Relação entre paciente e profissional

Há quase um ano atrás eu tinha dois blogs, este e o Entendendo a Dor Orofacial no portal Odonto 1. Bem, no outro blog eu costumava dar a “voz” aos meus colegas especialistas, convidando-os a publicarem textos sobre dor orofacial.

Entretanto, descobri recentemente que o portal saiu do ar para reformulação e todos os textos ali se perderam… :-(

Acho por bem, então, os publicar aqui neste espaço. Quem não leu, terá a chance, quem já leu, irá relembrar!

Dr. Rodrigo Estevão Teixeira

O primeiro que vou colocar é do colega Rodrigo Estevão Teixeira. Rodrigo é especialista em DTM e Dor Orofacial em Belo Horizonte – MG. A ideia do texto surgiu depois que assisti a sua palestra durante o CIOMIG de 2011, onde o Rodrigo palestrou sobre a relação entre dentista e paciente.

Obrigada (de novo) Rodrigo por compartilhar o texto!

Primeiramente gostaria de agradecer a Dra. Juliana Stuginsk pela oportunidade e pelo convite para escrever neste espaço. Gostaria também de parabenizá-la por sua dedicação aos assuntos relacionados à nossa especialidade o que certamente vem contribuindo muito para o seu desenvolvimento.

 

Trabalho com DTM & DOF desde 2002 sempre compartilhando minhas experiências tanto na área clínica como na docência com que considero meu grande mestre o Dr. Marcelo Mascarenhas. Mesmo assim confesso que quando fui convidado pela coordenação do DTM & DOF no VI Simpósio Brasileiro de DTM & DOF para falar do tema “Psicodinâmica da relação Dentista-Paciente em DTM” fiquei um pouco apreensivo, uma vez que, normalmente é um tema abordado com maestria por nossos colegas psicólogos. Entretanto entendi que a intensão era mesmo essa, ou seja, expor a visão de um Dentista, especialista na área e que tivesse experiência de atendimento em serviço especializado em DTM sobre a abordagem destes, às vezes, temidos pacientes dando ênfase para a prática clínica.

À medida que nossa experiência clínica vai aumentando ficamos mais observadores e criteriosos e isto não é privilégio de nossa especialidade. Se observarmos atenciosamente nossos pacientes vamos perceber que podemos classificá-los em determinados “tipos” de pacientes, em função de características bem particulares que por sinal na maioria dos casos influenciam o prognóstico do tratamento.

Durante o atendimento de pacientes com necessidades em DTM alguns fatores são de fundamental importância para o sucesso na condução do caso e muitas vezes simplesmente os ignoramos, a seguir citamos exemplos importantes:

a) Os efeitos que o profissional pode causar no paciente: importante aspecto nesta relação que não deve ser negligenciado é a que se traduz na posição de ajudador, assumida pelo profissional e de ajudado, que se enquadra o paciente. Frequentemente quem busca este tipo de ajuda se encontra fragilizado, sensível e bastante vulnerável em função dos seus problemas o que só aumenta nossa responsabilidade. Devemos lembrar sempre que quando estamos com o paciente, cada gesto, cada movimento, cada palavra pode ter um efeito enorme sobre ele.

b) Postura do profissional: durante o atendimento o profissional pode assumir uma postura que pode ser classificada como destrutiva, deixando o paciente ainda pior emocionalmente ou construtiva ao dizer palavras que vão deixa-lo melhor durante e após a consulta, tanto física como emocionalmente ainda que este “melhor” não signifique a cura!

                  Algumas dúvidas podem surgir quando estamos diante do paciente, sobretudo com profissionais que estão iniciando o atendimento na especialidade:

                  – Devo tocar o paciente, segurar sua mão?

                  – Posso fazer uma brincadeira para descontrair o ambiente?

                  – Será que seria bom para o paciente que eu o tranquilizasse em alguns momentos?

                  – Devo contar-lhe uma história de outro paciente, semelhante à dele e com final feliz?

Os mais entendidos afirmam que em algumas situações devemos simplesmente seguir nossa intuição, sem explicações, justificativas ou racionalizações! Desde que sempre seja levado em conta a relação causa-efeito!

                  Entrando um pouco mais na teoria relacionada com nosso tema, aproveito para chamar atenção para o que a Prof. Dra. Clara Feldman relata de forma brilhante em seu livro Atendendo o paciente sobre as habilidades que um profissional que atua na área de saúde humana deveria ter, mais precisamente das habilidades técnicas e interpessoais.

a)     Habilidades Técnicas seriam aquelas necessárias à prática diária, específica da especialidade e é exatamente sua falta que causa tanta angústia nos profissionais no início de carreira. Nesta etapa de nossas vidas sobram conhecimentos teóricos e faltam habilidades práticas necessárias ao atendimento do paciente.

b)     Habilidades Interpessoais são aquelas que cada um de nós tem para se relacionar com o outro e por isso não estão necessariamente relacionadas com experiência profissional, podendo ser grande mesmo nos profissionais em início de carreira.

A autora ainda chama atenção para outro aspecto importante envolvendo estas habilidades, apesar do ideal ser a convivência das duas de maneira equilibrada durante nossa vida profissional, percebe-se em alguns profissionais que à medida que suas habilidades técnicas se desenvolvem as interpessoais passam a ser de certa forma negligenciada, influenciando diretamente na qualidade do atendimento que pode, por isto, se tornar extremamente técnico e burocrático.

Quando indagado sobre a dificuldade de abordagem de pacientes com necessidades em DTM costumo dizer que dentro da odontologia existe um perfil ideal de profissional para esta área. Neste perfil considerado ideal o profissional necessariamente dever possuir as já comentadas habilidades interpessoais, além de treinamento e capacitação técnica. Uma prova disto está no diagnóstico das alterações de etiologia psicossomáticas onde fatores emocionais estão diretamente relacionados com os sinais e sintomas observados ou queixados pelo paciente e exigem habilidade e sensibilidade do profissional para perceber e tratar a causa principal.

Outro aspecto complicado desta relação está relacionado ao atendimento de paciente considerados antipáticos, neste caso apesar de sabermos que simpatia sempre foi e é pré-requisito para que haja empatia, em muitos casos a primeira impressão do nosso cliente pode ser desagradável ou até mesmo antipática. Muitas vezes o próprio sofrimento e as tentativas frustradas de tratamento são os responsáveis por toda aquela aspereza inicial. Insistir no atendimento demonstrando comprometimento com a situação pode, em alguns casos, se transformar em um experiência agradável e até em um bom relacionamento ao final, mas se perceber que não há um retorno por parte do paciente, mesmo com várias tentativas, o melhor para os três pode ser mesmo o encaminhamento, sob pena de comprometer o andamento do tratamento. Quando digo para os três me refiro ao paciente, a você mesmo e ao colega que recebeu o paciente, cuja relação com ele pode ser totalmente diferente!

Como a rotina de um serviço especializado em atendimento de paciente com necessidades em DTM &DOF pode influenciar nesta relação:

Nesse aspecto iniciamos falando um pouco sobre a consulta inicial. Trata-se de uma etapa importantíssima do tratamento e para que seja realizada com qualidade deve ser realizada de forma criteriosa. Nesta etapa podemos destacar, entre muitos, alguns aspectos que não deveriam ser negligenciados em hipótese alguma, tais como: a) reservar tempo suficiente: em alguns casos pode ser necessário ficarmos mais de uma hora com nosso pacientes para escutar todas suas queixas e avaliar todos seus exames; b) durante o atendimento atentar para os fatores físicos sem se esquecer dos fatores emocionais que podem estar presentes e muitas vezes justificar seus sintomas (psicossomáticos); c) Ser criterioso na utilização de termos técnicos, sabendo que o interessante é que o paciente saia da consulta entendo tudo que lhe foi dito. Isto certamente irá ajudar na cooperação com a proposta de tratamento e o que considero extremamente importante irá equalizar as expectativas suas com as dele; d) considerar que em muitas situações para concluir o diagnóstico e elaborar um correto plano de tratamento será necessário consultar outros colegas, odontólogos, médicos, fisioterapeutas entre outros profissionais de saúde, além é claro de exames laboratoriais ou de imagem; e) quando for o caso, anotar tudo a respeito das medicações que estão sendo utilizadas seus possíveis efeitos colaterais ou de interação, destacando aqui a utilização dos antidepressivos ISRS (Inibidores seletivos de recaptação de serotonina) cuja prescrição vem aumentando em escala exponencial nos últimos anos e que podem potencializar o apertamento dental de alguns pacientes.

A capacitação dos funcionários que trabalham neste tipo de serviço também merece destaque, tendo em vista que também se relacionam diretamente com os nossos pacientes,  sendo que alguns deles são responsáveis pelo primeiro contato. Devem estar preparados para receber pacientes extremamente estressados, tensos e ansiosos, além de frequentemente ser  encontrarmos alguns muito exigentes. Neste quesito é fácil entendermos que uma pessoa que está com dor (na maioria das vezes há muito tempo) não vai chegar com cara de muitos amigos. Os funcionários, principalmente os da “linha de frente” como os da recepção, responsáveis pelo primeiro contato com este paciente devem ser treinados para lidar com situações de impaciência, rispidez e intolerância. Além disto, devem ter sensibilidade suficiente para perceber quando o paciente está com limitações para falar ou até mesmo perceber quando não querem se expor na frente de outras pessoas. Informações confidenciais ou que de alguma maneira podem expor o paciente não devem ser colhidas na presença de estranhos, para isto a estrutura física deve propiciar uma espaço apropriado. Sem me estender muito mais destaco aqui a importância de um planejamento do espaço físico na hora de construir ou reformar seu ambiente de trabalho, sobretudo o planejamento apropriado para abrigar a recepção de clientes. Em síntese, o treinamento de nossos funcionários deve ter como objetivo sempre acolher este paciente complicado da melhor forma possível.

Concluindo nosso papo a respeito desta complexa relação ao qual convivem Dentista e pacientes com necessidades em DTM destaco algumas particularidades de nossa profissão especialmente no que diz respeito à especialidade de DTM & DOF que podem influenciar diretamente esta relação. Iniciamos pela falta de profissionais capacitados para este tipo de atendimento, algumas universidades ainda nem incluíram a disciplina DTM & DOF em seu currículo. A dificuldade que nós Dentistas temos em lidar com dor crônica, ressaltando que boa parte se deve pelo tecnicismo e imediatismo que somos treinados ao longo de nosso curso, situação que é bem diferente de nossos colegas médicos e fisioterapeutas, dificuldade também observada para lidar com os casos de recidiva e para se definir critérios de retorno e de alta. Além disto a complicação que é falar de dinheiro com o paciente chorando em sua frente pode nos deixar numa “sai justa” e finalmente não podemos deixar de comentar  as várias dúvidas e controvérsias que temos ainda à esclarecer no que diz respeito aos protocolos de tratamento em DTM & DOF e que muitas vezes são motivos de discussões calorosas entre colegas de especialidade.

Gostaria de encerrar deixando para os colegas uma equação que a Dra. Clara Feldman descreve em seu livro Atendendo o paciente; a Equação da Ajuda, que resume muito bem nosso assunto além de destacar as qualidades mínimas necessárias para um profissional que deseja trabalhar com DTM & DOF: DISPONIBILIDADE + AFETIVIDADE + HABILIDADES TÉCNICAS + HABILIDADES PROFISSIONAIS. Espero ter contribuído com todos os colegas e aproveito para deixar um abraço a todos!

 

 

RODRIGO ESTÊVÃO TEIXEIRA, MSD & PhD.

E-MAIL: RETODONTO@YAHOO.COM.BR

Av. Bandeirantes, 412, Mangabeiras, Belo Horizonte/MG.

Telefone: +55 31 3223 7177

 

 

Aplicativo para iOS e Android

Eu adoro tecnologia e as possibilidades que ela nos traz #fato. Já escrevi aqui quando comprei meu primeiro smartphone com o sistema Android sobre o site da Bia Kunze, dentista e consultora de tecnologia móvel (a Garota sem Fio, excelente site, visitem!) e as dicas de aplicativos para produtividade.

Eu mudei de plataforma, agora entrei para a fazendinha da Apple mas continuo usando alguns dos aplicativos que citei lá como o Dropbox (amo!!) e o Evernote.

Hoje na página do Facebook do blog (www.facebook.com/dororofacial – já curtiu?) o colega Genivaldo Junior postou sobre um aplicativo sobre Trigger Points (pontos gatilhos miofasciais). Corri para ver do que se tratava e achei bem bacana!

Esclarecimento: o texto abaixo não é promocional, ou seja, ganhei nada para fazer propaganda. Se bem que seria bom! rs…

O site traz todos os aplicativos disponíveis tanto para a plataforma iOS (iPad, iPhone, iPod) como Android (smartphones e tablets).

O aplicativo citado pelo Genivaldo é este:

Segundo o desenvolvedor este aplicativo é uma referência para os pontos gatilhos e seus padrões de referência para mais de 70 músculos e 100 pontos! Cada músculo inclui o padrão de referência visual e a localização do ponto, e mais comentários. Há opções de visualização: todos os músculos ou área específica, o que pode auxiliar no diagnóstico da fonte da dor.

Achei prático! Melhor do que imprimir uma folhinha com os pontos. Neste caso eles estarão sempre a mão. Além disso, quando nos tablets (iPad ou Androids) a visualização por parte do paciente será ainda melhor!

O site ainda reúne outros aplicativos, principalmente para o estudo da anatomia.

Bacana, não? Alguém já testou e está usando na prática?

 

Falando nisso…

Quem já acessou o blog através do iPad? Para quem não sabe há um visual somente para esta plataforma! A primeira vez que eu vi eu adorei. Pena que não dá para transportar para os navegadores padrões.

Abraços a todos e não esqueçam de solicitar que seus pacientes se agasalhem, se não, com este friozinho, será uma avalanche de piora da dor musculoesquelética!!! ;-)

 

Dor orofacial e professor Paulo Conti são notícias em revista de universidade americana

Recentemente foi publicada uma matéria na revista da University of Medicine & Dentistry of New Jersey sobre a especialidade de Dor Orofacial, com destaque para a história do Prof. Paulo Conti da Faculdade de Odontologia de Bauru, Universidade de São Paulo (FOB-USP), meu orientador de doutorado!

E, posso falar, para mim é uma honra poder ter a chance de conviver com pessoas tão engajadas no diagnóstico, tratamento e na pesquisa envolvendo a dor orofacial como o Prof. Paulo Conti e sua equipe!

A reportagem conta um pouco do tempo que o professor passou em New Jersey e como isso influenciou nos seus estudos e no que faz hoje. Abaixo vai a tradução (ao pé da letra) do texto.

Foi em 1994 que o brasileiro Paulo Conti, DDS, PhD, veio aos Estados Unidos procurando repostas. Professor de Prótese Dentária na FOB-USP no momento, ele estava procurando por novos e melhores métodos de diagnóstico e tratamento para pacientes com dor orofacial, definidas como desordens faciais dolorosas crônicas, não relacionadas a problemas dentários.

No Brasil um diagnóstico no início dos anos 90 era baseado somente na oclusão dos pacientes ou como os dentes ocluíam. Os únicos tratamentos eram a correção da mordida, uso de placas para aliviar a pressão na mandíbulas gerada pelo bruxismo e a prescrição de analgésicos. Usualmente nenhuma destas terapias funcionavam. “Pacientes descreviam sua dor como agonizante, persistente, penetrante, torturante… e eu não podia oferecer alívio” Conti disse “Era frustante. Eu sabia que haveriam outros meio em que eu pudesse ajudar”.

Uma vez que não haviam programas para especialistas em Dor Orofacial no Brasil e a Internet ainda não havia sido inventada, Conti leu cada revista científica que ele poderia ter em mãos. E foi no Journal Orofacial Pain que ele ficou sabendo de um programa de 1 ano de diração em Disfunção Temporomandibular (DTM) na University of Medicine & Dentistry of New Jersey (UMDNJ) na New Jersey Dental School (NJDS). Ele imediatamente contatou o professor Gary Heir e se inscreveu.

Após 1 ano de permanência na NJDS, Conti retornou ao Brasil com o que ele chamou de “um novo mundo de conhecimento”. Pela primeira vez ele e seus colegas adotaram uma abordagem abrangente para o diagnóstico dos pacientes. Eles começaram a investigar os sistemas musculoesqueléticos, neurovascular e neuropático, distúrbios de movimentos e condições sistêmicas intra e extraorais. “Simplesmente compreender a comorbidade das dores orofaciais e cefaleias já fez uma enorme diferença” ele diz “Nós também mudamos e melhoramos nosso programa de pesquisas. A NJDS abriu uma nova era no controle da dor para nós.”

Em seu retorno, Conti desenvolveu e implementou o currículo de Dor Orofacial em Bauru para graduandos, pós graduandos e alunos de cursos de extensão. Ele é hoje um professor livre docente, um pesquisador produtivo na área de dor, autor e palestrante, muito do qual ele credita a NJDS. “A Dor Orofacial é uma especialidade emergente no Brasil, e isso significa que estaremos aptos a ajudar muitas pessoas que necessitam.”

Ele explica que a população pobre de áreas rurais do país às vezes esperam até cinco meses por uma consulta com neurologista. “Quando você apresenta uma dor de cabeça severa ou uma dor debilitante, cinco meses parece uma eternidade” ele diz “Agora estas pessoas podem contar com também com nossa opinião. Elas vêm até nós e nós podemos ajudá-las imediatamente.”

O programa de DTM que o Conti completou evoluiu desde a sua criação no começo dos anos 80. NJDS agora oferece um ano de Fellowship, 4 a 5 anos de programa PhD em Dor Orofacial e o programa de dois anos de mestrado em Dental Science requer a conclusão de um projeto de pesquisa em dor orofacial. Estes programas tem atraído estudantes de todos os continentes exceto Antartida, e aproximadamente 300 pessoas completaram os programas de Fellowshio e PhD. A American Dental Association (ADA) tem reconhecido a dor orofacial como uma área de avanço na educação odontológica e esta agora requerendo credenciamento. NJDS está neste processo.

Cirurgiões Dentistas como Heir e Conti acham a área desafiadora e recompensante. Há causas incontáveis de Dor Orofacial, algumas de simples diagnóstico, outras não. E, o diagnóstico inadequado de um paciente que possa ter um aneurisma ou um tumor cerebral pode ser fatal. “Esta região do corpo é composta de um vasta e complexa rede de nervos e vasos sanguíneos que estão interligados a músculos, ossos e articulações na cabeça, mandíbula e pescoço” explica Heir “má função pode acontecer em qualquer combinação destes sistemas, então determinar a causa da dor pode ser realmente difícil”. De fato, muitas vezes estes pacientes gastam anos indo e vindo de médicos e dentistas procurando alívio. Muitos são diagnosticados incorretamente, o que resulta em procedimentos desnecessários, como endodontias e extrações. Alguns pacientes então tornam-se tão frustados que aceitam terem todos os seus dentes extraídos e serem submetidos a procedimentos cirúrgicos para alívio da dor.

Conti relembra de uma paciente “Uma mulher jovem com uma dor na ATM excruciante tentou todos os tipos de tratamento sem melhora” ele diz “Finalmente um dentista recomendou um procedimento cirúrgico radical. Desesperada ela concordou com o procedimento, que resultou em deformidade severa em sua mandíbula e aumento na intensidade dolorosa. No momento em que ela nos procurou, ela mal conseguia abrir a boca. Ela praticamente não tinha vida”. Com uma combinação de terapia e medicação, a equipe do professor Conti começou lentamente a reverter o quadro. A mulher pode novamente mstigar e falar claramente. “Nós devolvemos a ela sua vida” diz Conti “o que torna esta profissão tão recompensadora”.

 

A revista pode ser acessada pelo link: http://www.umdnj.edu/umcweb/marketing_and_communications/publications/umdnj_magazine/winter-2011/winter-2011.pdf e a reportagem está na página 37!

DTM e Acupuntura

Ontem procurando por novidades sobre disfunções temporomandibulares (DTM) na internet me deparei com um vídeo onde o querido professor Wagner de Oliveira fala sobre DTM em um curso de especialização em acupuntura no ano passado. Muito bom!

Não consegui identificar qual seria o curso, se alguém souber, comente!

Abraços

Atualizando….

O colega Alexandre Koga do blog Ortodontia para Todos leu aqui sobre esta aula do professor Wagner de Oliveira e fez uma postagem sobre Acupuntura e Odontologia bem interessante! Indico a todos. Aqui vai o link: http://ortodontiaparatodos.com.br/2012/03/acupuntura-na-odontologia.html

Fred Mercury e DTM

Acho que estou desatualizada… Como não tinha visto este vídeo ainda? rs…

Será que o Fred Mercury apresentava DTM? Confiram neste vídeo realizado pelo professor Antonio Sérgio Guimarães e postado no You Tube! Sugiro que assistam até o final!! Boa sacada!

Livro – Dores Orofaciais: diagnóstico e tratamento

Recentemente foi lançado o livro Dores Orofaciais: diagnóstico e tratamento dos professores José Tadeu Tesseroli de Siqueira e Manoel Jacobsen Teixeira. Comentei aqui no blog em outra postagem. Hoje vou falar um pouquinho sobre o livro em si.

Para mim teve um sabor especial receber esta segunda edição. A primeira edição lançada em 2001 foi um livro que li, reli, grifei e aprendi bastante pois até conhecê-lo eu praticamente desconhecia a dor orofacial. Meu conhecimento limitava-se às DTMs. E depois disso, em 2002 fui até um congresso para assistir a palestra sobre Síndrome da Ardência Bucal (SAB) com os professores Siqueira e Cibele Nasri. Nem preciso contar a história depois, não é?

É impossível não notar nesta segunda edição, com 816 páginas, a evolução, que cursa com a da própria especialidade de DTM e Dor Orofacial, criada em 2002.

O primeiro capítulo, assim como o abre alas de uma escola de samba, dá o tom e faz uma introdução do que vem por aí. Se em 2001 a introdução falava sobre a necessidade de retornar ao ponto zero e além de estudar as DTMs, deveríamos aprender sobre dor, seus mecanismos, consequências e como controlar, em 2012 os desafios são outros. Como está escrito em um subtítulo do primeiro capítulo: da Disfunção da ATM à Dor Crônica. Educação e treinamento em dor, inserção do cirurgião dentista em equipes multidisciplinares, na saúde pública e os desafios da Odontologia brasileira são alguns dos temas abordados neste primeiro capítulo e que permeiam por todos os outros.

De “breve histórico e perspectivas“agora passa a ser “evolução e desafios“. Este realmente é o momento da especialidade.

O número de capítulos e colaboradores também aumentou, como não podia deixar de ser. Na colaboração participam nomes importantes na área de dor de todo o mundo com também ex-alunos formados na Equipe de Dor Orofacial (EDOF/HC), hoje integrada ao Centro de Dor da Divisão de Neurologia do Hospital das Clínicas de São Paulo. O avanço tanto no ensino como na pesquisa realizada por este grupo é relatado nas páginas do  livro de maneira leve, com o que sempre falamos aqui no blog também: a aproximação dos resultados de pesquisas clínicas e laboratoriais à rotina do consultório. A presença também de casos clínicos ao final de alguns capítulos auxiliam neste processo.

Como não podia deixar de ser, o primeiro capítulo que li quando recebi foi o de SAB. Fiquei feliz ao ler sua atualização, clara, de fácil entendimento! Neste capítulo é possível encontrar a ficha clínica utilizada para especificamente avaliar o paciente com queixa de ardência bucal. E é deste capítulo que subtrai a figura abaixo, com destaque à citação do médico oncologista Jerome Groopman.

Recomendo a todos que buscam compreender melhor este tema tão amplo que é a dor orofacial.

Especialmente gostaria de agradecer ao professor Siqueira pela dedicação, carinho e competência ao compartilhar seus conhecimentos e de seus colaboradores nesta nova edição!

Quem quiser adquirir o livro, cá está o link: http://www.grupoa.com.br/site/biociencias/1/42/47/5615/5616/0/dores-orofaciais.aspx

Palpômetro

A palpação da articulação temporomandibular (ATM) e dos músculos mastigatórios é um exame físico essencial no diagnóstico das disfunções temporomandibulares (DTMs).

As classificações das DTMs costumam relatar que devemos realizar a palpação com um força constante, determinada em kg. No caso do novo DC/TMD, classificação que eu acredito será finalmente anunciada neste ano, esta palpação deveria ser de 500 gramas a 1 kg, dependendo da estrutura avaliada.

Mas como aferir isso? Na prática clínica procuramos treinar com balanças a pressão exercida. Na pesquisa este treinamento pode ser realizado através dos algômetros, como fiz na minha de mestrado. Mas não é um método preciso.

Quando o professor Svensson esteve em Bauru, ele trouxe os protótipos de um novo palpômetro. Trata-se de um dispositivo com uma ponta redonda que quando pressionada na estrutura, ao se chegar à pressão desejada, a superfície do dedo do operador encontrará uma resistência.

Este instrumento foi submetido à um estudo para avaliar sua acurácia. Para ler o resumo do estudo clique aqui.

Este dispositivo foi lançado comercialmente com o nome de Palpeter e até onde eu sei, só está disponível para a venda na Europa ao custo de 99 euros.

Mas uma pessoa curiosa perguntaria: por que 500 gramas e 1 kg?

O professor Paulo Conti orientou duas pesquisas interessantes na Faculdade de Odontologia de Bauru – USP onde procurou verificar então qual seria o valor de corte para a pressão que distinguisse pacientes de indurante o exame de limiar de dor à pressão. Este foi tema das dissertações de mestrado da Profa. Carolina Ortigosa Cunha e do Prof. Dr. Rafael Santos Silva.

No caso da dor muscular, o trabalho do Prof. Dr. Rafael Santos Silva mostrou que o masseter e o temporal apresentaram valores distintos para se distinguir pacientes de não pacientes. Com 90.8% de especificidade os valores obtidos foram  1.5 kgf/cm2 para masseter, 2.47 kgf/cm2 para temporal anterior, 2.75 kgf/cm2 para temporal médio, and 2.77 kgf/cm2 para temporal posterior.  Clique aqui para ler o resumo do trabalho que saiu no Journal Orofacial Pain.

O trabalho da Profa. Carolina Ortigosa Cunha verificou que o valor de palpação de 1,56 kgf/cm2 é o mais adequado para o diagnóstico de DTM de origem articular. Para ler a dissertação na íntegra, clique aqui.

Os valores são bem distintos daqueles propostos pelo futuro DC/TMD e também reproduzidos pelo Palpeter. Vi no site que há modelos com 2 e 4 kg. Estas pesquisas deveriam sugerir que pelo menos fosse considerado 1,5 kg, não? Ainda bem que existe gente curiosa no Brasil! ;-)

Para quem ficou curioso em ver o Palpeter em funcionamento, segue abaixo vídeo postado pela empresa no You Tube.

Reunião sobre DTM e Dor Orofacial

Reproduzo abaixo o comunicado da comissão organizadora da terceira reunião sobre DTM e Dor Orofacial que acontecerá em São Paulo.

Prezado colega,

Em Janeiro de 2012, durante o Congresso Internacional de São Paulo (CIOSP), acontecerá a terceira reunião de especialistas em Disfunção Têmporo-Mandibular  e Dor Orofacial. Esta reunião terá o intuito de discutir a fundação da Sociedade Brasileira de Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial (SBDof).

As duas primeiras reuniões foram realizadas em janeiro de 2010 e 2011 por um grupo de especialistas que perceberam a necessidade da divulgação da especialidade. Em 2011, para a segunda reunião, todos os especialistas registrados no Conselho Federal de Odontologia (CFO) foram convidados por carta. Nesta ocasião, o desejo de se estudar a criação de uma entidade de especialistas nessa área foi manifestado pelos que compareceram.

Reconhecemos que a Dor Orofacial e DTM tem representatividade dentro das Sociedades Brasileira de Estudo da Dor (SBED), Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBCe), da Academia Brasileira de Fisiopatologia Crânio-Oro-Cervical (ABFCOC), além de outras associações e entidades ligadas a Odontologia, mas percebemos a necessidade da criação de uma sociedade específica que represente os especialistas e interessados, e que venha para contribuir com o avanço e reconhecimento da especialidade no Brasil, atuando principalmente na área de ensino e de divulgação ética.

Gostaríamos de convidar V. Sa.  a conhecer a proposta, emitir opiniões e sugestões e  a participar desta nova e emergente Sociedade.

A Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas (APCD) gentilmente nos cedeu uma sala em seu prédio central onde a reunião realizar-se-á durante a 30ª edição do Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo (CIOSP),no dia 28 de janeiro de 2012, às 15 horas, no quinto andar do prédio central da APCD, auditório E2. Para o acesso ao local há necessidade do crachá de identificação concedido quando da adesão ao CIOSP, gratuita aos cirurgiões dentistas, e que pode ser realizada pela homepagewww.ciosp.com.br.

Certos de contar com sua presença, agradecemos desde já!

Cordialmente,

Comissão Organizadora da Reunião de Especialistas em DTM e Dor Orofacial

João K. Padula

José Luiz Peixoto Filho

Juliana Stuginski Barbosa

Leonardo Trench

Paulo César Rodrigues Conti

Reynaldo Leite Martins Jr.

Simone Carrara

A comissão organizadora pede para avisar que é indispensável a confirmação da presença pelo site www.sbdof.com

Neste mesmo site é possível a leitura da proposta de estatuto para SBDOF.

Para seguir: www.twitter.com/sbdof

Para curtir: www.facebook.com/sbdof

Estarei lá, sempre na expectativa da maior divulgação da nossa especialidade! :-)

Prof. Jorge von Zuben fala sobre Bruxismo do Sono

Quando a especialidade DTM e Dor Orofacial foi autorizada pelo Conselho Federal de Odontologia  (CFO), eu estive tentada a me submeter ao exame e me tornar especialista, afinal já faziam alguns anos que trabalhava e estudava na área. Mas percebi que não na verdade sabia pouco de DTM e nada sobre outras dores orofaciais, admito.

Assim, fui fazer um curso de especialização e escolhi o curso da Associação dos Cirurgiões Dentistas de Campinas (ACDC) e conheci o professor Jorge von Zuben que foi o responsável por me apresentar a especialidade como um todo. Agradeço imensamente ao Jorge por ter proporcionado conhecimento a mim com tanta generosidade e atiçado a minha curiosidade mas sobretudo, por ter dado a primeira oportunidade a mim de ministrar uma aula sobre este assunto, coisa que hoje se tornou rotina na minha vida!

Hoje assisti dois vídeos de uma entrevista que o Prof. Jorge concedeu recentemente em Campinas sobre Bruxismo do Sono.

Compartilho com vocês abaixo!