Como é difícil começar um texto sem uma ideia, sem nada. Estou enfrentando a página em branco esta semana por causa de uma promessa que eu mesma fiz: escrever um texto para o blog toda semana, gravando o conteúdo e pedindo ajuda para a inteligência artificial.
Então vou falar sobre inteligência artificial mesmo. Acho um bom tema para hoje.
Acabei de ver um vídeo que me mandaram, e vocês provavelmente também viram. Recebi de pelo menos duas ou três pessoas e vi no canal do Instagram do professor Rafael Moraes. É uma humorista que colocou as inteligências artificiais para conversarem entre si. Uma comenta com a outra que os humanos acham que elas vão dominar o mundo. Aí uma diz que o dono pediu um roteiro de vídeo sobre inteligência artificial dominando o mundo. A outra responde que pediram uma resposta inteligente em seis linhas. Coisas que a gente anda pedindo.
Achei interessante justamente por isso: a gente vem demandando cada vez mais a nossa parte criativa e a nossa parte de raciocínio à inteligência artificial.
Mas como foi que eu cheguei aqui?
Comecei com a minha mãe. Foi ela que me apresentou o ChatGPT. Ela tinha ouvido no podcast da Cora Rónai e do Pedro Doria, do canal Meio, que eu também escuto às vezes, e me disse que tinham lançado uma coisa muito interessante. Ela falava o nome em inglês, e fala até hoje.
Comecei a usar e achei sensacional. De lá para cá ampliei bastante. Hoje eu assino basicamente as três mais usadas, Gemini, ChatGPT e Claude, além de outras ferramentas. (Estou neste momento avaliando se assino ou não uma que se chama Windsor AI, que analisa tráfego, redes sociais, Google Business, e devolve isso organizado. Estou considerando. Fica a dica).
Ao mesmo tempo que uso muito, tento usar de uma forma que não me faça perder as minhas características. Agora, por exemplo, não estou usando nada. Sou eu falando, lavando louça, gravando. O Claude depois arruma esse texto e eu confiro.
E é essa conferência que me interessa. Usar o raciocínio, não aceitar a resposta, achar a resposta ruim. Isso ainda é uma habilidade que eu tenho. Digo “ainda” porque a gente não sabe o dia de amanhã.
O que eu vejo é que muita gente não tem mais. Aceita e passa para frente, do mesmo jeito que já passou fake news. Vejo em legenda de Instagram, vejo em texto pronto e vejo, pasmem, em livro. Muitos livros por aí estão sendo escritos por inteligência artificial e a pessoa não se dá nem ao trabalho de editar e tirar os cacoetes que a gente já sabe que a inteligência artificial vai usar.
Outro dia vi a figura de um livro completamente errada, as palavras escritas de um jeito estranho. Cheguei a alertar, pedi que dessem uma olhada, porque na época me pareceu que tinham usado o nano banana, que é uma ferramenta do Gemini, sem conferir a figura depois.
Uma pausa para falar da palavra cacoete.
Ontem eu estava no consultório atendendo uma paciente de 12 anos que está com o hábito de mover a mandíbula para um lado. Olhei para a mãe e falei que ela estava com o cacoete de mexer a mandíbula para o lado. Aí eu entendi o sentido da palavra. A menina olhou para mim com uma cara de “cacoete o quê, que palavra é essa”. Você está realmente muito velha, Juliana…
Mas voltando.
Esse tipo de coisa acontece, e a gente tem que conferir. Acho que esse é o meu trabalho hoje: conferir e editar o que a inteligência artificial está gerando para mim.
Eu uso praticamente do começo ao fim do meu dia. Agora há pouco estava checando a parte financeira do consultório com auxílio da inteligência artificial, e também a minha dieta, porque fui a uma nutricionista e pedi ajuda ao ChatGPT para organizar as possibilidades de café da manhã. Usamos os dois juntos, ali, checando.
Na rotina do consultório eu criei um prontuário que chamo de prontuário inteligente, para que os dentistas comecem a usar inteligência artificial nos seus prontuários e tenham mais riqueza de detalhes. Não muda a forma de fazer. O que muda é a ferramenta, que vai se tornando cada vez mais precisa, e as possibilidades que vão se agregando ao consultório.
Mas eu queria te pedir uma coisa: seja analógico mesmo assim.
Eu acho graça de usar papel para anotar o que vou falar com a inteligência artificial, mas é o que eu faço. Quando estou organizando um texto, escrevo tudo no papel e depois leio em voz alta para um dos chats.
E adoro usar o áudio. O áudio me faz pensar falando, falando, falando. É a partir do áudio que eu gero os textos, como estou fazendo agora, tomando meu café da manhã, conversando com o gravador enquanto ele anota todas as ideias que eu vou organizar depois, num texto que você vai ler.
E a pergunta que ficou de todo esse assunto é essa: quanto da nossa parte criativa e do nosso raciocínio a gente já entregou sem perceber?
Nota
Sobre o curso IA na rotina clínica: em setembro do ano passado, no Congresso Internacional de Cefaleia (nossa, já vai fazer um ano!), eu conversei com a Gabriela Vedolin, que é uma grande amiga, sobre as coisas que eu estava fazendo e sobre a vontade de montar um curso, porque tudo que eu gosto eu gosto de ensinar o outro a fazer. Foi ela que me deu a ideia do curso de um dia. Montei e gravei em seguida, em Porto Alegre, em dezembro.
Esse material, junto com outros vídeos meus, está na plataforma do Por Dentro da Dor Orofacial, no curso IA na rotina clínica. São 14 vídeos disponíveis e mais 12 módulos que eu ainda vou gravar, começando esta semana (estamos em agosto de 2026).
O miolo do curso não muda: parâmetros da Lei Geral de Proteção de Dados, qual inteligência artificial escolher, como individualizar a ferramenta para você e o que dá para fazer com ela. Ele é pensado para quem usa inteligência artificial para montar guia de viagem, pegar receita, fazer legenda de Instagram, e não sai muito disso. Resolvi montar cada aula na própria semana, e não com antecedência, para ficar o mais atual possível.
Para acessar, clique no link: https://pordentrodadororofacial.com.br/ia-na-rotina-clinica/https://pordentrodadororofacial.com.br/ia-na-rotina-clinica/
Até a próxima!

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