Há algum tempo postei aqui que a revista The Journal of Headache and Pain era uma revista científica com bom fator de impacto e que dispõe seu conteúdo online e gratuito.
Trata-se de uma paciente que recebeu inicialmente o diagnóstico de disfunção temporomandibular (DTM) foi controlada, mas depois de alguns meses retornou com um quadro de dor que preenchia os critérios para NA.
A palpação da articulação temporomandibular (ATM) e dos músculos mastigatórios é um exame físico essencial no diagnóstico das disfunções temporomandibulares (DTMs).
As classificações das DTMs costumam relatar que devemos realizar a palpação com um força constante, determinada em kg. No caso do novo DC/TMD, classificação que eu acredito será finalmente anunciada neste ano, esta palpação deveria ser de 500 gramas a 1 kg, dependendo da estrutura avaliada.
Mas como aferir isso? Na prática clínica procuramos treinar com balanças a pressão exercida. Na pesquisa este treinamento pode ser realizado através dos algômetros, como fiz na minha de mestrado. Mas não é um método preciso.
Quando o professor Svensson esteve em Bauru, ele trouxe os protótipos de um novo palpômetro. Trata-se de um dispositivo com uma ponta redonda que quando pressionada na estrutura, ao se chegar à pressão desejada, a superfície do dedo do operador encontrará uma resistência.
Este instrumento foi submetido à um estudo para avaliar sua acurácia. Para ler o resumo do estudo clique aqui.
Este dispositivo foi lançado comercialmente com o nome de Palpeter e até onde eu sei, só está disponível para a venda na Europa ao custo de 99 euros.
Mas uma pessoa curiosa perguntaria: por que 500 gramas e 1 kg?
No caso da dor muscular, o trabalho do Prof. Dr. Rafael Santos Silva mostrou que o masseter e o temporal apresentaram valores distintos para se distinguir pacientes de não pacientes. Com 90.8% de especificidade os valores obtidos foram 1.5 kgf/cm2 para masseter, 2.47 kgf/cm2 para temporal anterior, 2.75 kgf/cm2 para temporal médio, and 2.77 kgf/cm2 para temporal posterior. Clique aqui para ler o resumo do trabalho que saiu no Journal Orofacial Pain.
O trabalho da Profa. Carolina Ortigosa Cunha verificou que o valor de palpação de 1,56 kgf/cm2 é o mais adequado para o diagnóstico de DTM de origem articular. Para ler a dissertação na íntegra, clique aqui.
Os valores são bem distintos daqueles propostos pelo futuro DC/TMD e também reproduzidos pelo Palpeter. Vi no site que há modelos com 2 e 4 kg. Estas pesquisas deveriam sugerir que pelo menos fosse considerado 1,5 kg, não? Ainda bem que existe gente curiosa no Brasil!
Para quem ficou curioso em ver o Palpeter em funcionamento, segue abaixo vídeo postado pela empresa no You Tube.
Comecei 2012 com uma ótima notícia. Depois de quase um ano e meio o artigo que havíamos submetido à revista JAOS (Journal of Apllied Oral Science) foi finalmente publicado.
Caros colegas: neste mês foi publicado no JAOS-Journal of Apllied Oral Science, um artigo de minha autoria, juntamente com outros colegas (Juliana Stuginski Barbosa (do Blog “Por Dentro da Dor Orofacial”) e Florence de Carvalho Kerber).
Nosso intuito foi testar uma impressão clínica: é frequente o especialista em DTM e Dor Orofacial receber em seu consultório pacientes com as mais variadas fontes de dor, e tratados da única forma que o profissional conhece, sem que haja um cuidado com o fundamental: o diagnóstico. (As vezes isso pode ter resultados graves, como descrevi aqui)
Assim, independente da correta identificação da fonte de dor, poderia haver um viés importante: ortodontistas tratam com dispositivos ortodônticos, ortopedistas funcionais com sua aparotologia característica, protesistas através de desgastes oclusais e placas estabilizadoras, cirurgiões através de artrocentese, reposicionamento do disco, etc…muitas vezes (repito) independente do que esteja causando os sintomas do paciente (?).
Nosso trabalho foi o seguinte: construímos uma Home Page e nela colocamos a descrição fictícia de uma paciente com absolutamente todas as características de “migrânea sem aura” ( a popular enxaqueca) prevista na Classificação Internacional de Cefaléias. Adicionamos uma “mordida cruzada e mordida profunda” como padrão oclusal da paciente, e fizemos duas perguntas:
1) Qual a sua conduta para tratar a queixa de dor desta paciente….e:
2) A sua resposta acima foi baseada no seu aprendizado no seu curso de pós-graduação?
Em seguida, enviamos mais de 1200 emails ao membros da ABOR ( Associação Brasileira de Ortodontia e Ortopedia Facial) convidando-os a ler o caso e responder as questões.
Infelizmente as respostas confirmaram a impressão clínica: a maioria dos colegas especialistas que responderam, conduziria (hipoteticamente) o caso de maneira inadequada, ou seja, corrigindo a oclusão da paciente através da combinação de procedimentos ortodônticos e cirúrgicos (!), com o objetivo de tratar a dor da migrânea.
Obviamente, houve uma parcela dos participantes que diagnosticou corretamente a migrânea, e encaminharia a paciente prontamente para tratamento com médico cefaliatra.
O mais preocupante nos nossos resultados, foi o achado que a maioria dos que conduziriam o caso de maneira inadequada declararam que o fariam com base no que aprenderam no curso de especialização; a maioria dos que conduziriam o caso de forma adequada declararam que o fariam com base no que aprenderam fora do curso de especialização. Ou seja: o problema, lamentavelmente, pode estar na formação do Ortodontista.
Particularmente na minha Cidade (Cuiabá) sou frequentemente convidado para ministrar um módulo em cursos de Especialização em Ortodontia, com o assunto “DTM e Dor Orofacial”, para esclarecer os equívocos nesta área, (por exemplo, no Sinodonto-MT, EAPE, Escola de Odontologia…). Vários outros colegas professores nesta área também o fazem em cursos das suas respectivas regiões.
Fica a dica aos colegas que ministram cursos de Ortodontia, no sentido de convidarem os professores de DTM e Dor Orofacial da sua região para uma aula no seu curso. As vantagens são inúmeras, principalmente a de conhecer um pouco mais as particularidades da nossa especialidade, que, acredite, é MUITO diferente da Ortodontia. O artigo na íntegra pode ser baixado clicando aqui
Esteja a vontade para opinar sobre o assunto no fórum do site DTM e Dor Orofacial.
Como falamos pouco sobre este assunto, achei importante dividir com vocês o folheto que produzi em formato PDF. Não deixem de fazer o exame em seus pacientes, pode ser fundamental!
Desculpe minha ausência nos últimos dias. Eu tenho um compromisso comigo mesma de manter este blog sempre atualizado mas há momentos que isso simplesmente se torna impossível e o mês de Dezembro, em todos os anos, é um caos. Parece que o mundo vai acabar! Ufa!
O Bigal é brilhante! A primeira vez que o vi foi justamente em uma reunião em que discutíamos Síndrome da Ardência Bucal e ele lançou uma ideia que acabou resultando em um relato de caso clínico devidamente publicado. Depois disso, sempre que estava no Brasil, o Dr. Speciali o chamava para discutir as pesquisas em andamento no grupo. Sabe quando uma nuvem de fumaça cobre seus olhos e você passa a não enxergar o que está na sua frente? Ao discutir a metodologia da pesquisa o Bigal simplesmente afasta esta nuvem de forma tão fácil que você até fica intrigado! Ainda, as ideias pipocam que fica difícil conter o entusiasmo. Parece fácil, mas ao ler sua entrevista e conhecê-lo você percebe que o caminho percorrido nem sempre foi simples.
Ao Bigal eu agradeço demais a generosidade em participar dos meus trabalhos, especialmente do meu mestrado, que espero que seja publicado em breve!
Este artigo relata a importância da abordagem multidisciplinar do paciente com cefaleia, do valor significativo da fisioterapia e clama por uma maior divulgação internacional do tema, em hospitais, faculdades e clínicas.
É o que podemos realmente chamar TIME, todos unidos em prol da melhora da qualidade de vida do paciente.
Eu tenho admiração por muitos fisioterapeutas, mas quero agradecer por estarem na minha vida duas delas:
Edmara Cristina Salomão, minha amiga querida que despertou em mim o gosto por estudar DTM e Dor Orofacial como já contei aqui.
Profa. Dra. Débora Bevilaqua Grossi, pessoa sábia, querida, comunicativa que me ajudou muito quando foi banca do meu mestrado e que sempre traz ideias novas para o estudo da dor e consequentemente para aprimorar o tratamento dos pacientes com cefaleia e DTM. É dela o recado. Ela passou quando palestrou no último congresso do comite de Dor Orofacial da Sociedade Brasileira de Cefaleia.
A Edmara, a Débora, a Thaís, Maria Cláudia, Gabriela Carvalho, Gabriela Ferracini, Anamaria, Lidiane, Harumi, Suzana (Suuuu), Dani Marcelino e a tantos outros fisioterapeutas que fazem parte aqui da minha vida, meus parabéns não só pelo dia de hoje mas pela dedicaçao de toda a vida! Sintam-se abraçados!
Neste texto ele faz uma revisão sobre o efeito placebo em especial na analgesia e discutiu como ele funciona e como o paciente reagem a ele. Em particular gostei da parte em que fala sobre acupuntura e também das placas oclusais.
Aqui vai o link: http://www.quintpub.com/userhome/jop/jop_23_2_Greene_Mauro_2.pdf
Abaixo segue um quadro que retirei do texto com mecanismos responsáveis pela resposta positiva sobre três condições: tratamento (tx) ativo, placebo e nenhum tratamento.
E atenção! Várias pessoas me escrevem pedindo para que eu poste mais artigos em Português. Gente, hoje não há mais desculpas com relação à língua! Basta entrar no Google Tradutor, copiar e colar o texto e pedir para traduzir! Ontem li um artigo publicado em alemão assim. Claro que nem todos as frases saem perfeitamente mas dá para entender bem o contexto!