Aplicativo para iOS e Android

Eu adoro tecnologia e as possibilidades que ela nos traz #fato. Já escrevi aqui quando comprei meu primeiro smartphone com o sistema Android sobre o site da Bia Kunze, dentista e consultora de tecnologia móvel (a Garota sem Fio, excelente site, visitem!) e as dicas de aplicativos para produtividade.

Eu mudei de plataforma, agora entrei para a fazendinha da Apple mas continuo usando alguns dos aplicativos que citei lá como o Dropbox (amo!!) e o Evernote.

Hoje na página do Facebook do blog (www.facebook.com/dororofacial – já curtiu?) o colega Genivaldo Junior postou sobre um aplicativo sobre Trigger Points (pontos gatilhos miofasciais). Corri para ver do que se tratava e achei bem bacana!

Esclarecimento: o texto abaixo não é promocional, ou seja, ganhei nada para fazer propaganda. Se bem que seria bom! rs…

O site traz todos os aplicativos disponíveis tanto para a plataforma iOS (iPad, iPhone, iPod) como Android (smartphones e tablets).

O aplicativo citado pelo Genivaldo é este:

Segundo o desenvolvedor este aplicativo é uma referência para os pontos gatilhos e seus padrões de referência para mais de 70 músculos e 100 pontos! Cada músculo inclui o padrão de referência visual e a localização do ponto, e mais comentários. Há opções de visualização: todos os músculos ou área específica, o que pode auxiliar no diagnóstico da fonte da dor.

Achei prático! Melhor do que imprimir uma folhinha com os pontos. Neste caso eles estarão sempre a mão. Além disso, quando nos tablets (iPad ou Androids) a visualização por parte do paciente será ainda melhor!

O site ainda reúne outros aplicativos, principalmente para o estudo da anatomia.

Bacana, não? Alguém já testou e está usando na prática?

 

Falando nisso…

Quem já acessou o blog através do iPad? Para quem não sabe há um visual somente para esta plataforma! A primeira vez que eu vi eu adorei. Pena que não dá para transportar para os navegadores padrões.

Abraços a todos e não esqueçam de solicitar que seus pacientes se agasalhem, se não, com este friozinho, será uma avalanche de piora da dor musculoesquelética!!! 😉

 

Ponto gatilho – trigger point

Quando se fala em fisiopatologia da dor miofascial o que primeiro vem a minha mente é a hipótese pela qual explica-se a ocorrência de dor referida.  Mas hoje quero escrever sobre algo que estou revisando: o que provavelmente acontece naquele ponto de dor.

Primeiro, o que se define por ponto gatilho é uma área local de bandas hipersensíveis de tecido muscular, firmes a palpação (vide livro Dores Bucofaciais de Bell, 6 ed., Jeffrey P. Okeson).

  • O centro do PG (CTrP) contém uma região constituída por numerosos nódulos formando uma banda tensa
  • A contração sustentada desta região sobre os tecidos adjacentes forma uma banda tensa (ATrP)
  • A temperatura local aumenta, aumenta a demanda metabólica e/ou reduz o fluxo sanguineo para esses tecidos.

“As terminações nervosas do tecido muscular podem se tornar sensibilizadas por substâncias algênicas que criam uma zona localizada de hipersensibilidade.

Dores Bucofaciais de Bell, 6 ed., Jeffrey P. Okeson

Não são todas as unidades que se contraem, caso contrário ocorreria um mioespasmo.

Encontrei uma figura (via santo Google) que tenta explicar o que acontece no local:

  • Na placa motora disfuncional há liberação excessiva de acetilcolina, o que leva na fibra muscular à despolarização, liberação de cálcio pelo retículo sarcoplasmático e contratura do sarcômero.
  • A contração sustentada do sarcômero leva a compressão de vasos, reduzindo o aporte sanguineo local, diminuindo o suplemento de energia em um local com aumento de demanda, o que, evidentemente, leva a uma crise energética local.
  • Há a liberação de sustâncias algogênicas, e claro, sensibilização das terminações nervosas livres.
  • E o ciclo se repete.

Para quem não se lembra das aulas de fisologia e quer relembrar contração muscular (só dá para entender algo anormal, entendendo primeiro o normal, não?), sugiro os vídeos do Departamento de Bioquímica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, disponíveis no You Tube.

Alguns vídeos:

Dor crônica: novas diretrizes

Foi publicada no dia 01 de abril (e não é mentira!) no site Medscape a notícia de que a Sociedade Americana de Anestesiologia publicou na revista Anesthesiology uma atualização nas diretrizes para dor crônica.

Acho importante este tipo de consenso que reúne especialistas notórios na área para verificação da melhor evidência para diagnóstico e tratamento de uma patologia. Recomendo a todos que conheçam o projeto Diretrizes, uma iniciativa conjunta entre a Associação Médica Brasileira e o Conselho Federal de Medicina, sobretudo a metodologia adotada por ele.

Mas voltando ao assunto, estas diretrizes foram voltadas aos pacientes com dor crônica não oncológica, neuropática, visceral ou somática. Os autores indicam no texto que o tratamento destes pacientes deve ser multidisciplinar, buscando a melhora da qualidade de vida do doente.

Acho que algumas das colocações presentes nestas diretrizes poderiam ser aplicadas a Dor Orofacial. Os autores relatam as evidências com relação a diversas técnicas abordadas no tratamento da dor crônica como acupuntura, TENS, fisioterapia, toxina butolínica, tratamento farmacológico, etc.

Vou destacar dois trechos. O primeiro:  a definição de dor crônica.

For these Guidelines, chronic pain is defined as pain of any etiology not directly related to neoplastic involvement, associated with a chronic medical condition or extending in duration beyond the expected temporal boundary of tissue injury and normal healing, and adversely affecting the function or well-being of the individual.

O segundo sobre as injeções em pontos gatilhos miofasciais (trigger points):

The literature is insufficient to evaluate the efficacy of trigger point injections (i.e., compared with sham trigger point injection) as a technique for providing pain relief for patients with chronic pain (Category D evidence). Studies with observational findings suggest that trigger point injections may provide relief for patients with myofascial pain for assessment periods ranging from 1 to 4 months (Category B2 evidence).

Consultants, ASA members, and ASRA members agree that trigger point injections should be used for patients with myofascial pain.

Vale a pena a leitura!

Texto completo: http://journals.lww.com/anesthesiology/Fulltext/2010/04000/Practice_Guidelines_for_Chronic_Pain_Management_.13.aspx