Arterite temporal

A dor facial no idoso pode ser de difícil diagnóstico, especialmente se não conhecermos as patologias que podem gerar dor na região temporal e em face e disfunção na mastigação.

Hoje o dentista conhece bem a DTM (não é mesmo??) mas ele deve se lembrar de ampliar os horizontes e desconfiar de sintomas incomuns a própria disfunção. Entre os diagnósticos que podem confundir o clínico e que acometem mais a população idosa está a arterite temporal, cuja incidência maior ocorre a partir dos 50 anos de idade, sendo nove vezes mais freqüente na nona década de vida do que na sexta.

A arterite pode ocorrer em qualquer vaso e o próprio nome já remete à inflamação de artérias. Um dos sintomas comuns é cefaleia. Esta é normalmente unilateral, latejante e moderada a grave. Durante a palpação da região temporal sente-se a artéria temporal proeminente, tortuosa, muito sensível e dilatada.

O que é interessante notar é que durante pequenos movimentos mandibulares não há dor, entretanto, se estes movimentos aumentam (por exemplo, durante o almoço ou mascando chicletes), há presença de dor e esta se eleva significantemente, a ponto do paciente parar o movimento. Este termo recebe o nome de claudicação mandibular e ocorre por uma insuficiência de circulação arterial e tem como resultado déficit de suprimento do oxigênio. Essa dor passa após alguns minutos sem movimentar a mandíbula.

A conseqüência mais grave da arterite temporal é a perda parcial ou completa da visão em um ou ambos os olhos, que ocorre em um terço dos pacientes. Pacientes afetados inicialmente relatam um escurecimento da visão de um doa olhos que pode progredir. Se não tratado a tempo, em 1 a 2 semanas o outro olho pode ser afetado.  Os exames hematológicos revelam velocidade de hemossedimentação de eritrócitos aumentada (VHS). A patologia pode ser confirmada após a biópsia da artéria, cujo resultado revela arterite de células gigantes. Assim, encaminhem rapidamente este paciente ao médico, para que o tratamento seja iniciado o mais rápido possível. Conhecer diagnósticos diferenciais é extremamente importante para a qualidade de vida do paciente que você irá atender!

Para saber mais: Livro: Dores bucofaciais de Bell de Jeffrey Okeson

Artigos: Clark GT, Minakuchi H, Lotaif AC. Orofacial Pain and Sensory Disorders in the Elderly. Dent Clin N Am 49 (2005) 343–362

Carlo Salvarani, Fabrizio Cantini, Gene G Hunder. Polymyalgia rheumatica and giant-cell arteritis. Lancet 2008; 372: 234–45