2):163-90.

Sun TF1, Kuo CC, Chiu NM. Mindfulness meditation in the control of severe headache. Chang Gung Med J. 2002 Aug;25(8):538-41.

Cherkin DC, Anderson ML, Sherman KJ, Balderson BH, Cook AJ, Hansen KE, Turner JA. Two-Year Follow-up of a Randomized Clinical Trial of Mindfulness-Based Stress Reduction vs Cognitive Behavioral Therapy or Usual Care for Chronic Low Back Pain. JAMA. 2017 Feb 14;317(6):642-644. doi: 10.1001/jama.2016.17814.

Ref: Hilton L, Hempel S, Ewing BA, Apaydin E, Xenakis L, Newberry S, Colaiaco B, Maher AR, Shanman RM, Sorbero ME, Maglione MA.Mindfulness Meditation for Chronic Pain: Systematic Review and Meta-analysis. Ann Behav Med. 2017 Apr;51(2):199-213. doi: 10.1007/s12160-016-9844-2.

Ref: Simone S. Nascimento, Larissa R. Oliveira, Josimari M. DeSantana, Correlations between brain changes and pain management after cognitive and meditative therapies: A systematic review of neuroimaging studies. Complementary Therapies in Medicine 39 (2018) 137–145.

A Michele também enviou para nós um vídeo super bacana sobre aceitação e dor. Vale a pena assistir!

Obrigada Michele!!!

Para quem quiser ler a dissertação de mestrado da Michele sobre avaliação funcional da coluna cervical em pacientes com DTM, clique aqui.

E se tiver dúvidas, comentários, etc, clique aqui para enviar um email a Michele! 🙂

 

 

Dia da Conscientização sobre Neuralgia do Trigêmeo – 07/10

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Hoje fiz uma live no Instagram (me segue lá! @dtmdororofacial) falando da importância do diagnóstico da Neuralgia do Trigêmeo por parte dos dentistas para que iatrogenias não aconteçam mais e para que consigamos diminuir o sofrimento do paciente.

A neuralgia do trigêmeo (NT) talvez seja uma das dores mais conhecidas e temidas do mundo. Entretanto, mesmo em 2018, o ensino odontológico parece não preparar o profissional para seu reconhecimento. Um dos principais fatores de desencadeamento de crises de dor por NT é mastigação. Com isso, o paciente busca inicialmente atendimento odontológico.1 Entretanto, é alarmante o número de iatrogenias. Pacientes são submetidos a endodontias, cirurgias paraendodônticas, exodontias, e por fim recebem o diagnóstico de neuralgia do trigêmeo e são encaminhados a neurologia. Onde está a falha? Provavelmente no diagnóstico inicial. Assim, este texto propõe-se a divulgar alguns conceitos sobre esta dor neuropática.

A terceira edição da Classificação Internacional das Cefaleias define a NT como uma condição caracterizada por dor do tipo choque elétrico, unilateral e rápida, abrupta no início e final, limitada a uma ou mais divisões do nervo trigêmeo. A crise dolorosa pode ser iniciada por estímulos inócuos e se desenvolve sem aparente causa ou por resultado de outra condição diagnosticada. Se os pacientes experimentarem dor contínua adicional na mesma distribuição e no mesmo período que a dor paroxística é considerada TN com dor contínua concomitante e este fenótipo pode estar presente em cada uma das três categorias de subclassificação. O diagnóstico da NT deve ser inicialmente clínico e as investigações subsequentes devem ser realizadas para identificar uma possível causa. 2

 

Quadro I – Critérios de diagnóstico para Neuralgia do Trigêmeo.

13.1.1 Neuralgia do Trigêmeo

  1. Paroxismos recorrentes de dor facial unilateral na distribuição de uma ou mais divisões do nervo trigêmeo, sem nenhuma referência além, que preencham critérios B e C.
  2. A dor preenche apresenta as seguintes características:
    1. Duração de frações de segundo a 2 minutos
    2. Intensidade forte
    3. Qualidade tipo choque elétrico, cortante, pontadas

C.   Precipitada por estímulos inócuos no lado afetado.

D.   Não preenche nenhum dos outros critérios do IHS-III

Fonte: Classificação Internacional das Cefaleias – Terceira edição.2

As classificações para a NT foram definidas em conjunto pela Sociedade Internacional de Cefaleias (IHS) e a Sociedade Internacional para Estudo da Dor (IASP) e dividem a NT em três fenótipos distintos:2,3

  • NT idiopática: nenhuma causa aparente
  • NT clássica: causado pela compressão vascular da raiz do nervo trigeminal, resultando em alterações morfológicas da raiz
  • NT secundária: causado por doença neurológica maior, por exemplo, um tumor do ângulo cerebelopontino ou esclerose múltipla

A Classificação Internacional das Cefaleias, em sua última versão, está disponível na íntegra  no link: http://bit.ly/classificacaocefaleia Veja a parte 3.

O diagnóstico diferencial deve ser realizado com outras condições com características clínicas semelhantes como algumas cefaleias trigêmino autonômicas (SUNCT, SUNA, hemicrania paroxística, cefaleia em salvas) até mesmo odontalgias.4

Ao longo do tempo a duração dos episódios dolorosos pode se tornar mais longa, porém uma minoria de pacientes relata episódios com mais de 2 minutos de duração. Ainda alguns ataques podem ser espontâneos.2,3

É de fundamental importância que o cirurgião-dentista esteja familiarizado com os critérios de diagnóstico para NT, o que depende da anamnese.

Durante o exame físico o clínico pode tentar reproduzir a queixa dolorosa do paciente através de testes com estímulos inócuos. Entretanto, deve-se ressaltar que nem sempre isso é possível, seja por recusa do paciente a se submeter ao exame, o que é compreensível, seja pelo período de silêncio entre crises ou mesmo por não conseguir acesso às áreas onde a crise pode ser desencadeada.2

A partir do momento que o diagnóstico clínico foi estabelecido, o cirurgião-dentista deve encaminhar o paciente ao médico, especialmente o neurologista que conduzirá a investigação para fatores secundários e tratamento.3 É importante ressaltar que de 14 a 20% dos casos a NT é secundária a presença de alguma lesão como esclerose múltipla ou lesões compressivas como tumores.4

A desminealização focal dos neurônios aferentes primários na entrada da raiz trigeminal no tronco encefálico é o principal mecanismo para a excitabilidade neuronal e em cerca de 50% dos casos a artéria cerebelar posterior participa da compressão ou mudança morfológica da raiz trigeminal.4,5

Nenhum tratamento odontológico deve ser realizado com a tentativa de melhora do quadro, exceto quando realmente necessário por outros motivos. O tratamento de escolha e nível A é a terapia farmacológica para NT e recai no uso de drogas anticonvulsivantes, estabilizadoras de membrana, carbamazepina e a oxcarbazepina. A titulação é lenta e a diminuição é também devagar e deve ser supervisionada pelo médico.4

A carbamazepina é a droga de escolha para a NT mas sua eficácia pode ser comprometida pela baixa tolerabilidade e as interações farmacocinéticas.4,6–8 O uso destas medicações é um desafio especialmente pelos efeitos colaterais cognitivos, em pacientes com doenças comórbidas cardíacas, hepáticas ou renais, em mulheres em idade fértil, usando contraceptivos orais (a medicação reduz a eficácia) ou planejando a gravidez.4 Os efeitos colaterais mais frequentes são sonolência e tontura, além de letargia, tontura, fraqueza, dor de cabeça, náusea, confusão mental. 8,9

Dois estudos clínicos randomizados encontraram efeitos terapêuticos similares entre carbamazepina e oxcarbazepina em relação ao número de crises dolorosas e avaliação geral.7 A oxcarbazepina apresenta melhor tolerância (três vezes menos efeitos colaterais) e menor interação medicamentosa do que a carbamazepina.4,8

Antes da prescrição destas drogas, testes laboratoriais devem ser realizados para garantir a função renal, hepática e avaliar o teor de sódio.  Deve-se evitar carbamazepina ou oxcarbazepina em pacientes com desordens sanguíneas e história de depressão da medula óssea. Existe o risco de hiponatremia (queda de concentração de sódio no sangue) o que é maior em pacientes que fazem uso de diuréticos e indometacina.4

Sugere-se tentar outras opções farmacológicas como monoterapia ou terapia complementar quando há contra-indicações ou efeitos colaterais adversos que impossibilitam o uso destas medicações como por exemplo, lamotrigina e baclofeno, embora as evidências científicas sejam ainda fracas.4,6–8 Existem alguns estudos que mostraram a eficácia do uso da gabapentina e antidepressivos tricíclicos na NT(maior eficácia na NT com dor continua concomitante).3

Os bloqueadores seletivos dos canais de sódio (receptor do canal de sódio 1.7), atualmente sobre desenvolvimento, podem ser uma alternativa e uma opção farmacológica no futuro próximo.10

Pacientes que não respondem a terapia medicamentosa mesmo em altas dosagens ou com NT secundária a lesão compressiva são encaminhados a neurocirurgia onde o procedimento de descompressão microvascular pode ser realizado se o contato neurovascular tiver sido demonstrado. Existem outros procedimentos adotados como radiocirurgia estereotáxica, bloqueio de glicerol, compressão por balão e termocoagulação por radiofrequência.4

Concluindo, cabe novamente lembrar que o cirurgião-dentista tem papel fundamental no diagnóstico diferencial e na informação e educação do paciente com relação a neuralgia do trigêmeo.4 O correto diagnóstico afasta a possibilidade de tratamentos desnecessários e perpetuação do sofrimento do doente.

 

 

REFERÊNCIAS

  1. Stuginski-Barbosa J, Speciali JG. Neuralgia do trigêmeo: análise de prontuários de um ambulatório terciário. Rev ABO Nac. 2007;15:291-295.
  2. Headache Classification Committee of the International Headache Society (IHS) The International Classification of Headache Disorders, 3rd edition. Cephalalgia. 2018;38(1):1-211. doi:10.1177/0333102417738202.
  3. Cruccu G, Finnerup NB, Jensen TS, et al. Trigeminal neuralgia. Neurology. 2016;87(2):220-228. doi:10.1212/WNL.0000000000002840.
  4. Maarbjerg S, Di Stefano G, Bendtsen L, Cruccu G. Trigeminal neuralgia – Diagnosis and treatment. Cephalalgia. 2017;37(7):648-657. doi:10.1177/0333102416687280.
  5. Devor M, Amir R, Rappaport ZH. Pathophysiology of trigeminal neuralgia: the ignition hypothesis. Clin J Pain. 18(1):4-13. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/11803297. Accessed February 8, 2018.
  6. Cruccu G, Gronseth G, Alksne J, et al. AAN-EFNS guidelines on trigeminal neuralgia management. Eur J Neurol. 2008;15(10):1013-1028. doi:10.1111/j.1468-1331.2008.02185.x.
  7. Attal N, Cruccu G, Baron R, et al. EFNS guidelines on the pharmacological treatment of neuropathic pain: 2010 revision. Eur J Neurol. 2010;17(9):1113-e88. doi:10.1111/j.1468-1331.2010.02999.x.
  8. Di Stefano G, Truini A. Pharmacological treatment of trigeminal neuralgia. Expert Rev Neurother. 2017;17(10):1003-1011. doi:10.1080/14737175.2017.1370375.
  9. Tentolouris-Piperas V, Lee G, Reading J, O’Keeffe AG, Zakrzewska JM, Cregg R. Adverse effects of anti-epileptics in trigeminal neuralgiform pain. Acta Neurol Scand. January 2018. doi:10.1111/ane.12901.
  10. Zakrzewska JM, Palmer J, Morisset V, et al. Safety and efficacy of a Nav1.7 selective sodium channel blocker in patients with trigeminal neuralgia: a double-blind, placebo-controlled, randomised withdrawal phase 2a trial. Lancet Neurol. 2017;16(4):291-300. doi:10.1016/S1474-4422(17)30005-4.

#tbt Artigo publicado em 2015

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Quinta feira passada no #tbt coloquei no instagram (segue lá @dtmdororofacial) um artigo que foi publicado em 2015 pelo Professor Yuri Costa com colaboração do professores André Porporatti, Leonardo Bonjardim e eu e sob orientação do Prof. Paulo Conti!

O trabalho trouxe evidências sobre o efeito do uso das placas oclusas em pacientes com DTM muscular. Foi um estudo clínico randomizado em que os participantes poderiam ser divididos em 2 grupos: orientações (o que incluiu educação, dieta livre de dor, controle de hábitos parafuncionais, termoterapia quente e auto massagem, higiene do sono, exercícios físicos) e orientações + uso de placa oclusal.

O que foi observado é que os dois grupos (terapias minimamente invasivas) apresentaram mudanças nos fatores psicossociais avaliados (sintomas de ansiedade, depressão e catastrofização após 5 meses de tratamento), entretanto, o uso da placa parece antecipar esta mudança, uma vez que ela aconteceu primeiro neste grupo.

O estudo traz indícios de que a terapia com placa oclusal é efetiva como uma intervenção comportamental mais do que ser um dispositivo puramente mecânico, e seus efeitos vão além dos localizados perifericamente.

Para quem quer ler o estudo todo, ele está aqui: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0003996915000291?via%3Dihub Acesso gratuito!