Resultados da enquete sobre infiltração ou agulhamento

Quando escrevi sobre infiltrações e agulhamentos em pontos gatilho coloquei uma enquete onde gostaria de saber o que os dentistas utilizam em procedimentos na musculatura mastigatória, quando o fazem claro.

Poucos responderam a enquete! :-(

Os resultados estão abaixo e praticamente se dividiram entre infiltração só com anestésico e agulhamento seco.

Aproveito a postagem para comunicar a vocês que novamente o blog bateu recorde de acesso em um só dia!

Obrigada a todos que passam por aqui e aos que ajudam a divulgar! :-)

 

Reunião com CFO sobre ácido hialurônico

Acho que a maioria dos dentistas já estão sabendo da resolução do Conselho Federal de Odontologia com relação ao uso do ácido hialurônico em procedimentos odontológicos:

Resolução do CFO proíbe o uso da toxina botulínica para fins estéticos na Odontologia

O Conselho Federal de Odontologia publica a Resolução CFO 112 / 2011, que dispõe  sobre o uso do ácido hialurônico e da toxina botulínica em procedimentos odontológicos. 

Pela Resolução, fica proibido o uso do ácido hialurônico na Odontologia. A norma também restringe o uso da toxina botulínica por cirurgiões – dentistas, estando proibido o uso dessa substância para fins estéticos e permitido o seu emprego para fins exclusivamente terapêuticos.

Para ter acesso à integra da Resolução CFO 112 / 2011, clique aqui.

Pois bem, pelo enunciado acima, retirado do site do CFO, entende-se que o ácido hialurônico está proibido mas libera a toxina botulínica para fins terapêuticos. Engraçado isso… Quem consulta a literatura sabe que existem muito mais estudos clínicos envolvendo o uso do ácido hialurônico do que a toxina botulínica.

O Prof. Dr. Marcelo Mascarenhas, coordenador do Comitê Brasileiro de Dor Orofacial da Sociedade Brasileira de Estudo da Dor (SBED) relatou que esteve ontem em uma reunião com o presidente do CFO e sua diretoria e mostrou sua indignação com a proibição do uso do ácido hialurônico e defendeu o uso da substância na viscossuplementação da articulação temporomandibular (ATM) o que, segundo ele, era desconhecido pela maioria dos membros ali presentes. Ele entregou ainda uma compilação de  22 artigos publicados na literatura (estudos clínicos e revisões sistemáticas) como colaboração ao CFO e solicitou alteração ou anulação da resolução acima citada.

A quem possa interessar, colocarei abaixo 18 estudos classificados como estudos clínicos randomizados e revisões metanálises sobre o uso do ácido hialurônico na ATM.

Obrigada pela informação Marcelo!!!

Abraços a todos

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Convite! Lançamento de livro sobre Disfunção Temporomandibular

Olha só que boa novidade: o Prof. Reynaldo Leite Martins Junior pede para avisar que lançará o livro Disfunções Temporomandibulares – esclarecendo a confusão durante o VI Congresso do Comitê de Dor Orofacial da Sociedade Brasileira de Cefaleia. O congresso começará na quinta feira no hotel Maksoud Plaza em São Paulo, juntamente com o XXV Congresso Brasileiro de Cefaleia.

O lançamento será a partir das 17:30 hs na feira comercial do congresso!

Estão todos convidados! :-)

E aproveitando a postagem, deixo o recado da presidente do congresso Profa. Dra. Renata Campi de Andrade Pizzo: quem for cirurgião-dentista e ainda quiser ir ao congresso, mas não fez sua adesão, a inscrição será ainda no valor com desconto!

Epidemiologia das Disfunções Temporomandibulares

O Prof. Dr. Leonardo Bonjardim estava preparando sua aula sobre epidemiologia e etiologia das disfunções temporomandibulares (DTMs) e eu dei uma espiada e pedi para disponibilizar aqui alguns dos dados.

Clique para ampliar!

Obrigada Leonardo pelas informações!

Relação entre hipermobilidade articular generalizada e disfunção temporomandibular

Semana passada, na tentativa de organizar o meu armário (eterna tentativa, diga-se), encontrei uma folha de sulfite onde estava impresso um dos primeiros trabalhos que apresentei sobre disfunção temporomandibular e era intitulado “Associação entre hipermobilidade articular generalizada e disfunção craniomandibular”.

Isso foi em 2001, ou seja, lá se vão 10 anos, e eu e minha amiga e fisioterapeuta Edmara Cristina Salomão ganhamos um aparelho TENS com este trabalho! Além disso o publicamos em uma revista que acho que nem existe mais.

Achei interessante a coincidência de encontrar esta folha no aniversário de 10 anos deste evento e resolvi escrever sobre este assunto. O artigo era uma revisão de literatura. Então, para atualizá-lo, entrei no site da Pubmed e coloquei as palavras chave em inglês: temporomandibular e hipermobilidade articular generalizada. Descobri que o estudo não está tão desatualizado assim… Somente 5 artigos sobre o assunto foram publicados em 10 anos, sendo dois revisões de literatura.

Vou colocar abaixo trechos do artigo escrito em 2001!

O termo hipermobilidade articular generalizada (HAG) caracteriza a presença de frouxidão ligamentar generalizada, associada à sintomas músculo-esqueléticos crônicos e recorrentes, em indivíduos sem qualquer outra patologia reumatológica demonstrável.  Em geral, os sintomas são autolimitados e discretos, de tal forma que poucas vezes levam ao indivíduo procurar um médico.

O teste de BEIGHTON (tabela) é o mais utilizado pelos pesquisadores pois é de fácil execução e considerado bastante adequado para realização de estudos epidemiológicos. Trata-se do método incluído nos critérios de 1992, selecionados pela Sociedade Britânica de Reumatologia, para o diagnóstico de hipermobilidade articular.

Valores de três ou mais em pacientes com problemas músculos-esqueléticos indicam presença da “Síndrome de Hipermobilidade”, sendo que abaixo de quatro pontos era considerado uma hipermobilidade suave.  Na escala de nove pontos, a pontuação de três ou mais pontos foi escolhida arbitrariamente.

 

Manobras Escores
Aposição passiva do polegar à face flexora do antebraço 2*
Hiperextensão do cotovelo além de 10º 2*
Dorsiflexão passiva da 5ªª articulação metacarpo falegiana (dedo mínimo) além de 90º 2*
Hiperextensão dos joelhos além de 10º 2*
Flexão anterior do tronco com joelhos retos de forma que as palmas da mão toquem o chão 1
  • Atribuir um ponto a cada lado (direito ou esquerdo)

Para o painel nós fizemos uma tabela com os resultados dos estudos.

Vou colocar abaixo as conclusões dos estudos que analisamos e mais os três que não haviam sido publicados na época.

 

Autores Ano Conclusões
McCarrol et al. 1987 Correlação fraca entre HAG e sinais e sintomas de DTM.
Plunket; West 1988 Observaram que os pacientes com HAG apresentavam sempre os valores mais altos para todos os movimentos mandibulares para ambos os gêneros.
Buckingham et al. 1991 Demonstraram que indivíduos com HAG apresentavam anormalidades na posição do disco articular e excessiva abertura bucal.
Adair, Hecht 1993 Crianças com HAG poderiam apresentar maior número de sinais e sintomas de DTM.
Khan; Pedlar 1996 No grupo com sinais e sintomas de DTM, houve maior presença de HAG.
Perrini et al. 1997 No grupo sintomático para DTM a presença de HAG foi maior do que no grupo assintomático.
Checa et al. 1997 Analisaram a amplitude do movimento de Benett e concluiram que os pacientes com HAG apresentavam maior amplitude de movimento.
Winocur et al. 2000 Correlação positiva mas fraca entre máxima abertura bucal e presença de HAG em indivíduos assintomáticos para DTM.
Conti et al. 2000 A mobilidade da ATM não foi influenciada pela presença de HAG.
De Coster et al. 2005 Relação positiva entre HAG e DTM, principalmente presença de hipermobilidade da ATM.
Hirsch et al. 2008 Associação entre HAG e click recíproco na ATM ou abertura bucal limitada, mas nenhuma associação com artralgia ou mialgia.
Sáez-Yuguero et al. 2009 Estudo com imagem de ressonância magnética. Não encontraram associação entre deslocamento do disco da ATM e HAG.

 

Segue abaixo a conclusão que escrevemos na época:

Os resultados dos estudos sobre a relação entre DTM e HGA são conflitantes. Alguns aceitam esta correlação, outros não conseguem demonstrá-la. Entretanto, devemos observar que os estudos diferem quanto à metodologia. Assim, o recrutamento das pessoas, os critérios de inclusão e de exclusão, o número de pessoas em cada grupo de estudo, a classificação para diagnóstico da DTM e o tipo de teste para identificação da hipermobilidade podem estar contribuindo para resultados conflitantes.

Ainda atual, não? Estou aqui rindo das modelos do painel: minha irmã e minha ex secretária (e hoje competente assistente social) Michele! Obrigada meninas!!! E o fundo tosco? A porta do consultório! rs… Aiaiai, acho que evolui.

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Memória da dor: quando a experiência prévia influi na eficácia do tratamento

A postagem de hoje se iniciou com uma foto que estava em meu celular. Esta foto é de um slide da aula do colega José Luiz Peixoto, em um dia de curso que ministrávamos na APCD.

Este é um assunto para muito tempo: a melhora do paciente. Por que alguns pacientes com dores tão intensas e graves tem uma melhora espetacular, outros não, outros são refratários ao tratamento? Muita coisa está envolvida: genética, emoções, sono, estado físico, etc etc etc. E entre tudo isso, a experiência prévia do paciente.

O artigo citado no slide é Memories of chronic pain and perceptions of relief de Feine, Lavigne, Dao, Morin e Lund publicado na revista Pain em 1998.

Apesar de ter sido publicado há mais de 10 anos, este artigo se mantém atual.

O artigo parte do princípio que os profissionais da saúde geralmente questionam seus pacientes sobre a dor passada, a dor experimentada por eles, bem como usam o relato do paciente como evidência para a eficácia do tratamento. O que os autores planejaram foi estimar a capacidade da lembrança da dor vivida e ainda descrever a relação entre a lembrança da dor e as mudanças na intensidade da dor e melhora do paciente durante o tratamento de pacientes com disfunção temporomandibular muscular crônica.

Os resultados mostraram que o fato do paciente não se lembrar corretamente da experiência de dor vivida tem a frequencia aumentada com o passar do tempo, e é dependente dos níveis de dor antes do tratamento, e da dor no momento do retorno da consulta. O achado geral deste estudo confirmou que a dor crônica é lembrada de forma incorreta e geralmente superestimada pelos pacientes com dor cônica.

É razoável assumir que a percepção do paciente sobre a sua melhora poderia ser influenciada por muitos fatores, como a expectativa do paciente, e é presumível relatar que a melhora reflete a redução na intensidade da dor, o que é totalmente dependente da experiência prévia da dor. O que o estudo mostrou é que parece que apenas parte disso é verdade: a verdadeira mudança da dor não apresentava um efeito significativo na melhora e, ainda, haviam pacientes que relatavam melhora quando a dor se tornava ainda pior. A experiência prévia influenciava a forma com que o paciente relatava a melhora.

Bem, qual a conclusão disso tudo? O relato do paciente não necessariamente reflete a eficácia de uma terapia e é o pior indicador de mudanças da dor crônica. Os autores sugerem, e eu acho importante, que o diagnóstico e tratamento da dor muscular crônica baseiem-se na aferição da dor nos pacientes no momento da consulta (poderia ser através de escalas que verifiquem a intensidade da dor, testes sensoriais, como algometria, ou ainda o próprio exame da função mandibular) ou através de diários de dor. Estas ferramentas trariam dados mais refinados do que o relato verbal da dor passada ou da melhora.

De fato, pensando em tudo isso e estrapolando para a experiência clínica, quantas e quantas vezes não recebemos um paciente que após o tratamento relata pouca melhora mas cuja função está restabelecida? É para pensar…

Agradeço ao Peixoto a autorização para divulgar esta foto do slide!

Para quem se interessar pelo assunto, texto na íntegra: memories of pain.

 

Abraços a todos e bom domingo.

Vídeos para começar a semana

Dois vídeos fresquinhos no You Tube: a entrevista do Dr. Abouch Krymchantowski para o Jô Soares sobre cefaleias e a reportagem com a colega Isabel Critis e sua equipe para o jornal Noticidade do SBT de Sorocaba.

Logo abaixo!!!

Boa semana para vocês!

 

Enquanto isso no portal Odonto 1…

Olá pessoal!
Eu sei que estou um pouco ausente estes dias. Tem horas que a criatividade não aparece! rs…
Enquanto o blog fica abandonado, no portal Odonto 1 postei uma entrevista que foi realizada pelo jornal da ABO do Rio de Janeiro com o Prof. Paulo Pimentel Junior sobre DTM e Dor Orofacial.
Devo lembrar que o Paulo está a frente da organização do evento que acontecerá em julho, durante o XX Congresso Internacional de Odontologia do Rio de Janeiro (CIORJ): o III Encontro de Medicina Oral e Odontologia Hospitalar do Rio de Janeiro. No sábado o dia é dedicado à DTM, como eu já escrevi aqui.

Assim, convido vocês a lerem esta entrevista! É só clicar na figura ou aqui.
Abraços a todos!

Site do mês!

E junho está chegando ao fim. Agora só falta o dia de São Pedro!

E a coluna site do mês está de volta, desta vez dedicada aos pacientes. O site do mês de Junho é o TMJ.org!

Este site é de uma associação norte americana formada por pacientes com Disfunção Temporomandibular para divulgação do tema e troca de experiências há mais de 25 anos.

Sei que a maioria dos que visitam este blog são profissionais da saúde, mas alguns pacientes também passam por aqui, sempre em busca de informação sobre o problema que apresentam. Para vocês, pacientes, este site traz informações preciosas sobre a Disfunção Temporomandibular (DTM). Se você não sabe inglês, recomendo utilizar o tradutor do Google, o que tornará fácil a navegação e a leitura.

Bem na página principal há o destaque para o site do Instituto Nacional de Saúde americado (o NIH), dedicado à DTM e candidato a próximo site do mês, com a seguinte frase: Pouco é geralmente o melhor no tratamento da DTM. Eu também acredito nisso!

Dentro do texto do NIH encontrei um trecho sobre tratamento para DTM que acho importante ser informado a todos os pacientes. Fiz a tradução pelo Google para mostrar a vocês e até que não ficou ruim! :-)

Também tenho que dizer que adorei os banners colocados logo acima no site TMJ.org. As frases são exatamente as que os pacientes relatam a mim quando chegam ao consultório. E com certeza nenhum deles quis ouvir algo do tipo!

 

E com isso me despeço por hoje! Abraços a todos e bom final de semana!

Para ler mais: www.julianadentista.com

Para curtir: www.facebook.com/dororofacial

Para seguir: www.twitter.com/dororofacial

Resultados iniciais do maior estudo envolvendo DTM, o estudo OPPERA

A postagem de hoje será dedicada a apresentar resultados iniciais do maior estudo envolvendo a Disfunção Temporomandibular (DTM), o estudo OPPERA.

Este é um estudo prospectivo que envolve a avaliação de fatores de risco para o desenvolvimento da DTM e teve início em 2005 com apoio e alto financiamento (cerca de 19 milhões de dólares) do National Institutes of Health (NIH) na divisão National Institute of Dental and Craniofacial Research (NIDCR). No fórum do site DTM e Dor Orofacial você poderá encontrar mais informações sobre este estudo.

Por ser um estudo prospectivo, para avaliar fatores de risco, o estudo envolveu no início 3263 pessoas sem DTM e 185 pessoas com DTM crônica. Estas foram acompanhadas pelo período de 3 a 5 anos.

Os objetivos iniciais deste estudo foram determinar se características sócio-demográficas, resposta a estímulo nocivo, perfil psicossocial e variações genéticas estariam associados ao risco elevado de desenvolvimento de DTM e aumento da chance da pessoa apresentar DTM crônica.

Os resultados iniciais desta pesquisa foram apresentados no congresso da International Association of Dental Research (IADR) que foi realizado este ano em San Diego na Califórnia. O arquivo completo da apresentação, com a metodologia utilizada, você pode encontrar no site do consórcio do RDC/TMD. Sugiro que todos façam o download e leiam este arquivo!

Abaixo segue algumas das conclusões iniciais das apresentações:

  • Quanto maior a idade, ser do gênero feminino, ser caucasiano, maior a chance de apresentar DTM.
  • Muitas das variáveis psicossociais estavam envolvidos com a chance de apresentar DTM, porém de forma modesta em magnitude.
  • Analisando o grupo com DTM crônica em relação ao grupo controle pode-se verificar que estes indivíduos apresentaram mais relatos de injúria, tratamento ortodôntico, cefaleia, dor lombar, síndrome do intestino irritável, ruídos na ATM, travamento aberto ou fechado, e hábitos orais.
  • Foi identificado um conjunto genético que pode distinguir casos de controles, mas este estudo está no início.

Eu esperava que os resultados do estudo prospectivo estivessem prontos e liberados a todos, mas isso ainda não aconteceu… :-(

Estes resultados iniciais trazem algumas considerações realizadas no baseline e são igualmente importantes para se verficar se serão mantidos ao longo do período de análise prospectiva.

Àqueles que estudam DTM, seja na epidemiologia, seja nos testes sensoriais quantitativos (QST) ou genética, reforço o convite a leitura deste arquivo. Toda a metodologia foi descrita.