O uso do ácido hialurônico no tratamento da DTM

Semana passada foi noticiado no site da Sociedade Brasileira de DTM e Dor Orofacial (SBDOF) que uma comissão interna elaborou um parecer sobre o uso do ácido hialurônico no tratamento da DTM articular. Este parecer contou com revisão da literatura atual para ter evidências suficientes que apoiasse o uso. A conclusão do parecer foi:

“conclui-se que a viscosuplementação da Articulação Temporomandibular (ATM) com o Hialuronato de Sódio apresenta evidência com força e grau de recomendação suficiente para declarar sua segurança no tratamento de diversas condições que afetam as ATMs, desde  que administrado por profissionais capacitados para um correto diagnóstico e para os procedimentos operatórios que envolvem o uso dessa técnica.”

 

O documento foi entregue ao presidente do Conselho Federal de Odontologia (CFO) e será analisado.

Para ver a notícia na íntegra, clique aqui.

Neste meio tempo também recebi por email um artigo sobre a viscossuplementação escrito pelos colegas Daniel Bonotto, Eduardo Machado, Rafael e Paulo Cunali e publicado na Revista Dor. Neste artigo a técnica foi utilizada em pacientes com deslocamento de disco sem redução e/ou osteoartrite. Segue resumo:

Viscossuplementação como tratamento das alterações internas da articulação temporomandibular: estudo retrospectivo

JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS:

As formas de tratamento consideradas não invasivas para as alterações internas das articulações temporomandibulares descritas na literatura são muitas, incluindo aconselhamento, farmacoterapia, fisioterapia e dispositivos interoclusais. No entanto, alguns pacientes tornamse refratários aos tratamentos conservadores, sendo indicados procedimentos como artrocentese, artroscopia e cirurgias das articulações temporomandibulares. A viscossuplementação é uma abordagem pouco invasiva, de baixo custo e com bons resultados em curto e médio prazo. O objetivo deste estudo foi discutir a viscossuplementação no tratamento das alterações internas da articulação temporomandibular com os resultados depois de quatro meses de acompanhamento.

MÉTODOS:

Cinquenta e cinco pacientes com deslocamento de disco com redução, deslocamento de disco sem redução e osteoartrite refratários a tratamentos conservadores foram submetidos a infiltração com hialuronato de sódio. Foi observada melhora estatisticamente significativa para dor nos três grupos.

RESULTADOS:

Pacientes com deslocamento de disco sem redução e osteoartrite apresentaram aumento significativo da abertura bucal. Estes resultados se mantiveram constantes ao longo dos quatro meses de acompanhamento.

CONCLUSÃO:

A viscossuplementação com hialuronato de sódio pode ser considerada uma boa alternativa no reestabelecimento funcional da articulação temporomandibular em curto prazo em pacientes com alterações internas refratárias a tratamentos conservadores.

Palavras-Chave: Ácido hialurônico; Articulação temporomandibular; Tratamento

Para ler o artigo na íntegra e baixar sua versão em PDF, clique aqui!

Valeu Cunali pelo envio! 🙂

Mais sobre ácido hialurônico

Vocês se lembram da resolução do Conselho Federal de Odontologia proibindo o uso do ácido hialurônico na Odontologia? Pois bem, em outubro do ano passado relatei aqui no blog que o Prof. Dr. Marcelo Mascarenhas, coordenador do Comitê Brasileiro de Dor Orofacial da Sociedade Brasileira de Estudo da Dor (SBED) relatou que esteve  em uma reunião com o presidente do CFO e sua diretoria e mostrou sua indignação com a proibição do uso do ácido hialurônico e defendeu o uso da substância na viscossuplementação da articulação temporomandibular (ATM). Na época ele entregou ainda uma compilação de  22 artigos publicados na literatura (estudos clínicos e revisões sistemáticas). Para ler mais sobre isso, clique aqui.

Pois bem, a boa informação que chega é que o colega Eduardo Januzzi, juntamente com Paulo Afonso Cunali, Frederico Mota Gonçalves Leite, João Bosco de Lima Gomes , Daniel Bonotto e Ricardo Tanus Valle encaminharam ao CFO um pedido de reconsideração da proibição do uso do Ácido Hialurônico (parecer CFO 112/2011) em nossa especailidade, encaminhando farta documentação em apoio a sua utilização em DTM articulares.

Após encaminhamento, o CFO emitiu – em uma reunião plenária no último dia 11 de maio passado – parecer favorável (parecer CFO 533/2012).

É mais um passo! Parabéns aos colegas pela contribuição para com a especialidade!

E obrigada ao José Luiz Peixoto Filho por repassar o texto acima.

 

Reunião com CFO sobre ácido hialurônico

Acho que a maioria dos dentistas já estão sabendo da resolução do Conselho Federal de Odontologia com relação ao uso do ácido hialurônico em procedimentos odontológicos:

Resolução do CFO proíbe o uso da toxina botulínica para fins estéticos na Odontologia

O Conselho Federal de Odontologia publica a Resolução CFO 112 / 2011, que dispõe  sobre o uso do ácido hialurônico e da toxina botulínica em procedimentos odontológicos. 

Pela Resolução, fica proibido o uso do ácido hialurônico na Odontologia. A norma também restringe o uso da toxina botulínica por cirurgiões – dentistas, estando proibido o uso dessa substância para fins estéticos e permitido o seu emprego para fins exclusivamente terapêuticos.

Para ter acesso à integra da Resolução CFO 112 / 2011, clique aqui.

Pois bem, pelo enunciado acima, retirado do site do CFO, entende-se que o ácido hialurônico está proibido mas libera a toxina botulínica para fins terapêuticos. Engraçado isso… Quem consulta a literatura sabe que existem muito mais estudos clínicos envolvendo o uso do ácido hialurônico do que a toxina botulínica.

O Prof. Dr. Marcelo Mascarenhas, coordenador do Comitê Brasileiro de Dor Orofacial da Sociedade Brasileira de Estudo da Dor (SBED) relatou que esteve ontem em uma reunião com o presidente do CFO e sua diretoria e mostrou sua indignação com a proibição do uso do ácido hialurônico e defendeu o uso da substância na viscossuplementação da articulação temporomandibular (ATM) o que, segundo ele, era desconhecido pela maioria dos membros ali presentes. Ele entregou ainda uma compilação de  22 artigos publicados na literatura (estudos clínicos e revisões sistemáticas) como colaboração ao CFO e solicitou alteração ou anulação da resolução acima citada.

A quem possa interessar, colocarei abaixo 18 estudos classificados como estudos clínicos randomizados e revisões metanálises sobre o uso do ácido hialurônico na ATM.

Obrigada pela informação Marcelo!!!

Abraços a todos

Continuar lendo